Antes de qualquer coisa, quero deixar claro que não sou torcedora de time algum, e o meu comentário sobre o troféu oferecido ao campeão baiano, passa longe de qualquer preferência dentro do campo. Até porque a minha se restringe à seleção brasileira em época de Copa do mundo, e olhe lá. Então vamos evitar, nos comentários, polêmicas desnecessárias de torcedores exaltados. Este é um post sobre design, não sobre futebol, ok?
Eu não podia deixar de dar a minha opinião, principalmente depois de ler nas redes sociais muitos comentários do tipo: “o design da taça ficou horrÃvelâ€. Por favor, se esta taça passou pelas mãos de um designer, meus pêsames, porque não considero esse, um trabalho de design. Podem chamar de arte (que é um trabalho de livre expressão do artista) ou de maquete (uma reprodução em miniatura de grandes estruturas), enfim do que vocês quiserem, mas, por favor, não chamem de design. Por um motivo bem especÃfico – design precisa de um objetivo claro e de especificações técnicas que passaram muito longe deste ‘troféu’ – Já imaginaram uma peça que é destinada à premiação de uma equipe (que não é de halterofilistas pelo que sabemos) pesar 45 kg, ter 35 cm de altura, 76 cm de largura e 96 cm de profundidade? Não lhes parece um exagero, pra não dizer um ‘trambolho’ difÃcil de guardar? Onde está a funcionalidade? e a ergonomia?

Se eu fosse fazer aqui um julgamento de valor da taça eu diria que é uma obra de arte que não me agrada, mas isso não tem a menor importância, primeiro que não sou torcedora do time que a levou para ‘casa’ – e com isso não tenho nenhum envolvimento emocional com ela – segundo, que o objetivo do post não é um julgamento simplista de bonito ou feio, e por último, não me considero uma crÃtica de arte para fazer da minha opinião, neste quesito, algo que seja relevante.
Mas o que não dá para ouvir calada são as pessoas dizerem erroneamente que esta peça faz parte do universo do design, porque neste caso não é questão de opinião e sim de conhecimento. Bonita ou feia, ela não é design. E parem de dizer que tudo é design. Leiam e se informem antes de dar opinião sobre o que não sabe, assim não corre o risco de falar bobagem. Pior ainda é ouvir que a taça “é designer” (socorro, designer é o profissional). Definitivamente mostra que a pessoa não tem nem ideia do que seja design ou designer. Melhor é continuar falando de futebol que todo mundo entende (ou pelo menos, acha que entende).
E como gosto pessoal não se discute (ou pelo menos não deveria se discutir) parece mesmo que esta forma de homenagem deu certo (as pessoas gostando ou não), quem tem boa memória vai lembrar que o troféu do ano passado foi uma réplica, no mesmo estilo, do Elevador Lacerda, outro Ãcone arquitetônico da capital baiana. Se eles repetiram a dose com o Mercado Modelo este ano, só posso imaginar que foi um sucesso, e, mais ainda, que podemos esperar outra homenagem no mesmo estilo para o próximo ano. Quem sabe a Arena Fonte Nova? façam suas apostas.
