Limpando a memória

Se você quiser pode ler o texto ouvindo: Paralamas do Sucesso

 

No meio do apartamento vazio e ainda sem personalidade, milhares de caixas entulhavam o ch√£o.

Algumas delas atravancavam a porta da varanda impedindo que ela fosse aberta. Então a primeira resolução no meio do caos seria aquela: liberar a passagem. Depois de um pequeno esforço estava livre para ser aberta e no correr das esquadrias uma brisa forte e fresca entrou arejando de imediato a sala quente.

A bagun√ßa continuava e junto com ela a pregui√ßa conhecida de quem se muda de casa e n√£o sabe por onde come√ßar a arrumar tudo nos seus lugares. Tentando n√£o esbarrar em nada e sem saber onde estavam os objetos fr√°geis, um pequeno desequil√≠brio e um trope√ß√£o fez uma velha caixa conhecida ser aberta e espalhar o seu conte√ļdo.

Numa r√°pida olhada vi ali dentro daquele espa√ßo de papel√£o todo florido, lembran√ßas de uma vida inteira. Fotos, bilhetes, tickets de passagens, cart√Ķes que acompanharam flores e presentes, moedas de outros pa√≠ses, poemas escritos em guardanapos, ‚Äúamo seu cheiro‚ÄĚ escrito na caixa de um perfume, lembran√ßas, lembran√ßas e mais lembran√ßas.

Me abaixei para come√ßar a juntar e no meio de tantos flashbacks, veio o √≠mpeto de jogar fora tudo que um dia significou muito, mas que hoje n√£o faz a menor diferen√ßa. Por que aquelas coisas ainda estavam ali? Gente que fez mais mal do que bem, gente que s√≥ ficou poucos dias, gente que sequer ficou… mas todos de alguma forma ainda estavam ali.

Imediatamente, tracei um paralelo com as lembranças que guardamos na memória, algumas machucam e nos fazem sofrer sempre que as resgatamos, mas ainda assim as mantemos lá, nos recusamos a apaga-las e esquece-las de uma vez por todas. Muitos diriam que é bom sempre lembrar para não cometer os mesmos erros. E eu pergunto: quem aqui quer ser perfeito?

Quando dei por mim, já estava rasgando metade das coisas que estavam na caixa. Conservei pouquíssimas. Só aquelas que de algum jeito me traziam alegria ao recordar e não nostalgia de algo que eu queria, mas não deu certo.

Acabei essa limpeza e a sensação de leveza foi indescritível, parecia um exorcismo de tudo que um dia me travou o riso.

Mentalmente, comecei a fazer a mesma faxina na memória e o coração ficou muito mais limpo. Fez bem. Renovou. Floresceu.

E você? Quais as caixas que precisam sair do seu caminho? Quais as fotos que precisam ser rasgadas e quais memórias apagadas?

Experimente fazer essa faxina.

As outras caixas continuaram no meio da sala, mas estranhamente a preguiça sumiu e em pouco tempo tudo estava nos seus devidos lugares e eu pronta para um novo começo.

 

 


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Transbordou

Se você quiser pode ler o texto ouvindo: Passenger

 

Você já me disse muitas coisas difíceis de ouvir, algumas delas bem cruéis. Sofri em cada uma, mas perdoei todas as vezes. Já me tratou friamente, já me abandonou muitas vezes, mas quando voltava, o meu sorriso continuava o mesmo.

E o cora√ß√£o? Sempre cheio de amor e incapaz de guardar qualquer cent√≠metro de m√°goa. Era como se a cada volta sua zerasse todo o cron√īmetro da espera, da saudade, da ang√ļstia e nada mais me atormentava.

Não sabia dizer se o dom de me fazer esquecer a parte ruim era seu ou meu. Hoje sei. Tenho certeza que era um mérito meu, na verdade um demérito à mim. Fazia de conta que não fui ferida e me entregava a felicidade de ter você um pouco mais.

Nem eu conseguia entender o que me fazia relevar tanto, qual mistério existia em você que simplesmente apagava a memória ruim e conservava as melhores. Parecia feitiço, agora sei que não era.

Curiosamente, depois de suportar tanto, algumas √ļltimas palavras suas, nem t√£o cru√©is como muitas outras, fizeram com que eu acordasse do transe que me encontrei por tanto tempo. Acho que entendi o verdadeiro significado da express√£o ‚Äúa gota d¬īagua que fez o copo transbordar‚ÄĚ.

Você conseguiu me fazer transbordar, me derramar inteira e finalmente entender que não exerce mais nenhum efeito sobre mim. Demorou eu sei, mas nem tão tarde foi. Deu tempo suficiente de olhar para trás e refletir que você nunca foi grande coisa.

Eu te inventei, reinventei… te transformei em algu√©m interessante enquanto te idealizava. Pena mesmo voc√™ n√£o ser nada daquilo, sequer passou perto. Agora vejo que o mundo sem a sua sombra constante me rondando √© muito mais interessante.

Acabou a sua gestão e a demissão foi por justíssima causa.

 


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Sete “maravilhosos” anos

Se quiser pode ler o texto ouvindo uma das m√ļsicas que mais amo:¬†Lulu Santos

 

Hoje, chego aos sete anos dessa nem t√£o longa caminhada como blogueira. √Č anivers√°rio do Coisas de Liz e quem me acompanha j√° sabe que comemoro, fico feliz, fa√ßo festa e sempre agrade√ßo todo o carinho que recebo de quem l√™ e me segue por aqui.

√Č muito amor que tenho por esse espa√ßo, por esse meu canto. Mesmo a quantidade de textos diminuindo nos √ļltimos meses, n√£o me afastei daqui nem nos dias mais dif√≠ceis da minha vida. O ano de 2015 foi puxado! N√£o foi f√°cil passar pelo c√Ęncer, mas em alguns dias menos duros, consegui escrever e ficava muito feliz em saber que a quimioterapia n√£o conseguia detonar a minha inspira√ß√£o. Sempre que escrevo nunca me preocupo se o texto vai ter muitas curtidas ou compartilhamentos, atingir nem que seja um s√≥ cora√ß√£o j√° me faz feliz.

Mas nos dias que escrevi enquanto fazia químio, era quase uma festa a cada curtida ou comentário de vocês pois aquilo me fazia acreditar que eu não estava sozinha, que vocês estavam comigo mesmo sem saber o que estava acontecendo.

Era como enxergar que a minha vida continuava l√° fora, mesmo eu estando dentro de uma ‚Äúbolha‚ÄĚ afastada de tudo.

Muita coisa aconteceu nesses sete anos. Tantos amores, sorrisos, l√°grimas, decep√ß√Ķes, mas acima de tudo muita alegria. A frequ√™ncia dos textos ainda n√£o voltou ao normal, mas agora n√£o √© por falta de sa√ļde. Gra√ßas √† Deus estou bem e saud√°vel, √© que nesse per√≠odo tenho me dedicado ao livro que comecei a escrever para contar a minha experi√™ncia ao passar pela doen√ßa e tudo o que mudou depois dela. Sinto uma alegria imensa em estar finalizando esse projeto, embora eu ainda tenha muitas outras etapas pela frente at√© public√°-lo.

Mas o post de hoje n√£o √© para falar do livro e sim em comemora√ß√£o ao anivers√°rio do blog que continua sendo o meu xod√≥. Quero dizer que n√£o tem faltado inspira√ß√£o, apenas tempo para escrever mais aqui. Sou a mesma rom√Ęntica de sempre, apesar de agora enxergar o amor por um outro √Ęngulo. N√£o √© que eu ame menos, √© que agora me amo mais. (at√© resolvi me “amostrar” ilustrando o post com fotos minhas rsrsrs)

Obrigada por estarem sempre comigo, meus amores! Não sei explicar a felicidade que sinto em ter vocês aqui e nas minhas redes sociais. Mesmo sem saber, vocês me dão força e estímulo quando mais preciso.

MUITO OBRIGADA e feliz sete anos para nós!

 


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Como explicar?

Se você quiser pode ler o texto ouvindo: Ed Sheeran

 

Como explicar que sonhei com voc√™ essa noite e que ao sair de casa, pela manh√£, liguei o r√°dio em qualquer FM e a primeira m√ļsica que ouvi foi aquela que me lembra voc√™?

Como explicar essa falta de tudo que não tivemos, essa necessidade de querer falar com você todos os dias?

Como explicar se não posso falar? Como gritar se ninguém pode ouvir o que tem aqui nesse coração irresponsável?

Como explicar ter milhares de pessoas no mundo e eu me apaixonar pela mais complicada, por aquela que n√£o h√° a menor possibilidade ou chance de estar ao meu lado?

Como explicar que algu√©m √© o meu n√ļmero, que foi feito pra mim, mas n√£o est√° nos meus bra√ßos?

Como explicar que tento esquecer, tento n√£o pensar, tento n√£o querer, mas a nossa m√ļsica n√£o deixa? Como agora quando ela toca enquanto te desenho na mente e escrevo tudo isso.

Como explicar que você foi feito pra mim, mas trocaram os endereços e outra pessoa pegou o pacote? Como desfazer esse mal entendido e te ver, finalmente, entrando pela minha porta?

Como explicar eu olhar tantas vezes para essa foto que temos juntos e em todas elas pensar em formas diferentes de te dizer “eu te amo”?

Como explicar tanta saudade? Como?

 


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Se eu pudesse me dar um conselho

Se eu pudesse voltar no tempo e me dar alguns conselhos, muita coisa poderia ser diferente. Tantas burradas seriam evitadas, muitas pessoas nem se aproximariam e outras eu teria guardado pra sempre.

Eu me diria, principalmente, para continuar com a mesma ingenuidade de acreditar no ser humano. Juro. Eu me daria esse conselho que n√£o serve pra muita coisa, mas √© que quando voc√™ come√ßa a perceber a maldade dos cora√ß√Ķes que te pisam e magoam, fica tudo t√£o cinza. Se deixar que isso nos contamine, nunca mais vamos acreditar em ningu√©m. Ent√£o eu me aconselharia a continuar tentando.

Certamente me jogaria alguns baldes de √°gua fria ou me daria belisc√Ķes para acordar todas vezes que fosse cair no mesmo erro. Talvez me xingasse de tonta, maluca ou coisas piores. Mas tamb√©m estaria pronta para me estender a m√£o nos momentos em que a dor fosse muito forte.

O principal conselho que me daria, seria para n√£o acreditar no que pessoas negativas tem a dizer. Aqueles ditos ‚Äúamigos‚ÄĚ que tem sempre um problema para as minhas solu√ß√Ķes, aqueles homens que cruzaram o meu destino sem nada acrescentar e insistiam em me colocar pra baixo e me tratar com descaso. Ah, esse conselho seria precioso pois me pouparia tantas tristezas e arranh√Ķes na autoestima.

Se eu pudesse voltar no tempo, eu me olharia nos olhos e diria: vai ser difícil encontrar alguém bacana, mas não aceite qualquer coisa apenas para suprir carências. Não se encante com palavras falsas em voz de veludo.

Eu me pegaria pela m√£o e mostraria quanto tempo perdi tentando agradar e fazer feliz quem jamais se importou comigo.

Seria um papo muito interessante. A minha vers√£o do passado t√£o boba e rom√Ęntica, com a minha vers√£o atual quase nada boba e ainda rom√Ęntica.

Por fim, me diria que mesmo quebrando a cara muitas vezes, me decepcionando ou sofrendo, o meu coração continua disposto a amar e não se tornou uma parede impenetrável.

As pessoas só te transformam, para o bem ou para o mal, se você deixar. E eu só absorvi as coisas boas. Cicatrizes a gente sempre tem algumas, mas elas servem apenas para ajudar construir a sua história e não para serem o ponto principal.

Mas se eu pudesse voltar no tempo e me dar tantos conselhos, que gra√ßa teria evitar sorrisos, paix√Ķes, arrepios, emo√ß√Ķes… mesmo que depois algumas l√°grimas tenham rolado?

Que graça teria um mundo previsível? A gente entra no jogo do amor pra ganhar, mas as vezes perder também é um bom caminho.

Ainda bem que conselho só se dá à quem pede. Definitivamente, jamais me pediria algum.

 


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Só sei que sinto

Se voc√™ quiser pode ler o texto ouvindo:¬†James Morrison – Please Don’t Stop The Rain

 

Não é desespero para ter alguém, é só uma vontade grande, imensa, que quase não cabe em mim, de viver um amor leve, recíproco, daqueles que faz a gente fechar os olhos só de lembrar o rosto da pessoa.

Essa vontade é tão forte que parece até uma certeza. Quando ando nas ruas, quando ouço Chico, quando vejo uma cena de amor em algum filme que emociona. Tudo me faz sentir a saudade desconhecida de quem eu espero chegar.

√Č incr√≠vel como parece t√£o certo e t√£o incerto.

Sinto como se esse amor estivesse pronto pra mim e ao mesmo tempo não faço a menor ideia de onde ele esteja. Será que já conheço ou será que nunca vi?

O coração quer ter calma e esperar a hora certa, mas há uma urgência em pegar a felicidade pela mão e sair por aí vivendo tudo que ainda não sentimos.

√Č como se eu j√° tivesse ido aos lugares certos, mas sem a pessoa certa.

√Č como se aquela montanha no meio do mato fosse ganhar outro cheiro e outras cores, com esse amor do meu lado.

√Č como se eu j√° estivesse com as malas prontas, s√≥ esperando ele cruzar o port√£o do embarque… E que ele, depois de ter corrido como um louco por outros caminhos, desviado de obst√°culos, dores e perdas, vai chegar ofegante at√© a mim e em um √ļnico abra√ßo sentiremos que era isso que faltava.

Quando o tempo fecha eu penso que a chuva talvez o traga, quando o vento √© forte eu penso ser um pren√ļncio da sua chegada, quando o sol nasce bem forte e me envolve, imagino que √© para me mostrar como ser√° a presen√ßa dele. Cheia de luz.

Não sei explicar, só sei que sinto esse amor como se ele estivesse pronto para germinar, crescer, voar, somar. Não me pergunte como, quando e onde, só sei que sinto.

 


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Expectativa: mocinha ou vil√£?

Oi gente!

Para quem perdeu a live de hoje, segue o vídeo do nosso bate papo.

Todas as quartas, eu entro ao vivo l√° na reda√ß√£o do iBahia para falar sobre algum assunto relacionado a paquera. O tema hoje foi “Expectativas”. Ser√° que elas s√£o t√£o ruins assim? Ou ser√° que n√≥s √© que queremos sempre ser atendidos nos nossos desejos? Assista e mande a sua opini√£o tamb√©m.

A participação linda e especial é de Rafael Sena.

Beijos

 


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Dicionariando

RESPIRAR: Aquilo que a gente faz para encontrar respostas teoricamente ‚Äúcertas‚ÄĚ, para o que se queria responder com o cora√ß√£o, mas o outro pode se ofender.

RESPEITO: Aquilo que as pessoas exigem, mas nem sempre s√£o capazes de devolver.

ATENÇÃO: Aquilo que muitos cobram, mas não se dão ao trabalho de ouvir, entender o que acontece na sua vida ou se importar com ela.

PACIÊNCIA: Aquilo que se espera de você para suportar brincadeiras de mau gosto, respostas frias, descaso, mas que quase ninguém está disposto a ter quando você não está nos seus melhores dias.

SEUS ERROS, DEFEITOS E VACILOS: Aquilo que as pessoas jamais comentam na sua frente, mas perdem horas falando para terceiros.

IRONIA: Aquilo que as pessoas usam achando que você é burro o suficiente para não entender, mas na real elas que não são inteligentes o suficiente para saber usar.

CANSA√áO: Aquilo que chega quando voc√™ esgota toda a cota de boa vontade para lidar com situa√ß√Ķes pequenas e ego√≠stas.

TEMPO: Aquilo que é precioso demais para ser desperdiçado com quem deixa te amar porque queria que você fosse perfeito.

 


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O que eu achava do amor

Se você quiser pode ler o texto ouvindo: Love is Not A Fight

 

Eu achei que o amor fosse uma mistura de muita coisa. Que seria legal estar com alguém inteligente, mas que também seria possível rir de besteiras e falar merda depois de um dia estressante.

Pensei que estar sempre junto do outro fosse muito bom, mas que os períodos de recuo também fossem essenciais para nutrir a nossa essência.

Imaginei que amar era ver além do corpo, era desejar mais o que o outro é, do que o que ele tem.

Sonhei que amores precisavam ser amigos antes de mais nada, que admira√ß√£o precisava ser m√ļtua e essencial.

Achei também que confiança fosse condição sem a qual não se construísse uma relação e que mentiras não fizessem parte de uma convivência entre quem se ama.

Na minha imaginação, cuidado e atenção seguiriam por todo o tempo, até mesmo quando não existisse mais sentimento.

Na forma que eu imaginava o amor, pedir desculpas não era tão difícil quanto pisar em um prego.

Achei que amar era escrever bilhetinhos, andar de m√£os dadas, correr na praia, comer pipoca vendo filme, guerra de travesseiros, tomar banho juntos, dormir agarradinho nos primeiros cinco minutos, dividir alegrias, problemas, estar focado na rela√ß√£o e n√£o levantando hip√≥teses de como seria voltar a ser solteiro, achei que amor era paz, porto seguro, m√ļsica, tes√£o, sexo a qualquer hora, ter no fim do dia aquele abra√ßo que voc√™ desejou o dia todo, viajar pra maior cidade do mundo ou para o meio do mato, sentir falta, sentir raiva mas s√≥ um pouquinho, poder contar tudo, mas tamb√©m ter segredinhos do bem, poder falar pelos cotovelos, mas tamb√©m ser respeitado quando calar. Eu pensei que amar fosse tanto, fosse tudo.

Sim, talvez seja uma vis√£o rom√Ęntica e iludida, mas em minha defesa, √© assim que eu sei amar, por isso achei que fosse regra.

E se voc√™ tamb√©m pensa tudo isso sobre o amor, pode estar se perguntando porque acho que estou errada. √Č que eu n√£o consigo mais enxergar essa cumplicidade no olhar das pessoas. A impress√£o que tenho √© que quase ningu√©m quer viver esses momentos e que o amor perdeu espa√ßo para a superficialidade.

Vai ser difícil deixar de acreditar em tudo o que o amor representa pra mim, mas o fato é que estou em uma das fases mais confusas que já vivi.

De um lado querendo me poupar das mesmas conhecidas decep√ß√Ķes.

Mas do outro, me sentindo completamente pronta para amar, como nunca estive antes.

Que o destino se encarregue, pois.

 

 


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Acabou a brincadeira

Se você quiser pode ler o texto ouvindo: Amy Winehouse

 

Dei agora de falar tudo na cara, sem filtro, sem pudor e as vezes sem noção. Passei muito tempo escondendo palavras de você, como quem guarda um cadáver no armário, por medo de que frases duras te afastassem de mim.

Parece até doença, mas era amor. Era amor mesmo antes de ser. Eu não sabia que era, mas você descobriu rapidinho e então se aproveitou da minha maneira letárgica de te esperar sempre, foi aí que me transformei no seu brinquedinho.

Aquele que ficava lá jogado na caixa e vez ou outra você se lembrava, pegava para brincar e depois jogava no assoalho. Cada descarte era uma porrada e em cada tombo, eu desmontava.

Depois de um tempo você voltava com aquele jeito chicobuarqueano de seduzir, me catava do chão, remontava as peças e eu, deixando a sanidade para trás, me aninhava em suas mãos.

√Č rid√≠culo, concordo. Mas quem nunca?

Sabe, eu poderia enumerar uma lista imensa de raz√Ķes que me fizeram te amar, mas dessa lista, acho que s√≥ lhe pertenciam de verdade, uns dois itens, todo o resto fui eu quem inventei. Eu te queria tanto que consegui transferir para o ser vazio que voc√™ √©, tudo o que eu sonhava encontrar em um grande amor.

Claro, você não tem culpa. Mas sempre se aproveitou muito bem desse meu amor cego e marginal.

N√£o posso dizer que te odeio e isso n√£o √© por gentileza, aprendi a rotular os sentimentos como eles, realmente, s√£o. Acontece que n√£o √© √≥dio mesmo, n√£o √© descaso, n√£o √© desprezo, n√£o √© m√°goa. √Č apenas… nada.

A cada vez que você atirava o brinquedinho, um pedacinho se partia. Tão pequeno que nem dava para perceber. As arestas começaram a quebrar e o que dava forma se perdeu. Até que um dia você não encontrou mais a mesma.

Uma hora a gente acorda e expulsa a estupidez. Cansei de estar a sua espreita.

Pode parecer pejorativo me colocar no papel de um ‚Äúbrinquedinho‚ÄĚ, mas √© que para mentes infantis como a sua, talvez seja mais f√°cil entender atrav√©s dessa analogia.

Em outras palavras, acabou a brincadeira.

 

 


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