A Poesia Vai Acabar!

www.cultureprint.wordpress.com

Todo dia √© dia de Poesia. Mas escolheu-se o dia 21 de mar√ßo para homenage√°-la. A data foi institu√≠da na XXX confer√™ncia da Organiza√ß√£o das Na√ß√Ķes Unidas para a Educa√ß√£o, a Ci√™ncia e a Cultura ‚Äď UNESCO ‚Äď em 16 de novembro de 1999, com o prop√≥sito de promover a leitura, a escrita, a publica√ß√£o e o ensino deste g√™nero liter√°rio pelo mundo. Tentei descobrir o porqu√™ de se comemorar neste dia, mas n√£o consegui. Caso algum leitor ou leitora saiba a raz√£o, por favor, nos informe.

E para celebrarmos esse evento, trouxemos um poema de Manuel Ant√≥nio Pina, poeta portugu√™s falecido em 19 de outubro de 2012. Cronista, dramaturgo e jornalista, foi na poesia e na literatura infantil, a maior contribui√ß√£o de Pina para a literatura portuguesa. Em 2011, ele recebeu o Pr√™mio Cam√Ķes, condecora√ß√£o institu√≠da pelos governos do Brasil e de Portugal, em 1988, para reverenciar autores que tenham contribu√≠do para o enriquecimento do patrim√īnio liter√°rio e cultural da L√≠ngua Portuguesa.

O poema A Poesia Vai Acabar, que voc√™ ir√° ler agora, faz parte da obra “Ainda n√£o √© o Fim nem o Princ√≠pio do Mundo. Calma √© Apenas um Pouco Tarde“, √© puro luxo e encantamento. Um desafio √† imagina√ß√£o do leitor.

√ďtima Leitura!

www.kdfrases.com

A Poesia Vai Acabar

A poesia vai acabar, os poetas
v√£o ser colocados em lugares mais √ļteis.
Por exemplo, observadores de p√°ssaros
(enquanto os p√°ssaros n√£o
acabarem). Esta certeza tive-a hoje ao
entrar numa reparti√ß√£o p√ļblica.
Um senhor míope atendia devagar
ao balc√£o; eu perguntei: ‚Äď Que fez algum
poeta por este senhor? ‚Äď E a pergunta
afligiu-me tanto por dentro e por
fora da cabeça que tive que voltar a ler
toda a poesia desde o princípio do mundo.
Uma pergunta numa cabeça.
‚Äď Como uma coroa de espinhos:
est√£o todos a ver onde o autor quer chegar? ‚Äď

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


Publicado em ENEM, Leitura & Interpretação | Com a tag , , , , | Deixar um comentário

Mas que coisa!

Todo falante tem uma inclinação para criar e brincar com a língua; que o digam, por exemplo, os humoristas, que têm sempre a sua disposição palavras da Língua Portuguesa para com elas criarem momentos de prazer e divertimento. O texto, a seguir, me enviado pela minha colega e leitora deste Blog Ely Lima e, infelizmente, sem autoria requerida, é um belo exemplo do que pode essa língua. E seus falantes.

√Č para se deliciar!

www.kdfrases.com

Mas que coisa!

A palavra “coisa” √© um bombril do idioma. Tem mil e uma utilidades. √Č aquele tipo de termo-muleta ao qual a gente recorre sempre que nos faltam palavras para exprimir uma ideia. “Coisas” do portugu√™s.

Gramaticalmente, “coisa” pode ser substantivo, adjetivo, adv√©rbio. Tamb√©m pode ser verbo: o Houaiss registra a forma “coisificar”. E no Nordeste h√° “coisar”: √Ē, seu “coisinha”, voc√™ j√° “coisou” aquela coisa que eu mandei voc√™ “coisar”?

Na Para√≠ba e em Pernambuco, “coisa” tamb√©m √© cigarro de maconha. Em Olinda, o bloco carnavalesco Segura a Coisa tem um baseado como s√≠mbolo em seu estandarte. Alceu Valen√ßa canta: Segura a “coisa” com muito cuidado / Que eu chego j√°.”

J√° em Minas Gerais, todas as coisas s√£o chamadas de trem. (menos o trem, que l√° √© chamado de “coisa”). A m√£e est√° com a filha na esta√ß√£o, o trem se aproxima e ela diz: “Minha filha, pega os trem que l√° vem a “coisa”!.

E, no Rio de Janeiro? Olha que “coisa” mais linda, mais cheia de gra√ßa… A garota de Ipanema era coisa de fechar o tr√Ęnsito! Mas se ela voltar, se ela voltar, que “coisa” linda, que “coisa” louca. Coisas de Jobim e de Vinicius, que sabiam das coisas.

Coisa n√£o tem sexo: pode ser masculino ou feminino. Coisa-ruim √© o capeta. Coisa boa √© a Juliana Paes. Nunca vi coisa assim! Coisa tamb√©m n√£o tem tamanho. Na boca dos exagerados, “coisa nenhuma” vira um monte de coisas…

Mas a “coisa” tem hist√≥ria mesmo √© na MPB. No II Festival da M√ļsica Popular Brasileira, em 1966, a coisa estava na letra das duas vencedoras: Disparada, de Geraldo Vandr√©: Prepare seu cora√ß√£o pras “coisas” que eu vou contar…, e A Banda, de Chico Buarque: pra ver a banda passar, cantando “coisas” de amor… Naquele ano do festival, no entanto, a coisa tava preta (ou melhor, verde-oliva). E a turma da Jovem Guarda n√£o tava nem a√≠ com as coisas: “coisa” linda, “coisa” que eu adoro!

Para Maria Beth√Ęnia, o diminutivo de coisa √© uma quest√£o de quantidade afinal, s√£o tantas “coisinhas” mi√ļdas. E esse papo j√° t√° qualquer “coisa”. J√° qualquer “coisa” doida dentro mexe… Essa coisa doida √© um trecho da m√ļsica “Qualquer Coisa”, de Caetano,
que tamb√©m canta: alguma “coisa” est√° fora da ordem! E o famoso hino a S√£o Paulo: alguma “coisa” acontece no meu cora√ß√£o”!

Por essas e por outras, é preciso colocar cada coisa no devido lugar. Uma coisa de cada vez, é claro, afinal, uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa. E tal e coisa, e coisa e tal.

Um cara cheio de coisas é o indivíduo chato, pleno de não-me-toques. Já uma cara cheio das coisas, vive dando risada. Gente fina é outra coisa. Para o pobre, a coisa está sempre feia: o salário mínimo não dá pra coisa nenhuma.

A coisa p√ļblica n√£o funciona no Brasil. Pol√≠tico, quando est√° na oposi√ß√£o, √© uma coisa, mas, quando assume o poder, a coisa muda de figura. Quando elege seu candidato de confian√ßa, o eleitor pensa: Agora a “coisa” vai… Coisa nenhuma! A coisa fica na mesma. Uma coisa √© falar; outra √© fazer. Coisa feia! O eleitor j√° est√° cheio dessas coisas!

Se as pessoas foram feitas para ser amadas e as coisas, para serem usadas, por que ent√£o n√≥s amamos tanto as coisas e usamos tanto as pessoas? Bote uma coisa na cabe√ßa: as melhores coisas da vida n√£o s√£o coisas. H√° coisas que o dinheiro n√£o compra: paz, sa√ļde, alegria e outras cositas m√°s.

Mas, deixemos de “coisa”, cuidemos da vida, sen√£o chega a morte, ou “coisa” parecida… Por isso, fa√ßa a coisa certa e n√£o esque√ßa o grande mandamento:

“Amar√°s a Deus sobre todas as coisas.”

Entendeu o espírito da coisa?

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


Publicado em Leitura & Interpretação, Produção Textual | Com a tag , , | Deixar um comentário

Dia Nacional da Poesia

www.asprimeirasgeracoes.blogspot.com

O dia criado para celebrar uma das maiores cria√ß√Ķes da humanidade √© uma homenagem ao maior poeta brasileiro. Nascido na cidade de Curralinho ‚Äď hoje, Castro Alves ‚Äď, Ant√īnio Frederico de Castro Alves nasceu em 14 de mar√ßo de 1847.

Castro Alves foi um entusiasta defensor da aboli√ß√£o da escravatura e a essa causa ele dedicou poemas memor√°veis como Vozes d’√Āfrica, Navio Negreiro e Sauda√ß√£o a Palmares. Al√©m disso, o poeta trouxe para a poesia brasileira uma vis√£o nova de amor, como pode ser visto neste bel√≠ssimo poema O la√ßo de fita.

√ďtima Leitura!

www.kdfrases.com

O laço de fita

N√£o sabes, crian√ßa?¬† ‘Stou louco de amores…
Prendi meus afetos, formosa Pepita.
Mas onde?  No templo, no espaço, nas névoas?!
N√£o rias, prendi-me
Num laço de fita.

Na selva sombria de tuas madeixas,
Nos negros cabelos da moça bonita,
Fingindo a serpente qu’enla√ßa a folhagem,
Formoso enroscava-se
O laço de fita.

Meu ser, que voava nas luzes da festa,
Qual p√°ssaro bravo, que os ares agita,
Eu vi de repente cativo, submisso
Rolar prisioneiro
Num laço de fita.

E agora enleada na tênue cadeia
Debalde minh’alma se embate, se irrita…
O braço, que rompe cadeias de ferro,
N√£o quebra teus elos,
√ď la√ßo de fita!

Meu Deus! As falenas têm asas de opala,
Os astros se libram na plaga infinita.
Os anjos repousam nas penas brilhantes…
Mas tu…¬†¬† tens por asas
Um laço de fita.

Há pouco voavas na célere valsa,
Na valsa que anseia, que estua e palpita.
Por que √© que tremeste?¬† N√£o eram meus l√°bios…
Beijava-te apenas…
Teu laço de fita.

Mas ai! findo o baile, despindo os adornos
N’alcova onde a vela ciosa… crepita,
Talvez da cadeia libertes as tranças
Mas eu… fico preso
No laço de fita.

Pois bem!  Quando um dia na sombra do vale
Abrirem-me a cova… formosa Pepita!
Ao menos arranca meus louros da fronte,
E d√°-me por c’roa…
Teu laço de fita.

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


Publicado em ENEM, Leitura & Interpretação | Com a tag , , , , , , | Deixar um comentário

Primeiro Texto Literário em Língua Portuguesa

www.cultura.culturamix.com

Segundo a professora de L√≠ngua Portuguesa da Universidade de S√£o Paulo Benilde Cianato, foi a Cantiga da Ribeirinha, escrito por Paio Soares de Taveir√≥s para sua amada Maria Ribeira o primeiro texto liter√°rio em L√≠ngua Portuguesa de que se tem not√≠cia. A cantiga narra a hist√≥ria de um amor n√£o correspondido. H√° d√ļvidas se a poesia foi escrita em 1189 ou 1198, √©poca do Trovadorismo. Est√° registrada no Cancioneiro da Ajuda, um livro de textos manuscritos. A l√≠ngua portuguesa, como sabemos, originou-se do latim, e o texto foi escrito em galego-portugu√™s. Na √©poca, a Gal√≠cia (hoje Espanha), regi√£o pr√≥xima a Portugal, era um centro irradiador de cultura, por isso o idioma sofreu influ√™ncias do galego.

www.trovadorismo-trabalhodeliteratura.blogspot.com

Cantiga da Ribeirinha

No mundo non me sei parelha,
mentre me f√īr como me vai,
ca j√° moiro por v√≥s ‚ÄĒ e ai!
mia senhor branca e vermelha,
queredes que vos retraia
quando vos eu vi en saia!
Mau dia me levantei,
que vos enton non vi fea!

E, mia senhor, dês aquel dia, ai!
me foi a mi mui mal,
e vós, filha de don Paai
Moniz, e ben vos semelha
d’haver eu por vós guarvaia,
pois eu, mia senhor, d’alfaia
nunca de vós houve nen hei
valia d’ua correa.

Tradução

No mundo não conheço
ninguém igual a mim,
enquanto acontecer o
que me aconteceu,
pois eu morro por v√≥s ‚ÄĒ e ai!
Minha senhora alva e rosada,
quereis que vos lembre
que j√° vos vi na intimidade!
Em mau dia eu me levantei
Pois vi que n√£o sois feia!

E, minha senhora,
desde aquele dia, ai!
Venho sofrendo de um grande mal
enquanto vós, filha de dom Paio
Muniz, a julgar forçoso
que eu lhe cubra com o manto
pois eu, minha senhora,
nunca recebi de vós
a coisa mais insignificante.

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


Publicado em Leitura & Interpretação | Com a tag , , , | 2 comentários

Ora√ß√Ķes Reduzidas

S√£o ora√ß√Ķes subordinadas que se apresentam sem conectivos, de forma bastante simplificada, utilizando as formas nominais do verbo, isto √©, o infinitivo, o ger√ļndio ou o partic√≠pio.

Veja:

Em “Quando eu jurei meu amor, eu tra√≠ a mim mesmo. “, a ora√ß√£o em destaque, sintaticamente, desempenha a fun√ß√£o de uma Ora√ß√£o Subordinada Adverbial Temporal, haja vista a presen√ßa da conjun√ß√£o “quando”; no entanto, na constru√ß√£o “Ao jurar meu amor, eu tra√≠ a mim mesmo.”, devido √† aus√™ncia da conjun√ß√£o temporal, temos uma Ora√ß√£o Temporal Reduzida de Infinitivo.

As ora√ß√Ķes reduzidas se classificam de acordo com a sua forma nominal.

Substantivas

a- Subjetiva
Ex. Custou-me muito fazer meu primeiro verso.
Era importante reformar a casa.

b- Objetiva direta
Ex. Queremos evitar uma guerra.
Aquela ministra prometeu acabar com a inflação.

c- Objetiva indireta
Ex. Nada lhe impede de cantar.
Ninguém pensa em morrer pobre.

d- Completiva nominal
Ex. Sentiu vontade de amar fortemente.
Deu-lhe ordem para sair.

e- Predicativa
Ex. Minha vontade era conseguir logo um emprego.
Meu ofício é ensinar.

f- Apositiva
Ex. Ele tem dois vícios: fumar e beber.
Prometi-lhe apenas isto: esperá-la até à noite.

Adjetiva

Ex. Ela n√£o era mulher de fantasiar a vida.
Diante de mim estava um homem, a interpelar-me repetidamente.

Adverbiais

a- Consecutiva
Ex. Você não pode faltar às aulas sob pena de perder o ano.
O resultado foi o pior possível a ponto de deixar o jovem irritado.

b- Causal
Ex. Quase nos sufocam, de tanto nos apertar.
Por serem indisciplinados, tomaram suspens√£o.

c- Condicional
Ex. N√£o far√°s a prova sem antes estudar.
A continuarem esses problemas, n√£o haver√° festa.

d- Concessiva
Ex. Fez o exame, apesar de n√£o sentir-se preparada.
Mesmo sem saber, votou contra os aliados.

e- Final
Ex. Para n√£o gastar, n√£o frequentava as festas.
Os visitantes saíram a pé, a fim de conhecer a montanha.

f- Temporal
Ex. Depois de treinar, descansou bastante.
Ao descer da escada, escorregou.

Adjetiva

Ex. Saíram dois funcionários, carregando cartazes.
A São Paulo, chegam retirantes trazendo apenas esperanças.

Adverbiais

a- Causal
Ex. Nada mais havendo na reuni√£o, retirou-se.
Julgando melhor a prova, fiz o que minha consciência determinou.

b- Condicional
Ex. Escrevendo sem atenção, nada aprenderás.
Querendo, tudo conseguir√°s.

c- Concessiva
Ex. Mesmo estudando, não conseguiu aprovação.
Sendo t√£o inteligente, como erraste tanto?

d- Temporal
Ex. E rangendo os dentes, despediu-se rudemente.
Estudando o caso, descobriu o erro.

Adjetiva

Ex. Esta é a prova comentada pelo professor.

Adverbiais

a- Causal
Ex. Entristecido, só queria ficar na fazenda.
Irritado com o despejo, o inquilino gritava palavr√Ķes.

b- Condicional
Ex. Aceito o julgamento, nada se poder√° fazer.
Suprimido o regulamento, haver√° indisciplina.

c- Concessiva
Ex. Mesmo cansados, n√£o desanimaremos.
Rodeado por hipócritas, o soldado não se abateu.

d- Temporal
Ex. Acabada a prova, iremos embora.
Concluído o trabalho, comemoraremos o acontecimento.

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge

PS: No próximo mês, este blogueiro entra em merecidas férias. Nos veremos na primeira segunda-feira de março.


Publicado em ENEM, Gramática, Leitura & Interpretação, Produção Textual, Redação Oficial | Com a tag , , , | Deixar um comentário

RECUPERAÇÃO DO ENSINO DA LINGUA PORTUGUESA

 

ESTUDANTES DESINTERESSADOS EM AULAS

Existem jovens estudantes ainda adolescentes que buscam acertar nos estudos durante um ano letivo. S√£o seres especiais que sabem de sua compet√™ncia, intelig√™ncia e condi√ß√Ķes de aprendizagem. Alguns s√£o chamados de CDF, NERD, CR√āNIOS,¬† G√äNIOS e por a√≠ vai. Dentre esses h√° alguns que declaram n√£o gostar de estudar, mas s√£o respons√°veis e conscientes da NECESSIDADE de tal tarefa √°rdua. Esses jovens s√£o raros atualmente, pois a maioria se encontra no est√°gio de desinteresse total pelos estudos que d√° d√≥. Faltam muitas aulas ou v√£o √†s aulas desmotivados ou chegam atrasados em todos os primeiros hor√°rios, ligam seus acess√≥rios eletr√īnicos em sala de aula, n√£o interagem produtivamente nas aulas, √†s vezes s√£o REPETENTES, entregam atividades fora do prazo ou nem entregam atividades, fazem as atividades mal feitas, fazem pela metade ou fora das recomenda√ß√Ķes e exig√™ncias da proposta, em equipe se amparam naqueles CR√āNIOS, nem movem uma palha, mas pedem inclus√£o de seu nome, se comprometem a fazer as atividades em equipe e deixam o grupo em pavorosa por irresponsabilidade de n√£o fazer, fazer mal feito ou esquecer de levar ou apresentar no prazo. Mesmo assim, acredito que esses jovens querem algo diferente daquilo que a institui√ß√£o escolar oferece. Que ser√° mesmo que eles querem? Lembrando que aqueles estudiosos querem algo al√©m do oferecido pela escola, atrav√©s do sistema de ensino das pr√≥prias escolas p√ļblicas ou privadas. Isso √© fato!

ESTUDANTES TECNOL√ďGICOS

Mas como se encontra aparelhado o sistema de ensino atualmente? Estar√° acompanhando a evolu√ß√£o tecnol√≥gica com as diversas formas de aprendizagem e a massificada gama de INFORMA√á√ēES a cada segundo renovada? Possui estrutura adequada √† aprendizagem nessa evolu√ß√£o di√°ria das comunica√ß√Ķes e intera√ß√Ķes virtuais ou f√≠sicas? Em que institui√ß√£o se pode encontrar uma sala de aula completa com √°udio e v√≠deo prontos para intera√ß√£o de seus estudantes no mundo virtual a fim de adquirir uma aprendizagem condizente com sua vida pessoal, contextualizada com seu mundo?

ESTUDANDO PELO WhatsApp

Lembrando que estudei em ESCOLA P√öBLICA de An√≠sio Teixeira, como escreve a constitui√ß√£o, declaro que embora fosse ditada pelo regime militar, ao qual sou avesso, a qualidade de aprendizagem era muito boa. Era tanto que s√≥ os que tinham posse financeira estudavam. os demais n√£o estudavam. Eu, ah, eu estudei por “tr√°fico de influ√™ncia”, pois meu tio era professor da ESCOLA T√ČCNICA FEDERAL DA BAHIA e interveio para que eu e todos os meus irm√£os, pobres sobrinhos que mal tinha para comer, pud√©ssemos realizar testes de ascens√£o √† escola para podermos estudar. Assim, logramos √™xito e no CENTRO EDUCACIONAL CARNEIRO RIBEIRO, Escolas Classe 1 e Escola Parque estudamos e aprendemos muito bem as letras e os n√ļmeros assim como as OSPB e a EMC. Disciplina era a palavra de ordem. Nem tanto naquele tempo, nem t√£o pouco hoje. E fui vivendo e aprendendo a ler, escrever, calar e falar, me situando¬† e fazendo hist√≥ria como tamb√©m aprendi as ci√™ncias.

Um breve descrição me faz bem relembrar. Vejamos:

De segunda a sexta-feira havia aulas em dois turnos. No turno matutino, eu assistia aulas proped√™uticas que consistia de Ci√™ncias, Estudos Sociais, Matem√°tica e L√≠ngua Portuguesa. No vespertino, havia aulas de Educa√ß√£o F√≠sica (toda modalidade ol√≠mpica de esportes), Teatro, M√ļsica (coral com Prof. Hamilton Carvalho), Leitura na biblioteca, al√©m de derrubar jambo, manga verde e outras frutas das √°rvores frut√≠feras diversas da Escola Parque no bairro da Caixa D’√Āgua.

 

Um abraço com estas boas lembranças!
Adil Lyra


Publicado em ENEM, Gramática, Leitura & Interpretação, Produção Textual, Uncategorized | Com a tag , , , , , , , , , , | Deixar um comentário

Sobre a Arte de Escrever

www.moacirrocha.blogspot.com

Assunto instigante para muitos escritores, a produ√ß√£o textual ‚Äď qualquer que seja ela! ‚Äď quase sempre representa um momento de forte tens√£o para muitos de n√≥s. √Č o desafio da folha em branco, que Drummond belamente poetizou, em √Āporo. E se at√© para escritores consagrados o pontap√© inicial o faz tremerem, imagine para aqueles que n√£o t√™m a produ√ß√£o textual como uma pr√°tica di√°ria.

Veja, a seguir, o que diz Clarice Lispector sobre esse ofício essencial ao crescimento humano.

√ďtima leitura!

www.mensagenscomamor.com.br

COMO √Č QUE SE ESCREVE?

Quando não estou escrevendo, eu simplesmente não sei como se escreve. E se não soasse infantil e falsa a pergunta das mais sinceras, eu escolheria um amigo escritor e lhe perguntaria: como é que se escreve?

Por que, realmente, como é que se escreve? que é que se diz? e como dizer? e como é que se começa? e que é que se faz com o papel em branco nos defrontando tranquilo?

Sei que a resposta, por mais que intrigue, √© a √ļnica: escrevendo. Sou a pessoa que mais se surpreende de escrever. E ainda n√£o me habituei a que me chamem de escritora. Porque, fora das horas em que escrevo, n√£o sei absolutamente escrever. Ser√° que escrever n√£o √© um of√≠cio? N√£o h√° aprendizagem, ent√£o? O que √©? S√≥ me considerarei escritora no dia em que eu disser: sei como se escreve.

www.releituras.com

 

 

 

In: A Descoberta do Mundo, p√°g. 156-57.
Editora Rocco ‚Äď Rio de Janeiro, 1999.

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


Publicado em Gramática, Leitura & Interpretação, Produção Textual, Redação Oficial | Com a tag , , , | 2 comentários

Elementos Essenciais da Narrativa

“Quem comanda a narra√ß√£o n√£o √© a voz: √© o ouvido.”
√ćtalo Calvino. In: As Cidades Invis√≠veis

www.arquivo.geledes.org.br

1) Enredo
√Č a estrutura narrativa, isto √©, o desenrolar dos acontecimentos. Pode ser dividido em:

‚Äď exposi√ß√£o: apresenta√ß√£o das personagens e localiza√ß√Ķes de tempo e espa√ßo.

‚Äď complica√ß√£o: envolvimento das personagens, trama que gera conflito e tens√£o.

‚Äď cl√≠max: o momento de maior tens√£o dram√°tica, o conflito atinge um √°pice.

‚Äď desfecho: consequ√™ncias geradas depois da ocorr√™ncia do conflito.

Aten√ß√£o: √Č importante lembrar que fatos sempre ocorrem numa sequ√™ncia: come√ßo, meio, fim. No entanto, o escritor pode alterar essa ordem, come√ßando a contar pelo meio ou pelo fim, dependendo do efeito que pretende alcan√ßar.

2) Narrador
√Č aquele que conta a hist√≥ria. Pode ser Narrador-personagem ou Narrador-observador.

3) Foco Narrativo
‚Äď narrador-observador: situado fora do enredo, o narrador disp√Ķe de todas as informa√ß√Ķes sobre os personagens: do passado e do futuro, das suas emo√ß√Ķes e dos seus pensamentos, da√≠ ser chamado de onisciente. A narra√ß√£o √© feita em terceira pessoa.

‚Äď narrador-personagem: dentro da narrativa, o narrador pode adotar o ponto de vista de um ou mais personagens. A narra√ß√£o √© feita na primeira pessoa.

4) Personagens
‚Äď protagonista: √© o personagem principal da hist√≥ria.

‚Äď antagonista: op√Ķe-se aos interesses da personagem principal.

‚Äď secund√°rios: participam dos fatos, mas n√£o constituem o centro dos interesses.

‚Äď redondo: personagem de alma e pensamentos bastante complexos.

‚Äď caricatural: possui tra√ßos de personalidade ou padr√Ķes de comportamento extremamente acentuados, √†s vezes beirando o rid√≠culo.

5) Tempo
‚Äď cronol√≥gico: os fatos s√£o narrados na ordem em que aconteceram. A sucess√£o das horas, dias, meses, anos √© apresentada, na narrativa, de acordo com o tempo f√≠sico ou natural.

‚Äď psicol√≥gico: h√° quebras na ordem cronol√≥gica dos fatos. Ora antecipa-se algum fato, ora recua-se no tempo e volta-se ao passado. A narrativa tem um fluxo intimamente ligado ao mundo interior do personagem, a seus conflitos, gera√ß√Ķes, reflex√Ķes, recorda√ß√Ķes etc.

Atenção: Pode não haver tempo definido na narrativa.

6) Espaço
√Č o ambiente, o cen√°rio por onde circulam personagens e se desenrola o enredo. O ambiente pode ser analisado em seus aspectos f√≠sicos como em seus aspectos sociais, pol√≠ticos, econ√īmicos etc. Em muitas narrativas, analisa-se a influ√™ncia do ambiente ‚Äď quer f√≠sico, quer social ‚Äď nos personagens, √†s vezes, tamanha a import√Ęncia na narrativa que chega a ser um personagem.

7) Conflito
√Č o momento de tens√£o da narrativa que ir√° gerar o enredo da hist√≥ria.

8) Clímax
√Č o momento de tens√£o m√°xima da hist√≥ria, o momento decisivo. H√° narrativas contempor√Ęneas em que o cl√≠max fica dilu√≠do, sendo dif√≠cil localiz√°-lo com precis√£o.

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


Publicado em Leitura & Interpretação, Produção Textual | Com a tag , , | Deixar um comentário

Um verso imortal!

www.revistalingua.uol.com.br

Luiz Costa Pereira Junior, editor da revista Língua Portuguesa, conta, na edição de dezembro do ano que findou, a origem do texto Lacraia, de Manoel de Barros. Veja:

‚ÄúEm 2005, pedi a Manoel que me enviasse um texto sobre a sua rela√ß√£o com a palavra. Recusou-se a remeter o escrito via internet, que n√£o era homem de lidar com essas coisas. Mandou, pelo correio mesmo, uma folha de papel alma√ßo, ordenadamente datilografada e assinada, coberta pela tinta gasta da m√°quina, seus repuxos e saltitos de letra, o estilo refinado pela crueza de menino do mato.‚ÄĚ

Na capa da revista, h√° uma chamada: ‚ÄúManoel de Barros Em texto exclusivo, poeta conta como criou um verso imortal.‚ÄĚ

√ďtima Leitura!

www.blogproinfanciabahia.wordpress.com

Lacraia

Um trem de ferro com vinte vag√Ķes quando descarrila, ele sozinho n√£o se recomp√Ķe. A cabe√ßa do trem ou seja a m√°quina, sendo de ferro n√£o age. Ela fica no lugar. Porque a m√°quina √© uma geringon√ßa fabricada pelo homem. E n√£o tem ser. N√£o tem destina√ß√£o de Deus. Ela n√£o tem alma. √Č m√°quina. Mas isso n√£o acontece com a lacraia. Eu tive na inf√Ęncia uma experi√™ncia que comprova o que falo. Em crian√ßa a lacraia sempre me pareceu um trem. A lacraia parece que puxava vag√Ķes. E todos os vag√Ķes da lacraia se mexiam como os vag√Ķes do trem. E ondulavam e faziam curvas como os vag√Ķes do trem. Um dia a gente teve a m√° ideia de descarrilar a lacraia. E fizemos essa malvadeza. Essa peraltagem. Cortamos todos os gomos da lacraia e os deixamos no terreiro. Os gomos separados como os vag√Ķes da m√°quina. E os gomos da lacraia come√ßaram a se mexer. O que √© a natureza! Eu n√£o estava preparado pra assistir aquela coisa estranha. Os gomos da lacraia come√ßaram a se mexer e se encostar um no outro para se emendarem. A gente, n√≥s , os meninos, n√£o est√°vamos preparados para assistir aquela coisa estranha. Pois a lacraia estava se recompondo. Um gomo da lacraia procurava o seu parceiro parece que pelo cheiro. A gente como que reconhecia a for√ßa de Deus. A cabe√ßa da lacraia estava na frente e esperava os outros vag√Ķes se emendarem. Depois, bem mais tarde eu escrevi este verso: Com peda√ßos de mim eu monto um ser at√īnito. Agora me indago se esse verso n√£o veio da peraltagem do menino. Agora quem est√° at√īnito sou eu.

Manoel de Barros

Abraços Fraternos!

Paulo Jorge


Publicado em Leitura & Interpretação, Produção Textual | Com a tag , , , | 4 comentários

FELIZ NOVA GRAM√ĀTICA 2015

FELIZ NOVA GRAM√ĀTICA EM 2015

 

‚ÄúNada do que foi ser√° de novo do jeito que j√° foi um dia. Tudo passa, tudo sempre passar√°. A vida vem em ondas como o mar, num indo e vindo infinito…‚ÄĚ Quer dizer ent√£o que neste ano os erros passados deixar√£o de existir e que a gram√°tica n√£o ser√° mais a mesma e que nenhuma escorregada acontecer√° mais porque isso ficou pra tr√°s? SQN!

 

O sol no final da onda

Ai se sesse assim desse jeito! E se s√≥ de acertos vivessem as pessoa no ano novo? Mas n√£o acontece assim! Os erros continuam sim! O que muda s√£o as formas de agir diante de nossos desacertos com intuito de corrigir, com uma profunda reflex√£o, nossas a√ß√Ķes di√°rias!

Vamos ent√£o ler o seguinte poema e FELIZ NOVA GRAM√ĀTICA 2015!

 

FOGOS DE FELICIDADES PELO ANO NOVO!

-”Mais r√°pido
Que um avi√£o chamas
Capaz de preencher
Grandes orifícios
Sem fazer o menor esforço
Apresentando pela 1¬į vez
Em estréia internacional
Assaltaram a Gram√°tica
Nova fórmula, novo sabor
Vitaminado, vai!”…

Assaltaram a Gram√°tica
Assassinaram a Lógica
Huuumm!
Botaram Poesia
Na bagun√ßa do dia-a-dia…

Sequestraram a Fonética
Violentaram a Métrica
Huuuumm!
Meteram Poesia
No meio da b√īca’l√≠ngua…

-”Ooh! Ooh!
Só não pode beber
Com a boca no gargalo
N√£o perca o show do intervalo”…

L√° vem o poeta
Com sua coroa de louros
Bertalha, agri√£o, piment√£o, boldo…
O Poeta é a Pimenta
Do Planeta…

-”Dentro de instantes
Os melhores lances do 1* tempo
N√£o perca os piores momentos”..

Assaltaram a Gram√°tica
Assassinaram a Lógica
Huuuumm!
Botaram Poesia
Na bagun√ßa do dia-a-dia…

Sequestraram a Fonética
Violentaram a Métrica
Huuuumm!
Meteram Poesia
Onde devia e onde n√£o devia…

L√° vem o poeta
Com sua coroa de louros
Bertalha, agri√£o, piment√£o, boldo…
O Poeta é a Pimenta
Do Planeta…

“Aaai!
-Estupraram a Gram√°tica
Senhora datilógrafa
Anota aí na máquina
O Zagalo vai mudar de t√°tica
E no intervalo
Eu quero ver a matem√°tica
Dessa pelada
Violentaram o 2* tempo
Sequestraram
Meus melhores momentos
Expulsaram a lógica
Chutaram a fonética
Eu vou de arquibancada
Ou de cadeira
(Elétrica?)
√Ē frangueiro!
Bate logo o tiro de métrica
Eu entro de carrinho
E faço um gol de bicicleta
(Ergométrica?)
O Poeta é a Pimenta do Planeta
Passa essa bola
Que eu v√ī meter de letra
-Na bagunça do dia-a-adia
-Eu entro em cena, t√ī na √°rea
Se derrubar é pena
Pena! Pena! Pena!
Penalidade M√°xima!”…

Se me derrubar!
Se me derrubar!
Eu t√ī na √°rea
O Juíz tem que apitar
Se me derrubar!
Se me derrubar!
Eu t√ī na √°rea
O Juíz tem que apitar
Lulu!…

L√° vem o poeta
O poeta j√° vem l√°
L√° vem pimenta
A pimenta j√° vem l√°
Pimenta-malagueta
Pr√° me alimentar
Pimenta-malagueta
Pro plan√™ta balan√ßar…

Assaltaram a Gram√°tica
Assassinaram a Lógica
Huuumm!
Botaram Poesia
Na bagun√ßa do dia-a-dia…

Se me derrubar!
Se me derrubar!
Eu t√ī na √°rea
O Juíz tem que apitar
Se me derrubar!
Se me derrubar!
Eu t√ī na √°rea
O Ju√≠z tem que apitar…
Juiz!…

Sequestraram a Fonética
Violentaram a Métrica
Huuuumm!
Meteram Poesia
No meio da b√īca’l√≠ngua…

L√° vem o poeta
Com sua coroa de louros
Bertalha, agri√£o, piment√£o, boldo…
O Poeta é a Pimenta
Do Planeta
Aaaai!…

Um abraço e feliz ano novo mesmo!

Adil Lyra


Publicado em Gramática, Leitura & Interpretação, Produção Textual | Com a tag , , , , , , , , , , , , | 2 comentários