Não. O design não incentiva o consumismo. Você é que não entendeu direito.

Ou√ßo (irritada) pessoas que n√£o conhecem a fundo o trabalho de um designer, dizer que n√≥s s√≥ incentivamos o consumismo, com produtos que enchem o planeta de lixo desnecess√°rio. Pura ignor√Ęncia de quem n√£o tem a menor ideia do que se trata verdadeiramente o trabalho de um designer.

Uma parte importante do nosso trabalho √© a capacidade em enxergar solu√ß√Ķes, muitas vezes √≥bvias para problemas mais √≥bvios ainda, mas que s√≥ s√£o f√°ceis de ver depois de prontas. Tamb√©m encontrar uma necessidade latente, propor uma solu√ß√£o, na maioria das vezes, simples e fazer voc√™ acreditar que n√£o pode mais viver sem ela. √Č assim que bons projetos v√£o surgindo e ocupando um espa√ßo que, muitas vezes, nem pareciam estar ali, esperando para serem preenchidos.

Olhando de forma superficial, parece mesmo perfeito para um sistema que incentiva o consumismo. ‘Criar’ h√°bitos para vender produtos ou servi√ßos.

Mas não é bem assim que funciona, embora seja assim que aconteça se não estivermos alinhados com o verdadeiro objetivo do design que é, primordialmente, melhorar a vida das pessoas. E é neste momento que muita gente confunde necessidade evolutiva com consumismo desenfreado.

A diferença é bem grande e, espero, conseguir mostrá-la de maneira rápida e direta.

√Č tentador pensar que podemos substituir as coisas que j√° existem por outras que tenham a mesma fun√ß√£o, mas que sejam somente mais modernas ou mais bonitas. Esse pensamento √© burro, mesquinho e n√£o ajuda em nada nosso planeta que n√£o precisa de mais produtos que ser√£o descartados em um espa√ßo que j√° n√£o temos mais dispon√≠vel.

Então, como evoluir sem destruir e ainda mostrar que para mudar isso o design na verdade é um aliado forte e não o vilão da história?

Podemos ¬†e devemos destruir menos e reaproveitar mais. A velocidade e a forma como s√£o feitas as duas coisas √© que precisa ser invertida urgentemente. O bom design precisa estar a servi√ßo deste pensamento. Novas coisas precisam ser criadas, mas n√£o para simplesmente substituir as anteriores e muito menos com as mesmas fun√ß√Ķes.

Uma das formas de ir al√©m desse pensamento simplista √© com projetos novos que possam suprir mais necessidades, principalmente de forma funcional. ‘Abra√ßar’ o maior n√ļmero de projetos j√° existentes e os transformar em algo imprescind√≠vel e vers√°til. Projetos multifuncionais s√£o um bom exemplo disso.

Outra forma, √© se aliar √†s novas tecnologias para descoberta de novos materiais que possam poluir menos, ocupar menos espa√ßo, ser transformado com facilidade e que tenha uma vida √ļtil maior, e com isso demore mais de ser descartado, ganhando novas e importantes fun√ß√Ķes por muito mais tempo.

Podemos pensar tamb√©m em v√°rios projetos que devem agir de forma preventiva, e n√£o s√≥ como resolu√ß√£o de um problema j√° existente. Um bom exemplo pode ser uma simples, mas eficaz sinaliza√ß√£o de shopping, que garante um ganho de tempo e a perman√™ncia m√≠nima necess√°ria dentro do estacionamento respirando g√°s carb√īnico, o que vai impactar de forma direta na sua qualidade de vida.

E o que falar de projetos que fazem a diferença na vida de pessoas com necessidades especiais? Estes são sempre bem vindos e cada vez mais necessários para uma inclusão social mais justa e cada vez mais desejada dentro de uma sociedade que precisa ser mais consciente.

Conseguir tudo isso √© f√°cil? √≥bvio que n√£o, mas o seu trabalho como designer √© exatamente esse, n√£o fuja dele. √Č nesse momento que voc√™ se torna indispens√°vel para qualquer empresa s√©ria.

E pra você que só enxerga design como produtos bonitinhos e engraçadinhos, está na hora de se aprofundar e conhecer a real necessidade do trabalho de um designer responsável, e com isso, saber diferenciar um trabalho de design que realmente faz a diferença para o que só alimenta o consumismo desenfreado (ele também existe, claro). Isso impacta diretamente na sua vida, mesmo que você não perceba e só enxergue a superficialidade que está na sua cabeça oca. E pensamento raso, infelizmente nem mesmo o melhor trabalho de design é capaz de reverter.


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Porque este esfreg√£o j√° deveria estar nas prateleiras do seu supermercado

Com apartamentos cada vez mais compactos no mercado imobili√°rio, este esfreg√£o (projeto conceito da designer Snezana Jeremic) com o cabo ‘oco’ que promete fazer o papel de condutor da √°gua at√© o seu balde, poderia fazer a diferen√ßa na hora de limpar v√°rios c√īmodos da casa, principalmente os que tem uma pia pequena e n√£o foi projetada para receber um balde de tamanho padr√£o.

Já pensaram que bacana? Seria o fim de idas e vindas até a área de serviço só para encher o balde, e aonde tivesse uma torneira disponível ficaria fácil continuar o trabalho por toda a casa. Me parece super prático. Torcendo para virar realidade em breve.

Clique AQUI para conhecer mais sobre o projeto.

 


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Liberdade para ousar com ilumina√ß√Ķes diferentes usando o mesmo projeto

Me apaixonei por este projeto de iluminação da Vibia, empresa Espanhola que prioriza o design e procura estimular consumidores e profissionais a criarem sua própria experiência a partir de projetos simples, mas que farão parte de uma decoração final bem diferente, contando, claro, com a criatividade e imaginação de quem ousar em sua aplicação.

Eu, particularmente adoro formas assim√©tricas dentro de um projeto de decora√ß√£o. O desafio ao √≥bvio com propostas que confrontem o corriqueiro, como esse projeto de ilumina√ß√£o que nos apresenta um¬†interessante jogo de luz e sombras cheios de efeitos volum√©tricos e partes m√≥veis. Cansou de suas formas refletidas? √Č s√≥ trocar a posi√ß√£o dos pontos de luz e pe√ßas de reflex√£o para conseguir um novo visual.

Uma √ļnica l√Ęmpada de parede, estrategicamente posicionada, pode criar um cen√°rio diferente a cada posicionamento das pe√ßas que est√£o ali para fazer o papel de obst√°culos refletores desta luminosidade gerada. N√£o √© genial?

Clique AQUI para conhecer mais projetos da Vibia


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Um cordão, alguns nós e muitas possibilidades

Uma peça despojada e cheia de possibilidades interessantes. Esta foi a sensação que este projeto super bacana dos designers mineiros Lucas Couto e Pedro Augusto deixaram em mim.

Simples e r√°pido em seu recado, este m√≥vel, de nome ‘N√≥’, parece mesmo priorizar a versatilidade e a mobilidade para espa√ßos despojados, deixando a bagun√ßa com jeit√£o de organizada e com a cara do dono. Pra que melhor?

Adoro projetos que permitem ao usuário dar o seu toque pessoal mas sem perderem a personalidade. Compraria agora. Pena que ainda é um protótipo esperando para ser lançado.

Clique AQUI para conhecer mais detalhes do projeto.

 


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Design para manter longe, os pid√Ķes

Junto com o batom, a sua garrafinha de √°gua n√£o est√° livre dos pid√Ķes de plant√£o. Por incr√≠vel que pare√ßa as pessoas pedem este tipo de coisa mesmo sabendo que n√£o √© nada higi√™nico misturar sua saliva com a delas. Tem os que ainda tentam fazer malabarismos para manter a boca longe da sua garrafa, mas inevitavelmente acaba em bagun√ßa. Voc√™ sempre pode dizer n√£o, claro, mas o constrangimento normalmente toma conta da situa√ß√£o, se n√£o for voc√™ o constrangido, fatalmente vai ser o seu amigo pid√£o, sem no√ß√£o.

Como resolver este dilema? Com design, claro.

Este projeto simples e eficiente em forma de pinça, envolve o gargalo da garrafa e deixa um apoio para o queixo mantendo sua garrafa de água longe de bactérias e micróbios que possam estar morando na boca dos seus amigos que insistem em compartilhar da sua água gelada. A ideia além de inteligente, garante que a troca de saliva com alguém seja uma escolha sua.

Acesse AQUI para conhecer mais detalhes do projeto.


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Pancadas são uma boa solução para alguns problemas. Porque não?

Longe de achar que pancadas funcionam com seres humanos. Isso n√£o vai entrar em discuss√£o aqui, nem tente. Mas para facilitar a vida de quem precisa quebrar a casca das nozes neste natal, este projeto que aproveitou a base do¬†fouet (o famoso batedor de claras em neve) parece ser bem √ļtil e divertido.

Diferente dos martelos que espatifam suas nozes e as esparramam pela casa inteira, este divertido ‘estiligue’ (vou chamar assim) em forma de fouet promete ajudar no trabalho pesado te protegendo das chuvas de cascas que poderiam te atingir com a pancada.

Existem outros modelos com a mesma função e bem divertidos também, viveríamos sem todos eles, claro, mas a vida é sempre mais bacana quando procuramos maneiras novas de fazermos as mesmas coisas, concordam?

Para saber mais detalhes do projeto AQUI.


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Concurso nacional “Desenhe o Futuro 2014″ – Inscri√ß√Ķes at√© 30 de novembro – Agenda solid√°ria #25

O concurso desafia alunos a aplicar sua criatividade e habilidades em software 3D de design para desenvolver um projeto em torno do tema “Tecnologia que muda Vidas”. Eles podem participar de duas categorias ‚Äď Arquitetura, Engenharia e Constru√ß√£o (AEC); e Manufatura, Mecatr√īnica e Industrial ‚Äď e devem considerar em todo momento a sustentabilidade ambiental na concep√ß√£o de seus projetos.

A ideia do concurso vai de acordo com a missão da Autodesk de inspirar e preparar a próxima geração de inovadores e inventores com as ferramentas de design 3D para imaginar, projetar e criar um mundo melhor. Na verdade, alunos, professores e escolas no Brasil têm acesso grátis* a ferramentas profissionais de design 3D da Autodesk.

Os ganhadores serão anunciados em 15 de dezembro de 2014, e os vencedores do primeiro lugar de cada categoria terão a oportunidade de representar seu país no PANORAMA Autodesk, que será realizado entre os dias 2 e 6 de março, de 2015, na Universidade de Tongji em Xangai, na China.

Para saber mais, visite o site do concurso AQUI.

Sugestão enviada pela Giovana Savine. Quer saber como mandar sua sugestão de evento? Clique AQUI. E clique AQUI para ver todos os eventos que já estão rolando por aí.


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Colher para detectar impurezas na sua comida. Que tal?

O designer¬† Ernesto D Morales nos apresenta uma colher, digamos …curiosa. A superf√≠cie em concha foi substitu√≠da por um material transparente com o poder de lupa, como uma lente de aumento.¬†√Č uma sugest√£o para ‘inspecionar’ melhor o que se come por a√≠.

Que uma grande parte dos restaurantes espalhados pelas cidades (inclusive os chiques), já foram pegos com problemas de higiene em suas cozinhas, não é novidade pra ninguém, mas andar com uma colher em forma de lupa para ver pequenas impurezas como fios de cabelos, pedrinhas, ou que sabe até uma perna de barata, já não parece um pequeno exagero?

Exagero ou não, ainda se trata de um protótipo. Nem que você quisesse daria para comprar agora. Então vamos aguardar para ver se a ideia vinga mesmo.

Vi AQUI


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E você achando que sabe desenhar #4

Sabe aqueles seus rabiscos que você fazia no caderno e achava o máximo enquanto fingia prestar atenção na aula de matemática? Esqueça.

O garoto brasileiro de 15 anos, Jo√£o Carvalho est√° bombando na internet esta semana com suas ilustra√ß√Ķes em folhas de caderno que parecem 3D, mas s√£o feitas √† m√£o. Pois √©, n√£o tem truque de photoshop ou qualquer outro programa gr√°fico, √© talento nato.¬†Ficou com invejinha? Eu tamb√©m. Mas √© inveja boa viu Jo√£o? Seu trabalho √© incr√≠vel.

Para ver mais trabalhos do João é só acessar sua página no facebook.

 


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Como um designer descuidado pode ‘azedar’ o seu leite

Embalagens s√£o projetadas n√£o s√≥ para proteger seu conte√ļdo como tamb√©m para ajudar na venda do produto. Uma embalagem bem feita √© um bom come√ßo para atrair o consumidor e come√ßar, quem sabe, um longo relacionamento. Mas o que acontece se a embalagem fizer o caminho inverso, o de afastar o p√ļblico com algo de mau gosto ou, como aconteceu aqui nesse caso, com um projeto gr√°fico mal dimensionado?

Não precisa ter muita imaginação, nem mesmo ser designer para ver que esta embalagem deu errado, basta um rápido olhar na prateleira do supermercado para enxergar uma imagem fálica e totalmente fora da proposta final do produto que se quer vender. O erro fica ainda mais evidente por se tratar de um produto alimentício. Quem quer chegar em casa com o leite das crianças em uma embalagem que mostra um pênis estilizado? Ninguém, claro, principalmente as mães que não vão conseguir explicar o equívoco aos pequenos curiosos que são os primeiros a notar este tipo de descuido e encher as pobres coitadas de perguntas com respostas, no mínimo constrangedoras.

Mais uma vez este tipo de erro serve para mostrar o quanto é sério e cheio de responsabilidades o trabalho de um designer. Por isso não pode ser feito por qualquer um que, simplesmente sabe manusear programas gráficos de computadores.

O trabalho de um designer gráfico exige muito mais que habilidade com o photoshop, inDesign ou Illustrator (vejam que nem citei o corelDRAW). O designer precisa se preocupar com técnica, criatividade, e principalmente, funcionalidade, estética e ergonomia que permitam a interação do projeto com seu usuário de maneira natural, confortável e prazerosa (não pensem bobagem, influenciados pela imagem do leite). Além de tudo isso, precisa ainda, ter como característica forte a intenção, o design é totalmente intencional (e tenho certeza que a intenção do designer não foi mostrar o órgão masculino em uma embalagem de leite).

√ďbvio, que todos n√≥s estamos sujeitos a erros, mas montar uma ‘boneca’ antes de liberar o trabalho para a gr√°fica √© b√°sico, principalmente para embalagens cheias de dobras, isso n√£o pode ser ignorado, nem mesmo quando o tempo se mostra apertado. Porque tudo que n√£o √© feito do jeito certo, azeda feio.

Obs.: Para os leigos, ‘boneca’ √© como chamamos o prot√≥tipo montado manualmente para ser mandado junto com o projeto final digitalizado, justamente para que se tenha no√ß√Ķes de¬†tamanho, posicionamento das dobras, entre outros detalhes importantes do trabalho final.

Vi AQUI.

 


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