O que s√£o gal√°xias?

 

Imagem em campo profundo, obtida pelo Telescópio Espacial Hubble. NASA. Blog O Guardador de Estrelas.

Imagem em campo profundo, obtida pelo Telescópio Espacial Hubble. NASA. Blog O Guardador de Estrelas.

Ol√°!

Você sabe o que é uma galáxia? Será possível haver vida em outras galáxias?

At√© o in√≠cio do s√©culo 20 n√£o existiam meios e t√©cnicas de visualiza√ß√£o que nos dessem certeza sobre a exist√™ncia das gal√°xias. Alguns astr√īnomos e pensadores usavam o termo “universos ilhas” para se referir a estes objetos quando ainda eram considerados uma hip√≥tese.

A partir da d√©cada de 1920, quando se comprovou a exist√™ncia dessas “ilhas de estrelas”, ou “universos ilhas”, os astr√īnomos procuraram um nome mais apropriado para nominar-lhes, j√° que Universo, por defini√ß√£o, √© o conjunto de “tudo o que existe” e, portanto, existe apenas um, e todas essas “ilhas”, contendo bilh√Ķes de estrelas, est√£o inseridas nele.

Era preciso criar uma palavra nova, que desse significado para um novo conceito. Que delícia!

E os astr√īnomos, que d√£o muito valor √† hist√≥ria, foram buscar no antigo grego o termo “Gal√°xia”, que originalmente quer dizer “c√≠rculo leitoso”. Uma refer√™ncia ao aspecto das gal√°xias e uma refer√™ncia √† nossa pr√≥pria gal√°xia, a Via L√°ctea e seu aspecto visto da Terra, que lembra um “caminho de leite” atravessando o escuro da noite, como um anel que a envolvesse.

O bojo da Via L√°ctea observado desde a Terra. Foto: ESO/S Brunier. Blog O Guardador de Estrelas.

O bojo da Via L√°ctea observado desde a Terra. Foto: ESO/S Brunier. Blog O Guardador de Estrelas.

Com o avan√ßo dos grandes telesc√≥pios, pudemos perceber que o universo observ√°vel est√° repleto de gal√°xias, um n√ļmero imensur√°vel delas, e o astr√īnomo Edwin Hubble (1889-1953) ent√£o criou uma classifica√ß√£o prim√°ria para os tipos mais comuns de gal√°xias.

Classificação primária de E. Hubble para as principais classes de galáxias. Desde as do tipo elíptico, graduadas de acordo com sua excentricidade até as espirais, subdivididas em espirais e espirais barradas tipo a b c. Imagem: reprodução. Blog O Guardador de Estrelas.

Classificação primária de E. Hubble para as principais classes de galáxias. Desde as do tipo elíptico, graduadas de acordo com sua excentricidade até as espirais, subdivididas em espirais e espirais barradas tipo a b c. Imagem: reprodução. Blog O Guardador de Estrelas.

As galáxias elípticas são subdivididas de acordo com sua excentricidade. Algumas são menos excêntricas, apresentando forma quase esférica, enquanto outras possuem formato elíptico bem acentuado (excêntrico).

A nossa gal√°xia provavelmente √© uma espiral barrada e possui duas gal√°xias sat√©lites menores, que podem ser vistas a olho nu sob condi√ß√Ķes de boa visibilidade. S√£o as chamadas “Nuvens de Magalh√£es”, em homenagem ao grande navegador portugu√™s Fern√£o de Magalh√£es, que comandou a primeira circunavega√ß√£o da Terra, realizada entre os anos de 1519 e 1522, e observou-as no c√©u. S√£o gal√°xias do tipo irregular, ou seja, n√£o possuem uma forma definida.

As Nuvens de Magalh√£es s√£o gal√°xias do tipo irregular e provavelmente sejam sat√©lites da Via L√°ctea. Podem ser observadas a olho nu, em condi√ß√Ķes de boa visibilidade, como duas t√™nues manchas esbranqui√ßadas na regi√£o sul do c√©u. Imagem: astro.if.ufrgs.br. Blog O Guardador de Estrelas.

As Nuvens de Magalh√£es s√£o gal√°xias do tipo irregular e provavelmente sejam sat√©lites da Via L√°ctea. Podem ser observadas a olho nu, em condi√ß√Ķes de boa visibilidade, como duas t√™nues manchas esbranqui√ßadas na regi√£o sul do c√©u. Imagem: astro.if.ufrgs.br. Blog O Guardador de Estrelas.

Nenhum artefato humano saiu da Via Láctea, para poder observá-la de fora e ter certeza de sua forma, mas há fortes indícios de que nossa galáxia seja do tipo espiral, provavelmente uma espiral levemente barrada.

As galáxias do tipo espiral barrada possuem bojo, e braços concêntricos, como as espirais comuns, entretanto, as barradas se diferenciam por possuírem um inesperado e curioso alongamento, ou barra, atravessando o bojo.

Ilustração esquemática do atual modelo da galáxia da Via-lactea. NASA. Blog O Guardador de Estrelas.

Ilustração esquemática do atual modelo da galáxia da Via-lactea. NASA. Blog O Guardador de Estrelas.

O nosso Sol √© uma das bilh√Ķes de estrelas que formam a gal√°xia da Via L√°ctea. Existem in√ļmeras estrelas da mesma classe espectral que o Sol, na Via L√°ctea. A nossa √© uma estrela de tipo comum e o que a torna especial para n√≥s √© ser a “nossa estrela m√£e”, o nosso lar e o nosso endere√ßo na gal√°xia da Via L√°ctea.

Uma de nossas vizinhas √© a gal√°xia de Andr√īmeda. Na imagem abaixo, podemos observar que o bojo gal√°ctico, no centro, √© sua regi√£o mais luminosa e massiva, e todas as estrelas que est√£o ao redor orbitam em torno deste centro luminoso. Observada desde a Terra, Andr√īmeda parece de soslaio, num √Ęngulo inclinado. Junto com as Nuvens de Magalh√£es, √© uma das tr√™s gal√°xias vis√≠veis a olho nu, que tamb√©m s√£o as gal√°xias mais pr√≥ximas √† nossa.

Nossa vizinha, a Gal√°xia de Andr√īmeda, pode ser visualizada a olho nu, sob boas condi√ß√Ķes de observa√ß√£o, na constela√ß√£o de mesmo nome, regi√£o norte do c√©u. Imagem: HST/NASA. Blog O Guardador de Estrelas.

Nossa vizinha, a Gal√°xia de Andr√īmeda, pode ser visualizada a olho nu, sob boas condi√ß√Ķes de observa√ß√£o, na constela√ß√£o de mesmo nome, regi√£o norte do c√©u. Imagem: HST/NASA. Blog O Guardador de Estrelas.

Outra galáxia famosa por sua beleza e frequente em capas de revistas é a galáxia do Sombrero, considerada entre as mais belas. De fato, lembra um belo e luminoso sombreiro mexicano:

Gal√°xia do Sombrero. Objeto 104 no Cat√°logo de Messier. NASA. Blog O Guardador de Estrelas.

Gal√°xia do Sombrero. Objeto 104 no Cat√°logo de Messier. NASA. Blog O Guardador de Estrelas.

Cada gal√°xia √© formada por bilh√Ķes de estrelas, que orbitam o bojo gal√°ctico (centro da gal√°xia). Veja a seguir a imagem de uma gal√°xia espiral vista de frente e, um mesmo tipo de gal√°xia espiral, vista de perfil.

Galáxia 628 do Novo Católogo Geral - NGC 628. Objeto 64 do Catálogo de Messier. Imagem: HST/NASA. Blog O Guardador de Estrelas.

Galáxia 628 do Novo Católogo Geral - NGC 628. Objeto 64 do Catálogo de Messier. Imagem: HST/NASA. Blog O Guardador de Estrelas.

Gal√°xia NGC 4565 do tipo espiral, observada de perfil. Em destaque, observamos seu bojo luminoso. HST/NASA. Blog O Guardador de Estrelas.

Gal√°xia NGC 4565 do tipo espiral, observada de perfil. Em destaque, observamos seu bojo luminoso. HST/NASA. Blog O Guardador de Estrelas.

Atualmente temos um modelo cosmológico mais consistente do que tivemos em qualquer outro momento da história e do conhecimento humano sobre a natureza. Trata-se de um modelo virtual, que sugere como seria o aspecto do universo observável, se pudesse ser observado em uma determinada escala de tamanho.

Em geral, entre n√≥s, mesmo nos grandes centros urbanos e com farto acesso √† informa√ß√£o, os modelos cosmol√≥gicos contempor√Ęneos s√£o pouco conhecidos e, portanto, n√£o compreendidos nem apreciados devidamente. O que √© uma pena, pois que o conhecimento pode fazer toda a diferen√ßa na forma de nos relacionarmos com o mundo.

Um dos modelos cosmológicos mais consistentes na atualidade foi obtido por um consórcio de astrofísicos de diferentes países, que alimentaram modelos de computação gráfica com toda sorte de dados relacionados à astrofísica e à cosmologia, processados durante semanas em um supercomputador do Instituto Max Plank, em Garching, na Alemanha.

Millennium Run. www.mpa-garching.mpg.de/galform/millennium/ Blog O Guardador de Estrelas.

Millennium Run. www.mpa-garching.mpg.de/galform/millennium/ Blog O Guardador de Estrelas.

Este √© o resultado. Na imagem acima, cada ponto luminoso contido em um pixel, dividido algumas milhares de vezes, representa um conjunto de gal√°xias. Cada gal√°xia, como vimos, √© formada por um conjunto de bilh√Ķes de estrelas, de todas as classes espectrais. Cada estrela comp√Ķe um sistema estelar, que pode ser simples, bin√°rio ou m√ļltiplo. O que chamamos de nosso Sistema Solar √© o √ļnico sistema estelar que conhecemos relativamente bem. Muitos sistemas estelares podem ter caracter√≠sticas parecidas com o nosso, enquanto outros certamente ser√£o bem diferentes.

Vamos dar um zoom e olhar de novo:

Modelo Cosmológico - Consórcio Virgo - Instituto Max Plank. Visite: www.mpa-garching.mpg.de/galform/millennium/ Blog O guardador de Estrelas.

Modelo Cosmológico - Consórcio Virgo - Instituto Max Plank. Visite: www.mpa-garching.mpg.de/galform/millennium/ Blog O guardador de Estrelas.

As gal√°xias formam grupos locais de gal√°xias e estes formam filamentos de gal√°xias, que levam a conglomerados maiores de gal√°xias e a superconglomerados, que s√£o as regi√Ķes mais luminosas.

Simbolicamente, nossa galáxia está ali, em algum lugar, representada nesse modelo pela bilionésima fração de um pixel. Estamos ali, em uma galáxia distante e formosa, girando em torno de uma estrelinha amarela e pensando como nosso modelo de mundo se parece com nós mesmos, com nossa rede neural, que permite que nós o pensemos.

Poder pensar e dar forma aos sonhos, na escala em que fazemos, é a característica que mais nos difere dos demais seres vivos da Terra. De certa forma, pensar é divino, porque embora sejamos, cada um de nós, apenas uma ínfima parte do Universo, somos a forma que o Universo encontra de pensar e de medir a si mesmo. Portanto, não somos pequenos perante a imensidão do Universo, somos parte de sua grandeza.

Aquele abraço!

 


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Estrelando: o Sol! 17 de stembro de 2014

O Sol, hoje.

Sol em 17 de setembro de 2014.  AIA / SDO / NASA. Blog O Guardador de Estrelas.

Sol em 17 de setembro de 2014. AIA / SDO / NASA. Blog O Guardador de Estrelas.

Sol em 17 de setembro de 2014. HMI / SDO / NASA. Blog O Guardador de Estrelas.

Sol em 17 de setembro de 2014. HMI / SDO / NASA. Blog O Guardador de Estrelas.

‚ÄúA nossa mais elevada tarefa deve ser a de formar seres humanos livres que sejam capazes de, por si mesmos, encontrar prop√≥sito e dire√ß√£o para suas vidas.‚ÄĚ

Rudolf Steiner

 


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Estrelando: o Sol! 16 de setembro de 2014

O Sol, hoje.

Sol em 16 de setembro de 2014. AIA 171 / SDO / NASA. Blog O Guardador de Estrelas.

Sol em 16 de setembro de 2014. AIA 171 / SDO / NASA. Blog O Guardador de Estrelas.

Sol em 16 de setembro de 2014. HMI / SDO / NASA. Blog O Guardador de Estrelas.

Sol em 16 de setembro de 2014. HMI / SDO / NASA. Blog O Guardador de Estrelas.

XXVII

S√≥ a Natureza √© divina, e ela n√£o √© divina…

Se falo dela como de um ente
√Č que para falar dela preciso usar da linguagem dos homens
Que dá personalidade às cousas,
E imp√Ķe nome √†s cousas.

Mas as cousas não têm nome nem personalidade:
Existem, e o céu é grande e a terra larga,
E o nosso cora√ß√£o do tamanho de um punho fechado…

Bendito seja eu por tudo quanto sei.
Gozo tudo isso como quem sabe que h√° o sol.

 

Vig√©sima s√©tima parte de “O Guardador de Rebanhos”. Fernando Pessoa. Do livro “O eu profundo e os outros eus”. Nova Fronteira – Rio de Janeiro 2001.

 

 


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Estrelando: J√ļpiter! No papel de Estrela d’Alva

J√ļpiter pode ser observado na imagem sobre a faixa l√≠vida da alvorada de 15 de setembro de 2014 em Itaberaba - BA. Blog O Guardador de Estrelas.

J√ļpiter pode ser observado na imagem sobre a faixa l√≠vida da alvorada de 15 de setembro de 2014. Itaberaba - Bahia. Blog O Guardador de Estrelas.

Ol√°, pessoal!

Quando acima do horizonte no c√©u noturno e sem Lua, V√™nus √© o astro que alcan√ßa maior magnitude aparente. Como orbita entre a Terra e o Sol, V√™nus¬†nunca ser√° vista no z√™nite. Sua altura m√°xima em rela√ß√£o ao horizonte √© cerca de 45¬ļ. Por isso V√™nus √© vis√≠vel at√© tr√™s horas antes do Sol nascer, ou at√© tr√™s horas depois do Sol se p√īr.

Por se destacar entre as estrelas, quando aparece no amanhecer V√™nus √© chamada de “Estrela da Alva”, uma refer√™ncia √† hora da alva, nome antigo que se d√° ao momento do dia que antecede a ascen√ß√£o do Sol, que derivou na palavra “alvorada”.

Quando V√™nus n√£o aparece nem na alvorada, nem no crep√ļsculo vespertino, √© porque est√° em conjun√ß√£o, ou entrando em conjun√ß√£o com o Sol, como √© o caso agora. Nesse per√≠odo V√™nus fica invis√≠vel a olho nu, como se tirasse umas f√©rias.

Mas para deixar as alvoradas deste final de inverno de 2014 mais bonitas, nosso querido J√ļpiter anda se apresentando nas madrugadas no papel de Estrela d’Alva, adornando como um l√≠rio branco que Zeus prendesse sobre a faixa l√≠vida da alva hora.

Os crep√ļsculos desta √©poca, em que se aproxima o equin√≥cio, se alongam lentamente, como se buscassem um ajuste fino de equil√≠brio… Por esta madrugada, enquanto navegava pelo sert√£o, de um elevado da estrada vi R√©gulus surgir colorida sobre a serra no oriente, variando nas cores do espectro vis√≠vel da luz em sua ascen√ß√£o heliacal. Sobre o horizonte vazaram os primeiros tons diferentes do escuro, anunciando que inexoravelmente o dia nasceria, e por um momento a vida se pareceu como qualquer coisa serena que antecede a primavera. Eram 4 horas e 40 minutos do d√©cimo quinto dia de setembro, a um quarto de lua do equin√≥cio. O Sol ascendeu sobre o horizonte uma hora depois.

Sol nascente em 15 de setembro. Ipir√° BA. Blog O Guardador de Estrelas.

Sol nascente em 15 de setembro. Ipir√° BA. Blog O Guardador de Estrelas.

Foi uma linda noite. Travessia.

 


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Turminha da Escola Mais Perfil assiste aula de astronomia ao ar livre na Chapada Diamantina

Turminha do sexto ano da Escola Mais Perfil observa o céu na Chapada Diamantina - 13 de setembro de 2014. Foto: Paloma Abdon. Blog O Guardador de Estrelas.

Turminha do quinto ano fundamental da Escola Mais Perfil observa o céu na Chapada Diamantina - 13 de setembro de 2014. Foto: Paloma Abdon. Blog O Guardador de Estrelas.

Ol√°, amigos!

Dia 13 de setembro foi um dia muito especial, que revisitarei na lembrança por muito tempo ainda. Era final de tarde quando cheguei ao Hotel Alpina, em Mucugê, e encontrei a turma do quinto ano da Escola Mais Perfil, de Salvador, pronta pra para nossa aula de astronomia ao ar livre, exatamente como havíamos combinado.

Seguimos para o campo, aonde cheguei um pouco antes para preparar o cen√°rio: uma grande lona imperme√°vel estendida sobre uma ampla clareira, na borda de um bel√≠ssimo campo de altitude a 1100 metros acima do n√≠vel do mar e afastado de qualquer polui√ß√£o luminosa. Ao redor da lona acendi um c√≠rculo de tochas para iluminar e balizar o local o suficiente at√© que todos pudessem se acomodar, e tamb√©m para dar um efeito bonito e especial √† nossa “sala de aula cinco mil estrelas”.

A turminha chegou e todos se acomodaram. O c√©u estava maravilhoso, com umas poucas nuvens passageiras e isoladas que logo foram embora, deixando-nos ver o centro gal√°ctico sobre nossas cabe√ßas, pendendo do z√™nite como um belo lustre luminoso. Sobre o poente, um brilho rubro e destacado cintilava de um modo diferente das estrelas. Era Merc√ļrio, um planeta que todo mundo j√° ouviu falar, mas relativamente pouca gente costuma identificar a olho nu. E ele estava ali, brilhando lindamente para n√≥s. Mais acima e de modo menos expressivo brilhava a estrela Espiga (Spica), alfa da constela√ß√£o da Virgem.

Aspecto mitol√≥gico da constela√ß√£o de Virgem com a posi√ß√£o de Merc√ļrio no dia 13 de setembro de 2012.www.stellarium.org. Blog O Guardador de Estrelas.

Aspecto mitol√≥gico da constela√ß√£o de Virgem no oeste (O) com a posi√ß√£o de Merc√ļrio ao final do crep√ļsculo de 13 de setembro de 2012.www.stellarium.org. Blog O Guardador de Estrelas.

Aspecto mitol√≥gico das constela√ß√Ķes pr√≥ximas ao z√™nite no in√≠cio da palestra, com a posi√ß√£o dos planetas Saturno, em Libra, e Marte em Escorpi√£o. A mancha branca √© o bojo central da nossa gal√°xia, a Via L√°ctea. www.stellarium.org. Blog O Guardador de Estrelas.

Aspecto mitol√≥gico das constela√ß√Ķes pr√≥ximas ao z√™nite no in√≠cio da observa√ß√£o, com a posi√ß√£o dos planetas Saturno, em Libra, e Marte, em Escorpi√£o. A mancha esfuma√ßada √© o bojo central da nossa gal√°xia, a Via L√°ctea. www.stellarium.org. Blog O Guardador de Estrelas.

Em direção ao zênite, acima da Virgem pudemos observar o planeta Saturno, se destacando entre as estrelas da Libra, e próximo à Saturno observamos Marte, com seu tom encarnado (avermelhado), na constelação do Escorpião.

T√≠nhamos sobre n√≥s uma das regi√Ķes mais belas do firmamento, que estava l√≠mpido, sem luar, com vista para o bojo gal√°ctico e tr√™s planetas em destaque. O ambiente da nossa observa√ß√£o era muito prop√≠cio e a turma n√£o poderia ser mais atenciosa e interessada. De repente, um alvoro√ßo entre as crian√ßas: o que √© aquilo? Era um sat√©lite que passava… Sim, um sat√©lite! Vis√≠vel a olho nu, porque, enquanto para n√≥s em terra era o in√≠cio da noite, l√° em cima, nas alturas onde navegava o sat√©lite artificial, ainda estava incidindo a luz do Sol que, refletindo no pequeno artefato humano, o fazia brilhar naquele trecho de sua √≥rbita. O acompanhamos por alguns segundos e ap√≥s um derradeiro¬†clar√£o luminoso¬†nosso sat√©lite¬†mergulhou no escuro do espa√ßo e seguiu seu caminho pela umbra da Terra.

Com um laser eu ia apontando as estrelas e proferindo seus nomes. A turma repetia os nomes das estrelas espontaneamente, como num coro ensaiado, e me lembrei de experiências semelhantes que vivi entre crianças, em outras noites como esta. Há qualquer coisa de atávico em se observar o céu. Estar ali, pertencer àquele momento, foi como ser instrumento por onde uma energia maior fluía. Meu coração se enchia de alegria a cada nome de estrela repetido em uníssono pelas crianças. Nomes proferidos por nossos ancestrais há milênios, e que na voz tenra e doce daqueles pequenos, parecia fazer parte de uma liturgia maior, ressoando na catedral do espaço-tempo.

Todos acompanhavam com precis√£o o desenho das constela√ß√Ķes e interagiam com as informa√ß√Ķes quando, de repente, um novo alvoro√ßo: olhei pra cima e ainda pude ver um risco levemente avermelhado e esverdeado se alongando no z√™nite, atravessando a constela√ß√£o do Sagit√°rio de leste para oeste. Um meteoro! Tamb√©m chamados de estrelas ‚Äúcadentes”, ou ‚Äúfugazes‚ÄĚ, como disse uma das meninas. Tratei de fazer meu pedido, j√° o tinha preparado, pois √© o mesmo de quase sempre: pedi pra ver mais um. E logo meu desejo se realizou (m√™s passado pedi para um antigo amigo melhorar de sa√ļde, e estes dias vi ele dando entrevista no jornal). Eu adoro as chuvas de meteoro!

O interesse e as perguntas da turminha pareciam não ter fim, e depois de uma hora e meia, que pareceu passar como alguns minutos, nossa observação do céu terminou com uma contagiante salva de palmas. Então seguimos de volta para o hotel, onde nos esperava um jantar delicioso.

Ent√£o? Como n√£o ser otimista e esperan√ßoso em rela√ß√£o ao futuro, depois de viver uma experi√™ncia como esta, ao lado de crian√ßas t√£o cheias de vida, capazes de se divertir com as estrelas? ‚Äď S√≥ entra no c√©u quem for como crian√ßa…

Agradeço à toda a equipe de educadores da escola, em especial à diretora pedagógica Paloma Abdon, à coordenadora Cibele Cerqueira e professoras Josélia Catarino e Iranildes Damaceno, e aos professores Paulo Andrade, Márcio Breno e Márcio Krauss, que estiveram presentes em mais este ano ao passeio anual da escola pela Chapada Diamantina, do qual tenho o prazer e a honra de participar desde 2001, e aos pais, que estão por trás de tudo isso. Agradeço ainda ao gentilíssimo e competente motorista Rogério Trindade, que conduziu o grupo com zelo e segurança, ao nosso querido amigo Péricles, sempre companheiro, que nos apoiou pessoalmente durante a atividade e à toda equipe do Alpina.

Aos pequenos guardadores do céu, que me emprestaram tanta alegria, mais uma vez agradeço pela atenção e pelo entusiasmo com que participaram. Tenho certeza de que terão um novo olhar para as estrelas, nessa linda jornada que se inicia. Conhecer o céu é uma grande aventura!

Palestra de astronomia ao ar livre: sexto ano da Escola Mais Perfil visita a Chapada Diamaninta. Foto: Paloma Abdon. Blog O Guardador de Estrelas.

Palestra de astronomia ao ar livre: quinto ano da Escola Mais Perfil visita a Chapada Diamantina. Foto: Paloma Abdon. Blog O Guardador de Estrelas.

Forte abraço a todos e até a próxima!

 

 


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Estrelando: o Sol! 15 de setembro de 2014

O Sol, hoje.

Sol em 15 de setembro de 2014. AIA 094 / SDO / NASA. Blog O Guardador de Estrelas.

Sol em 15 de setembro de 2014. AIA 094 / SDO / NASA. Blog O Guardador de Estrelas.

Sol em 15 de setembro de 2014. HMI / SDO / NASA. Blog O Guardador de Estrelas.

Sol em 15 de setembro de 2014. HMI / SDO / NASA. Blog O Guardador de Estrelas.

“Grande sert√£o: veredas √© desses livros inesgot√°veis, que podem ser lidos como se fossem uma por√ß√£o de coisas: romance de aventuras, an√°lise da paix√£o amorosa, retrato original do sert√£o brasileiro, inven√ß√£o de um espa√ßo quase m√≠tico, chamada √† realidade, fuga da realidade, reflex√£o sobre o destino do homem, express√£o de ang√ļstia metaf√≠sica, movimento imponder√°vel de carretilha entre real e fant√°stico e assim por diante.”

Ant√īnio C√Ęndido.

 

 


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Noite estrelada…

 

A Noite Estrelada (óleo sobre tela - 1889). Van Gogh (1853 - 1890). Blog O Guardador de Estrelas.

A Noite Estrelada (óleo sobre tela - 1889). Van Gogh (1853 - 1890). Blog O Guardador de Estrelas.

Agora é final de tarde e o Sol, em Leão, vai se pondo além da serra no oeste. Os pássaros cantam, as flores vão ficando menos amarelas e o céu azul vai ganhando outros tons e cores.

Ontem, ao final do crep√ļsculo, fui ao campo para ver Merc√ļrio, na constela√ß√£o da Virgem, sobre o poente. O pequeno planeta estava lindo, cintilando quase como uma estrela, com seu brilho encarnado, exuberante. Depois surgiu Arcturus, como um archote fulgurante no noroeste, e Rigil Kentaurus e Hadar no sudoeste. Saturno e Marte, na Balan√ßa, desciam do z√™nite. Vega, Antares, Altair, Acrux, Rub√≠dea, Mimosa… Parecia uma festa, estavam todas l√°. Alguns meteoros riscavam o c√©u, se fragmentando e demorando-se a queimar, se alongavam levemente coloridos. Passou um par de sat√©lites e umas nuvens solit√°rias vagavam esparsas, navegando numa corrente cont√≠nua soprada desde alhures a leste, impulsionada pelo ar ascendente dos alcantis. Acompanhavam-me 36 crian√ßas e nove adultos, alunos e educadores da escola Mais Perfil, de Salvador.

Foi uma noite estrelada inesquecível.

 


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Estrelando: o Sol! 14 de setembro de 2014

O Sol, hoje.

Sol em 14 de setembro de 2014. HMI / SDO / NASA. Blog O Guardador de Estrelas.

Sol em 14 de setembro de 2014. AIA 171 / HMIB / SDO / NASA. Blog O Guardador de Estrelas.

Sol em 14 de setembro de 2014. HMI / SDO / NASA. Blog O Guardador de Estrelas.

Sol em 14 de setembro de 2014. HMI / SDO / NASA. Blog O Guardador de Estrelas.

Os direitos humanos s√£o violados n√£o s√≥ pelo terrorismo, a repress√£o, os assassinatos, mas tamb√©m pela exist√™ncia de extrema pobreza e estruturas econ√īmicas injustas, que originam as grandes desigualdades.

Papa Francisco

 


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Matéria do Aprovado sobre a 4ª edição do Educação em Movimento em Juazeiro

Educação em Movimento. Blog O Guardador de Estrelas.Aprovado 13 de setembro: matéria sobre a 4ª edição do Educação em Movimento em Juazeiro. Blog O Guardador de Estrelas.

Ol√°, pessoal!

Já está disponível na internet a matéria do programa Aprovado sobre a 4ª edição do Educação em Movimento, na cidade de Juazeiro.

Visite:

http://redeglobo.globo.com/ba/redebahia/aprovado/videos/t/edicoes/v/educacao-em-movimento-da-pontape-inicial-em-juazeiro/3626076/

E aquele abraço!

 


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A qu√≠mica que rola entre o Sol e a Terra… Saiba mais sobre as erup√ß√Ķes solares

Aurora boreal. Imagem: reprodução. Blog O Guardador de Estrelas.

Ol√°, pessoal!

Desde o s√©culo 17 estamos acompanhando sistematicamente as manchas solares, fen√īmeno associado √† atividade magn√©tica no Sol. Ao longo dos s√©culos registrou-se um ciclo solar m√©dio com picos de m√°xima atividade a cada onze anos, em m√©dia.

Atualmente, segundo essa m√©dia hist√≥rica, estar√≠amos atravessando um desses picos de atividade solar, mas nos √ļltimos meses o Sol vem se apresentando bastante calmo, com algumas erup√ß√Ķes mais violentas ocorrendo de forma isolada, como vimos em artigo anterior:

http://www.ibahia.com/a/blogs/estrelas/2014/07/22/manchas-solares-o-que-anda-acontecendo-no-sol/

Ainda assim, essas erup√ß√Ķes solares, tamb√©m chamadas de explos√Ķes solares ou flares, causam enormes preju√≠zos √†s empresas de energia el√©trica e de sistemas de sat√©lites. Os sat√©lites, artefatos met√°licos e sens√≠veis, situados acima das camadas superiores da atmosfera, s√£o especialmente vulner√°veis ao vento solar, que carrega os gases ionizados ejetados pelo Sol durante as erup√ß√Ķes.

As erup√ß√Ķes solares desprendem repentinamente formid√°veis quantidades de energia, armazenadas em campos magn√©ticos geralmente localizados sobre as manchas solares, com eje√ß√£o de massa coronal¬†e intensa emiss√£o de radia√ß√£o. Essa radia√ß√£o se espalha por todo o espectro eletromagn√©tico, propagando-se desde a regi√£o das ondas de r√°dio at√© a regi√£o dos raios X e gama, formando enormes bolhas de g√°s ionizado, lan√ßadas ao espa√ßo em alt√≠ssima velocidade.

Quando observadas no espectro de raios-x, entre 1 e 8 Angstroms, os flares produzem um brilho intenso, que permite classificá-los por sua intensidade.

As erup√ß√Ķes de classe X s√£o intensas e podem provocar apag√Ķes de radiopropaga√ß√£o durante horas ou dias. Em casos extremos j√° levaram ao colapso sistemas de distribui√ß√£o de energia el√©trica, transformadores e circuitos eletr√īnicos, al√©m dos sat√©lites, especialmente vulner√°veis. As erup√ß√Ķes solares parecem estar distante da nossa realidade cotidiana, mas podem representar s√©rios riscos para a tripula√ß√£o de uma esta√ß√£o espacial, por exemplo. Existe um grande esfor√ßo na tentativa de compreender melhor estes fen√īmenos.

Existem ainda as erup√ß√Ķes das classes M e C. As da classe M¬†s√£o de m√©dio porte e comumente vem acompanhadas de erup√ß√Ķes menores, podendo causar apag√Ķes de radiocomunica√ß√£o. As erup√ß√Ķes da classe C s√£o as menos intensas.

As part√≠culas que comp√Ķe o material ejetado do Sol levam entre tr√™s e seis dias para percorrer os 150 milh√Ķes de quil√īmetros de dist√Ęncia do Sol √† Terra (1 UA – Unidade astron√īmica), a depender da intensidade da erup√ß√£o, e ao atingirem a magnetosfera terrestre s√£o desviadas em dire√ß√£o √†s regi√Ķes polares, onde interagem com √°tomos de oxig√™nio e nitrog√™nio, que s√£o os elementos mais abundantes da atmosfera terrestre, produzindo radia√ß√£o nos comprimentos de onda do verde e do vermelho que formam o bel√≠ssimo espet√°culo que chamamos de aurora boreal (no norte) e aurora austral (no sul).

Est√° nos meus planos de um dia fazer uma viagem ao √°rtico ou ao ant√°rtico para, entre outras maravilhas da Terra, poder observar o fen√īmeno da aurora causado pela atividade solar em intera√ß√£o com a magnetosfera.

A astronomia é um convite à viagem. Abraço a todos!

 


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