O que dizer sobre juras de amor? E as juras de altar? Tá fora de moda? Monogamia funciona de verdade ou se trata apenas de uma imposição social?
Recentemente apareceu uma moça de perfil muito discreto no estúdio de tatuagem de uma grande amiga minha, no momento em que eu estava fazendo uma visita ao local. Ela disse ser casada com um funcionário de uma conceituada empresa de porte grande, e apesar de sua aparência meio fechada, falava de maneira bastante segura sobre seu casamento. Disse que o marido viajava muito devido às responsabilidades de sua função, deixando ela muito sozinha, e automaticamente, muito carente. De tudo. De tudo MESMO. TUDO.
Acompanhe o diálogo entre ela e a artista que riscou a sua pele. Detalhe: eu estava presente, e isso não a intimidou de contar a sua história.
- Sabe o que eu queria fazer? Um nome. Letras pequenas, coisa bem discreta…
- Sem problemas. Qual vai ser o local?
-Na “esfiha 
-Hã?
-Na “esfiha 
-Sei… No caso… “Esfiha†seria o que eu estou pensando?
-No que você está pensando?
-Na sua vagina…
-Exatamente…
-Certo… Bem, não vejo problemas. Me mostre… É… Me mostre o local especificamente, por favor… Chega aqui no vestiário.
O constrangimento de minha pessoa era tanto que queria achar uma máquina de lavar roupas pra enfiar a cabeça dentro e ligar. Como o vestiário era próximo de onde estávamos ainda continuei ouvindo o diálogo…
-Meu objetivo é o seguinte: quero o nome “Sérgio†no lábio direito. Quanto a fonte que pretendo usar, eu tenho uma referência aqui comigo.
-Tá certo. Vai ficar diferente, bonito. Seu esposo vai ficar lisonjeado com essa homenagem. E eu faço isso rapidinho…
-Não…
-Não?
-Não…
-Não o quê?
-Sérgio não é meu marido.
-Não?
-Não…
-Há tá…
-Sérgio é o grande amor de minha vida. Temos uma relação de quase quatro anos.
-Há sim… Legal…
-Isso é problema pra você?
-Claro que não! Isso não é de minha conta, cada um faz o que quer…
-A real é a seguinte: meu marido é um homem que gosta de mulher peluda. Ele fica aqui em Salvador durante uma, duas semanas, e depois viaja, ficando no mÃnimo um mês fora. Enquanto ele está aqui, adoto o estilo Cláudia Ohana.
-Hum… Aquela coisa “natureza rústicaâ€, né?
-É… Já o Seginho adora raspadinha. Então minha homenagem pro Serginho vai ser isso. O nome dele. Assim que meu esposo viaja, eu fico raspada. Agora, além de lisinha, o Serginho vai ver o nome dele em seu local preferido. Como eu sempre sei quando meu marido chega pelo menos quinze dias antes dele vir, começo a deixar crescer… Com uma semana e meia eu já estou bem peluda, cobre rapidinho.
-É, né? Você é uma mulher pra lá de criativa. E corajosa…
-Corajosa nada… Um deles é minha vida e o outro é meu amor. São coisas diferentes. Na verdade eu amo os dois, mas só gosto de dar pra um deles. Pro meu marido só dou por obrigação, e nem preciso me estressar muito com isso porque mesmo quando ele está aqui, mal me procura pra sexo.
-E você não fica desconfiada dele não? Tipo, pelo fato dele não te procurar sexualmente? Não imagina que ele possa ter uma amante?
-Quando você casa com um homem precisa estar consciente de que, pelo menos uma amante vai estar no “pacote”. Você pode fingir que não sabe disso, aceitar, ou então quebrar o pau e pedir a separação quando descobrir de fato. No meu caso, escolhi não optar por nenhuma das opções tradicionais. Prefiro me divertir.
Imagem – internet











































































