O nervosismo de sempre

Por Hailton Andrade (@hailton)

O clássico BaVi não é de proporcionar espetáculos com futebol vistoso aos torcedores tricolores e rubro-negros. Levando em conta os encontros mais recentes, das últimas décadas, claro. Há exceções. Mas o corriqueiro é diferente. Temos sempre o espetáculo da raça, da agonia, do nervosismo. A emoção, com ou sem show, está sempre presente. Essa é a cara do nosso dérbi. Só que toda essa mistura de sentimento que nos faz sofrer e sorrir aparece geralmente no último jogo e dura até o último minuto, até o apito do juiz findar a peleja, calando uns e permitindo o grito de “É campeão” de outros. Tem sido assim nas últimas decisões, vai ser assim no domingo que vem, em Pituaçu.

O 0 a 0 previsível de domingo (6), no Barradão, deixou tudo em aberto. Bem que minha vó Zazá falou que ia ser empate. Por mais que o resultado tenha sido mais favorável ao Bahia, que detém a vantagem e joga por um novo empate no jogo de volta, é difícil arriscar um palpite e apontar o dono do caneco estadual em 2012. O Campeonato Baiano é assim, tudo fica pra final, pra grande final. Não sou corajoso como minha querida avó, que antecipa o resultado do segundo clássico com convicção. Ela diz ser BaVi e torce por um outro placar igualado. Diga-se, ela arriscou os resultados sem sequer entender de futebol ou saber como funciona o regulamento do estadual. Por ela, os dois seriam campeões.

Não é assim que a banda toca. O Vitória vai partir pra cima, precisa do gol. O Bahia, creio eu, fará o mesmo. Acho que a estratégia de dificultar ainda mais as chances de título do Leão saindo na frente é mais inteligente do que tentar segurar o marcador inicial e correr o risco de levar um gol que pode inverter o dono da tranquilidade. Mesmo assim, com essa cara de jogo aberto, aposto na costumeira dramaticidade do clássico. É bom lembrar que desde o fim dos anos 1990, analisando os anos em que o Baianão foi decidido em um clássico, nenhum dos times fez um resultado no primeiro jogo que dificultasse muito a vida do rival para grande final.

Enquanto Bahia e Vitória ficavam no 0 a 0 no Barradão, o Santos metia 3 a 0 no Guarani e o Flu dava 4 a 1 no Botafogo. Acho que já temos um campeão paulista e um carioca antes mesmo da outra partida da decisão. Aqui, não. Então, torcedor, prepare o coração. O BaVi de Pituaçu nos reserva grandes emoções. Serão 90 minutos de agonia, pode esperar. Para uns, os minutos durarão uma eternidade. Para outros, soarão como milésimos de segundo. Sofrimento do começo ao fim. De qualquer maneira, vale a pena ficar ligado. Também, vai que eu estou errado.


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#GuardiolaNaSeleção – por Marcelo Sant´Ana

A campanha na internet para Pep Guardiola assumir a Seleção Brasileira começou sexta-feira, logo após o anúncio da saída do Barcelona. Mas, em fevereiro, o colunista da Folha de S. Paulo,Lúcio Ribeiro, já tinha levantado a bandeira. Demorou,mas a ideia invadiu a rede.

No twitter, a hastag #GuardiolaNaSeleção chegou a ser o 3ºtema mais comentado no Brasil, sexta. No facebook, 7.382pessoas haviam curtido a página criada para debater o tema– isso até as 16h de sábado. O slogan “pelo futebol arte”evidencia a crise de qualidade e de identidade do Brasil.

Acredito ser mais improvável um convite da CBF do que osuposto sim do espanhol. O futebol brasileiro não tem culturade trazer técnicos de fora, diferentemente, por exemplo,da Inglaterra. Guardiola seria um forasteiro. Julgamo-nos superiores no mundo da bola e recusamos o intercâmbio.

É uma cegueira coletiva. Uma máscara maior que a de Cristiano Ronaldo. Os vexames anuais na Libertadores e na Sul-Americana mostram que o futebol brasileiro não é dominante como se acredita, apesar de os clubes daqui terem muito mais dinheiroque a concorrência.

Já em âmbito mundial, nosso último título de clubes foi em2006, como Inter; e, desde 2007, quando Kaká venceu, não somossequer Top 3 entre os jogadores. Os dois anos com Mano Menezes carregam resultados ruins. Aceitar que a saída, após a Olimpíada, não é Muricy Ramalho ou Felipão já mostra mudança de pensamento.

É uma maneira de reconhecer que a resposta para os problemas daqui pode estar fora do país e que a renovação ajuda o mercado e traz novo oxigênio para torcedores, dirigentes e imprensa.Na base da brincadeira, imagino sérias dificuldades paraGuardiola mudar a maneira de jogar da Seleção Brasileira.

O Barcelona aposta na cooperação entre os jogadores, nodomínio da posse de bola e da marcação sobre pressão. O jogador brasileiro é individualista, os times adoram a correria e a confusão de passes longos e cruzamentos, afinal marcam atrás e optam pelo contra-ataque. Guardiola seria a semente para o futuro.

Na tática, de início, o Brasil abandonaria a moda do 4-2-3-1 pelo 4-3-3. Qual Seleção a gente poderia ter? Se o Barcelona é Valdés, Daniel Alves, Piquet, Puyol e Abidal; Busquets, Xavi e Iniesta; Alexis, Messi e Villa (Fábregas), a Seleção Brasileira de Guardiola seria algo como: Júlio César (Diego Alves), Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Lucas Leiva, Hernanes (ou Ramires) e Ganso; Lucas, Neymar e Damião (Kaká ou Pato).

Qual a de Mano? Nem ele sabe.

Marcelo Sant´Ana é repórter especial do Correio* e escreve às quintas e aos domingos. Texto retirado da edição impressa do jornal do dia 29/04/2012


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Dedo na ferida – por Darino Sena

Novo colunista do Correio*, Darino Sena, comentarista da TV Bahia, analisa os times de Bahia e Vitória e alerta as duas diretorias para que tomem as devidas precauções porque o Brasileirão está chegando.

Boa leitura!

Dedo na ferida

Darino Sena (@darino_sena)

Quem ri por último… é otário – passou um tempão sem rir enquanto os outros se divertiam; ou é lerdo, por demorar demais a entender a piada. Não quero passar o ano sofrendo para achar a redenção ou alívio só no final, se é que eles virão. Para evitar angústia pré-Reveillon, é preciso botar o dedo na ferida agora. Os resultados nas primeiras semifinais do Baianão só ratificam isso.

O Bahia de hoje é uma evolução, né Joel? Pode ser?! Falcão mostra que pode. O novo técnico sacou um volante e botou um meia. A vocação ofensiva é inegável – ninguém faz 65 gols à toa. Desses, 24, ou 37%, foram de cabeça, em sua esmagadora maioria, após cobranças de falta ou escanteio, consequência de bom treino. Souza se reinventou. Gabriel é o maior mérito de Falcão, que, enfim, achou a posição para brilhar o menino-prodígio e agora armador, antes desperdiçado na lateral ou ataque. Gabriel já participou de 21 gols.

Mas nem tudo são flores. Por ironia, o time que faz muitos gols pelo alto também pena por ali: 12 (44%) dos 27 gols sofridos saíram de cruzamentos. Donato melhorou, admito, mas será páreo para os melhores ataques do país? Titi ainda chora o fim do casamento com Paulo Miranda. Só lembra o xerifão de 2011 pela cara de mau que não assusta mais.

Gerley é esperança de ressurreição na lateral canhota, morta com calvário de Ávine. Lulinha se esforça para fazer aquele lado render, mas lhe falta companhia. Os meias por dentro – Morais e Magno – oscilam demais. A direita funciona com a boa dupla Gabriel e Madson. Mas, quando o primeiro é bem marcado, o time sente. Fora de casa, quando joga no contragolpe, a recomposição é boa, mas os meias e volantes desarmam pouco. Como contra-atacar sem roubar a bola? Resultado: sufoco.

Leão – O Vitória também evoluiu. Tem um elenco potencialmente melhor que o de 2011. Acabou a retranca da era Benazzi (pé de pato, mangalô, dez vezes!). Agora são dois meias – Geovanni e Pedro Ken – e dois volantes que sabem jogar: Uelliton e Michel. Gabriel virou um baita zagueiro. Ricardo Silva corrigiu o maior erro tático de Cerezo e reconduziu Marquinhos ao ataque: ele fez cinco gols nos três jogos escalado corretamente. Movido a ódio, Neto vive o melhor momento da vida: 27 gols em 24 jogos.

Mas, cadê o padrão? O time sobrevive de Neto e da inspiração dos meias. Quando estes estão bem marcados, a bola não chega. É nítida a falta de mobilidade e velocidade na meiuca. Quando a marcação adversária ajuda, o time sobra. Mas, quando encaixa… O maior problema ofensivo é a falta de apoio dos laterais. Na esquerda, Saci até enganou no começo. Não engana mais. Na direita, Léo e Romário não estão à altura de Nino. Os laterais só participaram de quatro dos 59 gols no ano – no Bahia, por exemplo, tal participação é o triplo.

Na zaga, Rodrigo é uma lástima – na sobra, posicionamento errado; na caça, presa fácil. A Marquinhos, ainda falta a consciência do comprometimento fora dos campos, e haja lesão! Pronto, feridas magoadas. Resta torcer para que nossos dirigentes não sejam lembrados no futuro como os otários, ou lerdos, de 2012. O torcedor merece sorrir desde já.


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Neto Baiano – oráculo do Barradão

Em sua coluna de domingo, 22 de abril, o repórter especial do Correio* Marcelo Sant´Ana defende o atacante Neto Baiano, artilheiro do Baianão 2012 e do Brasil. Na última quarta, ele marcou três vezes contra o ABC-RN, pela Copa do Brasil, e garantiu a classificação do Leão para as oitavas. Para o repórter, a torcida do Vitória precisa valorizar mais o jogador.

Boa leitura!

Oráculo do Barradão

Marcelo Sant´Ana* (@omarcelosantana)

Neto Baiano tem quase tudo o que um jogador de futebol precisa para ser feliz: carrão, mulher bonita ao lado e vaga de titular. Artilheiro do Brasil na temporada, homem-gol do Barradão e candidato a ser o maior goleador do Vitória em todos ostempos. Neto Baiano tem quase tudo o que um jogador de futebol precisa para ser feliz: amigos no vestiário, moral com funcionários e desfruta de uma imprensa carente de pessoas autênticas.

Está sempre sorrido pelas ruas, bares e festas de Salvador e tambémno noticiário esportivo. Neto Baiano tem quase tudo o que um jogador de futebol precisa para ser feliz: falta o carinho da torcida. Este detalhe, justamente o principal entre todas as coisas do futebol, é o que marca para sempre os jogadores.

O carinho da torcida torna mais difícil a decisão de parar. Muitos viram ex-jogadores em atividade porque são viciados na energia dos estádios. Entram em campo sem qualquer condição. O carinho faz comque muitos jogadores, mesmo aposentados, sigam presentes nas conversas de arquibancada. O carinho da torcida mantém o jogador vivo mesmo após a morte.

No passado, não se cobrava ao atacante que fosse craque, embora os craques sempre tenham sido mais respeitados. Hoje, além dos gols, cobram-se de Neto Baiano boas partidas. Que saia da área, que se desloque, que dê passes, que não seja apenas um cone.Mesmo que seja o cone o jogador que mais vezes fez a torcidagritar gol no Barradão.

Conta-se que Dadá Maravilha, certa vez, afirmou: “Nuncaaprendi a jogar futebol, pois perdi muito tempo fazendo gols”.É também de Dadá outra frase famosa: “Não existe gol feio. Feio é não fazer gol”. E Neto Baiano tem seguido à risca os mandamentos, seja de bola rolando ou pênalti. Aliás, o Brasil foi campeão do mundo em 1994 batendo pênalti, a Itália copiou em 2010, mas não se aceita que Neto seja artilheiro assim.

Neto Baiano até já fez gol de título em Ba-Vi e nem assim tem moral com a torcida. Foi em 2009, quando o Bahia abriu 2×0 e 99,9% dos rubro-negros temiam que o time perdesse o título dentro de casa, tendo, para completar o roteiro, o ex-presidente como diretor do rival. Muita gente ia enfartar. Neto evitou uma tragédia coletiva.

Neto Baiano passou por quase tudo no Barradão. Foi titular,reserva, fez gol, golaço, entrou para o Inacreditável Futebol Clube, foi expulso, vaiado e aplaudido. Sabe todas as respostas do Barradão. Exceto como ser compreendido.

Marcelo Sant´Ana é repórter especial do Correio* e escreve às quintas e aos domingos


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O império contra-ataca

Editor de Esporte do jornal Correio*, Eduardo Rocha escreve em sua coluna de sexta-feira (20) sobre brigas políticas na CBF. Quem será o vice-presidente para região sudeste? São Paulo e Rio de Janeiro, com Del Nero e Zagallo, lutam por mais prestígio na entidade.

Boa leitura!

O império contra-ataca

Eduardo Rocha*

Os paulistas preparam o golpe. Pretendem fundir CBF e FPF numa só instituição, voltada para os interesses do futebol de São Paulo. E apostam no nome de Marco Polo Del Nero, 71 anos, para cumprir o plano com sucesso. O ex-presidente da Federação Paulista é candidato à vice-presidência da Região Sudeste, ciente de que, na vacância da cadeira de José Maria Marin, será ele o vice mais velho da entidade – e, por extensão, o primeiro na linha sucessória da CBF.

Para isso, quebrou-se o acordo coma Federação de Futebol do Rio de Janeiro. Os cariocas esperneiam, mas têm estratégia semelhante. Conscientes do critério de sucessão na entidade máxima da bola brasilis, escolheram Zagallo, 80 anos, como seu candidato ao cargo. “Ele já está na Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol),  tomou posse no Comitê Executivo da Fifa e agora quer a CBF. É uma ganância desmedida pelo poder”.

A preocupação de Rubens Lopes, mandatário no Rio, se justifica. Marco Polo se prepara para ser o novo Ricardo Teixeira – que, além da CBF, acumulava as funções citadas por Lopes na Conmebol e Comitê da Fifa. “Houve realmente uma indicação, mas ainda tenho de esperar o apoio de oito federações e cinco clubes para poder participar da eleição”, diz Del Nero, com a tranquilidade de quem conhece os corredores do futebol brasileiro e passeou poreles por muitos anos, à espera da oportunidade perfeita.

O novo vice da Região Sudeste será escolhido em assembleia. Participam os 27 presidentes de federações e os presidentesdos clubes que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro.Sem direito a voto, Marin faz campanha. Paulista, é fácil adivinhar seu candidato na disputa. “Marco Polo fez uma grande gestão na FPF.

Ele tem uma experiência maior na parte administrativa”, discursou. E se as “federações rebeldes” – como são chamadosRio, Bahia, Minas, Rio Grande do Sul e Paraná – já andavam preocupadas como domínio paulista na gestão José Maria Marin, é bom abrir o olho com uma nova escalada de São Paulo – essa sim, preparada com um nome muito mais forte nos bastidores do futebol.

*Eduardo Rocha é editor de Esporte do Correio* e escreve sua coluna no jornal às sextas-feiras


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Angioni bota o dedo na ferida do Bahia e cobra postura de time grande

Em sua coluna no jornal Correio* desta quinta-feira (19), o repórter Marcelo Sant´Ana avalia as declarações do diretor de futebol do Bahia, Paulo Angioni, em vídeo institucional publicado nesta semana. Ambos dividem a mesma opinião: carente de títulos e organização fora de campo, o Bahia se apequenou diante da sua história e precisa voltar a ser grande.

Boa leitura!

Tchau, coitadinhos!

Marcelo Sant´Ana (@omarcelosantana)

Paulo Angioni percebeu, em dois anos de Bahia, o que muitos sabem, mas não admitem. Ou não gostam e se irritam quando alguém diz. Mas a observação é aguda, típica de quem está seguro. Por que, vez ou outra, os times e as pessoas daqui têm a síndrome de coitadinhos? De se colocarem como vítimas ou injustiçados? Com certeza existe uma história, um contexto, sempre existe.

“As pessoas aqui, elas sabem que é grande, mas elas não se colocam como grande. Isso foi o grande desafio inicial meu. É fazer com que as pessoas entendessem que, se elas estão aqui, é porque são grandes. A gente não pode se apequenar. E, muitas vezes, eu percebo que, em alguns momentos, as pessoas se apequenam um pouco diante das outras, principalmente, dos grandes centros. Isso é uma coisa aqui no Bahia que tá acabando”, cravou, em vídeo institucional pelos dois anos de trabalho no clube.

A torcida do Bahia, aliás, tem uma mania de grandeza que a diretoria não acompanha. O torcedor sonha, exagera e a diretoria, costumeiramente, no outro extremo, também. “Pra mim, o Bahia sempre foi um grande clube. Hoje, tenho a certeza maiorque é muito maior do que eu imaginava. Porque tô trabalhando,aferindo, vendo, acompanhando, vivendo…”, diz, em palavrasfascinantes ao torcedor. Claro que três décadas ajudam ajogar para a galera. Ele é parte interessada.

Mas esse pensamento ecoa também nas conversas de bar, nas rodas entre amigos e nas redes sociais. É legítima a percepção que o Bahia não é tratado como deveria. “No meu conceito, o Bahia, pela sua grandiosidade, ele tem que ter um corpo de trabalho não só do ontem, mas sim do hoje e do amanhã. E eu encontrei uma clientela eventualmente do ontem. E isso é uma visão que nós conseguimos mudar no Bahia”, compara.

O termômetro das arquibancadas não coloca auréola de santo no gestor, mas, tranquilamente, aprova o trabalho. O departamento de futebol é percebido como o que mais evoluiu, embora aparente uma dependência da figura de Angioni, e ainda não seja uma estrutura consolidada. Por anos, por abrigar quem se apequena, o Bahia comprometeu seu projeto de felicidade. Qualquer adversidadeextra era um fardo que comprometia o crescimento. E nessa mentalidade tacanha o clube se afastou da Série A, dos títulos, da glória.

A década perdida do Bahia viveu na falta de ambição e de competência. Deixou de marcar história para ser marcado por ela. Era o time dos coitados. Angioni, pelas (poucas) palavras e pelo (bom) trabalho, vai livrando o Bahia do pesadelo de ser uma criatura pequena. “Sou movido de carinho, de afeto”, diz Angioni,que, ao botar o dedo na ferida, alivia o coitado torcedor.

Marcelo Sant´Ana é repórter especial do Correio* e escreve a coluna às quintas e aos domingos


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Bahia, Vitória, Feirense e Vitória da Conquista

Rafael Sena (@rafa_sena)

Fim da primeira fase do Baianão 2012 e semifinalistas definidos. A novidade é a entrada do Vitória da Conquista, quando todos esperaram a classificação do Bahia de Feira. Rapidamente, dou minha opinião sobre o comportamento das equipes na etapa classificatória e o que pode acontecer daqui para frente. Convido você a fazer o mesmo exercício.

Bahia - Como time mais entrosado do estadual e melhor conjunto, fez a sua parte de terminar líder com folga sobre os demais. Por causa da baixa qualidade técnica do campeonato, o Bahia não precisou fazer muito esforço durante sua campanha, mas escorregou fácil em jogos que exigiam atenção dobrada e mais vontade. Para ser campeão, o Bahia nem precisa mais vencer – com a vantagem construída, basta empatar os quatro jogos. Mas, se não abrir o olho, esse recurso pode jogar contra.

Vitória - Altos e baixos na primeira fase. Como o Baiano é fraco, não houve maiores problemas. A classificação poderia vir com mais antecedência e a vantagem na semifinal, construída com mais tranquilidade. Mas o Vitória vem crescendo e importantes jogadores também, como Marquinhos. Apesar da campanha inferior em relação ao arqui-inimigo, não haverá favorito numa eventual decisão e o Vitória tem plenas condições de acabar com o título. Antes disso, tem o Feirense. O 6 a 1 na última rodada tem que ser esquecido o quanto antes. O Feirense vem mordido na semifinal e não vai querer repetir a péssima atuação.

Feirense - Surpresa do Baianão. Sem grandes destaques no elenco, mas com um time eficiente e ofensivo, fez boa campanha e só deixou o Rubro-negro escapar na última rodada. Em tese, não tem forças para eliminar o Vitória e chegar à final, mas elas podem aparecer de onde menos se espera. Como já chegou longe demais, deve enfrentar o Vitória destemido.

Vitória da Conquista - Estar na semifinal não é tão surpresa assim. O Vitória da Conquista, apesar de tropeços bobos, tem se mostrado um time regular nos últimos estaduais e sempre brigando por vaga. Apesar disso, não assusta o Bahia. Acho que o Tricolor terá vida mais fácil do que o rival, mas ainda assim tem que tomar cuidado com o Vitória da Conquista. Como franco atirador, pode golpear o adversário, especialmente no jogo de ida, no Lomanto Júnior.


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Poesia e futebol

Por Hailton Andrade (@hailton)

Pouca gente sabe, mas o jovem jornalista que vos escreve aqui também é poeta. Bom, eu tento ser, ao menos. Costumo dizer que sou poeta amador e escrevo em um blog próprio quando a inspiração surge. Vez ou outra faço algo sobre futebol. São raras às vezes que consigo. Há cerca de uma semana escrevi alguns versos sobre esse esporte que tanto amo após uma partida. Só não consigo lembrar qual. A memória falhou… O chefe (@rafa_sena) leu, gostou e pediu que eu reproduzisse aqui. Espero que gostem. Caso não, tudo bem. Tô aprendendo. Podem comentar, fiquem à vontade. Agora é só conferir as linhas abaixo:

O ser do futebol

Caído no gramado da dor
Noto que o juiz errou
Sequer cartão saiu
Nem pedir pra sair pediu
O crime das quatro linhas é anti-arte
Perde o time, perde o torcedor
Ganha quem é odiado pela bola
Brucutu, saravá e nunca mais
A ginga, o drible, a fantasia
Quero mais craques, ou seria demais?
Pelo fim da correria, da força física
Digo que fico, fico com a razão do gol
Daquele que age e depois, se quiser, pensa
Corre, sai, marca, aparece, deixa, marca
Jamais defende
A rede balança, faz chorar e rir
O povo vira povo
A arquibancada treme, o chão sai do lugar
Nascem, siamesas, alegria e tristeza
Assim é o futebol, tem que ser


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Top 5 Deivid – Porque ele já aprontou outras vezes

O assunto da vez é Deivid, do Flamengo. O atacante perdeu um gol feito na semifinal contra o Vasco e o seu time perdeu a vaga na final da Carioca. A turma do blog Bola nas Costas, do Globoesporte.com, produziu um vídeo, um top five sacaneando Deivid. São lances tão inacreditáveis quanto o de quarta-feira. Mas vale lembrar: ele foi vice-artilheiro do Brasileirão 2011, com 15 gols.   De qualquer modo, vale a alfinetada.

Assista!


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Pediu, dançou

Por Hailton Andrade (@hailton)

Metade dos clubes que disputam o Baianão 2012 já trocou de técnico. Foram apenas sete rodadas disputadas e os menos atentos podem achar que o processo de fritura dos treinadores, comum no país do futebol, está em alta no Estado. Ledo engano, caro torcedor. Todos os comandantes que deixaram os clubes pediram o boné, vazaram por conta própria. Literalmente, pediram pra sair. Entre os motivos das saídas precoces, falta de estrutura e, muitas vezes, pouca fé nos elencos montados para o certame estadual e também neles mesmos. Alguns estavam desgastados, é verdade, mas outros saíram deixando os diretores lamentando.

O primeiro a dançar no salão dos técnicos foi Emerson Matheus. Deixou o Juazeiro reclamando da falta de estrutura do clube, que viveu momentos turbulentos no último pleito para presidente, em dezembro, e demorou a se organizar para o estadual. Lanterna do campeonato, o Juá ainda não venceu e sofreu 20 gols em sete jogos. O treinador abandonou o barco após duas derrotas nos dois primeiros duelos. Janilson Brito assumiu interinamente, mas horas depois Sérgio Araújo foi efetivado e ainda não deu jeito no Tricolor das Carrancas.

Demissão de técnico ainda não rolou neste Campeonato Baiano. No Itabuna, Danielzinho deixou o cargo, mas é funcionário do clube e segue como auxiliar. Ferreira, que estava na base do Bahia de Feira, foi chamado e luta para tirar o Dragão do Sul da zona de rebaixamento. Até agora, o time azulino só faz campanha melhor do que o Juá.

O salão dançante dos treinadores continuou ganhando adeptos. Joel Santana, que estava tranquilo no Bahia, com a equipe dentro do G4, decidiu trocar o Fazendão pela Gávea. Pegou o avião e agora está no Flamengo. O Tricolor surpreendeu e anunciou Paulo Roberto Falcão como substituto. Ele estreia diante do Vitória, domingo, no maior clássico da competição: o BaVi.


No dia seguinte à saída de Joel do Bahia, Haroldo Moreira deixou o Camaçari reclamando da interferência do presidente Fernando Lopes no trabalho da comissão técnica. A polêmica fez os dois discutirem através de declarações ao iBahia Esportes e dificilmente, depois de quatro passagens por lá, o técnico voltará a comandar o Camaça, atualmente oitavo na tabela.

Mas Moreira não ficou muito tempo sem emprego. Nessa onda do “pede pra sair”, Paulo Sales pediu o boné na Juazeirense, apesar dos apelos do presidente Roberto Carlos para que ele ficasse. O dirigente então chamou o ex-técnico do Camaçari para assumir o time e ele aceitou. O último a aumentar a lista foi Luiz Jurescu, do Serrano. Depois de sete jogos e nenhuma vitória, ele foi mais um a desistir e entregar o cargo. O time mongoió está em décimo, no limite para entrar na zona de rebaixamento.

A outra metade dos treinadores resiste bravamente. Bahia de Feira (Arnaldo Lira), Vitória (Toninho Cerezo), Atlético (Henry Laur), Vitória da Conquista (Elias Borges), Feirense (Zanata) e Fluminense de Feira (Agnaldo Liz) mantém os mesmos comandantes desde o início do torneio. Entre esses clubes, só o Flu faz campanha ruim – é o nono, com seis pontos. E aí, será que a dança dos técnicos acabou ou ainda dá pra apostar que algum deles ainda cairá no baile? O salão aguarda o próximo pedido ou que um dos clubes bote o comandante pra dançar.


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