Sobre nós dois

Se quiser, você pode ler o texto ouvindo: Frejat

 

A gente vive desafiando a lei da atração.

N√£o combinamos no tamanho, nem na cor dos cabelos.

N√£o gostamos do mesmo tipo de bebida.

Eu curto Fernando Pessoa e você gosta de ler Veríssimo.

Jogo fora a tampinha do iogurte, enquanto voc√™ me d√° ‚Äúbom dia‚ÄĚ, lambendo a sua.

Os meus pés ficam gelados e as suas mãos quentes.

Eu gosto de cochilar na rede e você prefere a almofada do tapete.

Planejo tudo o tempo todo, você resolve na hora.

Temos o mesmo gosto para a m√ļsica, mas nem sempre queremos ouvir a mesma.

Você gosta de nadar e eu de correr.

Passa horas na se√ß√£o de org√Ęnicos do supermercado e eu me resolvo nos enlatados.

Me irrito no tr√Ęnsito e voc√™ s√≥ se preocupa em dizer que passei a marcha errada.

Adoro o Natal e você prefere ir dormir.

Viro madrugadas, enquanto você se vira de um lado para outro da cama.

N√≥s somos diferentes…

E são tantas diferenças irrelevantes.

Elas parecem não ter a menor influência quando se trata de nós.

Sabemos que todas elas vão até onde começa o amor.

Você é meu, eu sou sua e a gente sabe que não existe mesmo razão, nas coisas feitas pelo coração.

Você poderia ter encontrado outra pessoa.

Eu poderia ter escolhido alguém igualzinho.

Mas a gente se quis, a gente se quer…

A gente sabe que nenhum caminho é fácil, mas a companhia pode tornar tudo muito melhor.

A gente se sabe, se ama e se der, a gente pensa nas outras coisas menos importantes.

 


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10 coisas que as mulheres n√£o gostam na hora do sexo

Dizem que sexo √© bom, at√© quando √© ruim. Pode at√© ser, quando voc√™ s√≥ quer satisfazer as necessidades mais primitivas, mas nada melhor que um sexo bem feito que faz at√© voc√™ ficar na d√ļvida se est√° transando ou sendo transportado para outra dimens√£o. Engana-se quem acha que para uma boa transa √© necess√°rio posi√ß√Ķes variadas, inusitadas ou lugares diferentes… o que faz um sexo bom, √© a sintonia de quem est√° nele.

Mas, para as mulheres, algumas coisas podem transformar esse momento em algo broxante, desanimador. E eu vou revelar 10 delas para vocês, meninos!

Sexo academia: aquele que o cara faz cheio de s√©ries ensaiadas. Parece que viu v√°rios tutoriais no youtube de ‚Äúcomo ser um garanh√£o na cama‚ÄĚ e segue todos √† risca. Pega a menina joga pra cima, joga pra baixo, levanta com um bra√ßo s√≥, depois com os dois, faz 15 apoios com ela nas costas… aff! Beleza que voc√™ est√° se empenhando, mas precisa ser natural.

Narrador: a gente gosta quando o cara demonstra o que est√° sentindo. Gemidos, palavr√Ķes e elogios que fazem a mulher se sentir gostosa, √© muito bom. Mas ficar descrevendo tudo o que vai acontecer, como se fosse um narrador de futebol, √© rid√≠culo e portanto broxante. Encontre uma linha equilibrada, afinal ficar mudo tamb√©m n√£o √© legal!

Call center: a hora do sexo, √© um momento de entrega e intimidade total. Os dois devem estar imersos nessa atividade. Se o seu celular tocou e voc√™ diz ‚Äúdesculpa, mas preciso atender‚ÄĚ, ela n√£o vai perceber isso como se voc√™ fosse um cara respons√°vel ou ser solid√°ria por seu cachorro estar na UTI, entender√° como n√≠vel de prioridade e neste caso, o celular parece mais importante. Deixe vibrando para n√£o ceder √† tenta√ß√£o de atender ou ent√£o n√£o transe, caso algo muito urgente esteja acontecendo.

Carinhosinho: se você tem um apelido carinhoso para o seu pênis, por favor, nunca o revele nas primeiras transas. Faça isso apenas quando a relação já tiver um tempo considerável e em um momento que não comprometa o tesão da moça.

Casc√£o: veja bem… higiene √© b√°sico e, a rigor, eu nem precisaria ressaltar isso aqui, mas para os desavisados de plant√£o, √© importante lembrar que um corpo cheiroso √© sucesso garantido. N√£o queira um sexo oral de qualidade, se voc√™ n√£o est√° devidamente preparado para isso, ok?

Bebum: beber t√° liberado e at√© excita quando o homem est√° meio ‚Äúaltinho‚ÄĚ, mas ir para cama b√™bado, √© eliminat√≥rio. A mulher precisa saber que ela √© especial naquele momento e a sua cacha√ßa em alto n√≠vel, vai transforma-la em apenas mais um corpo.

Apressadinho: nunca, jamais e em hip√≥tese alguma, pule as preliminares. Algumas mulheres at√© atribuem uma import√Ęncia pequena √† elas, mas ainda assim n√£o dispensam. Entendam, apenas entendam, que √© nesse momento que voc√™s v√£o aquece-las para o sexo e depois disso, todo o resto ser√° um sucesso. Inclusive, algumas preliminares valem pelo sexo inteiro!

O pesquisador: é bacana pensar em coisas novas e propor isso no sexo, mas tenha cuidado. Não é porque você leu em um estudo realizado pela Universidade de Michigan, que lambidas no cotovelo é excitante para uma mulher que mora em Machu Picchu, que todas as mulheres vão sentir a mesma coisa. Se tentou e ela não esboçou nenhuma reação, não continue neste propósito.

O esquecido: algumas coisas n√£o devem ser esquecidas na hora do sexo e desculpinhas n√£o v√£o funcionar. Se voc√™ est√° tentando fazer sexo anal com ela, seja claro, n√£o diga que a investida foi ‚Äúsem querer‚ÄĚ. Se ela estiver lhe fazendo sexo oral e voc√™ for gozar, PRECISA avisar. Encare isso como uma obriga√ß√£o. Ela √© quem decide se deixa a boca ou tira. Por favor, n√£o fa√ßa o ‚Äúesquecidinho‚ÄĚ nesse momento. Todos n√≥s sabemos que d√° tempo de avisar, n√©?

O day after: esta etapa, embora n√£o fa√ßa parte do durante, √© t√£o importante quanto. Nunca haver√° desculpa suficientemente boa para voc√™ n√£o ligar ou mandar uma mensagem no dia seguinte. Mesmo que ela seja uma garota que voc√™ conheceu na balada e que n√£o vai passar disso, mesmo que ela seja uma EX que voc√™ n√£o quer de volta e teve apenas uma reca√≠da, mesmo que ela seja aquela que entende tudo errado e acha que vai ser namoro… ainda assim, seja gentil. Existem milh√Ķes de formas de se enviar uma mensagem, sem se comprometer, mas falta de educa√ß√£o compromete e suja a sua imagem.

De nada!

 


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O vício de amar

Se quiser, você pode ler o texto ouvindo: Jota Quest

 

Eu tenho um vício incurável. Sou viciada em amar. Essa é a minha droga pesada, com todos os sabores, dissabores, alegrias, tristezas e cicatrizes.

Eu vejo amar como a coisa mais adrenalizante que existe. Nada pode me relaxar ou deixar mais feliz.

Amar me faz flutuar, ver estrelas, luzes piscando, dias mais claros e noites cheias de encantos. Sou, completamente, embriagada pela presença, pelo beijo inevitável, por cada detalhe de quem amo.

O efeito lisérgico que acomete os meus gestos, é facilmente identificado quando eu falo ou lembro de quem amo e esse é o problema do meu vício. Não dá para disfarçar o cheiro com chicletes, os olhos com colírio ou a ressaca com um café amargo. Os meus sintomas são tão fortes que não podem ser dissimulados.

E nessa entrega, me torno dependente. Não há cura! Fui feita pra isso, domino a arte de amar. O amor sempre será o sentimento que tenho em maior quantidade. A despeito de quando ele é ou não correspondido, o bem que me faz é muito mais significativo que os efeitos colaterais. Se amar fosse crime, eu seria condenada à cadeira elétrica. Sorrio em transe a cada dose de amor que consumo.

Mas como qualquer outro vício, a abstinência não é fácil. Nem mesmo por 24 horas.

O cora√ß√£o vazio quer ser ocupado, as m√£os anseiam por tremerem, a coron√°ria reclama que est√° ociosa, o est√īmago navega em √°guas calmas, as palavras saem sem paix√£o e o sorriso √© diferente… sem emo√ß√£o!

Não amar é qualquer coisa, qualquer nota, qualquer pensamento. Não amar é olhar o mundo sem mistério, sem cor. Não amar é estar cheio de si, mas vazio do outro. Não amar é não ser poesia, nem melodia.

Não amar é um saco!

A boca fica seca, o corpo n√£o queima, a lua √© bonita, mas n√£o √© linda. As estrelas n√£o tem o nome de quem voc√™ ama e a chuva s√≥ molha o corpo e n√£o a alma. N√£o amar √© lugar comum… mais do mesmo.

N√£o amar √© acordar todos os dias esperando amar de novo, mesmo que o √ļltimo amor tenha magoado e feito o seu peito apertar de tanta saudade. N√£o importa! O que importa √© sentir tudo isso de novo.

Amar é um vício sem cura!

 

 


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Ainda n√£o vi vantagem

Se quiser, você pode ler o conto ouvindo: Maria Rita

 

Norma L√ļcia n√£o era mulher de levar qualquer homem pra casa, muito menos desaforos. Evandro j√° estava frequentando a sua kitnet h√° um bom tempo, mas ainda n√£o tinha mostrado a que veio e ela mesmo repetia ao analisar a situa√ß√£o dos dois: ‚Äúainda n√£o vi vantagem‚ÄĚ. A segunda-feira come√ßou, como sempre, com a vizinha gritando com o filho rebelde, mas ela ligou o r√°dio bem alto e foi se arrumar para o servi√ßo. Subia apressada a ladeira que era caminho para a loja que trabalhava e n√£o notou que o vento levantava, insistentemente, a saia rodada que escolheu para usar naquele dia. Diante da quantidade de assovios que ouvia e das frases picantes pronunciadas pelos pedreiros que trabalhavam na obra da nova padaria do bairro, notou que algo acontecia, enquanto ela estava absorta nos pensamentos sobre Evandro. Hoje ela precisava resolver aquela situa√ß√£o!

Parou no meio da ladeira e olhou no seu entorno, quando se deparou com in√ļmeros guris rindo, extasiados e l√©pidos com o espet√°culo da sua saia levantando e com a imagem de Valmir, mestre de obra, que nesse momento estava refestelado em um andaime com uma p√° de cimento em uma m√£o, enquanto a outra pegava no pr√≥prio saco, como se quisesse oferecer aquele presente para Norma L√ļcia. Arredia e libriana como era, n√£o contou dois palitos e foi logo disparando:

- Será que ninguém aqui tem mais nada interessante pra fazer do que olhar a minha calçola, não? Se manda pra escola, seus pivete de merda. E você, Valmir, oferece isso aí pra suas nêga que eu não sou obrigada.

Se tinha uma coisa que Norma L√ļcia sabia fazer era mostrar o respeito que exigia. Com aquele vozeir√£o e a forma de gesticular enlouquecidamente quando falava, fez com que os moleques descessem a ladeira em passo acelerado para a escola e que Valmir, fechasse os dentes e largasse o saco no mesmo momento. Ela sabia que era gostosa, n√£o precisava de ningu√©m para confirmar isso.

O dia passou, as vendas na loja foram razoáveis e a comissão do dia, somada às outras do resto no mês, iria permitir que ela, finalmente, comprasse a sua tão sonhada máquina de lavar. Ficou feliz com esse pensamento, mas voltou a desviar a atenção para Evandro, que naquele dia era o seu maior problema.

O sujeito j√° enrolava Norma L√ļcia h√° uns oito meses, onde o discurso de que estava se separando da mulher, j√° havia cansado e perdido toda a credibilidade. A cada m√™s o motivo mudava. Era o menino que pegou uma gripe forte, era a mulher que estava com fur√ļnculo no sovaco, era a sogra que precisava de ajuda pra bater a laje e por a√≠ seguiam as imposturas.

Mas Norma L√ļcia, como ela sempre fazia quest√£o de dizer, ‚Äún√£o comia reggae‚ÄĚ e estava agora indo para a porta da empresa de √īnibus que Evandro trabalhava como cobrador, para resolver esse perrengue de uma vez por todas. O coitado mal saiu do port√£o com a sacolinha na m√£o e aquela toalhinha suada no pesco√ßo e Norminha, como ele a chamava, j√° estava gritando o nome dele aos berros do outro lado da rua, do lado do carrinho de Uelito, saboreando um milho cheio de manteiga.

Evandro, j√° imaginando o que o esperava, foi atravessando a rua pianinho para tentar amansar a fera e com aquele jeito malandro e cafajeste de sempre, foi soltando um entusiasmado texto:

- Fala minha gostosa, meu poço de deliciosidade. Seu Vandinho ta aqui pra te fazer feliz.

Norma L√ļcia, n√£o abandonaria o seu milho quentinho antes do √ļltimo caro√ßo, por nada nem Evandro nenhum desse mundo. Ent√£o, depois de terminar, jogar fora o sabugo e passar as m√£os pela saia, lascou:

- Pode parar de conversa mole, porque eu t√ī aqui √© pra resolver pobrema. Das duas uma: ou a gente vai agora conversar com tua mul√© e resolver essa pobrem√°tica de vez ou tu desaparece da minha vida, seu ex√ļ.

Evandro at√© tentou lan√ßar mais uma daquelas suas conversas que at√© hoje haviam sido bem sucedidas, mas n√£o logrou √™xito. Norma L√ļcia n√£o era mulher que se enrolasse por muito tempo, mas s√≥ at√© onde ela permitia.

O bairro inteiro parou para olhar aquela moça forte e determinada, que mesmo tendo o coração cheio de amor por aquele pouca coisa, sabia que acima de qualquer relação doentia, estava ela. Chegou bem perto dele, ajeitou a bolsa do lado e as pulseiras do braço, ao tempo em que olhava bem na cara dissimulada de Evandro e mandou no volume máximo:

- Olha aqui, meu filho, j√° que tu n√£o quer ser meu h√īmi, some da minha vida porque de amigo eu j√° t√ī bem e se for s√≥ pra fuder, at√© aqui nessa rua eu arrumo uns 15. Ent√£o chega dessa palha√ßada de ir pra meu puxadinho, me comer e se picar. Pra algu√©m pisar em mim, eu precisava me deitar primeiro e √© mais f√°cil eu te derrubar do que tu me fazer cair.

E assim, com esse discurso digno de uma Evita Peron ou de uma Simone de Beauvoir, descontadas as devidas, grandes, contempor√Ęneas e estratificadas propor√ß√Ķes, Norma L√ļcia foi caminhando na rua em dire√ß√£o ao ponto onde pegaria o seu √īnibus.

Tranquila, em paz, aliviada, sem vento para esvoaçar sua saia, mas com a alma voando de tanta leveza.

Ilustração encontrada no Google de: Nutellah

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Pra te lembrar como foi

Se você quiser, pode ler o texto ouvindo: U2 and Mary J. Blige

 

Eu havia terminado de fazer uma salada meio sem graça e me preparava para comer, quando o porteiro avisou que você estava subindo. Só deu tempo de soltar os cabelos, fechar o botão da camiseta e me posicionar para abrir a porta, antes de você usar a chave.

Abri e você apareceu com uma garrafa de vinho em uma mão e na outra um pacote da minha doceria preferida.

Entrou me beijando como se nada tivesse acontecido, como se n√£o houvesse um hiato na nossa rela√ß√£o desde a √ļltima briga. Pegou as ta√ßas, serviu o vinho e foi falando coisas que me pareciam desconexas, enquanto colocava uma m√ļsica do U2, que marcaria esse momento para o resto da minha vida.

Me puxou pelo braço enquanto dizia que eu estava linda e afundou o nariz no meu pescoço, elogiando o meu perfume. Ameaçou uns passos como se estivesse dançando e eu, quase me deixei levar, mais uma vez, pelos seus olhos famintos que me desviavam de qualquer caminho.

Chega. Ou foda-se tudo, se assim preferir!

Na rotina dos nossos desencontros, eu me acostumei a aceitar as suas chegadas repentinas, retomando a conversa de onde parou e indo direto para a gaveta do arm√°rio do quarto, procurar o pijama que estava sempre l√°… lavado e guardado.

Me permita ser vil, pois cansei de ser indulgente por tanto tempo. Me dê o benefício da dignidade. Me deixe, no meio dessa tensão tênue entre me jogar nos seus braços e lhe mandar embora, tomar a minha decisão.

Foi tanta procrastinação e quando eu, finalmente decido, você quer me boicotar como faz todas as vezes que percebe que quero dar um basta.

Sempre que me recupero das suas idas, me deparo com as suas vindas, fazendo com que eu reconsidere. Há sempre uma porta entreaberta lhe esperando e junto a ela, a minha benevolência patológica de lhe deixar entrar novamente.

Sabe de uma coisa? Quem quer ficar, fica! Não inventa desculpas para ir embora dia sim, outro também.

O nosso velho e capenga amor, aqui jaz… descansa em paz.

Não se aproxime mais de mim. Não traga esperanças para onde não haverá recomeços, não traga fogo para onde há queimaduras.

Pode sair agora. Enquanto não choro compulsivamente. Se dizem que a medida de amar, é amar sem medida, eu posso atestar que te amei assim. Sem medidas.

Voc√™ quase me amou, mas quase n√£o √© muito, nem pouco… √© nada! N√£o volte dizendo que sente a minha falta. N√£o confunda saudade com a sua fobia de rejei√ß√£o. Pode levar as suas coisas e um pouco do meu orgulho espatifado que voc√™ pisou tantas vezes.

Quando sair, deixe a sua cópia da chave e o vinho. Eu ainda tenho uma salada para saborear, enquanto você volta para o silêncio barulhento que deixa em mim todas as vezes que vai.

Esqueça o mapa da minha rua. Esqueça tudo o que lembrar nós dois.

De você, quero apenas nada. Quero liberdade incondicional.

 


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Esteja atento

Se você quiser, leia o texto ouvindo: Os Paralamas Do Sucesso РCuide Bem Do Seu Amor

 

“De tudo ao meu amor serei atento… Antes e com tal zelo e sempre e tanto…”

 

Esteja atento ao seu amor. Sinta, perceba.

Olhe se encantando e valorize todos os instantes.

Todos. Até mesmo aquele em que cada um está no seu canto, mas com as almas sempre ligadas.

 

Entenda a preciosidade de ter alguém que possa amar e a completude de quando esse mesmo alguém lhe devolve o amor.

Comemore, vibre. Viva mais e se importe menos com as coisas pequenas.

Se brigar, que seja por besteira e que fazer as pazes seja a melhor parte.

 

Esteja atento. Sempre.

N√£o deixe que os dias passem sem dizer que ama e o quanto essa pessoa lhe faz sorrir. N√£o caia no erro de achar que n√£o precisa dizer porque ela j√° sabe.

 

Fique atento.

Perceba o que acontece… enquanto est√° tudo bem e, principalmente, tenha a sensibilidade para notar quando o amor que voc√™ doa, n√£o est√° sendo bem recebido.

Entenda os sinais de quem quer lhe afastar, os recados sutis, a linguagem do corpo e das palavras. Perceba o quanto antes, para não resvalar em uma relação unilateral.

Recolha o seu carinho, as suas aten√ß√Ķes, o seu amor verdadeiro e sereno e empacote com cuidado. Onde os seus sentimentos n√£o forem aceitos, n√£o insista em ficar. Siga, quando notar que √© preciso.

Nem sempre vão reconhecer a sua verdade, mas não desista dela por isso. Será costumeiro apontarem para você uma culpa que não existe e que portanto não é sua, então não acredite nela.

Não respire a crueldade das palavras de quem não sabe ir embora. Preserve o seu coração puro, sem mágoas e sempre cheio de amor para oferecer à quem quer recebe-lo.

Esteja atento, sempre!

 

NR: A cita√ß√£o no in√≠cio do texto √© do poema “Soneto de Fidelidade” de Vin√≠cius de Moraes.


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Você que eu não conheço

Se quiser, você pode ler ouvindo: Malta

 

Ele tem a mania de segurar o queixo enquanto olha alguma coisa no celular. Pelo jeito que se veste n√£o parece que est√° lendo algum artigo sobre pol√≠tica ou conte√ļdo cient√≠fico. Talvez o instagram, no m√°ximo o twitter.

Olha com uma certa irrita√ß√£o todas as vezes que algu√©m esbarra na mochila preta que carrega nas costas e que eu nem imagino qual seja o conte√ļdo. Em seguida, volta a olhar o celular e p√Ķe os fones. N√£o sei o que ouve, mas aposto comigo muitas op√ß√Ķes, entre elas, Chico Buarque. Talvez seja o meu desejo oculto de encontrar um homem que goste de Chico.

N√£o deve ser m√ļsica muito agitada, j√° que det√©m um semblante contemplativo, como se pensasse em alguma coisa ou algu√©m, enquanto ouve.

Vez ou outra tira um tridente do bolso. Ele gosta do de melancia, eu prefiro o de hortel√£. Quando chove ele usa um moletom preto com capuz que lhe confere um ar de menino rebelde.

Outro dia apareceu lendo um livro de um autor que acho raso e repetitivo. Inconscientemente, torci a boca, mas ele n√£o viu. Pelo menos ele l√™… j√° √© muito bom!

Est√° sempre com a mesma cara de todos os dias. Tipo um daqueles emoticons que usamos quando n√£o queremos dizer nada. Nunca sei se ele est√° triste, animado, irritado, ansioso, apreensivo ou feliz porque √© sexta. √Č sempre vago no olhar.

Apenas duas vezes notei alguma rea√ß√£o mais expressiva da parte dele. E uma delas foi quando deixei cair o meu celular numa po√ßa d¬īagua e soltei um ‚Äúporra‚ÄĚ cheio de raiva. Ele deu um sorriso de canto de boca e at√© hoje n√£o sei se foi dizendo ‚Äúbem feito‚ÄĚ ou ‚Äúse acalme‚ÄĚ. A outra vez foi quando viu uma mensagem que recebeu . O celular dele apitou, tirou do bolso, leu, sorriu e guardou. Nem se deu ao trabalho de responder.

Quando eu chego e ele j√° est√°, me posiciono longe, assim consigo observar melhor. Quando ele chega depois, sempre vem pra perto de mim… me d√° um ‚Äúbom dia‚ÄĚ por educa√ß√£o e segue o seu ritual de espera. Nada mais que isso.

Talvez um dia eu me aproxime e pergunte o nome dele, talvez eu conte que o observo todos os dias, talvez eu diga que na próxima semana é o meu aniversário e pergunte se ele não quer aparecer no bar que estarei com os meus amigos.

Mas talvez eu não pergunte nada. Talvez eu não queira ouvir respostas que possam interferir e acabar com o melhor momento do meu dia. Esses instantes em que esqueço dos problemas, das contas que tenho que pagar, da torneira da pia que está vazando e de tudo que não me dá tesão de fazer, só para ficar olhando esse estranho que já me é tão íntimo.

Talvez, talvez… amanh√£ ou depois eu decido. Por hora o meu √īnibus chegou e preciso ir.

Subo, mas sento em um lugar de onde posso v√™-lo e enquanto o √īnibus segue, me despe√ßo com aquele olhar que sempre trocamos, sem falar nada, mas deixando muito claro que estamos dizendo ‚Äúat√© amanh√£!‚ÄĚ.

 

 


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Cuidado ao entrar

Se você quiser, pode ler ouvindo: Coleção РIvete Sangalo

 

Se você está querendo entrar na minha vida, eu deixo. Estou mesmo precisando me apaixonar, novamente.

Pode chegar! Estou pronta pra recomeçar. Mas antes de qualquer coisa, eu preciso te dizer algumas coisas.

Não são regras ou um código de conduta, apenas detalhes sobre mim.

Eu nunca fui do tipo que chora porque perdeu a prova, o prazo de entrega do projeto, o horário, a concorrência ou o melhor lugar. Então eu vou entender quando você quiser ir embora. Sem drama!

Eu nunca fui do tipo que junta frases e palavras copiadas por aí, para dizer o que é simples e está dentro de mim, como se isso me fizesse mais inteligente. Então serei sempre muito simples e clara com você.

Eu nunca fui do tipo que faz quest√£o dos aplausos do mundo. Ent√£o, n√£o vou viver para agradar a todos, mas vou adorar te fazer feliz.

Eu nunca fui do tipo que desiste dos sonhos, vontades e planos. Mas sei entender quando, por algum deles, n√£o vale mais a pena insistir ou lutar. Ent√£o as suas a√ß√Ķes v√£o me mostrar at√© onde posso ir.

Eu nunca fui do tipo que se importa pouco, cuida pouco ou ama pouco. Comigo tudo é muito e nessa mesma intensidade, esqueço o que deve ficar no passado. Então, aproveite o nosso presente.

Eu nunca fui do tipo indecisa. Sei, exatamente, onde moram os meus desejos e as minhas saudades. Ent√£o, sempre vou te dizer o que quero.

Eu nunca fui do tipo que manda recados ou indiretas. O que tenho que dizer, você vai saber que te pertence, ainda que seja pelo meu silêncio. Então, fique atento, me ouça e sinta.

Eu nunca fui do tipo que tem muita paciência. Canso, desanimo, as vezes perco a cabeça, erro, faço escolhas insensatas, confundo, mas não escondo nada disso. A ideia de perfeição me assusta. Então entenda que sou humana, assim como você.

Eu nunca fui do tipo que convive bem com mentiras. Ent√£o vamos construir a nossa verdade.

Eu nunca fui do tipo que vive o amor impondo limites, por isso te digo tudo isso agora e espero que você entenda e lembre, pois não vou passar os nossos dias repetindo ou cobrando nada do que estou pontuando.

Ent√£o √© isso! Estou disposta a ser feliz e se voc√™ tamb√©m quiser, pode vir… a porta est√° aberta.

 

 


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Episódio 8: Paulo

Sabe quando você sente falta de alguma coisa na pessoa e quer encontrar uma compensação ou uma outra qualidade que possa suprir aquela falta?

Pois √©… ou√ßa a hist√≥ria de hoje!


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N√£o posso mais viver sem mim

Ontem, enquanto eu tomava uma √°gua de coco, na orla, uma mo√ßa desconhecida se aproximou e sentou ao meu lado. Como tenho essa cara de ‚Äúfala-que-eu-te-escuto‚ÄĚ, ela come√ßou a me dizer que estava sofrendo MUITO com o fim de um relacionamento. Perguntei ent√£o quanto tempo foi de rela√ß√£o e ela disse ‚Äú15 dias‚ÄĚ. Depois que o susto passou, eu falei pra ela algumas coisas que eu pensava, mas a conversa me fez trazer esse tema aqui hoje…

 

N√£o h√° como negar, vez ou outra estamos as voltas com uma chata dor de cotovelo, um temido amor mal curado, com o gosto amargo dos fins.

Sim, √© doloroso! Se voc√™ amou ‚Äúde verdade‚ÄĚ e perdeu essa pessoa, certamente, n√£o ser√° t√£o f√°cil esquec√™-la.

O problema √© quando voc√™ come√ßa a banalizar essa dor e achar que qualquer rompimento merece um fundo de po√ßo. Calma a√≠! Vamos respeitar as verdadeiras dores de amores… aquelas que alimentam os poetas, d√£o muni√ß√£o aos compositores e uma aquarela de cores agressivas √†s telas dos pintores.

A efemeridade das rela√ß√Ķes est√° levando as pessoas a nomearem um encontro de duas semanas, como hist√≥ria de amor. Ficam durante 10 ou 15 dias e ao terminarem, se entregam a uma dor que √© pouco justific√°vel emocionalmente e muito atribu√≠da √† quest√Ķes mais profundas da alma.

Na minha humilde opinião, esta funcionalidade de transformar relacionamentos pouco substanciais em etéreos, tem sua origem em um ponto fragilizado e eu diria que o centro de tudo:  a autoestima! Neste caso, a falta dela.

Nem Darwin e a sua psicologia evolucionista na busca pela compreensão da existência humana, entenderia essa mania de acelerar os processos e já rotular encontros passageiros, como capítulos densos de uma história, quando não passam de um prefácio.

Ocorre que este tipo de posicionamento, o de se sentir enlutado nos fins das rela√ß√Ķes, vem mesmo da falta de autoestima que desencadeia a inabilidade para lidar com a rejei√ß√£o, que por sua vez, vem acompanhada de v√°rios outros fatores, como a necessidade de agradar e de aprova√ß√£o, frustra√ß√£o, car√™ncia e uma s√©rie de quest√Ķes que fazem os fins tornarem-se verdadeiros calv√°rios.

A aus√™ncia da autoestima vai fazer voc√™ encarar cada elogio como uma fonte de energia, cada carinho como prote√ß√£o e cada ‚Äúeu te amo ou eu te adoro‚ÄĚ como um atestado de que voc√™ (olha s√≥!) √© uma pessoa digna de ser amada.

E, acredite, toda aquela história de que é preciso se amar primeiro para depois ser capaz de amar, verdadeiramente, o outro, não é conversa fiada de revista feminina, isso é um fato!

A falta do amor próprio pode fazer você viver em um mundo escuro, onde não conseguirá enxergar as coisas mais óbvias. Se envolver com pessoas de caráter duvidoso e achar que está ótimo só para ter atenção e carinho, acreditar que parceiros que nada tinham a acrescentar eram muito mais especiais que você e pode te levar a dar poder sobre sua vida, pra gente que não merece nem o  poder de ficar com o controle remoto da sua TV.

Sabemos que n√£o √© f√°cil recuperar a autoestima assim… da noite para o dia. Esta des-constru√ß√£o est√° arraigada na inf√Ęncia e portanto h√° um longo caminho pelo autoconhecimento at√© que todos os gatilhos que desencadearam a perda dela sejam identificados e trabalhados.

Então, permita-se um olhar mais carinhoso sobre si mesmo. Perceba que você, como qualquer ser humano, não é constituído só de defeitos. Identifique, valorize e propague as suas maiores qualidades.

Essa busca desenfreada para encher esse vazio que você tem na alma, não está e nunca estará em outra pessoa. Essa questão é interna e você precisa aprender como resolvê-la.

Quando voc√™ n√£o percebe o ser especial que √©, pergunta para o universo: ‚ÄúMas por que ele n√£o me quis? O que tem de errado comigo?‚ÄĚ

Quando voc√™ se ama, joga para o universo: ‚ÄúN√£o me quer? Mas o que h√° de errado com ele?‚ÄĚ.

Descubra-se, ame-se e pare, de uma vez por todas, de sofrer por gotas que mal encheram um copo.

 


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