Acabou a brincadeira

Se você quiser pode ler o texto ouvindo: Amy Winehouse

 

Dei agora de falar tudo na cara, sem filtro, sem pudor e as vezes sem noção. Passei muito tempo escondendo palavras de você, como quem guarda um cadáver no armário, por medo de que frases duras te afastassem de mim.

Parece até doença, mas era amor. Era amor mesmo antes de ser. Eu não sabia que era, mas você descobriu rapidinho e então se aproveitou da minha maneira letárgica de te esperar sempre, foi aí que me transformei no seu brinquedinho.

Aquele que ficava lá jogado na caixa e vez ou outra você se lembrava, pegava para brincar e depois jogava no assoalho. Cada descarte era uma porrada e em cada tombo, eu desmontava.

Depois de um tempo você voltava com aquele jeito chicobuarqueano de seduzir, me catava do chão, remontava as peças e eu, deixando a sanidade para trás, me aninhava em suas mãos.

√Č rid√≠culo, concordo. Mas quem nunca?

Sabe, eu poderia enumerar uma lista imensa de raz√Ķes que me fizeram te amar, mas dessa lista, acho que s√≥ lhe pertenciam de verdade, uns dois itens, todo o resto fui eu quem inventei. Eu te queria tanto que consegui transferir para o ser vazio que voc√™ √©, tudo o que eu sonhava encontrar em um grande amor.

Claro, você não tem culpa. Mas sempre se aproveitou muito bem desse meu amor cego e marginal.

N√£o posso dizer que te odeio e isso n√£o √© por gentileza, aprendi a rotular os sentimentos como eles, realmente, s√£o. Acontece que n√£o √© √≥dio mesmo, n√£o √© descaso, n√£o √© desprezo, n√£o √© m√°goa. √Č apenas… nada.

A cada vez que você atirava o brinquedinho, um pedacinho se partia. Tão pequeno que nem dava para perceber. As arestas começaram a quebrar e o que dava forma se perdeu. Até que um dia você não encontrou mais a mesma.

Uma hora a gente acorda e expulsa a estupidez. Cansei de estar a sua espreita.

Pode parecer pejorativo me colocar no papel de um ‚Äúbrinquedinho‚ÄĚ, mas √© que para mentes infantis como a sua, talvez seja mais f√°cil entender atrav√©s dessa analogia.

Em outras palavras, acabou a brincadeira.

 

 


Publicado em Sem categoria | 2 coment√°rios

Eu não sou quem você está procurando

Se você quiser pode ler o texto ouvindo: Everything Has Changed

 

Achei bacana aquele jeito de voc√™ se aproximar, co√ßando a barba e falando alguma besteira que me fez sorrir. Tamb√©m achei legal voc√™ ter me elogiado daquela maneira diferente falando da minha nuca, pouco usual em um planeta que cultua bundas, peitos e padr√Ķes est√©ticos estabelecidos.

Seu papo √© inteligente e divertido, eu ficaria muito mais tempo naquela noite se n√£o estivesse ansiosa para ir pra casa e acabar de ler o √ļltimo cap√≠tulo de Persuas√£o, da Jane Austen. Tudo bem que √© a terceira vez que leio e talvez tenha sido um pretexto para ir embora.

Mas ao sair dali sem levar as suas investidas adiante, o que quis dizer foi: eu n√£o sou quem voc√™ est√° procurando. Pode parecer grosseiro, mas √© apenas a forma mais direta de esclarecer. √Č que n√£o sou mais eu, entende? Eu explico. Na verdade n√£o sou mais aquela que se encantava com qualquer cara bonito que mostrasse interesse. Eu agora sou outra bem melhor, uma vers√£o mais interessante pra mim e n√£o para os outros.

Achei fofo voc√™ me pedir uma chance, mas volto a dizer: n√£o sou quem voc√™ est√° procurando. N√£o quero mensagens, chamegos, m√ļsica. N√£o quero. Tudo isso vai durar at√© voc√™ me levar pra cama algumas vezes e depois os nossos encontros v√£o se dissipar como bola de sab√£o no vento.

Depois que a palavra ‚Äúnamoro‚ÄĚ perdeu o emprego, ningu√©m mais leva nada a s√©rio. Eu at√© gosto e fa√ßo alguns freelas, vez ou outra, mas nem sempre o cora√ß√£o entende que √© tempor√°rio e fica l√° achando que pode haver alguma estabilidade.

Ent√£o ouve o meu conselho e pula fora porque n√£o sou MESMO quem voc√™ est√° procurando. N√£o quero mais ningu√©m acordando e catando rel√≥gio e camiseta embaixo da cama, indo embora sem que eu saiba que dia volta. At√© comprei em um banco de frases feitas o lema ‚Äún√£o-quero-mais-amar-sozinha‚ÄĚ. Esse √© o meu problema, entende? Eu me apaixono, eu amo. Se tem uma coisa que eu sei fazer √© amar. Comigo n√£o tem mis√©ria de sentimentos, eu tenho muito.

Se o amor é lugar comum, eu quero essa mesmice sem reclamar. Eu sou mulher de detalhes, vou amar até aquele sinal de nascença que tu tem no braço e quase ninguém vê. Eu amo tudo, por inteiro.

Eu sei sim que nada é perfeito, que amar envolve riscos e muitas vezes acaba. Mas amor pra mim sempre dá certo, mesmo quando ele fica só nas minhas poesias mal escritas.

Se sofro com os fins, n√£o tenho vergonha. N√£o choro na chuva para esconder as minhas l√°grimas, vejo cada uma delas que molha o meu rosto, como parte do que me torno a cada obst√°culo.

Acho que deixei claro, né? Não posso te dar uma chance por esses motivos que acabo de dizer.

Mas se tudo que declarei não te assustar, se despertar uma vontade maior e por consequência verdadeira, então eu posso repensar e dar uma chance, não para você, mas para nós. E aí tudo pode mudar.

 


Publicado em Sem categoria | 6 coment√°rios

Era uma vez a paci√™ncia…

Se você quiser pode ler o texto ouvindo: Lenine

 

Quanto mais você se valoriza e tem consciência de quem é, mais difícil fica encontrar alguém que possa estar ao seu lado. Veja bem, ter alguém perto é fácil, mas ao lado é diferente. Dizem que é paradoxal estar tão bem na própria companhia e ao mesmo tempo desejar alguém pra estar ao lado, mas na minha pobre e vã filosofia, uma coisa não anula outra.

Acredito que o momento mais certo de viver um amor é, exatamente, quando você está apaixonado por si mesmo. Só assim vai saber que não está procurando em terceiros aquilo que não tem ou aquilo que gostaria de ter.

Envolvimentos que chegam por carência, compensação, vingança e pelo mais perigoso dos motivos: medo de ficar só, dificilmente serão sustentados por muito tempo.

Sabe qual é a melhor forma de entender quando você precisa de um amor e não de uma companhia? Basta prestar atenção no mais legítimo sintoma que surgirá: fim da paciência.

Chega a ser estranho perder essa caracter√≠stica que antes admitia tudo e n√£o se incomodava com coisas que hoje parecem inadmiss√≠veis, muitos at√© costumam dizer que o “grau de exig√™ncia‚ÄĚ ficou maior, mas eu chamo de impaci√™ncia mesmo. Fica insuport√°vel aguentar aqueles comportamentos bipolares de quem n√£o sabe o que quer ou ouvir desculpas desbotadas.

As vezes, tremor e mal estar podem lhe acometer só de olhar o que a criatura posta nas redes sociais. O exibicionismo costuma aumentar progressivamente a impaciência.

Encontros marcados por noites maravilhosas e manhãs depressivas onde não se reconhece quem estava com você, dá cansaço e preguiça. Sem chance!

Abrir m√£o de um bom jantar com amigos e um programa bacana s√≥ para estar na baladinha mais falada da cidade, mostrando o look e distribuindo sorrisos para o primeiro que se interessar, sorry… n√£o d√° mais!

Pessoas que ficam ‚Äúperto‚ÄĚ por uma noite ou no m√°ximo uma semana e depois desaparecem, fugindo, se escondendo, como se voc√™ estivesse obrigando ou mantendo a criatura presa, j√° ultrapassa o limite do rid√≠culo.

Ter algu√©m ao lado √© diferente… √© saber que a pessoa est√° por vontade e por voc√™. Pelas suas qualidades, pelos seus defeitos, pelas discord√Ęncias e fatos em comum. H√° a teoria de que para chegar at√© essa pessoa, √© preciso estar com v√°rias outras que n√£o fazem bem e que depois de v√°rias experi√™ncias desastrosas, se chegar√° ao encontro certo, mas eu discordo.

A busca insana por esse alguém é que faz o barco ir para qualquer direção.

Mas e aí? O que se deve fazer? Sentar e esperar que esse encontro casual com um grande amor aconteça?

Não sei. Não faço a menor ideia. Mas esperar não é ficar parado.

A √ļnica coisa que eu sei √© que essa paz de esp√≠rito √© muito boa, essa sensa√ß√£o de n√£o estar procurando nada e ao mesmo tempo esperando tudo o que vier de bom, deixa a alma leve e feliz.

E então, talvez depois da chuva ou numa manhã de quarta-feira ou no inverno ou na beira do mar, esse amor aconteça!

 


Publicado em Sem categoria | Deixar um coment√°rio

Doeu em mim


De todos os preconceitos contra a mulher, o mais abjeto é acreditar que é possível ter acesso ao seu corpo, sem a sua permissão.

Não importa se é uma moradora de rua que mal sabe revidar um assédio, não importa se é uma drogada inconsciente, uma bêbada, uma deficiente física ou o tipo de roupa que ela esteja usando.

Ninguém tem direito a tocá-la sem o seu consentimento.

O estupro de uma garota por 30 ou 33 homens, é algo tão cruel que nos custa imaginar e acreditar que é real. Como não se chocar, se solidarizar e se colocar na pele dessa menina? Indiretamente, foi um estupro contra todas nós, sim. Nenhum caso é menos cruel que outro, mas esse podemos classificar como barbárie.

Todos os dias, de alguma forma, somos v√≠timas de preconceito… seja na brincadeira que o colega faz ao dizer que mulher s√≥ tem dois neur√īnios, seja quando algum ogro no tr√Ęnsito usa a cl√°ssica frase “s√≥ podia ser mulher”, seja no olhar do frentista quando voc√™ diz √† ele que sabe quando o √≥leo do carro precisa ser completado, seja no fato de ser tra√≠da e parecer normal, mas ao trair se tornar uma vagabunda.

N√£o sou feminista, mas apoio fortemente o movimento, gra√ßas √† ele muito espa√ßo j√° foi alcan√ßado e reconhecido. N√£o sou daquelas que se importa com cantadas na rua, mas nem por isso acho que elas devam existir. N√£o abaixo a cabe√ßa para homem que queira desmerecer o meu trabalho com piadinhas ou indiretas… esse √© um momento que n√£o fa√ßo quest√£o de ser polida.

Nenhum homem jamais ousou tocar em mim sem que eu permitisse, mas j√° senti isso na pele lendo relatos que recebi de leitoras contando que foram for√ßadas a transar, pelos pr√≥prios parceiros. Isso tamb√©m √© estupro! Fiz tudo que pude para que elas terminassem essas rela√ß√Ķes e fizessem den√ļncias.

N√£o podemos nos calar nunca!

Desde que soube desse caso tão trágico, não paro de sentir compaixão pela vítima, nojo desses criminosos e tristeza por viver em um mundo onde ainda é possível acordar com notícias assim.

 

 


Publicado em Sem categoria | 3 coment√°rios

Liberte-se

Se quiser você pode ler ouvindo: O Rappa

 

O que falta para você dar um basta nessa relação que te traz mais nuvens cinzentas que dias de sol?

Quantos sorrisos precisam ser apagados do seu rosto, para que você entenda que isso não está te fazendo nada bem?

Qual a quantidade de ‚Äún√£os‚ÄĚ que voc√™ ainda precisa ouvir para descobrir que esse caminho n√£o √© seu?

Acorda!

Se o despertador não funciona, tenta um balde de água fria, pede um beliscão ou presta atenção quando algum amigo te disser: cai na real!

Arranque a venda dos olhos e encare essa pessoa como ela é e não como o seu coração idealizou e queria que ela fosse.

Pare de engolir desculpas, imprevistos, mal entendidos, sapos, estorinhas de contos de fadas e as t√£o faladas ‚Äúpreciso de um tempo‚ÄĚ, ‚Äúa minha cabe√ßa est√° confusa‚ÄĚ.

Você quer ser personagem principal ou coadjuvante da própria história?

O hábito de se conformar em ser segunda opção, vai fazer você acreditar que é mesmo alguém que pode ser deixado pra depois.

Se voc√™ √© capaz de amar, dar aten√ß√£o, carinho e priorizar a pessoa que est√° ao seu lado, aprenda que tamb√©m precisa ter tudo isso de volta, pode ser uma surpresa para voc√™, mas √© assim que as rela√ß√Ķes verdadeiras funcionam.

Não aceite ser via marginal na vida de ninguém, não se contente com sobras.

Hey! Acorda… ainda √© tempo de dar um basta e sair correndo, gritando para o mundo que se libertou de um v√≠cio ruim, de um ciclo venenoso e que descobriu como fazer a escolha certa, pelo menos uma vez na vida.

No momento imediato, essa escolha pode até parecer dolorosa, mas depois você verá quanta sabedoria houve na sua decisão.

Acorda! Não precisa esperar até de manhã, a hora é exatamente essa.

Se precisar de um conselho mais direto, curto e grosso, l√° vai: sai fora!

Não esqueça que você tem uma vida só e precisa cuidar bem dela.

 


Publicado em Sem categoria | 2 coment√°rios

Teus detalhes

Se você quiser pode ler o texto ouvindo: Simple Plan РPerfect

 

A curiosidade nunca fez morada em mim

Mas s√≥ at√© voc√™ aparecer…

Sobre voc√™, eu queria saber tudo… o que interessa e o que n√£o tem a menor import√Ęncia.

Queria descobrir todas as formas possíveis de te fazer sorrir.

Saber qual a sua refeição favorita.

Se você preferia matemática ou português, na época da escola.

Se jogava Banco Imobili√°rio ou Jogo da Vida.

Se queria ser Capitão América ou Homem Aranha.

Se já chorou no final de algum filme, se acha que Breaking Bad é melhor que Game of Thrones ou o contrário.

Quais os momentos que você é silêncio.

Os livros que te emocionaram, as m√ļsicas que ouve enquanto toma banho.

As trilhas que percorreu.

Sobre os teus domingos a tarde e sobre os teus outonos.

O caminho do teu coração.

Quando você é calmaria e quando é turbulência.

Como é mais fácil chegar até você? Voando ou andando suavemente?

Queria saber o que arrepia a tua pele e as frases certas pra te dizer.

Queria saber tudo sobre você e ainda seria pouco perto de toda a minha vontade de te saber de cór.

Desvendar cada pedaço do teu corpo, descobrir cada machucado da pele e da alma, saber o teu signo e qual dia da semana prefere.

Saber tudo, sobre tudo, o todo e todo dia.

Enquanto termino de beber esse café já frio e sem graça, não consigo imaginar nada melhor pra fazer que pensar em você e eu juro que tento muito pensar em outras coisas.

Me diz, por favor, quem te cimentou no meu pensamento.

Fico aqui, com você na cabeça.

Cheia de perguntas.

Sem nenhuma explicação.

 


Publicado em Sem categoria | Deixar um coment√°rio

Sem culpas

Se você quiser pode ler o texto ouvindo: Linkin Park РLeave Out All The Rest

 

Deitada na velha rede onde muitas vezes entrelaçamos as pernas, observo a sala vazia já sem nenhum sinal de você.

No chão não há mais o tênis jogado, o sofá está com as almofadas arrumadas, não há sua camiseta pelo avesso, a lata de cerveja ou os dvds da saga Star Wars espalhados pelo tapete.

Ausência que esvazia, presença mais forte que em outros dias.

Eu te vejo em todos os cantos, sinto o seu cheiro no travesseiro e nas gavetas ainda me deparo com coisas suas.

√Č dif√≠cil n√£o ter mais vest√≠gios, marcas ou objetos… mesmo sabendo que voc√™ n√£o volta.

Dizem que mesmo quando o coração sabe que acabou, a alma leva um tempo para concordar.

Não sei se o que me incomoda mais é a tua falta ou as culpas que teimam em pesar nos meus ombros.

Culpa por não ter cedido quando deveria, por não ter paciência quando foi necessário, por não estar perto quando você precisava, por ter te deixado ir.

São tantas culpas que mal consigo perceber a legitimidade dos meus sentimentos, mal consigo enxergar que deixar você ir foi o mais sensato a fazer.

Então penso melhor e concluo que não tenho que carregar culpas que não me pertencem, guardar troféus que simbolizam fraquezas ou medalhas por mal comportamento.

N√£o sou perfeita, nunca serei e nem quero ser!

Erro sim, muitas vezes… e por mais que eu me esforce, vou continuar errando pois √© da nossa ess√™ncia n√£o acertar sempre, √© demasiado humano n√£o fazer sempre o correto, perdoar ou ser bom o tempo inteiro.

Recuso o pensamentos cruel  de que você pode encontrar alguém melhor que eu.

Na verdade, eu quero sim que voc√™ encontre algu√©m, n√£o melhor que eu, pois n√£o existe esse tipo de compara√ß√£o, j√° que cada pessoa √© √ļnica, mas quero que voc√™ encontre quem te fa√ßa feliz.

Desejar a sua felicidade, j√° faz parte do que quero pra mim.

Ver você feliz sem me sentir triste por isso, é prova que consegui deixar o amor que sinto acima de todas as coisas menores.

E no balan√ßo da rede, a brisa volta a soprar o meu rosto… a sala sem voc√™, a vida sem n√≥s, mas no cora√ß√£o uma leveza sem fim!

 

(ilustração encontrada no Google sem o crédito, se alguém souber de quem é, me avisa)

Publicado em Sem categoria | 6 coment√°rios

Renascer

As vezes a vida da gente fica meio bagunçada e tudo parece estar caminhando para o lado errado, então você acha que não pode piorar e vem o destino te mostrar que pode piorar sim!

Ou talvez a vida não estivesse tão ruim e era você que não percebia todas as coisas boas que possuía até que toma uma rasteira daquelas e começa a acordar. Foi mais ou menos isso que aconteceu comigo!

Eu n√£o estava em um momento bom. Muitas inquieta√ß√Ķes, problemas para resolver, come√ßava a sentir falta de um amor… e outras coisas que me tiravam a paz. Era um momento ruim.

Ent√£o come√ßou o que mudaria a minha vida para sempre…

No dia 21 de setembro de 2015, fui diagnosticada com um linfoma n√£o-hodgkin, mais conhecido como aquele c√Ęncer que acomete o sistema linf√°tico. N√£o foi uma descoberta r√°pida… at√© chegar nesse parecer m√©dico eu vivi dias tensos.

Eu sei que gera curiosidade sobre como e onde apareceu, se fiz cirurgia, se estava no início e se tem cura. Vou contar tudo, de forma resumida!

Come√ßou com um sangramento que continuava depois que a menstrua√ß√£o ia embora. Era como se eu menstruasse o m√™s todo. A minha ginecologista, Dra. Ilka Seixas, descobriu que n√£o era nada no √ļtero, mas sim no colo do √ļtero. Havia algo l√°, que a princ√≠pio parecia um mioma.

A primeira bi√≥psia deu negativa para c√Ęncer, mas como foi feita no consult√≥rio, ela achou melhor fazer outra onde eu seria sedada em um centro cir√ļrgico, pois a resson√Ęncia apontava para neoplasia, ou seja, uma situa√ß√£o tumoral de 8,6cm.

Mesmo com todos os exames levantando a suspeita, eu s√≥ teria certeza com o resultado da bi√≥psia. At√© o laudo ficar pronto, foram quase 30 dias… dias em que eu n√£o dormia, n√£o comia e nada me fazia tirar esse pensamento da cabe√ßa: e se for c√Ęncer, o que ser√° de mim?

Finalmente, o resultado ficou pronto e eu fui levar at√© o m√©dico que faria a cirurgia para a ‚Äúretirada do mioma‚ÄĚ, j√° que a minha ginecologista n√£o √© cirurgi√£. Chegando l√°, ainda achando que eu n√£o tinha perfil para ter c√Ęncer, que essa doen√ßa s√≥ vem para quem tem um ritmo de vida muito louco ou que sente dores em algum lugar, afinal eu n√£o tinha NENHUM sintoma, al√©m desse sangramento e que logo estaria tudo resolvido, respirei e fui saber o que acontecia.

Mas contrariando todas essas minha hipóteses ridículas, o Dr. Alfredo Brito, de uma forma muito sensível e com uma compaixão que saltava aos olhos, me deu o veredito: o tumor é maligno!

Eu j√° chorei muitas vezes na minha vida, mas nunca um choro veio t√£o de dentro, t√£o das entranhas como aquele. Entrei num estado de transe onde as minhas pernas n√£o paravam de tremer, nem as l√°grimas de ca√≠rem. N√£o gritei, n√£o fiz esc√Ęndalo como muitos pacientes fazem ao saber da doen√ßa, sa√≠ educadamente do consult√≥rio, peguei o carro e guiada por Deus, consegui chegar na minha casa.

Ao chegar, me joguei no ch√£o e n√£o tinha for√ßa pra nada, s√≥ sabia que precisava marcar um oncologista urgente. Levei um tempo para escolher quem eu avisaria primeiro na minha fam√≠lia. Como dar uma not√≠cia dessas? Logo eu que sempre quero poupar as pessoas que amo das coisas ruins. Nesse momento do√≠a mais contar √† eles, do que ter c√Ęncer. Enfim, liguei para os mais pr√≥ximos e eles se encarregaram de contar para os outros.

S√≥ ent√£o comecei a recuperar um pouco da lucidez e controlar o choro. Era hora de ligar para um m√©dico e procurar um tratamento, mas eu n√£o sabia nem por onde come√ßar… tudo me assustava muito, foi ent√£o que liguei para a minha amiga Paula Dultra.

Paulinha j√° teve c√Ęncer de mama, lutou, venceu e hoje √© um anjo na vida de muitas pessoas que recebem esse diagn√≥stico, mostrando que a doen√ßa n√£o √© senten√ßa de morte e que h√° muita ignor√Ęncia ainda em rela√ß√£o √† isso. Ela tem o blog M√£o na Mama onde compartilha a sua experi√™ncia e ajuda muitas pessoas alertando para o diagn√≥stico precoce.

Eu liguei e em dez minutos ela estava na minha casa. Foi o primeiro abra√ßo que recebi no momento mais dif√≠cil da minha vida, o primeiro ombro que chorei e foi ela que come√ßou a me mostrar que o c√Ęncer n√£o era um bicho com tantas cabe√ßas como eu achei que era.

Foi ela também que marcou o médico, que foi comigo no dia da consulta e que me deu muita motivação para encarar a doença. Obrigada, minha amiga!

Bom, depois de todo desespero foi que descobri que eu n√£o tinha um c√Ęncer de colo de √ļtero, mas sim um linfoma n√£o-hodgkin que por acaso se instalou ali. N√£o precisei fazer cirurgia, pois meus √≥rg√£os, inclusive o √ļtero, estavam saud√°veis e o tratamento seria a quimioterapia.

A primeira etapa foi os exames que iriam checar as minhas fun√ß√Ķes para ver se eu aguentaria o tranco. Ecocardiograma, Resson√Ęncia de abdome e t√≥rax, PET Scan e uma bi√≥psia da medula, que pela gra√ßa de Deus, n√£o foi infiltrada.

Eu estava pronta para receber a bomba milagrosa e ent√£o no dia 14 de outubro fiz a primeira das seis sess√Ķes de qu√≠mio previstas pelo m√©dico.

Gente, n√£o √© f√°cil… cada quimioterapia √© diferente, afinal existem mais de 100 tipos de c√Ęncer, mas certamente, nenhuma delas √© muito simples. Mas tamb√©m n√£o √© como ouvimos por a√≠ e cada paciente √© √ļnico, n√£o adianta ficar comentando experi√™ncias alheias, pois cada um reage de uma forma. Eu n√£o vomitei, n√£o tive enj√īos, dores, mas fiquei muito, muito, muito fraca.

Mesmo com todo o inc√īmodo do processo, sou grata por n√£o ter tido complica√ß√Ķes e ter respondido bem ao tratamento. Internei duas vezes com febre, mas s√≥ por causa da imunidade que ca√≠a muito e me causava neutropenia febril (queda das c√©lulas de defesa do sangue), a√≠ tem que internar para evitar qualquer infec√ß√£o. Fiquei careca, mas diante de tudo, isso √© o que menos importa. Agora imaginem voc√™s que j√° tava puxado arrumar um bofe quando eu tava com cabelo, calcule agora que estou com essa cabe√ßa de kiwi! Mas vamos em frente!

No dia 27 de janeiro fiz a √ļltima qu√≠mio dos seis ciclos programados e no dia 26 de fevereiro, mais conhecido como o dia mais feliz da minha vida, o meu m√©dico me informou pela leitura do pet scan que o tratamento teve um resultado excelente e que n√£o havia mais o tumor.

Agora vou come√ßar as sess√Ķes de radioterapia para fechar o tratamento. A radio d√° a margem de seguran√ßa para que n√£o fique nenhum ‚Äúrestinho‚ÄĚ da doen√ßa. Obviamente, a partir de agora sempre serei acompanhada pelo meu m√©dico e farei revis√Ķes nos per√≠odos estabelecidos, esse acompanhamento √© essencial para manter a sa√ļde.

Sabe gente… em nenhum momento eu perguntei √† Deus ‚Äúpor que eu?‚ÄĚ. Se Ele me deu essa carga √© por ter prop√≥sitos maiores na minha vida e saber o que vou aprender com tudo isso.

E dentre as v√°rias li√ß√Ķes que aprendi,¬† compartilho essas com voc√™s:

- Sem f√© e ora√ß√£o, qualquer caminhada fica bem dif√≠cil. √Č maravilhoso poder contar com Deus!

- Nunca descuide do seu corpo e da sua sa√ļde, esteja atento a tudo.

- Valorize cada minuto da sua vida, a começar pelo fato de poder respirar (eu passei três meses com falta de ar)

Ninguém atravessa sozinho um momento desses e eu posso dizer que fui muito abençoada, pois encontrei anjos que me cercaram de cuidado e amor.

Agradeço à Deus por não me desamparar nunca, por fazer a minha fé ser grande, mesmo quando ela parece pequena e à Nossa Senhora, mãe que não me abandona.

Não tenho como citar aqui nesse post, todos os parentes e amigos que estiveram junto comigo nesse momento tão delicado. Foram muitos, graças à Deus! E os que se afastaram é porque foi essa a forma que o destino me fez enxergar que não eram amigos tão verdadeiros assim.

Mas não posso deixar de mencionar aqui a equipe médica que cuidou e cuida de mim. Eu me tratei (e continuo sendo acompanhada) na Clínica AMO e indicarei esse lugar maravilhoso, para quantos precisarem.

Metade da minha for√ßa e confian√ßa de que tudo daria certo, veio do meu hematologista, Dr. ALEX PIMENTA. Nem nos meus melhores sonhos eu imaginaria ter um m√©dico t√£o competente, cuidadoso e sens√≠vel. Ele me fez acreditar na cura, desde o primeiro dia que nos vimos, n√£o me prometendo o que n√£o podia, mas me dando seguran√ßa ao explicar e narrar como seria o tratamento. N√£o tenho a menor d√ļvida de que a miss√£o dele aqui na terra era a de ser m√©dico mesmo… Ah! Se todos fossem assim. Obrigada, Dr. Alex! Meu eterno carinho e gratid√£o √† voc√™!!!!

Agrade√ßo tamb√©m √† toda equipe de hematologia, em especial √† Dr. Vitor Hugo, #melhorpessoa que me dava alta nas minhas interna√ß√Ķes… aos anjos disfar√ßados de enfermeiros que me cuidavam na quimioterapia (Viviane, Paola, Cristiano, Leandro, Jamile, Georgia, Marcio). Obrigada √† todos os profissionais da Cl√≠nica AMO… dos meninos da portaria at√© aos outros m√©dicos queridos que me atenderam, √† Marcela psic√≥loga linda, √† Roberta e Graziela da nutri√ß√£o… se todos os pacientes com c√Ęncer pudessem ser tratados na AMO, certamente, a caminhada seria muito mais carinhosa e feliz.

Obrigada √† minha fam√≠lia, sem a qual eu n√£o chegaria at√© aqui, em especial aos meus tios Nalva, Ivo e minha m√£e (meus anjos), aos amigos que se mostraram verdadeiramente amigos, √† empresa que trabalho pelo total e incondicional apoio, obrigada √† Netflix por n√£o me deixar pirar quando eu precisava de distra√ß√Ķes. Obrigada √† voc√™ que se deu ao trabalho de ler esse post at√© aqui… isso √© sinal que de alguma forma, o seu carinho chega at√© √† mim.

Hoje sou outra pessoa e sem nenhuma mod√©stia, aceito o t√≠tulo de GUERREIRA, pois ningu√©m que passa por um c√Ęncer, merece ser reconhecido de outra forma.

Nesse per√≠odo em que me tratava, algumas datas comemorativas foram bem at√≠picas… passei a meia noite do dia de Natal e do Reveillon, ajoelhada, rezando e isso n√£o foi nenhum sacrif√≠cio, passei o dia do meu anivers√°rio fazendo a quinta sess√£o da qu√≠mio e passei dias quentes desse ver√£o sem ver o mar. O tratamento t√° acabando e eu estou aqui careca, com a pele detonada, fraca, branquela, mas agora que tudo passou, posso dizer que nunca estive mais feliz do que hoje e n√£o posso reclamar de NADA apenas AGRADECER!

Esse post também é para justificar a minha ausência aqui no blog e agradecer à todos que sentiram falta e me mandaram mensagens pedindo textos. Logo a rotina por aqui voltará ao normal.

Muito amor pra vocês!

Liz

‚ÄúNenhum mal ir√° resistir, os mares ir√£o se abrir, quando a boca de Deus declarar milagres nesse lugar‚ÄĚ

Publicado em Sem categoria | 42 coment√°rios

Um amor para lembrar

Se você quiser pode ler o texto ouvindo: Yellow

 

Todo mundo tem um amor que vai marcar pra vida inteira. Se ainda n√£o tem, vai ter!

Não importa se foi vivido ou apenas alimentado no seu coração solitário.

Não importa se foi uma história feliz ou cheia de desastrosas tentativas.

Não importa se fez você crescer, aprender ou se te levou para o fundo do poço.

Sempre vai haver aquele amor que você nunca vai esquecer.

Não depende do tempo que essa pessoa ficou na sua vida. Você pode até ter vivido algumas histórias longas e pouco relevantes, mas aquele que durou seis meses talvez marque mais que o que durou seis anos. Também pode ser o contrário.

Esse amor você vai lembrar sempre.

Seja com saudade, seja com medo de viver uma relação igual para não sofrer novamente, seja quando ouvir aquela velha canção que marcou a história ou seja só para continuar alimentando ódio e mágoa sem sentido.

Esse amor, muitas vezes será um escudo que você vai usar para se proteger de outros vacilos, lembrando o quanto sofreu na época, vai usar até como álibi para explicar o seu medo de amar de novo.

Esse amor pode ser aquele assunto que nunca vai se esgotar quando velhos amigos sentarem em uma mesa de bar e você contar com alegria a vitória de ter esquecido aquela pessoa que parecia nunca sair do seu pensamento.

Novos relacionamentos vir√£o, novas pessoas v√£o despertar paix√Ķes, novas experi√™ncias ser√£o vividas, mas aquele amor… aquele velho amor que significou tanto, continuar√° l√° em algum canto empoeirado.

Alguns não terão a menor possibilidade de renascerem e outros sufocados pelo tempo, cobertos pelas desculpas e conformismo ficarão só esperando uma gotinha de esperança para voltarem com toda força.

Não importa em que época esse amor aconteceu.

Pode ter sido o primeiro amor da escola ou da faculdade, pode ter sido aquele que você jurava que não fazia seu tipo e acabou sendo o que mais te completou, pode ser aquele que chegou quando você esperava e que foi embora quando você mais precisava, pode até ter sido um amor de carnaval. Não importa.

Aí dentro de você, sempre haverá um amor que nunca será esquecido.

Você pode levar dias, semanas, meses ou até anos sem falar o nome, sem ter notícias dessa pessoa, sem lembrar a história, mas quando menos esperar, esse amor vem à memória.

Você vai se permitir parar por alguns minutos e lembrar dos detalhes do rosto da pessoa, se perguntar o que ela pode estar fazendo naquele exato momento ou até mesmo desejando um vodu para espetar o rim da criatura, mas o fato é que esse amor do passado, nunca será esquecido.

Não pense que você é um fraco incapaz de apagar uma história que ficou lá atrás, é que algumas pessoas atravessam a nossa vida deixando uma tinta mais forte e marcas mais desenhadas.

√Č esse amor que voc√™ vai enxergar sempre no √ļltimo gole da ta√ßa de vinho e vai beber mais para que ele desapare√ßa, mesmo sabendo que no fundo, voc√™ n√£o quer que ele se apague.

Esse amor, é aquele lugar que você sempre volta em dias ruins, só pra lembrar que é capaz de superar.

Ainda que você tenha rasgado todas as fotografias, a memória continuará intacta.

Esse amor vai te acompanhar pra sempre e n√£o adianta lutar contra isso.

Você pode até ter saído da relação, mas esse amor que acabou ou adormeceu, nunca sairá de você.

 


Publicado em Sem categoria | 2 coment√°rios

Só queria saber

Se você quiser, pode ler o texto ouvindo: Joss Stone

 

Eu queria muito saber o que você pensa quando olha pra mim.

Será que percebe o sorriso trêmulo que aparece instantaneamente quando te vejo?

Eu queria muito saber o que você pensa enquanto eu falo.

Ser√° que percebe que estou me concentrando para n√£o atropelar as palavras com o nervosismo?

Eu queria muito saber em qual grau de burrice você me classifica.

Ser√° que percebe as besteiras que eu digo para disfar√ßar a ansiedade que ataca ao te ver? √Č como se a pouca intelig√™ncia que tenho, evaporasse na sua presen√ßa.

Eu queria muito saber o que você pensa quando está muito perto de mim e eu viro o rosto para não encarar os seus olhos.

Será que percebe que é medo de me entregar? Medo de deixar os meus sentimentos transbordarem pelos olhos?

Eu queria muito saber o que você pensa enquanto fico inquieta sem saber o que fazer com as mãos, sem saber como sorrir, sem saber se estou usando algum tipo de roupa que te agrada, sem saber se consegui disfarçar as olheiras com o corretivo.

Será que você repara alguma dessas coisas em mim?

Eu queria muito saber o que voc√™ acha da minha cara de boba… olhando enquanto voc√™ fala coisas que mal estou ouvindo, mas decorando a tua boca.

Ser√° que percebe e pensa ‚Äúessa √© mais uma que cedeu aos meus encantos‚ÄĚ?

Eu queria muito saber se nas poucas vezes que senti a sua respiração mais acelerada, foi por causa da minha presença.

Ser√° que eu te desperto algum sentimento?

Eu queria muito saber até quando você vai perturbar tanto a minha concentração e invadir os meus pensamentos.

At√© quando esse amor que n√£o √© plat√īnico, (√© catat√īnico) vai me consumir?

Até quando você me enlouquecendo?

Até quando eu resistindo?

Eu queria muito saber.

 

 


Publicado em Sem categoria | 1 coment√°rio