Um texto de excelência!

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A Prova de Reda√ß√£o, da II Unidade, do 3¬ļ. Ano, do turno vespertino, do CERS ‚Äď Col√©gio Estadual Raphael Serravalle, localizado no bairro da Pituba, em Salvador, pediu aos alunos a produ√ß√£o de um texto dissertativo-argumentativo para o tema ‚ÄúOs limites entre a est√©tica e a sa√ļde‚ÄĚ, em, aproximadamente, 30 linhas, observando as compet√™ncias exigidas pelo ENEM e por concursos, que solicitam esse g√™nero textual para sele√ß√£o de candidatos a vagas em faculdades, universidades e acesso ao mercado de trabalho.

Roberta Ingrid Silva Evangelista, aluna do 3¬į Ano A, produziu o texto, postado a seguir, que atende, com grande efici√™ncia, √† exig√™ncia dessas compet√™ncias textuais.

√ďtima Leitura!

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Segundo a filosofia cl√°ssica, o belo n√£o se relacionava apenas √† est√©tica, mas √† alma e ao car√°ter. Desse modo um ser belo era aquele que possu√≠a virtudes, entretanto no mundo contempor√Ęneo a beleza se tornou um bem de consumo indispens√°vel, de maneira tal a preocupar o conselho de medicina e psicologia.

O belo sempre foi um assunto recorrente na sociedade, desde o padr√£o do antigo Egito at√© o Europeu, que de certa maneira ainda persiste em algumas sociedades. O conceito do ser belo acompanhou as mudan√ßas sociais como, por exemplo, no per√≠odo de 1500, quando o Brasil foi ‚Äúdescoberto‚ÄĚ, muitas mulheres europeias ansiaram a pele bronzeada das √≠ndias, assim como no per√≠odo colonial as mulheres dos coron√©is usavam p√≥ de arroz no rosto e sanguessugas em suas pernas para mostrar-se sempre fr√°gil.

No mundo globalizado surge o questionamento, o que é belo? Esse conceito tornou-se subjetivo tendo em vista a diversidade estética. Então porque a sociedade ainda dita um padrão? Seja de ter o corpo magérrimo da miss universo, ou o musculoso do garoto-propaganda de desodorante que a imprensa midiática publica nos meios de entretenimento, os quais têm levado muitas pessoas à busca do corpo perfeito, quando, em sua maioria, o indivíduo dita suas próprias regras.

Em meio a esse quadro de consumismo est√©tico, a procura por tratamento de beleza, academias, bem como cirurgias pl√°sticas se elevou, trazendo grande preocupa√ß√£o ao conselho de medicina, visto que toda cirurgia tem seu risco e, portanto, s√≥ deve ser indicada se realmente for necess√°rio. Al√©m disso, a frustra√ß√£o por n√£o conseguir esse corpo t√£o desejado pode levar a transtornos alimentares e psicol√≥gicos, assim como √† utiliza√ß√£o de m√©todos r√°pidos para emagrecimento e ganho de massa muscular que n√£o fazem bem a sa√ļde.

Diante disso, conclui-se que a preocupa√ß√£o excessiva com a est√©tica levou a um consumismo exagerado de produtos para alcan√ßar o corpo perfeito, de tal maneira que as pessoas p√Ķem seu anseio antes do bem-estar. Desse modo, torna-se necess√°rio uma reeduca√ß√£o de que √© belo e aprender com os fil√≥sofos cl√°ssicos as virtudes internas antes da mudan√ßa est√©tica. Al√©m disso, deve haver maior controle e fiscaliza√ß√£o dos produtos de tratamento e aconselhamento dos m√©dicos antes de quaisquer procedimentos est√©ticos.

Abraços Fraternos!

Paulo Jorge


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Um dia, um homem!

Desafiou a Justiça para fazer justiça

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Salvador, Bahia. Bairro: Palestina. Maio de 2003. Uma empresa convoca o operador de escavadeira Hamilton dos Santos para mais um servi√ßo. Deveria p√īr abaixo as duas casinhas da merendeira Telma Sueli dos Santos Sena, que vivia com o marido, sete filhos e mais cinco parentes em terreno que a m√£e havia ganhado de um antigo patr√£o fazia dez anos.

Mas o patrão teria vendido a propriedade a um engenheiro. O suposto comprador entrou com pedido de reintegração de posse e teve o processo julgado a seu favor. Um juiz expediu a ordem: a família de Telma deveria ser despejada. Lá foi Hamilton. Tomou o volante da escavadeira e apontou para as casas. Muita gente parou para assistir à cena. O destino trágico estava desenhado. Os vizinhos gritavam. Um clima de comoção e revolta  se instaurou. Mas Hamilton não conseguiu avançar. Sentada na calçada com alguns dos filhos, a merendeira chorava. Hamilton pai de nove crianças não resistiu. Também chorou. Desligou a máquina e se recusou a executar o serviço.

N√£o atendeu a um dos policiais que estava l√° para garantir o despejo: ‚ÄúEndure√ßa seu cora√ß√£o e cumpra a ordem‚ÄĚ.

Hamilton n√£o se moveu. Recebeu voz de pris√£o. Hipertenso, passou mal e teve que ser levado ao hospital.

A história entrou nos noticiários da noite. A humanidade e o senso de justiça de Hamilton foram reconhecidos e admirados por todo o país. O baiano teve a prisão revogada e virou herói nacional. Duas semanas depois, a Prefeitura anunciava que regularizaria o lote de Telma.

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Caderno de Valores Humanos. Projeto MEC / Nestlé de valorização de Crianças e Adolescentes, 2004. Exemplos na História. Pág. 32.

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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As M√£os do Meu Pai

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As M√£os do Meu Pai

As tuas mãos têm grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas j√° cor de terra
‚ÄĒ como s√£o belas as tuas m√£os ‚ÄĒ
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram
na nobre c√≥lera dos justos…

Porque h√° nas tuas m√£os, meu velho pai,
essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam
nos braços da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas…

Vir√° dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento?
Ah, Como os fizeste arder, fulgir,
com o milagre das tuas m√£os.

E é, ainda, a vida
que transfigura das tuas m√£os nodosas…
essa chama de vida ‚ÄĒ que transcende a pr√≥pria vida…
e que os Anjos, um dia, chamar√£o de alma…

M√°rio Quintana, em “Esconderijos do Tempo”


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An√°lise das Melhores Reda√ß√Ķes / ENEM 2009

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O ENEM 2009 prop√īs ao candidato dissertar sobre o tema “O indiv√≠duo frente √† √©tica nacional“, em, no m√°ximo, trinta linhas, levando em considera√ß√£o uma charge de Mill√īr Fernandes, (Dispon√≠vel em: http://www2.uol.com.br/millor), um texto de Lya Luft, retirado da revista Veja, e outro de Contardo Calligares, publicado, no site http://www1.folha.uol.com.br, ambos refletindo sobre indigna√ß√£o e corrup√ß√£o.

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Veja, a seguir, uma redação que obteve uma excelente pontuação, neste exame:

L√°grimas de crocodilo

O Brasil tem enfrentado, com frequ√™ncia, problemas s√©rios e at√© constrangedores, como os elevados √≠ndices de viol√™ncia, pobreza e corrup√ß√£o ‚Äď tr√™s mazelas fundamentais que servem para ilustrar uma lista bem mais longa. Por√©m, mesmo diante dessa triste realidade, boa parte dos brasileiros parece n√£o se constranger ‚Äď e, talvez, nem se incomodar ‚Äď, preferindo fingir que nada est√° ocorrendo. Em um cen√°rio marcado pela passividade, √© preciso que a sociedade se posicione frente √† √©tica nacional, de forma a honrar seus direitos e valores humanos e, assim, evitar o pior.

Na √©poca da ditadura militar, grande parte da popula√ß√£o vivia inconformada com a atua√ß√£o de um governo opressor, afinal, com as restri√ß√Ķes √† liberdade de express√£o, n√£o era poss√≠vel emitir opini√Ķes sem medir os riscos de violentas repress√Ķes. Apesar de uma conjuntura t√£o desfavor√°vel para manifesta√ß√Ķes, muitos foram os movimentos populares em busca de mudan√ßas, mesmo com as limita√ß√Ķes na atua√ß√£o da m√≠dia. Talvez a sensa√ß√£o de um Brasil melhor hoje ajude a explicar a in√©rcia da sociedade diante da atual crise de valores na pol√≠tica e em todas as camadas da popula√ß√£o.

Muitos n√£o percebem, mas esse panorama cria um paradoxo perverso: depois de tanto sangue derramado pelo direto de expressar opini√Ķes e participar das decis√Ķes pol√≠ticas, o indiv√≠duo se cala diante da crise moral contempor√Ęnea. Nesse contexto, protestos se transformam em lam√ļrias, lamenta√ß√Ķes em voz baixa, que ningu√©m ouve ‚Äď e talvez nem queira ouvir. Ou ent√£o em piadas, ‚Äú√≥timo‚ÄĚ recurso cultural para sorrir e se alienar frente √† falta de uma postura virtuosa. Assim, apesar de viver em um pa√≠s democr√°tico, o brasileiro guarda seus direitos ‚Äď e os dos outros ‚Äď no bolso da cal√ßa, pelo menos quando tem uma para vestir.

Para que o indiv√≠duo n√£o se dispa de sua cidadania, √© preciso honrar o sistema democr√°tico do pa√≠s. Nesse contexto, o povo deve ir √†s ruas, de modo pac√≠fico, para exigir uma mudan√ßa de postura do poder p√ļblico. Al√©m disso, a mobiliza√ß√£o deve agir na dire√ß√£o de quem mais necessita, ajudando, educando e oferecendo oportunidades para exclu√≠dos, que vivem √† margem da vida social, abaixo da linha da humanidade. Para tudo isso, entretanto, √© preciso uma mudan√ßa pr√©via de mentalidade, uma retomada de valores humanos esquecidos, que s√≥ ser√° poss√≠vel com a ajuda da fam√≠lia, das escolas e at√© mesmo da m√≠dia.

Por tudo isso, fica claro que o brasileiro deve parar de negar e de rir do evidente problema √©tico que enfrenta. Trata-se de quest√Ķes s√©rias, cujas solu√ß√Ķes s√£o dif√≠ceis e demoradas, mas n√£o imposs√≠veis. Se a sociedade n√£o se mobilizar imediatamente, chegar√° o dia em que as piadas alienadas e alienantes resultar√£o, para a maioria, em risadas de hiena. E, para a minoria privilegiada, imune ‚Äď ou beneficiada? ‚Äď √† crise √©tica, restar√£o apenas olhos marejados.

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Análise da Redação

Par√°grafo 1: T√≥pico frasal constru√≠do com muita compet√™ncia. Observe que os tr√™s per√≠odos apresentam uma Introdu√ß√£o, um Desenvolvimento e uma Conclus√£o, nos quais s√£o apresentados o Tema da reda√ß√£o ‚Äď “O indiv√≠duo frente √† √©tica nacional” ‚Äď e a Tese do autor sobre o tema ‚Äú… √© preciso que a sociedade se posicione frente √† √©tica nacional, de forma a honrar seus direitos e valores humanos e, assim, evitar o pior.‚ÄĚ

Parágrafo 2: Começa o produtor textual a relacionar seus argumentos que irão embasar sua Tese. E começando muito bem, pois busca em seu repertório cultural uma informação histórica que enaltece o comportamento do brasileiro no período ditatorial no País, emitindo uma comparação com os tempos atuais.

Parágrafo 3: Aqui, o candidato amplia sua reflexão sobre o comportamento do brasileiro, apontando sua estranheza sobre a acomodação da sociedade brasileira, numa época em que vivemos uma democracia plena.

Par√°grafo 4: No √ļltimo par√°grafo do Desenvolvimento, o produtor textual sugere qual deve ser o comportamento pol√≠tico do brasileiro, al√©m de j√° apresentar sua vis√£o humanista ‚Äď fundamental na reda√ß√£o do ENEM! ‚Äď, sobre o problema, ao citar que ‚Äú… a mobiliza√ß√£o deve agir na dire√ß√£o de quem mais necessita, ajudando, educando e oferecendo oportunidades para exclu√≠dos, que vivem √† margem da vida social, abaixo da linha da humanidade.‚ÄĚ

Par√°grafo 5: Na Conclus√£o, outro exemplo de um perfeito T√≥pico Frasal apresentando sua Proposta de Interven√ß√£o “Se a sociedade n√£o se mobilizar imediatamente, chegar√° o dia em que as piadas alienadas e alienantes resultar√£o, para a maioria, em risadas de hiena.” e um per√≠odo finalizador constru√≠do com refinamento textual: ‚ÄúE, para a minoria privilegiada, imune ‚Äď ou beneficiada? ‚Äď √† crise √©tica, restar√£o apenas olhos marejados.‚ÄĚ

Acrescente-se o uso correto da Variante Padrão da Língua Portuguesa e, também, a precisão na construção da Coerência e da Coesão textuais.

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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An√°lise das Melhores Reda√ß√Ķes / ENEM 2008

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Com a aproxima√ß√£o das datas de realiza√ß√£o das provas do ENEM ‚Äď Exame Nacional do Ensino M√©dio 2016, a partir desta semana, vamos postar e analisar as melhores reda√ß√Ķes dos √ļltimos concursos, a fim de refletirmos sobre as compet√™ncias que comp√Ķem a arquitetura textual do texto dissertativo-argumentativo e s√£o cobradas no exame, ali√°s, essenciais, tamb√©m, para outros exames e concursos.

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O ENEM de 2008 pediu uma resposta para o seguinte enunciado: ‚ÄúComo preservar a floresta Amaz√īnica‚ÄĚ. Foram sugeridas tr√™s possibilidades:

1) suspender imediatamente o desmatamento;
2) dar incentivos financeiros a propriet√°rios que deixarem de desmatar;
3) ou aumentar a fiscalização e aplicar multas a quem desmatar.

Inicialmente, vejamos uma redação sobre o tema que alcançou uma ótima pontuação:

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(Sem título)

A floresta Amaz√īnica vem sofrendo h√° muito tempo com o desmatamento, problema que compromete a realiza√ß√£o natural do ciclo da √°gua, prejudicando, assim, o funcionamento pleno deste bioma. Desse modo, √© necess√°rio preservar tal ambiente; e uma das maneiras de faz√™-lo √© a efetiva√ß√£o de pagamentos a propriet√°rios de terra a fim de que parem de desmatar a floresta. Contudo, n√£o se deve executar apenas esta a√ß√£o.

O cumprimento de tal atitude pode, sim, diminuir o √≠ndice de desmatamento da Amaz√īnia, j√° que os propriet√°rios de terra podem utilizar este pagamento para suas necessidades ao inv√©s do lucro que eles ganhariam se estivessem explorando os recursos naturais de forma exorbitante, o que significa que, pelo menos teoricamente, o padr√£o de vida desses indiv√≠duos n√£o seria alterado.

Por outro lado, h√° uma enorme probabilidade de que, mesmo recebendo dinheiro, alguns propriet√°rios de terra continuem devastando a floresta para enriquecerem mais rapidamente, o que, com certeza, √© uma evid√™ncia concreta da sociedade capitalista e ambiciosa contempor√Ęnea. Afinal, isto mostra que certas pessoas se preocupam apenas consigo mesmas, sem se importarem com o meio ambiente.

Al√©m disso, devido √† extens√£o territorial do Brasil, a verba enviada aos latifundi√°rios da Amaz√īnia pode n√£o chegar a essa regi√£o, fazendo com que eles permane√ßam desmatando-a. Outro motivo relevante para a ocorr√™ncia de tal evento √© o fato de, infelizmente, existirem muitos corruptos neste pa√≠s, os quais roubam parte do dinheiro.

Diante da problem√°tica em quest√£o, √© indispens√°vel que os ambientalistas promovam manifesta√ß√Ķes pac√≠ficas que tenham como objetivo a conscientiza√ß√£o dos adultos e do governo para que ambos compreendam que √© necess√°ria a preserva√ß√£o ambiental, pois s√≥ assim as gera√ß√Ķes futuras ter√£o meios de extrair da natureza o que √© essencial para a sobreviv√™ncia.

An√°lise

Par√°grafo 1: O produtor textual atendeu plenamente √† proposta de reda√ß√£o, pois escolheu a segunda alternativa, ou seja, defendeu a ideia de ‚Äú… dar incentivos financeiros a propriet√°rios que deixarem de desmatar;‚ÄĚ e colocou no par√°grafo inicial do texto. Ao mesmo tempo em que defende sua tese em rela√ß√£o a sua escolha: ‚ÄúDesse modo, √© necess√°rio preservar tal ambiente; e uma das maneiras de faz√™-lo √© a efetiva√ß√£o de pagamentos a propriet√°rios de terra a fim de que parem de desmatar a floresta.‚ÄĚ Constru√ß√£o perfeita da Introdu√ß√£o.

Par√°grafo 2: Para defender sua tese, o candidato apresenta seu primeiro e bom¬† argumento ‚Äú… j√° que os propriet√°rios de terra podem utilizar este pagamento para suas necessidades ao inv√©s do lucro que eles ganhariam se estivessem explorando os recursos naturais de forma exorbitante…‚ÄĚ com um T√≥pico Frasal constitu√≠do de Introdu√ß√£o, Desenvolvimento e Conclus√£o ‚Äď nessa ordem, o que demonstra compet√™ncia na progress√£o frasal.

Par√°grafo 3: Aqui, o candidato faz uma contra-argumenta√ß√£o correta ao argumento citado: ‚ÄúPor outro lado, h√° uma enorme probabilidade de que, mesmo recebendo dinheiro, alguns propriet√°rios de terra continuem devastando a floresta para enriquecerem mais rapidamente…‚ÄĚ

Par√°grafo 4: Neste par√°grafo, o candidato falha, pois apresenta mais duas contra-argumenta√ß√Ķes o que prejudica a defesa de sua tese. Defender um ponto de vista apresentando apenas um argumento e tr√™s contra-argumenta√ß√Ķes √© demonstrar inconsist√™ncia argumentativa.

Par√°grafo 5: Chama √† aten√ß√£o negativamente, o fato de o candidato citar ‚Äúmanifesta√ß√Ķes pac√≠ficas‚ÄĚ em sua proposta de interven√ß√£o, uma vez que n√£o houve refer√™ncia a elas ao longo do texto.

Sem d√ļvida uma reda√ß√£o acima da m√©dia, com corre√ß√£o no uso da variante padr√£o da l√≠ngua e coes√£o perfeitas, embora um pouco fragilizada pela engenharia argumentativa.

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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Dia Nacional do Escritor

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Hoje, 25 de julho, é o Dia Nacional do Escritor, data que celebra as pessoas que têm a palavra escrita como instrumento de trabalho. Embora a reverência seja ampla, feita ao produtor de textos tanto científicos quanto fictícios, aqui, renderemos homenagens àqueles que se dedicam ao ofício de tornar a passagem humana pela Terra uma aventura divina.

E o mestre de cerim√īnia deste evento ser√° M√°rio Quintana. Um gigante na arte de fazer poesia, com uma simplicidade que alcan√ßa os Deuses, e o poema dele que voc√™ ler√°, a seguir, confirma esta rela√ß√£o dos poetas com a divindade.

√ďtima Leitura!

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Se eu fosse um padre!

Se eu fosse um padre, eu, nos meus serm√Ķes,
n√£o falaria em Deus nem no Pecado
‚ÄĒ muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas sedu√ß√Ķes,

n√£o citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terr√≠veis maldi√ß√Ķes…
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,

Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a inf√Ęncia me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!

Porque a poesia purifica a alma
… e um belo poema ‚ÄĒ ainda que de Deus se aparte ‚ÄĒ
um belo poema sempre leva a Deus!

Mário Quintana, em Nova Antologia Poética,
Editora Globo – SP, 1998, p√°g. 105.

Abraços Fraternos!

Paulo Jorge


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Procura-se um Amigo!

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Segundo os calend√°rios comemorativos, no dia 20 de julho, celebra-se o Dia do Amigo ou Dia Internacional da Amizade, sentimento esse essencial √† constru√ß√£o humana. Tanto sim que, em L√≠ngua, Caetano Veloso afirma ser esse sentimento maior que o pr√≥prio amor: ‚ÄúE sei que a poesia est√° para a prosa / Assim como o amor est√° para a amizade / E quem h√° de negar que esta lhe √© superior‚ÄĚ. Certamente, o g√™nio da MPB ‚Äď M√ļsica Popular Brasileira, alegaria em sua defesa que dentro da amizade j√° estaria o amor, vinda, da√≠, a sua superioridade. Quem h√° de negar?!

Ali√°s, esses dois sentimentos s√£o motivo de compara√ß√£o tamb√©m para o poeta M√°rio Quintana, ao dizer que ‚ÄúA amizade √© um amor que nunca morre.‚ÄĚ, e para a escritora francesa Marguerite Yourcenar: ‚ÄúA amizade √©, acima de tudo, certeza ‚Äď √© isso que a distingue do amor.‚ÄĚ

O texto que voc√™ ler√°, a seguir, celebra este sentimento e, diferentemente do que alguns pensam, e sites registram, n√£o pertence √† obra po√©tica de Vin√≠cius de Moraes. √Č de autoria desconhecida, embora pare√ßa estranho que um texto de tamanha beleza n√£o possua registro de autoria.

Feliz Dia do Amigo!

www.lounge.obviusmag.org

Procura-se um Amigo

N√£o precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimento, basta ter cora√ß√£o. Precisa saber falar e saber calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de p√°ssaro, de sol, da lua, do canto dos ventos e das can√ß√Ķes da brisa. Deve ter amor, um grande amor por algu√©m, ou ent√£o sentir falta de n√£o ter esse amor. Deve amar o pr√≥ximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

N√£o √© preciso que seja de primeira m√£o, nem √© imprescind√≠vel que seja de segunda m√£o. Pode j√° ter sido enganado, pois todos os amigos s√£o enganados. N√£o √© preciso que seja puro, nem que seja de todo impuro, mas n√£o deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perd√™-lo e, no caso de assim n√£o ser, deve sentir o grande v√°cuo que isso deixa. Tem que ter resson√Ęncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de ser amigo. Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solit√°rios. Deve gostar de crian√ßas e lastimar as que n√£o puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recorda√ß√Ķes de inf√Ęncia. Precisa-se de um amigo para n√£o se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realiza√ß√Ķes, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de po√ßas de √°gua e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo.

Precisa-se de um amigo para se ter consciência de que ainda se vive.

Autoria desconhecida

Abraços Fraternos!

Paulo Jorge


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Poesia Matem√°tica

www.diariodopoder.com.br

Mill√īr Fernandes nasceu no bairro do M√©ier, no Rio de Janeiro, no dia 16 de agosto de 1923, e faleceu na mesma cidade, em 2012. Filho de engenheiro, deveria ter se chamado Milton, mas a caligrafia do tabeli√£o o fez Mill√īr. Artista m√ļltiplo, Mill√īr foi desenhista, humorista, tradutor, escritor e dramaturgo, algo, convenhamos, raro, no Brasil.

O poema que você lerá, a seguir, foi publicado na extinta revista O Cruzeiro, em 1949, e, segundo alguns especialistas em Matemática, contém dois erros. Leia, atentamente, os versos do poema e tente descobrir quais são os dois equívocos matemáticos observados no texto.

As respostas est√£o no final da postagem.

√ďtima Leitura!

www.elainespisso.com.br

Poesia Matem√°tica
ou
Trigonometria Amorosa

Às folhas tantas
do livro matem√°tico
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumer√°vel
e viu-a, do √Āpice √† Base,
uma figura ímpar:
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo octogonal, seios esferóides.
Fez da sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.
“Quem √©s tu?”, indagou ele
em √Ęnsia radical.
“Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa.”
E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irm√£s)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paix√£o
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimens√£o.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidianas
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam conven√ß√Ķes newtonianas e pitag√≥ricas.
E enfim resolveram se casar,
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.
Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equa√ß√Ķes e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes até aquele dia
em que tudo vira afinal monotonia.
Foi ent√£o que surgiu
O M√°ximo Divisor Comum
Freq√ľentador de c√≠rculos conc√™ntricos, viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu
que com ela n√£o formava mais um todo,
uma unidade.
Era o tri√Ęngulo,
Tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração,
a mais ordin√°ria.
Mas foi ent√£o que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era esp√ļrio passou a ser
moralidade como ali√°s em qualquer
sociedade.

O Cruzeiro, 1949

Respostas:

1) ‚ÄúQuem √©s tu?‚ÄĚ, indagou ele / em √Ęnsia radical. / ‚ÄúSou a soma dos quadrados dos catetos. / Mas pode me chamar de Hipotenusa.‚ÄĚ
R.: Está incorreto, pois a hipotenusa é definida pela RAIZ QUADRADA da soma dos quadrados dos catetos.

2) “Fez da sua uma vida / paralela √† dela / at√© que se encontraram / no infinito.”
R.: Se duas retas s√£o paralelas, elas NUNCA se encontrar√£o, nem no infinito.

Abraços Fraternos!

Paulo Jorge


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Tipos de Discurso

Dentre os Elementos da Narrativa, a linguagem √© um dos aspectos que mais contribui para o enriquecimento da obra liter√°ria. O autor cria o narrador ‚Äď ou narradores ‚Äď e os personagens se utilizando de tr√™s Tipos de Discurso.

Veja:

www.coladaweb.com

I ‚Äď Discurso Direto: O narrador reproduz textualmente a fala dos personagens, usando palavras deles mesmos, como as teriam pronunciado.
Ex. O presidente pediu:
‚Äď Fale mais alto e seja mais r√°pido, pois h√° outros deputados inscritos.

“Em lá chegando, pediu audiência ao homem e perguntou:
‚Äď Qual √© o lance aqui?‚ÄĚ

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II ‚Äď Discurso Indireto: O narrador ‚Äútraduz‚ÄĚ a fala dos personagens. Usa suas pr√≥prias palavras para contar ao leitor o que teria dito o personagem.
Ex.
O presidente pediu que falasse alto e fosse mais r√°pido, pois havia outros deputados inscritos.

‚ÄúEm l√° chegando, pediu audi√™ncia ao homem e perguntou qual era o lance ali.‚ÄĚ

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III ‚Äď Discurso Indireto-livre: O narrador parece ‚Äúescutar‚ÄĚ o interior do personagem. Para criar esse efeito, a ‚Äúfala‚ÄĚ interior do personagem vem diretamente inserida na linguagem do narrador, de maneira tal que n√£o se sabe bem at√© onde vai o narrador ou onde¬† come√ßa¬† o personagem.
Ex.
O presidente irritou-se. Uns ignorantes, era o que eram, todos uns ignorantes. Por que o Idiota falava t√£o baixo? E, pior ainda, por que t√£o devagar? N√£o sabia que havia outros deputados inscritos?

Como nas noites precedentes, uma fila de agricultores se formou na porta de uma padaria e o padeiro saiu a informar que não havia pão. Por quê? Onde estava o pão? O padeiro respondeu que não havia farinha. Onde então estava ela? Eles invadiram a padaria e levaram o estoque de roscas e biscoitos, a manteiga e o chocolate.

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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Figuras de Pensamento

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Finalizando a trilogia das Figuras de Linguagem, apresentamos, hoje, as Figuras de Pensamento, que lidam com a subjetividade, exploram a riqueza de significados escondidos por tr√°s de uma determinada ideia ou de uma determinada express√£o.

Veja, a seguir, a Classificação delas:

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Ocorre uma aproxima√ß√£o de palavras ou express√Ķes de sentidos opostos.
Ex. Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansid√£o
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói. Caetano Veloso

Apóstrofe: Existe a invocação de uma pessoa ou algo, real ou imaginário, que pode estar presente ou ausente. Corresponde ao vocativo na análise sintática
Ex. ‚ÄúColombo, fecha a porta dos teus mares!‚ÄĚ Castro Alves

Disfemismo: Emprego de palavra ou expressão depreciativa, ridícula, sarcástica ou chula, em lugar de outra palavra
Ex. √Č um jogador perna-de-pau.

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Uma palavra ou expressão é empregada para atenuar uma verdade tida como desagradável ou chocante.
Ex. O nosso presidente gosta muito de faltar com a verdade.

Gradação: Existe uma sequência de palavras que intensificam uma mesma ideia.
Ex. ‚ÄúO pre√ßo √© m√≥dico que o proteja contra o acaso, o imprevisto, o azar, o risco de viver.‚ÄĚ Clara dos Anjos / Lima Barreto

Hipérbole: Existe exagero de uma ideia, a fim de proporcionar uma imagem emocionante e de impacto.
Ex. Já falei mais de mil vezes e você não entendeu!

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Sugere-se o contr√°rio do que as palavras ou ora√ß√Ķes parecem exprimir. A inten√ß√£o √© depreciativa ou sarc√°stica.
Ex. Que bela educa√ß√£o, hein?! S√≥ sabe dizer palavr√Ķes!

Litotes: Combina a ênfase retórica com a ironia, não raro sugerindo uma ideia pela negação do seu contrário.
Ex. Você não é nada bobo!

Paradoxo: Ocorre na aproximação de palavras de sentido oposto e, também, na de idéias que se contradizem referindo-se ao mesmo termo.
Ex. “Amor √© fogo que arde sem se ver
√Č ferida que d√≥i e n√£o se sente
√Č um contentamento descontente
√Č dor que desatina sem doer”¬† Lu√≠s de Cam√Ķes

Preterição: Finge-se não querer falar de coisas sobre as quais se está, indiretamente, falando.
Ex. Tenho dedicado minha vida √† causa dos desfavorecidos, sou √≠ntegro, ponho sempre os interesses p√ļblicos acima de meus pr√≥prios interesses. N√£o quero, no entanto, elogiar-me.

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Atribui-se movimento, ação, fala, sentimento, enfim, caracteres próprios de seres animados a seres inanimados ou imaginários.
Ex. ‚ÄúPalmeiras se abra√ßam fortemente.‚Ä̬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬† Eduardo Dusek & Luiz Carlos G√≥es

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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