Cristóvão pode dar certo, mas torcida precisa acabar com certas idolatrias

A direção do Bahia, desesperadamente ou não, tenta reformular o departamento de futebol do clube para minimizar a crise e evitar um vexame no Campeonato Brasileiro. Trouxe Anderson Barros para reorganizar a casa, anunciou William Machado para falar a língua dos jogadores e contratou Cristóvão Borges para remontar o time dentro de campo. Na escala de três níveis da pirâmide, fez uma assepsia no nível intermediário. Insuficiente, mas um começo.

Cristóvão Borges, ex-atleta do Bahia, tem o perfil de técnico que um clube em reestruturação precisa. É jovem, estudioso, tem experiência em trabalhar com categorias de base e conhece bem a cabeça dos atletas, por ter também jogado futebol até 1994. Comandou o Vasco em 78 jogos e venceu 41. No clube carioca, foi eleito o melhor treinador do Brasileirão de 2011. É avesso aos holofotes e gosta de trabalhar. E terá que trabalhar muito.

Se tiver condições de desenvolver seu trabalho, recebendo um elenco qualificado e sem vícios, Cristóvão Borges pode obter bons resultados a médio prazo. Porém, a dispensa de 14 atletas ainda não é o suficiente para reoxigenar o elenco tricolor, até porque alguns jogadores que já não produzem satisfatoriamente seguirão no grupo até o final da temporada.

Muitos destes jogadores que continuarão no Bahia tiveram excessiva aprovação da própria torcida em tempos remotos. Ao classificar jogadores como “paredões”, “pitbulls” e “matadores” a cada defesa, desarme ou gol, cria-se uma idolatria precoce e muitas vezes desnecessária. Fazem de jogadores comuns personagens acima da média. Assim, estes passam a se considerarem maiores que o clube, formam pequenos grupos e, muitas vezes, criam climas desconfortáveis no elenco. Isto precisa acabar.

Cristóvão dará certo no Bahia se o grupo trabalhar em prol do Tricolor. Um grupo sem vícios e que coloque o clube acima de qualquer vaidade. Um jogador precisa fazer por merecer os gritos da torcida na arquibancada. Porém, a torcida precisa entender que uma sequência de bons jogos, um drible bonito ou um gol decisivo não faz de um jogador um ídolo. Muita calma nessa hora.


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Lugar do Vitória é no Barradão. Num moderno Barradão

No domingo, o Vitória faturou seu 27º título estadual. Destes, 14 foram conquistados a partir da reinauguração do Manoel Barradas, em 1994. Mais da metade. Prova incontestável da importância do estádio na história do clube.

Some-se também neste período os dois títulos da Copa do Nordeste (2003 e 2010) e o vice-campeonato da Copa do Brasil (2010). Adicione também os 11 títulos baianos e a Copa do Brasil, conquistados pela equipe Sub-20; os 14 estaduais sub-17 e os 13 sub-15. As maiores conquistas da história rubro-negra foram construídas no Barradão. Não se pode ir na contramão da história.

O Vitória não está seduzido a voltar para a Fonte Nova, onde mandou seus jogos até 1994, apesar de grande parte da torcida estar impressionada com a modernidade, e Caio Júnior extasiado com o gramado da arena. Fará cinco partidas como mandante em 2013 por convite do consórcio. Sabe que tem maior poder de barganha que o Bahia, por possuir seu próprio estádio. É a oportunidade de entrar numa rota na qual o clube já deveria ter entrado: a da modernização.

A diretoria do clube tem a opção de fazer um bom acordo com a Arena Fonte Nova. Quem sabe, mandar seus jogos no estádio por um ano. Daí, neste período, usar a oportunidade para fazer reformas profundas no Barradão. Melhorar o gramado e estrutura para os atletas, investir em tecnologia e, principalmente, criar melhores condições acesso e conforto para seus torcedores. Transformar seu santuário numa verdadeira arena.

De acordo com estudo feito pelo especialista Amir Somoggi, e já registrado aqui no blog, 65% das receitas do Vitória em 2011 vieram das cotas de televisão. Apenas 13% são originados da bilheteria, enquanto outros 10% são de publicidade. É hora de transformar o Barradão numa fonte de receita ainda maior para os cofres do clube.

O Vitória não pode sair do Barradão. Lá é seu lugar. É o estádio que transformou a história de um clube. Porém, essa história precisa evoluir, ganhar novos capítulos. O Rubro-negro precisa potencializar suas receitas, e isto passa por uma reestruturação de seu estádio. O clube pode muito bem andar com suas próprias pernas. Basta perceber que o futuro já é presente.


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As caxirolas e um estopim para a democracia

Volta e meia, discute-se a falta de transparência e democracia no Esporte Clube Bahia. No entanto, nos últimos dias, o assunto ganhou repercussão nacional, e não tem só preocupado os dirigentes do clube, mas também outros segmentos da sociedade.

E não é tão difícil compreender o interesse de políticos, artistas e outras personalidades não ligadas ao futebol nesta situação atual: a imagem que o Bahia tem passado para o Brasil e para o mundo inteiro tem refletido negativamente também na imagem do estado. Em tempos de Copa das Confederações e Copa do Mundo, todos os olhos estão voltados para as cidades-sede dos eventos. E a Bahia está na alça de mira.

Tudo começou com a famosa “revolta das caxirolas”, dia 28 de abril. Os torcedores do Bahia, indignados com os sucessivos vexames dentro de campo e a evidente incompetência admnistrativa fora dele, atiraram no gramado da Fonte Nova os barulhentos instrumentos criados pelo tricolor Carlinhos Brown. A imagem correu o mundo e preocupou até a Fifa. A caxirola foi proibida nos jogos seguintes, mas tornou-se um objeto emblemático na luta pela democracia no Bahia.

Para muitos políticos, a democratização no Bahia e a saída de Marcelo Guimarães Filho do poder causará uma imagem positiva no país. A imagem de um movimento que estabeleceu um estado de direito dentro de um clube de futebol. A imagem de que é possível mudar algo quando existe moblização popular. É juntar o útil ao agradável.

Obviamente que muita gente não é favorável a misturar política e futebol, apesar de serem dois temas que tem andado juntos nos últimos anos aqui no Brasil. Mas a torcida do Bahia tem agradecido o apoio de prefeito, governador, deputados e outras autoridades em prol da democracia no clube. É um combustível que impulsiona o principal objetivo e anseio da massa tricolor. E que alivia a imagem negativa que respinga nos políticos.

Tudo começou com quem realmente deveria começar: com o torcedor. A caxirola, mesmo não tendo cumprido seu principal objetivo, conseguiu fazer barulho e pode ter se transformado num novo instrumento de libertação.


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Um sonoro grito de glória

Na véspera de seu aniversário de fundação, o Vitória mais uma vez mostrou superioridade incontestável frente ao seu rival. Os incríveis 7 a 3 diante do Bahia foram suficientes para mostrar que, se Caio Júnior não é hoje um treinador ‘top’ no Brasil, tem milhas de vantagem sobre o estagnado Joel Santana.

As entradas de Gabriel Paulista na lateral direita e de Cáceres no meio-campo não mexeram na estrutura tática do Vitória. O time jogou no seu tradicional 4-2-3-1, ganhou consistência defensiva no lado direito e boa saída de bola pelo centro do campo. O Bahia, mesmo sendo pouco veloz, apostou em jogar recuado e tentar sair nos contra-ataques. Foi aí que Caio Júnior começou a ganhar o jogo.

É bem verdade que o gol rubro-negro no início da partida desestruturou o pouco de tática que o Bahia tinha, mas um detalhe fez toda a diferença para que a goleada começasse a ser construída. Quando Joel Santana optou em fazer marcação individual, ‘grudando’ Toró em Maxi Biancucchi, Caio Júnior deixou seu camisa 7 aberto pelo lado direito e abriu um espaço interminável na faixa central do campo. Deslocou Escudero da esquerda para o meio, que com poucos toques desmontava a defesa tricolor.

Com marcação individual em Maxi, Escudero foi um dos destaques do jogos ao atuar também centralizado

Mesmo sofrendo três gols – dois deles em jogadas trabalhadas nas costas de Gabriel Paulista -, o Vitória foi soberano. Dinei, que funcionou como um verdadeiro e moderno atacante central, entrou para a história como o segundo jogador a marcar quatro gols num mesmo BaVi. O meio-campo rubro-negro, de movimentação e toques rápidos, deixou tonta a frágil defesa de Joel Santana. O jogo do próximo domingo será um confronto de mera formalidade.

O Vitória ainda tem suas falhas – como a cobertura dos laterais e a exposição dos zagueiros aos atacantes adversários – mas tem uma equipe mais equilibrada. Mostrou ter um time que cresce em grandes jogos. Terá muitos outros grandes durante o Campeonato Brasileiro. Porém, não poderá usar o Estadual como um parâmetro. Mesmo com a consistência mostrada pelo time, venceu um esboço de rival, que não dá mostras de que continuará na Série A em 2014. O torcedor do Leão está pouco se lixando para os argumentos após vencer o Bahia por sete, mas Caio Júnior sabe da importância de fazer esse time evoluir ainda mais.


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Uma breve análise das finanças da dupla BaVi

Nesta semana, o consultor de marketing e gestão esportiva, Amir Somoggi, fez uma análise prévia das finanças dos maiores clubes brasileiros em 2012. Considerada a maior receita consolidada da história do esporte bretão no Brasil, com faturamento que superou os R$ 3 bilhões ano passado, os valores impulsionaram os departamentos de futebol dos clubes. Alguns souberam aproveitar. Já outros…

No nosso estado, o Bahia acumulou receita de R$ 66,6 milhões, enquanto o Vitória somou R$ 52,3 mi. O Tricolor, 15º entre os 20 clubes da Série A, aumentou seus ganhos em 81% em relação ao ano de 2011, e o Rubro-negro, 16º, chegou aos 53%.

Receita total dos maiores clubes do Brasil. Fonte: Análise Amir Somoggi

A principal fonte de receita do Bahia segue sendo as cotas de TV: 43% do dinheiro recebido pelo clube em 2012 se origina dos direitos de transmissão. Dos mais de R$ 66 milhões, 17% são de bilheteria; 14% de patrocínio e publicidade; 13% de venda de atletas; e 12% de social, amador e outras fontes de receita. No Vitória, o caminho é parecido, mas com percentual bem elevados para as cotas televisivas: 65%. Os outros 35% estão divididos entre bilheteria (13%), patrocínio e publicidade (10%), outras receitas (7%) e negociação de jogadores (5%).

Boa parte das receitas da dupla BaVi são canalizadas para os departamentos de futebol de ambos. Em 2012, Marcelo Guimarães Filho e Paulo Angioni gastaram R$ 53,8 milhões para conquistar o título estadual e manter o time na Série A, enquanto Alexi Portela e Raimundo Queiroz consumiram R$ 40,8 milhões com a equipe que, no final do ano, conseguiu recolocar o Vitória na elite do futebol brasileiro. Enquanto tricolores aumentaram as despesas em 38% com relação ao ano anterior, rubro-negros subiram a conta para 74%.

Custos do departamento de futebol dos maiores clubes do Brasil. Fonte: Análise Amir Somoggi

No final das contas, o Vitória foi um dos poucos clubes da elite do futebol brasileiro que terminaram com superávit, ou seja, as despesas foram menores que as receitas – o Leão teve saldo positivo de R$ 200 mil e diminiuiu sua dívida em R$ 7,2 milhões nos últimos quatro anos, mas possui uma dívida atual de R$ 15,6 mi, de acordo com a análise feita por Amir Somoggi. Já o Bahia gastou bastante e se endividou mais ainda: ano passado, teve déficit de R$ 3,1 milhões, e acumula uma dívida que já soma R$ 61,2 milhões.

Endividamento dos maiores clubes do Brasil. Fonte: Análise Amir Somoggi

Mesmo com as altas dívidas dos clubes, as receitas geradas nos últimos anos são fatores positivos nos orçamentos destas agremiações. Pelos gastos feitos pela dupla BaVi, o resultado poderia ser muito melhor. A capacidade dos dirigentes em saber utilizar suas finanças, captar recursos, utilizar corretamente a imagem dos clubes e minimizar os erros de contratações é fundamental para que Bahia e Vitória saiam do patamar de meros figurantes para o de, pelo menos, bons coadjuvantes no cenário futebolístico nacional.


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Joel Santana e sua lógica em mandar time “B” para o Mato Grosso

O Bahia deixou claro seu principal objetivo no primeiro semestre: ser bicampeão baiano. Para isso, abriu mão do jogo de ida da Copa do Brasil, contra o Luverdense, na quarta-feira, para se preparar para o BaVi do próximo domingo. A ação é criticada por muitos, já que a Copa do Brasil, na prática, é a competição mais importante dos primeiros seis meses.

Para entender o pensamento de Joel Santana, a tese é simples: para entrar em igualdade física com o Vitória, no dia 12, a solução é poupar seus titulares. O Bahia precisa vencer a partida para reverter a vantagem do regulamento, favorável ao rubro-negro. O jogo da volta pela Copa do Brasil inevitavelmente acontecerá.

Para Joel, é melhor ter o jogo da volta no torneio nacional do que perder o primeiro BaVi da final. Em tese, o Bahia se desgastará mais, porém o jogo será em Salvador. O Tricolor ficará duas semanas na capital baiana. O Vitória, no próximo dia 15, viaja até a cidade de Salgueiro. Apostar todas as fichas no clássico de domingo é o risco que o treinador do Bahia prefere correr.

A atitude da comissão técnica do Bahia é discutível, mas justificável. O Tricolor não tem elenco forte o suficiente para disputar duas competições em paralelo, e por isso é arriscado levar um frágil time para encarar o Luverdense. Porém, mesmo com uma eliminação precoce na Copa do Brasil, Joel Santana poderá disputar uma Copa Sul-Americana no segundo semestre e, se for competente, levantar o título baiano. Mais um motivo para o clube considerar as finais do Estadual os 180 minutos mais importantes do semestre. Com controvérsias.


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Mundial Baiano de Clubes

Mesmo com crises políticas, limitações de elencos, poupa ou não poupa e ‘carrosséis’ do interior, deu BaVi na final do Campeonato Baiano. As duas principais equipes do estado não precisaram fazer muita força para chegarem à decisão – o Vitória venceu muitos jogos com facilidade e o Bahia, apesar dos dois triunfos na semifinal, contou com o ‘apoio’ de seus rivais de grupo.

O campeonato é fraco tecnicamente, mas tricolores e rubro-negros encaram o título como o mais importante objetivo da temporada. O Vitória não conquista um estadual desde 2010, e vê no Baiano uma forma de dar ao torcedor o gostinho de gritar “é campeão” de novo. O Bahia quer amenizar a conturbada relação com seu torcedor levantando novamente a (pesada) taça da competição e transformar o time de novo no “melhor Bahia dos últimos tempos do último final de semana”.

Pensando no BaVi, o Bahia mandou até time “B” para Lucas do Rio Verde, onde enfrenta o Luverdense-MT pela Copa do Brasil. Até Thuram foi relacionado. Expediente que o Vitória deverá adotar no dia 15, quando visita o Salgueiro. A segunda principal competição do país ficou em segundo plano em Salvador, em detrimento ao Estadual. O Campeonato Baiano virou subterfúgio para as diretorias de ambos os clubes.

Logicamente que Bahia e Vitória não podem desprezar o Campeonato Baiano a partir do momento em que aceitam participar dele. As campanhas ruins na Copa do Nordeste transformaram o Estadual numa espécie de “Mundial de Clubes”. O problema é que o título pode trazer consequências desastrosas, caso não seja encarado como uma simples obrigação de quem tem orçamentos infinitamente superiores aos dos outros dez clubes. O Brasileirão vem aí. Não custa nada lembrar.


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No Baianão, os últimos podem ser os primeiros

Final de jogo na Arena Fonte Nova. Jogadores do Bahia de Feira saem de campo chorando a perda da classificação para as semifinais e o fim de um calendário que durou apenas quatro meses. Do outro lado, jogadores do Bahia, aliviados, exaltam a classificação antecipada. O primeiro está fora com 12 pontos, e o segundo está na próxima fase com 8. Algo errado?

No Campeonato Baiano, isso é possível.

A fórmula do Estadual de 2013 (que continuará para o próximo ano) é motivo de polêmica e contestação por parte de quase todos. Na segunda fase, como um grupo enfrenta outro, a disparidade de pontos entre os dois blocos de quatro equipes é natural. Seria compreensível se houvesse outro turno, desta vez com os times se enfrentando dentro de seus grupos. Mas o formato atual acabou premiado, em tese, os menos competentes.

Se a competição fosse de pontos corridos, o Bahia, já classificado, seria o sexto colocado. O Vitória da Conquista, que é lanterna de seu grupo, tem mais pontos que o Tricolor. Atualmente, o time comandado por Joel Santana tem o mesmo número de pontos que o rebaixado Fluminense – com o agravante de ter um triunfo a menos. O Bahia pode ser campeão baiano com apenas mais dois triunfos até a final e terminar a competição com apenas três. Bizarro.

A responsável pela fórmula foi a Federação Bahiana de Futebol, mas contou com a aprovação da maioria dos clubes. A intenção de reduzir a quantidade de jogos foi boa, mas o modelo aplicado acaba sendo injusto. Curiosamente, os dois clubes da cidade de Juazeiro, já classificados, foram contra o sistema de disputa atual. O Atlético, rebaixado com pior campanha, aprovou.

A sobrevivência dos estaduais também depende de fórmulas de disputa atraentes. A média de pouco menos de 2 mil torcedores por jogo (muito em virtude do último BaVi, diga-se de passagem) traduz o interesse pela competição baiana. Caso um clube consiga ser campeão com apenas três vitórias, coloca em xeque a credibilidade do campeonato. Um estadual onde os últimos, literamente, podem ser os primeiros.


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“Futurista”, Bahia tem seu pior desempenho no Estadual desde 1942

O ano era o de 1942. O Esporte Clube Bahia tinha apenas 11 anos de fundação e seis títulos estaduais. No ano anterior, fora despejado de sua sede na Avenida Princesa Isabel por não ter pago os aluguéis do local. O clube quase decretou falência, já que não tinha condições de sequer pagar seus funcionários. A situação era caótica.

Naquele ano, o Bahia teve um de seus piores aproveitamentos em Estaduais. Nos seis primeiros jogos, foram apenas cinco pontos (trazendo para o presente e creditando três pontos a cada triunfo), com uma vitória, dois empates e três derrotas. Terminou a competição em penúltimo lugar, à frente apenas do Guarany. O Galícia sagrava-se bicampeão baiano.

Setenta anos, duas “Fontes Novas” e 38 títulos estaduais depois, o Bahia vive um momento técnico e político conturbado. E mais: o desempenho no Campeonato Baiano é o pior desde aquele fatídico ano de 1942: em seis jogos, são sete pontos, com apenas um triunfo. Graças à formula de disputa, o Tricolor ainda sonha com tranquilidade com uma classificação para as semifinais. Mas com um rendimento pífio.

Em 2011, a diretoria do Bahia classificou a administração do clube como “futurista”. Chamou os olheiros de futebol de “arcaicos” e creditou ao Departamento de Análise de Desempenho de Atletas, conhecido como DADE e capitaneado por Paulo Angioni, a avaliação de contratações como Gil Bahia, Gerley, Victor Lemos, Denilson e Romário. Possivelmente, o mesmo departamento que avaliou jogadores como Thuram, Brinner e Toró. Obviamente que é imprescindível que se tenha um grupo de especialistas que analise o mercado e faça contratações e apostas dentro da realidade do clube, mas também é preciso explicar se o “futurismo” é a curto, médio ou longuíssimo prazo, bem como a qualidade contestável dos reforços.

O fato é que ser “futurista” no Bahia resume-se a apostar em reforços do passado, como Adriano, Lucas Fonseca e Rafael Donato. É manter jogadores que contribuiram no passado mas não rendem no presente, como Titi, Hélder, Diones e Souza. É trazer esperança em táticas obsoletas, como as de Joel Santana. É esquecer quem pode fazer um futuro menos doloroso, como Madson, Jussandro, Anderson Talisca, Ãtalo Melo e Matheus. É machucar àqueles que estiveram juntos num passado ainda mais doloroso, como o torcedor tricolor.

Ainda há tempo de mudar o cenário. O título estadual, que pode vir até com apenas mais um triunfo nos próximos quatro jogos, não é algo que pareça impossível. Porém, não pode tornar-se uma “muleta” para se manter uma filosofia futurista-de-máquina-do-tempo. O Campeonato Brasileiro pode tornar-se um pesadelo com 38 capítulos se pouco ou nada for feito. Hoje, o Bahia não conta com um novo Carlos Wildberger, como contou na década de 1940, para salvar o clube da situação controversa em que atualmente vive. A direção tricolor acha que pensa moderno, mas age como os arcaicos olheiros aos quais se referiram um dia.


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Tropeço faz Vitória relembrar retrospecto de poucas viradas na Copa BR

O Vitória perdeu pela sexta vez em estreias na Copa do Brasil na noite de quarta-feira. Repetiu 1990, 1995, 2005, 2010 e 2011, e entra em campo na terça-feira pressionado a vencer para não repetir os tropeços contra o Taguatinga (1990) e Botafogo-PB (2011).

O time rubro-negro não entrou em campo com a mesma vibração do BaVi – jogo que, aliás, no sentido de tabela, ainda não define muita coisa no Campeonato Baiano. O jogo contra o Mixto, em tese, era mais importante. O time mato-grossense perdeu na técnica, mas venceu na motivação e saiu de campo com a vantagem do empate no jogo de volta. O Vitória voltou a falhar na cobertura de Nino Paraíba e, principalmente, nos lances de bolas alçadas para a área defensiva.

A derrota no Mato Grosso faz o Vitória jogar na terça para reverter uma vantagem adversária pela 23ª vez na Copa do Brasil. Contando com a nobre e fundamental ajuda do professor Marcelo Monteiro, um dos maiores conhecedores da história do Vitória, a conclusão é de que o retrospecto do Leão neste tipo de situação é pouco favorável: em apenas 6 vezes o time vermelho e preto conseguiu sair de campo com a classificação.

Nas últimas duas vezes que precisou reverter resultado, o Vitória não obteve sucesso. Em 2010, na final da Copa do Brasil, perdeu para o Santos na Vila Belmiro por 2 a 0, venceu no Barradão por 2 a 1, mas não ficou com o título. No ano seguinte, foi derrotado para o Botafogo-PB por 3 a 1, em João Pessoa, e foi eliminado em casa após um empate em 0 a 0.

Obviamente que o Vitória entra em campo favorito contra o Mixto, mas poderia ter evitado o desgaste dos próximos dias, quando fará dois jogos entre sábado e terça. O jogo no Barradão deve ser encarado com a mesma importância de um clássico BaVi, pois camisa não ganha jogo sozinha. A relação técnica x soberba costuma ser um veneno perigoso no futebol.


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