Por Celso Athayde: SETOR F

Desde que me entendo por gente e mesmo não sendo um grande conhecedor em economia, minha experiência como camelô vem me mostrando que o modelo empresarial no Brasil tem sido o responsável direto por muitos dos problemas sociais que vivemos. Chegar a essa conclusão não é difícil. Imagino que todos os líderes sociais, intelectuais, políticos, religiosos, empresariais, assim como os “buchas” de todos os setores também concordam com isso. O ponto central dessa questão é: quais as sugestões e alternativas temos para apresentar? Percebo que, ao longo dos anos, a Economia Social vem ganhando bastante expressão. Seus objetivos passam necessariamente pela solidariedade e pelo desenvolvimento integrado da comunidade. Ela tem contribuído muito com o Estado em suas ações e infelizmente até o substitui, em alguns casos extremos. Mas é claro que esse não é o seu papel. Acredito que a função principal seja a de construir alternativas e, até no limite, ser um prolongamento do Estado na implementação de suas políticas sociais. Em síntese, a Economia Social é o que transforma os valores e até os costumes de um ambiente e muda a vida das pessoas em um país capitalista.

Pensando nisso, quero propor um novo debate para esse momento, um novo pensamento na direção da economia da favela, que estou batizando de Setor F. O assunto merece atenção no que diz respeito ao fenômeno de renda dos moradores desse setor. O PIB de muitos países, o da Bolívia, por exemplo, é menor que o volume do movimento da economia das comunidades brasileiras. É importante perceber que não estou falando somente das periferias, e, sim, das favelas, que existem inclusive nas periferias. Caso contrário, esse número seria muito maior e estaríamos falando em quase 70% da população. É hora de todos atentarem para esse “velho” Setor F: os do asfalto ou os das favelas. Esse exercício serve, inclusive, como um dos caminhos para demover o preconceito. Até aqui, os argumentos que muitos usavam para não se aproximarem das favelas foram a geografia complexa dos terrenos, que dificulta o acesso e demanda supostos grandes investimentos, ou o receio do poder paralelo. O fato é: precisamos promover o encontro dos empreendedores desses dois mundos! Precisamos definitivamente assumir o desafio que é a geração de um valor compartilhado em que podemos revolucionar a administração, gestão e o planejamento dessa economia considerada ainda por muitos como paralela, por ser parte de um ambiente que tem uma cultura própria e seus próprios códigos de existência e desenvolvimento. Esse território que pulsa economicamente e que exige investimentos e legalidade plena. Esse mundo que quer ser incluído em todos os seus aspectos, e assim transpor todas as fronteiras que ainda existem.

Para provar que é perfeitamente possível, acabamos de criar a Favela Participações S/A (Favela Holding), um grupo integrado por 20 empresas que tem o foco de atuação nas favelas brasileiras. Trata-se se uma sociedade entre a Favela Holding e grandes empresas dos mais diversos setores. Essa sociedade dará vida a empresas de eventos, agência de viagens, publicidade, MMA, shoppings, fábricas de móveis, editora, instituto de pesquisa, distribuidora, expansão de negócios e mídia, só para citar algumas. A idéia central é que o empreendedor tenha a real percepção do retorno financeiro que essas comunidades irão trazer para o seu investimento. Em contrapartida, quero que o morador da favela tenha oportunidade de ser visto pelos empresários como protagonista desse processo de construção compartilhada. Ou seja, como sócios, de fato. Isso será feito pela primeira vez nessa relação comercial. Para que esses moradores possam executar esse papel de protagonismo, deverão se preparar para co-gerenciar seus negócios, para gerar lucros e para manter esse lucro dentro da própria favela, com o objetivo de promover uma melhor qualidade de vida ao lugar. Alguns parceiros já começaram a colaborar com esse processo de formação, como Fundação Dom Cabral e SEBRAE-RJ.

Acredito que a grande revolução brasileira será o avanço da economia nas favelas, uma sociedade de 12 milhões de pessoas. Do contrário, alardearemos que somos a sexta economia mundial, comemoraremos em breve que alcançamos a terceira, mas, se as favelas não se desenvolverem, só aumentaremos a distância entre o Brasil que cresceu e o outro Brasil que sucumbiu.

Exatamente por isso, resolvi investir em uma nova lógica de trabalho. O objetivo não é fazer nenhuma reparação ao trabalho que fiz com a CUFA até aqui, pois se tivesse que fazer novamente, eu faria exatamente a mesma coisa. Deixamos a CUFA como a instituição de maior capilaridade do país e uma das mais respeitadas que conheço. Mas, por outro lado, é preciso refletir o quanto é importante as organizações não virarem apenas um balcão de projetos. As ações não podem existir somente para fortalecer o ego das organizações e de seus líderes. Penso que um movimento social deve ser pautado pelo desenvolvimento dos coletivos, sejam eles parte ou não dessas organizações, sobretudo quando os recursos são públicos. Isso não é nem de longe uma crítica ao que foi possível fazer até aqui, afinal, nem sempre escolhemos as formas. Muitas das vezes, nos limitamos a seguir o fluxo.

A decisão de deixar a gestão da CUFA, apesar de me engajar em um projeto comercial que tem a mesma direção, pode não ser visto de forma natural por algumas pessoas. Novidades, sejam elas em que âmbito forem, sempre geram espantos. Mas, enquanto eu viver, serei um inquieto que tentará se divertir surfando no olho do furacão. Precisamos seguir novos rumos, trilhar na direção do que acreditamos. E claro, continuar pagando o preço por sermos vanguarda em muitas ações. Lembro, por exemplo, de quando fizemos o primeiro grande show em uma favela no Rio, talvez no Brasil. Foi na Cidade de Deus, no ano de 2000, mais precisamente em uma noite de Natal. Produzimos um mega show, com direito a muitas lágrimas dos artistas e do público. Um encontro memorável entre a Cidade de Deus e Caetano Veloso, Djavan, Dudu Nobre e Cidade Negra. A mídia fez desse histórico acontecimento um caso de polícia. Mesmo assim, o fato possibilitou a leitura da sociedade e do poder público de que a favela também era um lugar onde os grandes eventos culturais pudessem e devessem ser realizados. Até hoje, fazemos grandes eventos em favelas, com parceria de muitos que nos criticaram na época. O importante disso tudo é constatar que, hoje, outros tantos parceiros fazem esse tipo de ação e com sucesso. Outro caso emblemático foi quando fizemos o filme e o livro ‘Falcão: Meninos do Tráfico’. Lembro que, apesar de ter recebido prêmios em mais de 20 países, de ter recebido as homenagens mais importantes do país, o Bill e eu também fomos processados e acusados de fazer apologia ao crime e associação ao tráfico. Resistimos a tudo e seguimos em frente.

Felizmente, hoje essa resistência é reconhecida como um marco que possibilita muitas organizações e pessoas a se comunicarem com as favelas das mais variadas formas e até mesmo com o tráfico, com o objetivo de mediação de conflitos. Foi assim, em 2001, quando fizemos o primeiro projeto de formação de agentes da lei. A CUFA, em parceria com o Ministério da Justiça, qualificou guardas municipais para melhor se relacionarem com os jovens das favelas.
Eu poderia citar muitos outros momentos em que fomos considerados vanguarda na relação com comunidades, mas isso já passou e o futuro é o que nos desafia. Em nome desse desafio, lancei mão dessas relações para criar essa que é a primeira holding de favelas do mundo: a Favela Participações S/A.

Quero trazer à tona a discussão sobre a economia da favela, o Setor F: uma discussão sobre o que acredito ser a receita ideal do bolo capitalista, com muitos ingredientes dessa nossa economia social e compartilhada. Baseado no que construí, nas idéias que propaguei, em tudo o que acredito, e vindo de onde vim, eu precisava criar mecanismos para que o nosso desenvolvimento como conjunto fosse viável. E é aí que trago essa reflexão para essa nova mentalidade.

É importante que esses grandes empresários pensem além dos recursos disponíveis nas favelas. É preciso pensar no desenvolvimento de seus moradores, tanto para promover a empregabilidade em massa quanto o empreendedorismo. Para que os habitantes das favelas alcancem esse objetivo, antes de tudo, é preciso que os empresários percebam que uma sociedade entre eles seria mais do que um modelo que revolucionaria a economia das favelas. Deveriam considerar que seria o único modelo sustentável e que jamais foi testado coletivamente.

Para destacar os efeitos do Setor F, vou lembrar um pouco dos outros três setores. O primeiro setor: o privado capitalista, com fins lucrativos. O segundo: o setor público, que visa satisfazer o interesse geral da população. E o chamado terceiro setor, que é parte integrante da Economia Social e está ligado à economia solidária. Na esfera dessa Economia, estão o associativismo, o cooperativismo e o mutualismo como formas de organização da atividade produtiva. Mas é importante pontuar algumas semelhanças e diferenças entre esse novo Setor F e o terceiro setor, que é uma categoria que traduz certas práticas que podem ser aplicadas em qualquer lugar. O Setor F não. Esse é bem específico: focaliza territórios chamados favelas (chamados pelo IBGE de aglomerados sub normais). O terceiro setor combina geração de lucro com benefícios sociais. O Setor F faz dessa combinação um projeto de afirmação política e cultural de comunidades. Acredito que as favelas se tornarão mais poderosas, em todos os sentidos, e mais capazes de pensar criticamente sobre si mesmas e sobre o país, na medida em que passarem pela experiência educativa, de aprendizado e desenvolvimento, e de tornarem-se protagonistas de um processo de interesse pessoal e coletivo. Visto por esse prisma, o Setor F se torna qualitativamente diferente do terceiro, porque o todo é maior do que a soma das partes. Por isso, o Setor F não é apenas a soma do terceiro setor mais cultura e política. Ele converte-se em outro tipo de experiência coletiva. Isso impacta a própria dimensão econômica do que se chama Setor F, porque, se é preciso pensar o significado político e cultural de cada empreendimento, a avaliação não pode ser apenas econômica e social, como seria naturalmente no terceiro setor, do qual eu faço parte há quase 20 anos.

Daí a idéia de um shopping. Um shopping é um grande símbolo capitalista que pode ser apropriado e ressignificado, mantendo vários de seus aspectos clássicos como: lojas de marca, escadas rolantes, ar condicionado, praças de alimentação e um astral imponente. Nesse novo modelo, esse mesmo shopping pode construir novos aspectos também, como a presença das lojas locais que vão derramar produtos fabricados na própria favela, a exposição das mais diversas artes consumidas na comunidade ou ainda a relação entre seus próprios pares, na medida em que o ponto chave estará na relação entre os vendedores e clientes da própria favela, eliminando os históricos preconceitos. Outro ponto é a relação entre fraqueado e franqueadores, já que as marcas só garantem espaços no Favela Shopping se for via Franquia Social, ou seja, o franqueador investe em um empreendedor da favela, por ele identificado. Se por um lado haverá um investimento social ao ofertar a franquia, por outro haverá um ganho por muitos anos nesse mesmo espaço inovador. Para que esse modelo – de Franquia Social – seja aplicado, será preciso um processo de formação, qualificação e acompanhamento da gestão pelos que têm experiências em seus respectivos ramos de atuação. Mais do que isso: 100% dos funcionários do empreendimento deverão ser moradores da favela. Isso vai melhorar a qualidade de vida da população já que, além desses trabalhadores estarem menos tempo em trânsito, portanto mais tempo com seus familiares, o projeto vai gerar renda local e fazer com que esses valores permaneçam ali. Mas não paro por aqui. Como se não fosse bastante esse impacto positivo na economia da favela, outro aspecto, no caso dos shoppings, é a obrigatoriedade da criação de um projeto visual para todo o comércio no entorno do empreendimento, além de oferecer cursos de negócios para todos os comerciantes locais, visando o desenvolvimento dos interessados. Até mesmo o Estado tem a chance de pensar incentivos para estimular a o crescimento de empreendedores nessas comunidades.

Estou convicto de que estamos iniciando um processo empreendedor jamais visto! O tempo nos mostrou que nenhum desses setores foi capaz de resolver, ou mesmo entender, as mais diversas dimensões da economia das favelas. O grande ensinamento que fica e a grande reflexão que todos devemos fazer é: ou dividimos todas as riquezas que todos nós geramos, ou, infelizmente, seremos obrigados a continuar convivendo com as consequências da miséria que os concentradores de renda têm gerado ao longo da história. E todos temos a chance de mudá-la. A hora é agora!

CELSO ATHAYDE
Diretor Executivo da Favela Participações S/A


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Jovens de Salvador e Rio de Janeiro Discutem novas tecnologias

Enderson Araújo e Raull Santiago são dois jovens que vivem a mesma realidade em locais diferentes, o primeiro é um jovem que reside na comunidade de Sussuarana, periferia da cidade de Salvador, Bahia.  Já Raull é um jovem ativista, morador do Complexo de Favelas do Alemão na cidade do Rio de Janeiro. Ambos utilizam as redes sociais por meio das novas tecnologias como forma de fazer valer o direito humano a comunicação, além de divulgar os problemas existentes nas comunidades onde residem para mobilizar a juventude em busca de seus direitos.

Os dois se encontrarão no próximo sábado (11/05) no Rio de Janeiro, em um encontro organizado pelaRede Nacional de Adolescentes e Jovens Comunicadores  RENAJOC, com apoio do Portal Correio Nagô. A ideia surgiu de idéias trocadas por aplicativo WhatsApp entre Enderson e Bruna Souza, jovem comunicadora do Rio de Janeiro que faz parte da RENAJOC, assim como Enderson, logo decidiram criar uma atividade para trocar experiências vividas nas duas cidades.

No evento, os jovens irão falar um pouco sobre a importância do uso das novas ferramentas tecnológicas para a busca de direitos e validação dos mesmo,  tendo como ponto de partida o olhar de dentro da comunidade.

“As novas tecnologias de comunicação estão transformando o mundo em que vivemos hoje. Apoiar um evento que reúne jovens de periferia que estão discutindo esse assunto é para nós, estratégico. Acreditamos no poder transformador que as mídias digitais podem fazer nas comunidades e por isso o Correio Nagô é parceiro em qualquer iniciativa nesse sentido”, conta Paulo Rogério, Co-Editor do Portal Correio Nagô, site de notícias do Instituto Mídia Étnica, que faz formação de jovens comunicadores em Salvador, em uma delas foi formado o jovem Enderson Araújo.

Para a educomunicadora Evelyn Araripe, da Revista Viração,  é importante juntar jovens para trocar experiências “Eu acho que a importância dos jovens se organizarem em rede é que eles criam um espaço de trocas de experiências e saberes que fortalecem suas ações individuais e locais. É em rede, também, que o jovem conquista mais espaços de diálogos e debates, bem como forças para dar mais visibilidade às suas idéias”.

Raull é membro do coletivo Ocupa Alemão,um coletivo de jovens moradores de favela  que propõem soluções para as demandas da cidade. Já Enderson é um dos criadores do Mídia Periférica, grupo de jovens comunicadores que discute a democratização da comunicação e produz mídia sobre as comunidades periféricas. Segundo Claudia Maciel, apresentadora do Programa Ação Periferia na Rádio Nacional,  “Os jovens de periferia precisam estar conectados. O diálogo, a troca de experiências e a socialização das diversas vivências promovem um currículo atual e globalizado que atende e envolve todos os problemas e dificuldades da juventude”.

Serviço
O Quê: Roda de Diálogos – Juventudes Conectadas
Quando: Sábado – 11/05/2013
Com Quem: Enderson Araújo – Salvador e Raull Santiago – Rio de Janeiro
Onde: Instituto Rose Muraro – Rua Hermenegildo de Barros, n° 44 Santa Teresa
Contato: Bruna Souza – 021 9986- 9707

 

Portal Correio Nagô  – www.correionago.ning.com

RENAJOC – http://renajoc.org.br/

Ocupa Alemão – http://www.facebook.com/OcupaAlemao?group_id=304831986311628

 


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Sensacionalismo: A periferia não é palco, nem os jovens são atores desse teatro.

O que faz uma jornalista estrangeira vir ao Brasil, e, preparar uma matéria para a Reuters, um site reconhecido mundialmente, e propagar imagens sensacionalistas das comunidades de periferia em Salvador? Não estamos aqui dizendo que não existe o tráfico, as mortes e tudo mais que nós de comunidades sabemos que existe, e sabemos também o porque ela existe, por ausência de política públicas e assistência do GOVERNO dentro das comunidades.

A copa ocorrerá em 2014, e com isso, os empresários que a organizam só pensam em fazer a segurança dos turistas, e, por consequência colocam mais policia nas ruas e em especial nas comunidades periféricas. Mas porque não se pensa em estudar projetos de turismo comunitários, projetos de jovens que estão produzindo conteúdo onde mostram as belezas das suas comunidades, o empreendedorismo local? Outro questionamento é: por que estas iniciativas não são fortalecidas? Para além do que foi mostrado pela jornalista, existem jovens que estão propagando as suas comunidades, emergindo culturas e artistas locais.

Contudo, nota-se que o grande culpado de tudo isso é o governo, que não investe no sistema público de educação, saúde, transporte dentre outros direitos que nos são privados. Em contrapartida o Estado brasileiro investe mais no aparelhamento da policia. Acreditamos que a mídia local também deveria exercer seu poder de influência e dialogar mais com as comunidades de maneira em que não sustentar um discurso sensacionalista sobre as mesmas, tratando-as como apenas como meros necessitados. Sim, são necessitados, mas de direitos básicos que outrora foi supracitado, e que o governo deveria garantir.

Segue exemplos de jovens que estão usando celulares, câmeras digitais, gravadores como “armas” para “traficar” informações sobre as comunidades.

Jovens do Nordeste de Amaralina que criaram um portal de noticias, o “Nordeste Eu Sou”, para noticiar o dia-a-dia de sua comunidade para o mundo. O complexo de bairros do Nordeste de Amaralina, foi o primeiro local de Salvador a receber implementação de uma Base Comunitária de Segurança (semelhantes a UPP’s). Além do site Nordeste Eu Sou, outro grupo de jovens criou a “Tv Interativa DKebrada”- que elaboram vídeos para divulgar artista da própria comunidade.

Contudo, ainda há experiências como o do “Coletivo Boom Clap” e “Colé de Mermo”, formado por jovens produtores de comunidade, e, que através da Cultura Hip Hop estão ocupando espaços públicos no centro da cidade de Salvador com “Batalhas de Rimas”, eventos ligados ao Hip Hop e a Cultura Urbana Negra, fazendo festas acontecerem de maneira que as pessoas possam resignificar essas manifestações culturais dando visibilidade a estas e aos atuantes da cena.
Nas imagens a seguir, jovens de comunidades que se organizam no centro da cidade para fazer batalha de rimas improvisadas, que por sua vez tem como grande vencedor o “Big”, jovem oriundo da periferia e que agora irá representar a Bahia no Duelo Nacional de MC´s em Belo Horizonte – MG, sendo que em 2012 quem representou o estado foi a MiraPotira.

Os jovens de comunidades são produtores de tudo isso, e sem dúvidas trazem novas perspectivas de vida para outros amigos que já não encontram ou sabem o que seria ter expectativa, pois a policia, o aparelho que é usado pelo governo para oprimir.

Todo esse descaso e sensacionalismo é fruto dum ciclo de interesses e valores entre os poderosos. Marginalizar os jovens de comunidade é bem, mas fácil do quê escutar, ver e acima de tudo compreender as diversas potencialidades artísticas em cada beco que totaliza as periferias. Pois, é mais rentável pra mídia privada trabalhar com as contradições sociais geradas pelo modelo de sociedade vigente.

Para os sensacionalistas que utilizam da atividade jornalística para difundir mentiras, aqui segue um recado: os jovens de periferia estão verdadeiramente ” armados”, mas com celulares, iphones, câmeras digitais e outras ferramentas que certamente auxiliarão na produção comunicação, afim de “traficar” informações sobre a realidade das periferias soteropolitanas, mostrando o lado bacana, não somente para que tenham bons olhares sobre a comunidade, mas também como um local em potencial para receber investimentos e incentivo.

É importante que a correspondente Lunaé Parracho, da agência de notícias Reuters, aborde um outro olhar sobre as periferias de Salvador, e não apenas o olhar generalizador e preconceituoso que mostra a juventude negra apenas em atividades que põem a sua vida em risco, sobretudo no atual momento em que no Brasil o debate sobre a redução da maioridade penal ganha força dentro dum Senado burguês.

Contudo, os mesmos jovens marginalizados nas fotos da jornalista, agora apontam para a necessidade de estimular debates no campo do Direito á Cidade, Criminalização da Pobreza, Democratização da Comunicação, para que assim fortaleça a organização da juventude negra.
São inúmeros o jovens que por meios alternativos, criaram um canal possível de diálogo entre diversas comunidades existentes em Salvador, e, em outras regiões do Brasil. Prova disso é a jovem comunicadora Itamara Silva, moradora periferia de Sussuarana, uma das formadoras do “Mídia Periférica”.

Os jovens de comunidades de periferia não podem servir de atores do teatro do sensacionalismo criado por jornalistas desiformados. Não é somente criminalizando as periferias que vamos conseguir resolver diversos problemas, que vão para além do crime organizado, deve se criar uma via de diálogo entre governo, mídia e a juventude que produz cultura dentro das periferias, pois pode ser criada e traçada estrategias para que materias como estas não venham a existir novamente

http://blogs.reuters.com/photographers-blog/2013/05/02/a-world-without-smiles/.

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Creditos Fotos: Divulgação Redes Sociais
Texto: Enderson Araújo
Adaptaçoes: Pedro Alexandre


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Dia Municipal da Periferia em Salvador

“Jovens comunicadores em parceria com outros movimentos, realizarão o Diálogos das Juventudes de Periferia (DJP) na Biblioteca Pública da Bahia. Irá acontecer no 23 de abril, dia em que é instituído pelo município como o Dia da Periferia. Além disso, no dia 27 a galera promoverá intervenções artísticas urbanas em uma comunidade periférica da cidade”.Curta a pagina oficial
facebook.com/diadaperiferia

Muitos desconhecem, mas o dia 23 de Abril é uma data instituída por lei como o Dia Municipal das Periferias de Salvador. Esse foi um Projeto de Lei criado pela Ex Vereadora Léo Kret que foi votado e aprovado pela câmara em 22 de Abril de 2009. Os jovens do grupo Mídia Periférica, acreditam que esta data deve ser um dia em que a periferia mostre que não está invisibilizada, pois há cultura sendo produzida pelos jovens de periferia, articulações estão sendo organizadas dentro das periferias e, para além disso, é que os movimentos marginalizados pelo sistema estão invadindo o centro da cidade para ocupar espaços públicos, levando entretenimento e cultura para as pessoas que circulam por esta cidade.
Serão realizadas duas atividades que nortearam o Dia da Periferia. No dia 23, uma terça-feira, será realizada mais uma edição do projeto Diálogos das Juventudes de Periferia, projeto que o grupo Mídia Periférica vem desenvolvendo com alguns parceiros onde seu lançamento oficial aconteceu em Brasília, na periferia de Ceilândia. O Diálogo acontecerá na Sala Luiz Orlando da Biblioteca Publica do Estado no bairro dos Barris. A sala possui 80 lugares, estão cotados como convidados: o MC Nouve, o empreendedor Tau Silva, o grafiteiro Júlio e dois representantes da Câmara Municipal, os vereadores Carlos Suica e Silvio Humberto Cunha ,Presidente da Comissão de Educação, Esporte, Cultura, Lazer e Segurança. Com este Diálogo a expectativa é que saiam dali demandas para que os representantes do Legislativo possam levar os anseios para que no ano que vem a data 23 de Abril seja uma data onde ocorram diversas manifestações na cidade voltadas a cultura de periferias e assistência dos moradores das comunidades. No dia 27, sábado, ocorrerá uma intervenção urbana com grafite nos muros da Rua Maria Antonieta, situada em Cajazeiras 11, no fim da tarde o MC Nouve mais alguns amigos irão animar o fim de tarde na comunidade, com Rap e o que mais rolar, parra fechar as atividades. A partir das 18h a comunidade receberá a sua primeira sessão de cinema ao ar livre, com o cine debate, a partir do filme 5x Favela – Agora por Nós Mesmo. Os debatedores serão a Fotógrafa Nara Gentil e o jovem comunicador e morador da comunidade Enderson Araújo.

Serviço
O Que: Dia da Periferia – Diálogos das Juventude
Dia: 23 de Abril de 2013
Local: Biblioteca Pública do Estado da Bahia – Sala Luiz Orlando
Horário: 18 horas
O Que: Imagem na Tela
Intervenção Urbana: Grafite
Pocket Show: Nouve e Convidados
Cinema na Periferia: 5x Favela – Agora Por Nós Mesmo
Debate: Nara Gentil e Enderson Araújo
Dia: 27 de Abril de 2013
Local: Rua Maria Antonieta, Cajazeiras 11
Horário: 10h ás 18h

Contatos: 71 9220-2546
Email: midiaperiferica@gmail.com

 


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Caixas eletrônicos sem manutenção em Sussuarana

 

Faz dois meses que a comunidade de Sussuarana está com os caixas eletrônicos que operam na comunidade danificados, no total de 6 caixas eletrônicos que atendem a comunidades de Nova Sussuarana, Sussuarana Velha e Novo Horizonte, somente 1 caixa eletrônico funcionando na Sussuarana Velha, os moradores reclamam que para efetuar saques e fazer pagamentos, tem que andar numa distancia de cerca de 2 Quilômetros até o CAB – Centro Administrativo da Bahia, onde tem algumas agências bancárias.
Acesse nossa pagina no Facebook: https://www.facebook.com/midia.periferica


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Buraco aberto em via principal de Cajazeiras 11

O buraco esta aberto a quase duas semanas, e nenhum órgão da prefeitura toma providência, moradores indicam que a Transalvador foi avisada sobre o buraco que esta localizado na rua Juscelino Kubitschek logo na saída da Rua Maria Antonieta, moradores colocaram um pedaço de tronco no buraco, para que os motoristas de carros e ônibus ficassem sinalizados sobre o risco de acidente no local.


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O African Dreams garante ser o retorno dos Bailes Blacks em Salvador

O evento tem como intuito unir as vertentes da musicalidade e da cultura negra, oferecendo lazer e diversão. Realizada pela Colé de Mermo Rec, o baile African Dreams estreia dia 12 de abril (sexta-feira), no Portela Café às 22h.

O baile contará com a presença do convidado DJ Hum (Hum Batuques), diretamente de São Paulo, trazendo em sua bagagem influências sonoras que vai do Brazil Groove, passando pelo hip hop, Alternativo, Soul, Jazz, Funk e Samba. E terá como residente a revelação DJ Jarrão, comandando todas as edições do African Dreams, além da companhia do DJ Mauro Telefunksoul, prometendo sacudir a pista com suas batidas eletrônicas e o lendário DJ Bandido na noite de estreia.

VENDAS ANTECIPADAS:

Companhia da pizza e Portela café – Rio Vermelho
Info: 8722 4804 9131 6762

Serviço

African Dreams
O que: Baile Black – African Dreams – DJs: Hum, Jarrão, Mauro
Telefunksoul e Bandido
Quando: 12.04, às 22h
Quanto: R$20
Local: Portela Café ( Rua Itabuna, 304, PQ Cruz Aguiar – Rio Vermelho )

 


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Financiamento Compartilhado para Cinema Na Periferia

Olá amigos! Espero que a mensagem os receba bem.
Nós do Mídia Periférica e Desabafo Social, estamos a realizar um projeto denominado por CINEMA NA PERIFERIA, onde pretendemos rodar comunidades periféricas levando filmes e documentários para não somente os moradores assistirem, mas para se criar um debate sobre as questões sociais, étnicas de gênero e raça dentro das mesmas, visando o empoderamento das mesmas. A edição piloto esta sendo prevista para acontecer em uma localidade na comunidade de Cajazeiras 11, onde o índice de mortes de jovens negros tem crescido cotidianamente, além de ser a rua onde eu resido no momento. O filme a ser exibido será o 5x favela – Agora por nós mesmo.
A conta a ser depositada é a seguinte:Queria fazer uma solicitação aos amigos, pois a importância da realização desse piloto, é para que possamos ir buscar meios de financiamentos para realizar esta atividade em outras comunidades.
Estamos pedindo a cada amigo que possa colaborar com 10R$ (cada um) para alcançarmos uma quantia equivalente a 200R$ para impressão de material de divulgação, para ser distribuído por todas as Cajazeiras e para que possamos oferecer pipoca as crianças que se fizerem presentes na atividade.

Agencia: 8129
C/C: 12144-1
Banco: Itaú
Enderson Araújo de Jesus Santos
CPF: 050.804.725-02

Compartilhem com os amigos de escritório, de sala de aula, de facebook, de twitter.. Enfim, vamos usar a rede para realizarmos esta atividade.
Contatos:Desde já agradeço a atenção de todos e de certo que atenderão nosso pedido é que somos gratos.

Monique Evelle – 71 9136 – 4176 / Moniqueevelle15@gmail.com


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Diálogo das Juventudes de Periferia

Das Periferias de Salvador para o Brasil

No dia 11 de março, em Brasília-DF, será realizado o lançamento oficial do Diálogos das Juventudes de Periferia. O evento irá discutir como o público juvenil é e pode ser o verdadeiro protagonista de transformações nas periferias. Contará com a participação dos baianos Enderson Araújo, jovem comunicador da Mídia Periférica, e Luciane Reis, comunicóloga da Mídia Étnica. Além deles, Davidson Pereira, estudante de Jornalismo, e o Rapper e Poeta GOG.

Dialogos das Juventudes de Periferia é um projeto criado pelos jovens do Mídia Periférica que deu seu passo inicial na comunidade de Nova Sussuarana, em Salvador, com o tema “Jovens de Periferia Contrariando as Estatísticas”. Com o apoio do Programa Jovem de Expressão, Ceilândia será palco do lançamento oficial do projeto.

Partindo do pressuposto que os jovens são sujeitos de direitos e que a juventude é uma etapa que vai além da transição entre adolescência e fase adulta, o evento trata-se de um espaço de discussão destacando a autenticidade da participação juvenil. Além disso, a ideia é trocar experiências acerca das ações que os jovens vêm desenvolvendo nas localidades onde moram, mostrando que esse ativismo pode estimular a participação social das juventudes.
O lançamento do Diálogos das Juventudes de Periferia será o ponto de partida para fortalecer as parcerias entre os empreendedores juvenis e ampliar a concepção de como os jovens podem utilizar o seu território para definir e enquadrar suas respectivas demandas. É o início de um processo de construção de cidadãos mais críticos e determinados em prol do bem-estar social da sua periferia.
SERVIÇO
Diálogos das Juventudes de Periferia – Ativismo Juvenil
Local: Espaço Jovem de Expressão, EQMM 18/20, Praça do Cidadão em Ceilândia Norte, Brasília- DF.
Horário: 16h
Entrada Franca


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IV Caminhada da Pedra de Xangô – Pela Preservação de Uma História.

Por: Enderson Araújo

“Segundo os nativos da região, na época em que os escravos fugiam para as matas de cajazeiras, a pedra tinha uma passagem submersa em água, que dava acesso a esses negros fugitivos a adentrar as matas, ou seja, servia como um portal.”

Otá de Xangô

Há 23 anos, na Av. Assis Valente (no bairro de Cajazeiras, em Salvador) onde está localizada a Pedra ou Otá de Xangô, em um determinado dia Mãe Iara foi fazer oferendas aos orixás e se surpreendeu com aquela enorme pedra no meio da mata, então foi buscar no jogo de Ifá quem respondia naquele Otá e teve a confirmação do Orixá Xangô. Nesse momento ela ainda não sabia da existência de quilombos naquela região.

Em 2005, quando a Avenida foi inaugurada a pedra ficou em evidência e se iniciou a especulação imobiliária naquela região. Assim, alguns terreiros de Cajazeiras se reuniram e criaram a Associação Pássaros das Águas que em 2010 resolveram entregar um Amalá em forma de procissão no segundo domingo de fevereiro, em prol da preservação da Pedra. Pois, existia, e ainda existe, o receio de que o Otá seja explodido em virtude especulação imobiliária.

Começou então a ser pleiteado o tombamento do Otá, como Patrimônio Cultural e Religioso. Em 2012 com a aproximação da historiadora Juliana Santos, foi possível iniciar uma pesquisa para comprovar a existência de um Quilombo por nome Orubu, na região de Cajazeiras e adjacências. Daí a importância da preservação do Otá como patrimônio cultural da Bahia, já que ele representa a história da população de Cajazeiras, bem como a história da Bahia, concebida através do processo de resistência negra à escravidão imposta “A nossa vontade de fato e efeito é tombar o Otá e seu entorno” Diz Mãe Iara de Oxum.

Historicamente em termos de documentação, ainda não foram encontradas fontes primárias que comprovem a existência da pedra naquele local que teria estado lá desde o século XIX, onde há vestígios que existia o Quilombo Orubu, na região de Cajazeiras. Contudo, as fontes orais, ou seja, as pessoas que moram na região a mais de 80 anos, trazem estas historias de seus antepassados que viveram na localidade a mais de um século, e esse conto oral passado de geração para geração, dito pelos nativos da região, comprovam a existência do Otá, conhecido como Pedra da Onça – o nome seria porque havia mata atlântica ao redor e um casal de onça habitava a gruta.

Segundo os nativos da região, na época em que os escravos fugiam para as matas de Cajazeiras, a pedra tinha uma passagem submersa em água, que dava acesso a esses negros fugitivos a adentrar as matas de Cajazeiras, ou seja, servia como um portal.

Em 2013 a Associação Pássaros das Aguas realizará a
4° Caminhada da Pedra de Xangô. A celebração tradicionalmente acontece no segundo domingo de fevereiro, mas por causa do carnaval, esse ano acontecerá entre o final de janeiro e o inicio de fevereiro, além da caminhada, esse ano os organizadores trazem um debate que discute a preservação do meio ambiente e das religiões de matriz africana.

Serviço – IV Caminhada da Pedra de Xangô

Dia – 27.01
O Que - Osé (Limpeza) da Pedra de Xangô
Horário – 06h
Local – Avenida Assis Valente, Cajazeiras

Dia – 27.01
O Que – Debate: Estratégias para Preservação das Religiões de Matriz Africana
Horário – 10h
Local – Loteamento Sto. Antonio, Rua Flaviano da Apresentação, n° 29-e, Cajazeiras XI, Terreiro de Mãe Iara de Oxum, Ilê Tomim Kiosise Ayo

Dia – 03.02
O Que – IV Caminhada da Pedra de Xangô
Horário – 07h
Local - Concentração ao lado do campo da Pronaíca ou Fundação Bradesco, Cajazeiras X.

Contatos: 3309–3499/ 8878–6023/ 8162-3036
Email: passarosdasaguas@gmail.com / dudujuliana@hotmail.com
Facebook: Ilê Tomim Kiosise Ayo


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