A morte da tartaruga

Um dos maiores entraves da educa√ß√£o brasileira, o trabalho com a interpreta√ß√£o textual diz respeito a todos os professores de todas as disciplinas, desculpe se a √™nfase passou da conta, mas ela se faz necess√°ria. O Pa√≠s continua ostentando posi√ß√Ķes vergonhosas em rankings de educa√ß√£o, quando o assunto √© este: interpreta√ß√£o textual.

A Literatura, pelo seu poder de encantamento e reflex√£o ilimitados, oferece ao professor de L√≠ngua Portuguesa condi√ß√Ķes de desenvolver a capacidade leitora e interpretativa do aluno, essencial a todas as disciplinas do curr√≠culo escolar, por consequ√™ncia, a nossa vida.

Proponho, nesta postagem, a voc√™, Leitor (a), interpretar o texto A morte da tartaruga, uma f√°bula – n√£o para crian√ßas! – de Mill√īr Fernandes, levando em considera√ß√£o, √© claro, a moral da hist√≥ria, ou seja, ‚ÄúO importante n√£o √© a morte, e sim o que ela nos tira.‚ÄĚ No final da postagem, apresentarei a minha interpreta√ß√£o sobre esta p√©rola liter√°ria do m√ļltiplo Mill√īr.

Bom Exercício!

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A morte da tartaruga

O menininho foi ao quintal e voltou chorando: a tartaruga tinha morrido. A m√£e foi ao quintal com ele, mexeu na tartaruga com um pau (tinha nojo daquele bicho) e constatou que a tartaruga tinha morrido mesmo.¬† Diante da confirma√ß√£o da m√£e, o garoto p√īs-se a chorar ainda com mais for√ßa. A m√£e a princ√≠pio ficou penalizada, mas logo come√ßou a ficar aborrecida com o choro do menino. ‚ÄúCuidado, sen√£o voc√™ acorda seu pai.‚ÄĚ Mas o menino n√£o se conformava. Pegou a tartaruga no colo e p√īs-se a acariciar-lhe o casco duro. A m√£e disse que comprava outra, mas ele respondeu que n√£o queria, queria aquela, viva! A m√£e lhe prometeu um carrinho, um veloc√≠pede, lhe prometeu, por fim, uma surra, mas o pobre menino parecia estar mesmo profundamente abalado com a morte do seu animalzinho de estima√ß√£o.

Afinal, com tanto choro, o pai acordou l√° dentro e veio, estremunhado, ver de que se tratava. O menino mostrou-lhe a tartaruga morta. A m√£e disse: ‚ÄúEst√° a√≠ assim h√° duas horas, chorando que nem maluco. N√£o sei mais o que fa√ßo. J√° lhe prometi tudo, mas ele continua berrando desse jeito‚ÄĚ.¬† O pai examinou a situa√ß√£o e prop√īs: ‚ÄúOlha, Henriquinho, se a tartaruga est√° morta, n√£o adianta mesmo voc√™ chorar. Deixa ela a√≠ e venha c√° com o papai‚ÄĚ.¬† O garoto dep√īs cuidadosamente a tartaruga junto ao tanque e seguiu o pai pela m√£o. O pai sentou-se na poltrona, botou o garotinho no colo e disse: ‚ÄúEu sei que voc√™ sente muito a morte da tartaruguinha. Eu tamb√©m gostava bastante dela. Por√©m n√≥s vamos fazer para ela um grande funeral‚ÄĚ (empregou a palavra dif√≠cil de prop√≥sito). O menininho parou imediatamente de chorar e perguntou: ‚ÄúQue √© um funeral?‚ÄĚ O pai explicou que era um enterro: ‚ÄúOlha, n√≥s vamos √† rua, compramos uma caixa bem bonita, bastante velas, bombons e doces, e voltamos para casa. Depois, botamos a tartaruga na caixa em cima da mesa da cozinha, rodeamos de velinhas de anivers√°rio. A√≠ convidamos os meninos da vizinhan√ßa, acendemos as velinhas, cantamos o ‚ÄúHappy-Birth-Day-To-You‚ÄĚ pra tartaruguinha morta e voc√™ assopra as velas. Depois pegamos a caixa, abrimos um buraco no fundo do quintal, enterramos a tartaruguinha e botamos uma pedra em cima com o nome dela e o dia em que ela morreu… Isso √© que √© um funeral! Vamos fazer isso?‚ÄĚ O garotinho estava com outra cara: ‚ÄúVamos, papai, vamos! A tartaruguinha vai ficar contente l√° no c√©u, n√£o vai? Olha, eu vou apanhar ela.‚ÄĚ Saiu correndo. Enquanto o pai se vestia, ouviu um grito no quintal: ‚ÄúPapai, papai, vem c√°, ela est√° viva!‚ÄĚ O pai correu para o quintal e constatou que era verdade, a tartaruga estava andando de novo, normalmente, e o pai disse: ‚ÄúQue bom, heim? Ela est√° viva! N√£o vamos ter que fazer o funeral.‚Ä̬† ‚ÄúVamos sim, papai‚ÄĚ ‚Äď disse o menino ansioso pegando uma pedra bem grande ‚Äď ‚ÄúEu mato ela‚ÄĚ.

MORAL: O importante não é a morte, e sim o que ela nos tira.

Abraços Fraternos!

Paulo Jorge

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A hist√≥ria se inicia apresentando um de seus personagens em estado de total desequil√≠brio, porque ele perdeu seu animalzinho de estima√ß√£o, que para uma crian√ßa tem o mesmo valor afetivo se comprado aos seus pais. Esgotados os recursos utilizados pela m√£e, o pai tem o insight de empregar uma palavra desconhecida e altamente sonora ‚Äď funeral ‚Äď que desperta a aten√ß√£o do garoto, fazendo-o esquecer a morte do bichinho. Habilmente explicando o significado da palavra ‚Äúfuneral‚ÄĚ com ingredientes do contexto infantil, o pai desperta a aten√ß√£o do filho a ponto de lhe restituir o equil√≠brio. Agora, o garotinho conhece as duas situa√ß√Ķes psicol√≥gicas determinantes na vida do ser humano, o equil√≠brio e o desequil√≠brio. Em seguida, acontece o inesperado e a grandeza da Literatura: ao se dirigir ao quintal, o garoto percebe que o animal est√° vivo, e o pai diz ao garoto que, ent√£o, n√£o ser√° mais necess√°rio fazer o funeral, no que o garoto responde de imediato: ‚ÄúVamos sim, papai‚ÄĚ, ‚ÄúEu mato ela‚ÄĚ. E por que o garoto diz isso? Porque a vida da tartaruga, paradoxalmente, ir√°, agora, lhe trazer o estado desequil√≠brio, condi√ß√£o que ele conhece e n√£o pode aceitar, porque o ser humano n√£o pode optar por aquilo que lhe faz mal, da√≠ a escolha do garoto.


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Sintaxe à vontade

www.catracalivre.com.br

Segundo seu site oficial – http://oteatromagico.mus.br -, o Teatro M√°gico √© um grupo musical e pol√≠tico formado em 2003, na cidade de Osasco, S√£o Paulo, criado por Fernando Anitelli. O TM √© um projeto que re√ļne elementos do circo, do teatro, da poesia, da m√ļsica, da literatura, da pol√≠tica e do cancioneiro popular tornando poss√≠vel a jun√ß√£o de diferentes segmentos art√≠sticos numa mesma apresenta√ß√£o. O grupo trabalha sem apoio de gravadoras ou campanhas midi√°ticas, alegando serem independentes e possui tr√™s √°lbuns gravados: Entrada para Raros, O Segundo Ato e A Sociedade do Espet√°culo.

Em Sintaxe √† vontade, m√ļsica (canto-falado?!) que faz parte do CD Entrada para Raros (nome inspirado no best seller ‚ÄúO Lobo da Estepe‚ÄĚ do autor alem√£o Hermann Hesse), Anitelli, ao ‚Äúvisitar‚ÄĚ a gram√°tica, constr√≥i um bel√≠ssimo manifesto em defesa das liberdades individuais.

Aten√ß√£o √† s√°bia orienta√ß√£o do artista em ‚ÄúSejamos tamb√©m o an√ļncio da contra-capa, / Pois ser a capa e ser contra a capa / √Č a beleza da contradi√ß√£o.‚ÄĚ

Para ler, ouvir e se deliciar, porque é bom demais!

Sintaxe à vontade

Sem horas e sem dores,
Respeit√°vel p√ļblico pag√£o,
Bem-vindos ao teatro m√°gico.

A partir de sempre
Toda cura pertence a nós.
Toda resposta e d√ļvida.
Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser,
Todo verbo é livre para ser direto ou indireto.
Nenhum predicado ser√° prejudicado,
Nem tampouco a frase, nem a crase, nem a vírgula e ponto final!
Afinal, a m√° gram√°tica da vida nos p√Ķe entre pausas, entre v√≠rgulas,
E estar entre vírgulas pode ser aposto,
E eu aposto o oposto: que vou cativar a todos
Sendo apenas um sujeito simples.
Um sujeito e sua oração,
Sua pressa, e sua verdade, sua fé,
Que a regência da paz sirva a todos nós.
Cegos ou n√£o,
Que enxerguemos o fato
De termos acessórios para nossa oração.
Separados ou adjuntos, nominais ou n√£o,
Fa√ßamos parte do contexto da cr√īnica
E de todas as capas de edição especial.
Sejamos tamb√©m o an√ļncio da contra-capa,
Pois ser a capa e ser contra a capa
√Č a beleza da contradi√ß√£o.
√Č negar a si mesmo.
E negar a si mesmo é muitas vezes
Encontrar-se com Deus.
Com o teu Deus.

Sem horas e sem dores,
Que nesse momento que cada um se encontra aqui e agora,
Um possa se encontrar no outro,
E o outro no um…
Até por que, tem horas que a gente se pergunta:
Por que é que não se junta
Tudo numa coisa só?

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge

PS: A sugest√£o desta postagem foi feita por minha aluna Vit√≥ria Nascimento, 3¬ļ. ano, do Ensino M√©dio, do CEEP Isa√≠as Alves.


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Língua

www.escritas.org.br

Poeta e crítico literário brasileiro nascido em Goiás, Gilberto Mendonça Teles é conhecido principalmente por suas pesquisas e ensaios sobre o modernismo e as vanguardas europeias na poesia, tendo produzido trabalhos que se filiam à terceira geração modernista.

No poema que você lerá, a seguir, o poeta goiano, ao lidar com origem e evolução, faz uma homenagem singela e bonita, a nossa Língua Portuguesa.

Boa Leitura!

Língua

Esta língua é como um elástico
que espicharam pelo mundo.
No início era tensa,
de t√£o cl√°ssica.

Com o tempo, se foi amaciando,
foi-se tornando rom√Ęntica,
incorporando os termos nativos
e amolecendo nas folhas de bananeira
as express√Ķes mais sisudas.

Um el√°stico que j√° n√£o se pode
mais trocar, de t√£o gasto;
nem se arrebenta mais, de t√£o forte.

Um elástico assim como é a vida
que nunca volta ao ponto de partida.

Gilberto Mendonça Teles

Abraços Fraternos!

Paulo Jorge


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Aula de Português

www.veja.abril.com.br

A oralidade e a variante padrão da Língua Portuguesa, segundo Carlos Drummond de Andrade. Esta, difícil, estranha, misteriosa; enquanto aquela, fácil, saborosa, familiar. Um Drummond de fácil entendimento, mas sempre reflexivo.

Boa Leitura!

Aula de Português

A linguagem
na ponta da língua,
t√£o f√°cil de falar
e de entender.
A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe l√° o que ela quer dizer?
Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
e vai desmatando
o amazonas de minha ignor√Ęncia.
Figuras de gram√°tica, esquip√°ticas,
atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me.
Já esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir l√° fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada
do namoro com a prima.
O português são dois; o outro, mistério.

Carlos Drummond de Andrade. Poesia Completa.
Ed. Nova Aguilar. 2003, p√°g. 1089.

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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O Homem que Lê

www.sites.uem.br

A UNESCO instituiu, em 1996, o dia 23/04 para se comemorar o Dia Mundial do Livro. A data é uma homenagem aos escritores Miguel de Cervantes e William Shakespeare, que faleceram em 23 de abril de 1616. O primeiro, espanhol, deixou para a humanidade um livro imortal: Dom Quixote de La Mancha. Já o inglês é considerado o mais importante dramaturgo e escritor de todos os tempos.

Em sua etimologia, livro vem do Latim liber, librum, ‚Äúlivro, papel, pergaminho‚ÄĚ, originalmente ‚Äúparte interna da casca das √°rvores‚ÄĚ, do Indo-Europeu leubh-, ‚Äúdescascar, retirar uma camada‚ÄĚ, segundo o site¬† http://www.origemdapalavra.com.br. De acordo com o dicion√°rio Houaiss, em sua primeira acep√ß√£o (sem√Ęntica), livro representa uma ‚ÄúCole√ß√£o de folhas de papel, impressas ou n√£o, cortadas, dobradas e reunidas em cadernos cujos dorsos s√£o unidos por meio de cola, costura etc., formando um volume que se recobre com capa resistente.‚ÄĚ.

Literariamente ‚Äď aspecto que aqui mais nos interessa! ‚Äď fiquemos com a reflex√£o po√©tica e pedag√≥gica de Rainer Maria Rilke sobre LIVRO.

√ďtima Leitura!

www.mudedeatitude.blogspot.com

O Homem que Lê

Eu lia h√° muito. Desde que esta tarde
com o seu ruído de chuva chegou às janelas.
Abstraí-me do vento lá fora:
o meu livro era difícil.
Olhei as suas p√°ginas como rostos
que se ensombram pela profunda reflex√£o
e em redor da minha leitura parava o tempo. ‚ÄĒ
De repente sobre as páginas lançou-se uma luz
e em vez da tímida confusão de palavras
estava: tarde, tarde… em todas elas.
N√£o olho ainda para fora, mas rasgam-se j√°
as longas linhas, e as palavras rolam
dos seus fios, para onde elas querem.
Ent√£o sei: sobre os jardins
transbordantes, radiantes, abriram-se os céus;
o sol deve ter surgido de novo. ‚ÄĒ
E agora cai a noite de Verão, até onde a vista alcança:
o que est√° disperso ordena-se em poucos grupos,
obscuramente, pelos longos caminhos v√£o pessoas
e estranhamente longe, como se significasse algo mais,
ouve-se o pouco que ainda acontece.

E quando agora levantar os olhos deste livro,
nada ser√° estranho, tudo grande.
Aí fora existe o que vivo dentro de mim
e aqui e mais além nada tem fronteiras;
apenas me entreteço mais ainda com ele
quando o meu olhar se adapta às coisas
e √† grave simplicidade das multid√Ķes, ‚ÄĒ
ent√£o a terra cresce acima de si mesma.
E parece que abarca todo o céu:
a primeira estrela √© como a √ļltima casa.

Rainer Maria Rilke, in “O Livro das Imagens”.

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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TOP 10 ‚Äď DESVIOS NA FALA

www.recursosehumanos.com.br

Ocorrem em nossas intera√ß√Ķes sociais orais diversas diverg√™ncias entre o modo com que pronunciamos determinadas palavras e o que recomenda a variante padr√£o da L√≠ngua Portuguesa, motivadas por v√°rios aspectos, como, por exemplo, a facilidade de pron√ļncia de determinados fonemas, uma melhor sonoridade, dentre outras causas.

Listamos, a seguir, um TOP 10 entre as palavras mais utilizadas pelo falante que se desviam da variante padrão da Língua Portuguesa.

Boa Leitura!

www.contratanet.com.br

1) MENOS: esta palavra só possui uma forma, independente se o termo a que ela se  refira é masculino ou feminino,  singular ou plural.
EX. Isto é menos verdade, meu amigo.
Menos pessoas apareceram no jogo de hoje.

2) RUBRICA: a palavra √© parox√≠tona, entretanto muitos pronunciam como se o som mais forte da palavra estivesse na antepen√ļltima s√≠laba, ou seja, fosse uma proparox√≠tona, o que n√£o acontece.
Ex Por favor, coloque aqui a sua rubrica.

3) EU / MIM: quando uma frase possuir um verbo terminado em AR / ER / IR e exigir sujeito, o uso deve ser EU e n√£o MIM. Caso contr√°rio, utiliza-se MIM.
Ex. Este trabalho é para eu fazer o mais rápido possível.
Foi o que disse para mim o gerente.

4) GRATUITO: o falante pensa que o fonema (letra) ‚Äúi‚ÄĚ n√£o faz parte da segunda s√≠laba da palavra, o que n√£o √© verdade, ela faz, sim: gra-tui-to.
Ex. O passeio de bicicleta é gratuito.

5) RECORDE: possivelmente influenciado pelo seu som de origem, muitos a pronunciam como se a primeira sílaba fosse a mais forte, não é, pois se trata de uma paroxítona.
Ex. Nadador baiano bate recorde em prova aqu√°tica.

6) IBERO: trata-se uma parox√≠tona, pois a s√≠laba t√īnica se encontra no meio da palavra.
Ex. Tempos atr√°s, ocorreu um encontro ibero-americano, em Salvador.

7) L√ĀTEX: certamente obedecendo √† lei do menor esfor√ßo, o usu√°rio da l√≠ngua a pronuncia como se a s√≠laba t√īnica fosse a √ļltima. Na verdade, trata-se de uma parox√≠tona.
Ex. Obtém-se o látex a partir das seringueiras.

8) NOBEL: a palavra possui o som mais forte na √ļltima s√≠laba, mas o falante sup√Ķe ser a primeira.
Ex. Em 1998, José Saramago, escritor português, recebeu o Nobel de Literatura.

9) MENDIGO: condicionado pela grande nasalidade existente na L√≠ngua Portuguesa, muitos falantes pronunciam, incorretamente, ‚Äúmendingo‚ÄĚ.
Ex. Os mendigos necessitam de mais atenção das prefeituras e da sociedade.

10) PRIVIL√ČGIO: provavelmente, muitas pessoas pensam que a melhor sonoridade presente em ‚Äúprevil√©gio‚ÄĚ faz dela a pron√ļncia correta, mas √© um equ√≠voco.
Ex. O acesso à educação de qualidade deve ser privilégio de todos.

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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Frase, Oração e Período

www.kdfrases.com

1) Frase: √Č o enunciado que apresenta sentido completo.
Ex. Todo homem tem direito ao trabalho.
Que houve com você?
Fogo!

Classificação

a- Declarativas
Ex. Os brasileiros, atualmente, sofrem com o desemprego.

b- Interrogativas
Ex. Muitos melhoraram de vida em nosso país?

c- Exclamativas
Ex. Quantos desempregados neste País, meu Deus!

d- Imperativas
Ex. Não compactue com a corrupção.

e- Optativas
Ex. Oxal√° tenhamos dias melhores!

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2) Ora√ß√£o: √Č o conjunto de palavras estruturado em torno de um verbo.
Ex. A Terra é azul.
N√£o se desespere!
‚ÄúA vida s√≥ √© poss√≠vel reinventada.‚ÄĚ Cec√≠lia Meireles

Classificação

a- Absoluta: Constitui um período simples.
Ex. “O amor √© um grande la√ßo.” Djavan

b- Coordenada: S√£o ora√ß√Ķes constru√≠das em um mesmo per√≠odo, mas independentes entre si.
Ex. Deitou-se na cama, rezou com fervor e adormeceu.

c- Subordinada: Une-se à outra oração, mantendo uma relação de dependência sintática.
Ex. “Quando eu jurei meu amor, eu tra√≠ a mim mesmo.” Raul Seixas

d- Principal: √Č aquela da qual depende a ora√ß√£o subordinada.
Ex. Quando eu jurei meu amor, eu traí a mim mesmo.

www.jornalopcao.com.br

3) Per√≠odo: √Č o enunciado de uma frase formada por uma ou mais ora√ß√Ķes, e que apresenta, necessariamente, um sentido completo.
Ex. ‚ÄúMesmo que eu falasse a l√≠ngua dos homens, sem amor eu nada seria.‚ÄĚ Corintos

Classificação

a- Simples: √Č o enunciado organizado em torno de uma √ļnica ora√ß√£o, chamado de Ora√ß√£o Absoluta.
Ex. O brasileiro adora futebol e carnaval.

b- Composto: √Ȭ† o¬† enunciado¬† estruturado¬† em¬† torno¬† de duas ou mais ora√ß√Ķes, podendo ser composto por coordena√ß√£o ou subordina√ß√£o.
Ex. Galileu provou que o brilho das estrelas não tem nenhuma influência no destino dos homens.

www.intelectacursos.com.br

4) Parágrafo: Representa uma parte do texto que forma um sentido completo e normalmente se inicia com a mudança de linha e afastado da margem.

Ex. Estou na Avenida 23 de Maio, na pista do meio. Engarrafamento. De repente, a da direita anda. A da esquerda tamb√©m. A minha n√£o. Fico contando os carros que passam. Come√ßo a ranger os dentes. Imagino: “Deve haver um acidente nesta pista”. Dou seta √† esquerda. Atiro meu carro na pista do lado. Ou√ßo buzinadas. Consegui! Agora vou andar! Puro engano. Imediatamente, a da esquerda para. A pista onde eu estava se desafoga. Todos os ve√≠culos que se encontravam atr√°s de mim me ultrapassam. Permane√ßo im√≥vel. Lamento-me: ‚ÄúPor que fui mudar de pista‚ÄĚ?

Dias tortos. Walcyr Carrasco

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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A Estilística

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Segundo o Houaiss, Estil√≠stica √© o ‚Äúramo da lingu√≠stica que estuda a l√≠ngua na sua fun√ß√£o expressiva, analisando o uso dos processos f√īnicos, sint√°ticos e de cria√ß√£o de significados que individualizam estilos.‚ÄĚ, ou seja, o produtor textual utiliza a fun√ß√£o emotiva aliada ao intelecto com o objetivo de conseguir a ades√£o do seu interlocutor de maneira emocional.

Ao responder a pergunta “Qual sua experi√™ncia?” para concorrer a uma vaga de emprego, o autor produziu um texto que √© um monumento √† Estil√≠stica. Infelizmente, sem autoria requerida.

Boa Leitura!

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Experiência?!

Já fiz cosquinha na minha irmã só pra ela parar de chorar, já me queimei brincando com vela.
Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto, já conversei com o espelho e até já brinquei de ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista, já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora.
J√° passei trote por telefone, j√° tomei banho de chuva e acabei me viciando.
J√° roubei beijo, j√° confundi sentimentos.
Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro, já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer.
J√° subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas, j√° subi em √°rvore pra roubar fruta, j√° ca√≠ da escada de bunda, j√° fiz juras eternas, j√° escrevi no muro da escola, j√° chorei sentado no ch√£o do banheiro, j√° fugi de casa pra sempre e voltei no outro instante, j√° corri pra n√£o deixar algu√©m chorando, j√° fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma s√≥, j√° vi p√īr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado, j√° me joguei na piscina sem vontade de voltar, j√° bebi u√≠sque at√© sentir dormentes os meus l√°bios, j√° olhei a cidade de cima e mesmo assim n√£o encontrei meu lugar, j√° senti medo do escuro, j√° tremi de nervoso, j√° quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de algu√©m especial. J√° acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar.
J√° apostei em correr descal√ßo na rua, j√° gritei de felicidade, j√° roubei rosas num enorme jardim. J√° me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um “para sempre” pela metade. J√° deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol, j√° chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos e a vida √© mesmo um ir e vir sem raz√£o.
Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emo√ß√£o, guardados num ba√ļ, chamado cora√ß√£o. E agora um formul√°rio me interroga, me encosta na parede e grita: “Qual sua experi√™ncia?”
Essa pergunta ecoa no meu c√©rebro: Experi√™ncia… Experi√™ncia…
Ser√° que ser “plantador de sorrisos” √© uma boa experi√™ncia? N√£o! Talvez eles n√£o saibam ainda colher sonhos! Agora, gostaria de indagar uma pequena coisa a quem formulou esta pergunta:
“Experi√™ncia?! Experi√™ncia?! Quem a tem, se a todo o momento tudo se renova?!”

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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A Poesia Vai Acabar!

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Todo dia √© dia de Poesia. Mas escolheu-se o dia 21 de mar√ßo para homenage√°-la. A data foi institu√≠da na XXX confer√™ncia da Organiza√ß√£o das Na√ß√Ķes Unidas para a Educa√ß√£o, a Ci√™ncia e a Cultura ‚Äď UNESCO ‚Äď em 16 de novembro de 1999, com o prop√≥sito de promover a leitura, a escrita, a publica√ß√£o e o ensino deste g√™nero liter√°rio pelo mundo. Tentei descobrir o porqu√™ de se comemorar neste dia, mas n√£o consegui. Caso algum leitor ou leitora saiba a raz√£o, por favor, nos informe.

E para celebrarmos esse evento, trouxemos um poema de Manuel Ant√≥nio Pina, poeta portugu√™s falecido em 19 de outubro de 2012. Cronista, dramaturgo e jornalista, foi na poesia e na literatura infantil, a maior contribui√ß√£o de Pina para a literatura portuguesa. Em 2011, ele recebeu o Pr√™mio Cam√Ķes, condecora√ß√£o institu√≠da pelos governos do Brasil e de Portugal, em 1988, para reverenciar autores que tenham contribu√≠do para o enriquecimento do patrim√īnio liter√°rio e cultural da L√≠ngua Portuguesa.

O poema A Poesia Vai Acabar, que voc√™ ir√° ler agora, faz parte da obra “Ainda n√£o √© o Fim nem o Princ√≠pio do Mundo. Calma √© Apenas um Pouco Tarde“, √© puro luxo e encantamento. Um desafio √† imagina√ß√£o do leitor.

√ďtima Leitura!

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A Poesia Vai Acabar

A poesia vai acabar, os poetas
v√£o ser colocados em lugares mais √ļteis.
Por exemplo, observadores de p√°ssaros
(enquanto os p√°ssaros n√£o
acabarem). Esta certeza tive-a hoje ao
entrar numa reparti√ß√£o p√ļblica.
Um senhor míope atendia devagar
ao balc√£o; eu perguntei: ‚Äď Que fez algum
poeta por este senhor? ‚Äď E a pergunta
afligiu-me tanto por dentro e por
fora da cabeça que tive que voltar a ler
toda a poesia desde o princípio do mundo.
Uma pergunta numa cabeça.
‚Äď Como uma coroa de espinhos:
est√£o todos a ver onde o autor quer chegar? ‚Äď

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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Mas que coisa!

Todo falante tem uma inclinação para criar e brincar com a língua; que o digam, por exemplo, os humoristas, que têm sempre a sua disposição palavras da Língua Portuguesa para com elas criarem momentos de prazer e divertimento. O texto, a seguir, me enviado pela minha colega e leitora deste Blog Ely Lima e, infelizmente, sem autoria requerida, é um belo exemplo do que pode essa língua. E seus falantes.

√Č para se deliciar!

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Mas que coisa!

A palavra “coisa” √© um bombril do idioma. Tem mil e uma utilidades. √Č aquele tipo de termo-muleta ao qual a gente recorre sempre que nos faltam palavras para exprimir uma ideia. “Coisas” do portugu√™s.

Gramaticalmente, “coisa” pode ser substantivo, adjetivo, adv√©rbio. Tamb√©m pode ser verbo: o Houaiss registra a forma “coisificar”. E no Nordeste h√° “coisar”: √Ē, seu “coisinha”, voc√™ j√° “coisou” aquela coisa que eu mandei voc√™ “coisar”?

Na Para√≠ba e em Pernambuco, “coisa” tamb√©m √© cigarro de maconha. Em Olinda, o bloco carnavalesco Segura a Coisa tem um baseado como s√≠mbolo em seu estandarte. Alceu Valen√ßa canta: Segura a “coisa” com muito cuidado / Que eu chego j√°.”

J√° em Minas Gerais, todas as coisas s√£o chamadas de trem. (menos o trem, que l√° √© chamado de “coisa”). A m√£e est√° com a filha na esta√ß√£o, o trem se aproxima e ela diz: “Minha filha, pega os trem que l√° vem a “coisa”!.

E, no Rio de Janeiro? Olha que “coisa” mais linda, mais cheia de gra√ßa… A garota de Ipanema era coisa de fechar o tr√Ęnsito! Mas se ela voltar, se ela voltar, que “coisa” linda, que “coisa” louca. Coisas de Jobim e de Vinicius, que sabiam das coisas.

Coisa n√£o tem sexo: pode ser masculino ou feminino. Coisa-ruim √© o capeta. Coisa boa √© a Juliana Paes. Nunca vi coisa assim! Coisa tamb√©m n√£o tem tamanho. Na boca dos exagerados, “coisa nenhuma” vira um monte de coisas…

Mas a “coisa” tem hist√≥ria mesmo √© na MPB. No II Festival da M√ļsica Popular Brasileira, em 1966, a coisa estava na letra das duas vencedoras: Disparada, de Geraldo Vandr√©: Prepare seu cora√ß√£o pras “coisas” que eu vou contar…, e A Banda, de Chico Buarque: pra ver a banda passar, cantando “coisas” de amor… Naquele ano do festival, no entanto, a coisa tava preta (ou melhor, verde-oliva). E a turma da Jovem Guarda n√£o tava nem a√≠ com as coisas: “coisa” linda, “coisa” que eu adoro!

Para Maria Beth√Ęnia, o diminutivo de coisa √© uma quest√£o de quantidade afinal, s√£o tantas “coisinhas” mi√ļdas. E esse papo j√° t√° qualquer “coisa”. J√° qualquer “coisa” doida dentro mexe… Essa coisa doida √© um trecho da m√ļsica “Qualquer Coisa”, de Caetano,
que tamb√©m canta: alguma “coisa” est√° fora da ordem! E o famoso hino a S√£o Paulo: alguma “coisa” acontece no meu cora√ß√£o”!

Por essas e por outras, é preciso colocar cada coisa no devido lugar. Uma coisa de cada vez, é claro, afinal, uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa. E tal e coisa, e coisa e tal.

Um cara cheio de coisas é o indivíduo chato, pleno de não-me-toques. Já uma cara cheio das coisas, vive dando risada. Gente fina é outra coisa. Para o pobre, a coisa está sempre feia: o salário mínimo não dá pra coisa nenhuma.

A coisa p√ļblica n√£o funciona no Brasil. Pol√≠tico, quando est√° na oposi√ß√£o, √© uma coisa, mas, quando assume o poder, a coisa muda de figura. Quando elege seu candidato de confian√ßa, o eleitor pensa: Agora a “coisa” vai… Coisa nenhuma! A coisa fica na mesma. Uma coisa √© falar; outra √© fazer. Coisa feia! O eleitor j√° est√° cheio dessas coisas!

Se as pessoas foram feitas para ser amadas e as coisas, para serem usadas, por que ent√£o n√≥s amamos tanto as coisas e usamos tanto as pessoas? Bote uma coisa na cabe√ßa: as melhores coisas da vida n√£o s√£o coisas. H√° coisas que o dinheiro n√£o compra: paz, sa√ļde, alegria e outras cositas m√°s.

Mas, deixemos de “coisa”, cuidemos da vida, sen√£o chega a morte, ou “coisa” parecida… Por isso, fa√ßa a coisa certa e n√£o esque√ßa o grande mandamento:

“Amar√°s a Deus sobre todas as coisas.”

Entendeu o espírito da coisa?

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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