Novo Acordo Ortogr√°fico – Parte 2

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Na postagem anterior, falamos do Novo Acordo Ortográfico com relação basicamente à acentuação das palavras; hoje, vamos tratar das mudanças na Ortografia Oficial da Língua Portuguesa, mas, às vezes, retornando às regras de acentuação.

Observe que, diferentemente do que muitos propagam, inclusive professores de Portugu√™s, o acordo facilita a nossa produ√ß√£o textual. Reduziu-se o n√ļmero de condi√ß√Ķes especiais, sem se perder, a meu ver, a autenticidade e a beleza da L√≠ngua Portuguesa.

Os exemplos, abaixo relacionados, est√£o grafados j√° de acordo com o Novo Acordo Ortogr√°fico.

Observe:

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1) Alfabeto: ganha três letras: k, w, y

2) Trema: desaparece em todas as palavras: frequente, linguiça, aguentar etc.

3) Some o acento agudo no I e no U fortes depois de ditongos, em palavras paroxítonas:
Ex. Baiuca, bocaiuva, feiura etc.

4) Desaparece o acento agudo no U forte nos grupos gue, gui, que, qui:
Ex. averigue, apazigue, ele argui, enxague etc.

5) Perde-se o acento diferencial das seguintes palavras:
Ex. para, pela, pelo, polo, pera e coa.

6) Os ditongos abertos ei e oi das palavras paroxítonas não mais serão acentuados:
Ex. ideia, heroico, boia, estreia, joia, plateia, paranoia, jiboia, assembleia etc.

www.comoescreve.com

Principais Altera√ß√Ķes

1) Prefixos: agro, ante, anti, arqui, auto, contra, extra, infra, intra, macro, mega, micro, maxi, mini, semi, sobre, supra, tele, ultra:

Quando a palavra seguinte come√ßar com h ou com vogal igual √† √ļltima do prefixo: Ex. auto-hipnose, auto-observa√ß√£o, anti-her√≥i, anti-imperialista, micro-ondas etc.

Em todos os demais casos: Ex. autorretrato, autossustentável, autoanálise, autocontrole, antirracista, antissocial, antivírus, minidicionário, minissaia, minirreforma, ultrassom etc.

2) Prefixos: hiper, inter, super: quando a palavra seguinte começar com h ou com r:
Ex. super-homem, inter-regional, hiper-real etc.

Em todos os demais casos: hiperinfla√ß√£o, supers√īnico, internacional etc.

3) Sub: quando a palavra seguinte começa com b, h ou r:
Ex. sub-base, sub-reino, sub-humano etc.

Em todos os demais casos:
Ex. subsecret√°rio, subeditor etc.

4) Vice: sempre com hífen.
Ex. vice-rei, vice-presidente etc.

5) Pan, circum: quando a palavra seguinte começa com h, m, n ou vogais:
Ex. pan-americano, circum-hospitalar etc.

Em todos os demais casos:
Ex. pansexual, circuncis√£o etc.

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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FOFOCA NO TRABALHO, NEM TE CONTO!

 

 

FALE SEMPRE A VERDADE!

Quando uma pessoa chega e diz ‚ÄúEu nem te conto‚ÄĚ a gente j√° sabe que ela vai contar tudo e um pouco mais. Quem ainda n√£o tentou se sair de uma conversa intermin√°vel e inconveniente a partir da√≠?

Geralmente eu brinco dizendo, ‚Äú- Tudo bem!‚ÄĚ ‚ÄúN√£o quer contar, n√£o conte!‚ÄĚ ‚Äúrsrsrs‚ÄĚ. Nesse momento, vejo desfigurar totalmente aquela imagem apreensiva e √°vida para contar uma fofoca que reluta em permanecer secreta no interior do ser detentor de l√≠ngua-aberta, l√≠ngua de trapo, pitonisa, linguarudo.

Algumas vezes o (a)¬†escarnecedor (a) se prepara para desabafar e come√ßa dizendo pelas redes sociais¬†‚ÄúEu nem ti conto pq se eu ti contar n√£o ¬†vai ter gra√ßa mas vou pensar em ti contar ai eu conto o q quero ti contar ta?‚ÄĚ. Assim deixa o interlocutor (a) da fofoca aflito e, √†s vezes, preocupado diante da apreens√£o para contar e dos deslizes de ortografia e linguagem do¬†alcoviteiro.¬†Ent√£o, volta e pede para que conte! Vai que √© algo importante ou a pessoa est√° precisando de um ouvido apenas. Depois, ningu√©m quer ficar com a consci√™ncia pesada se o ‚Äúfofoqueiro‚ÄĚ entrar em depress√£o. A compaix√£o tem seu lugar a√≠!

 

NÃO VIU, NÃO FALE!

Aproveitando o clima de fofoca, vou contar pra voc√™s que os sin√īnimos podem apresentar significados diferentes conforme o contexto em que s√£o empregados. Da√≠ muito cuidado ao pr√©-julgarmos esses termos. Por exemplo:

1.¬†‚ÄúAdilindo n√£o passa de um¬† escarnecedor ¬†que s√≥ cuida da vida dos outros e n√£o sabe guardar segredos nem refrear aquela l√≠ngua!‚ÄĚ

2.¬†‚ÄúAdilindo n√£o passa de um¬† escarnecedor ¬†que j√° gosta de brincar e n√£o poupa fazer as pessoas rirem.‚ÄĚ

3.¬†‚ÄúO boca-aberta deixou cair o sorvete na √ļltima colherada. A mais gostosa! Rsrs‚ÄĚ.

4.¬†‚ÄúEsses bocas-abertas s√≥ sabem falar da vida dos outros!‚ÄĚ

5.¬†‚ÄúDeixe de¬†curiar, rapaz! A vida alheia deve ser preservada!‚ÄĚ

6.¬†‚ÄúEu fiquei curiando os animais no passeio ao zool√≥gico neste domingo!‚ÄĚ

Bem agora que j√° contei o que pude, nem te conto qual ser√° o pr√≥ximo texto de¬†quando entrar setembro e a boa nova nova andar nos campos…”, quero ver brotar o perd√£o a mim e a todos os fofoqueiros de plant√£o! Afinal, cada pessoa tem sua sede (a minha √© escrever) e deve saci√°-la at√© se sentir satisfeita!

Até setembro então, queridos leitores!

Adil Lyra

 

 


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Novo Acordo Ortogr√°fico – Parte 1

www.slideshare.net

Aprovado em 1990, pela Academia das Ci√™ncias de Lisboa, Academia Brasileira de Letras e delega√ß√Ķes de Angola, Cabo Verde, Guin√©-Bissau, Mo√ßambique e S√£o Tom√© e Pr√≠ncipe, o acordo representa a inten√ß√£o desses pa√≠ses darem um passo significativo para a defesa da unidade da L√≠ngua Portuguesa e seu prest√≠gio internacional.

Desde a sua aprova√ß√£o at√© 31 de dezembro de 2015, temos um per√≠odo de transi√ß√£o para as novas regras ortogr√°ficas, o que significa que, at√© essa data, algumas palavras ter√£o a vig√™ncia de dupla grafia ‚Äď id√©ia / ideia, por exemplo. No entanto, a partir de 1 de Janeiro de 2016, apenas uma forma ser√° aceita, segundo o novo acordo ortogr√°fico.

Nesta semana e na pr√≥xima, vamos mostrar as mudan√ßas e efetiva√ß√Ķes na acentua√ß√£o e em determinadas grafias de palavras. Comecemos com o que permanece e o que muda em rela√ß√£o √† acentua√ß√£o das palavras.

Bom aproveitamento!

www.papouniv.com.br

I ‚Äď Regra Geral

Acentuam-se todas as palavras terminadas em:

1) Monoss√≠labos t√īnicos: (a, as)¬† Ex. p√°s, l√°, j√°, d√°-lo etc.
(e, es) Ex. mês, sé, ré, pés, vê, tê-lo etc.
(o, os) Ex. p√≥, p√īs, d√≥, s√≥s, s√≥, p√ī-lo etc.

2) Oxítonas: (a,as) Ex. marajás, terminará, informá-lo etc.
(e, es) Ex. português, preenchê-los, filé, fazê-lo etc.
(o, os) Ex. domin√≥, palet√≥s, camel√īs, rep√ī-lo¬† etc.
(em, ens) Ex. também, além, armazéns, porém, parabéns etc.

3) Paroxítonas: (ã, ãs, ão, ãos) Ex. ímã, órfãs, sótão, órgãos etc.
(i, is, us) Ex. j√ļri, c√ļtis, gr√°tis, v√≠rus, b√īnus etc.
(l, r, n – e seus plurais) Ex. t√ļnel, am√°veis, l√≠der, pr√≥ton, pr√≥tons, h√≠fen, p√≥len etc.

(Obs. Nunca ‚Äúens‚ÄĚ) Ex. hifens, polens etc.

(x, ps) Ex. d√ļplex, t√≥rax, f√™nix, b√≠ceps, f√≥rceps etc.
(um, uns) Ex. álbum, médiuns, fórum, quóruns etc.
(ditongos) Ex. régua, comércio, tênue, supérfluo, diário etc.

4) Proparox√≠tonas: Todas s√£o acentuadas Ex. √°libi, tr√Ęmites, √ļltima, t√≠mido, metr√≥pole, transatl√Ęntico etc.

www.sandrasasprofe.blogspot.com

II ‚Äď Casos especiais

a) Hiatos: Acentuam-se o I e o U t√īnicos quando fizerem hiatos com a vogal anterior e estiverem sozinhos na s√≠laba ou ao lado da letra “s”, mas nunca seguidos de ‚Äúnh‚ÄĚ.
Ex. para√≠so, sa√≠, ca√≠ste, atra√≠-lo, re√ļnem, pa√≠s, pa√≠ses, ami√ļde, ju√≠zes, mai√ļscula etc.

b) Ditongos abertos em Monoss√≠labos T√īnicos e Palavras Ox√≠tonas
(éi, éis) Ex. méis, anéis, papéis, fiéis, cartéis etc.
(éu, éus) Ex. céu, réus, escarcéu, chapéus etc.
(ói, óis) Ex. herói, constrói, corrói, mói, faróis etc.

c) Verbos ‚ÄúTer / Vir‚ÄĚ e seus compostos
Ex. O Brasil tem grandes problemas sociais.
Os países sul-americanos têm grandes problemas sociais.
Essa caixa contém produtos químicos.
Essas caixas contêm produtos químicos.

d) Acento diferencial
p√īr (verbo) / por (preposi√ß√£o)
p√īde (verbo no pret√©rito) / pode (verbo no presente)

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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UMA NOVA LINGUAGEM: A MEDIAÇÃO

Aula tradicional e aula moderna

O educador desenvolve hoje ‚Äúseus ensinamentos‚ÄĚ, sua media√ß√£o a fim de tornar o jovem estudante autossuficiente. Muitos desses n√£o perceberam ainda esse novo momento da educa√ß√£o e reagem irresponsavelmente. Isso tem causado distor√ß√£o no processo da aprendizagem.

Pesquisa nota dez

Percebe-se que determinados jovens se envolvem em futilidades sem fins culturais. Isso ocupa grande parte do tempo da vida deles, deixando-os sem refer√™ncia e sem envolvimento e crescimento em seu n√≠vel intelecto-cultural que seja √ļtil para transformar sua sociedade. Muitos ficam alheios aos conhecimentos di√°rios quer sejam pol√≠ticos, econ√īmicos, culturais e sociais, at√© mesmo por n√£o saberem ler as not√≠cias. A m√°-l√≠ngua diz que talvez um decreto-lei assinado com caneta-tinteiro, como no passado, possa instituir novos comportamentos de leituras criativas e √ļteis, desenvoltura pessoal e profissional com o objetivo real de contribuir para transformar essa sociedade t√£o prec√°ria pela dissemina√ß√£o das eguinhas-pocot√≥s, lacraias, bonde do tigr√£o, rala-tcheca, lepo lepo, lek lek, Vai no cavalinho, vai e outras mais depreciativas e inculturais por qualidade. Sem d√ļvida alguma fazem enorme sucesso f√ļtil. Pode-se at√© trabalhar com essas ‚Äúculturas‚ÄĚ, mas creio que lucrar√≠amos mais usando os tempos com melhores e mais √ļteis culturas para desenvolver o n√≠vel intelectual, cr√≠tico e o poder de interven√ß√£o social de nossos jovens.

O conhecimento tá na cabeça

Mas o momento √© outro. O professor vive uma expectativa de contar com a participa√ß√£o dos seus estudantes nas aulas, nas atividades culturais, sociais, pol√≠ticas e econ√īmicas. Para isso insere nova postura de relacionamento com eles tentando aproxima√ß√£o com uma disciplina mais flex√≠vel e, √†s vezes, permissiva. N√£o, n√£o √© isso. Devemos manter uma disciplina rigorosa, embora flex√≠vel e mold√°vel ao momento em que os contatos pessoais sejam m√ļltiplos e diversificados entre todos nessa corrida pela aprendizagem. S√£o muitas informa√ß√Ķes atraentes que disputam com as ‚Äúsimples‚ÄĚ aulas em uma sala fechada sem tecnologia atualizada. Uma nova tecnologia se apresenta, se expande e o professor deve se atualizar e se inserir de maneira ativa, trazendo-a para sua sala ou levando os estudantes para fora em aulas extraclasse numa rela√ß√£o plena com tudo que contextualiza nosso momento s√≥cio educativo.

Processo de conscientização

Particularmente acredito mais no processo de conscientiza√ß√£o di√°ria dos jovens para se despertarem do estado de in√©rcia cultural improdutiva e tamb√©m na conscientiza√ß√£o dos pais para darem exemplos pessoais de comportamentos positivos, principalmente, de leituras desde a mais tenra idade de seus filhos. Jornais, revistas, livros, pinturas, desenhos, teatro, quadrinhos, literatura entre outros s√£o alguns suportes onde se pode encontrar alguns dos g√™neros textuais que toda fam√≠lia deve ter √† m√£o, de f√°cil acesso √†queles a quem me refiro especialmente neste texto. Isso deve ser cuidado desde sua inf√Ęncia.

A beleza interior - Rubem Alves

Para eu continuar essa miss√£o, aos jovens eu diria que chega de irresponsabilidade e evitem as m√°s-l√≠nguas que cantam palavras in√ļteis. Vivam livremente em vez de estarem atrelados √†s leis. Busquem-se e encontrem-se com a pr√≥pria ess√™ncia de ser humano capaz de usar as linguagens para viver melhor. Definam suas metas a curto, m√©dio e longo prazos. Sejam firmes e determinados. Tenham boa qualidade de atitude nessa a√ß√£o para se garantirem inseridos socialmente e, garantirem, para sua sociedade, um nascer e um por do sol dignos de nossa humanidade.

Agora, podem anotar os apontamentos do quadro.

Celulares em ação

RODRIGUES, Adil Lyra, 2003. (Texto readaptado em agosto de 2014)

Um abraço,

Adil Lyra


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Ao Leitor Atento ‚Äď II

Na semana passada, postamos um texto que possui uma caracter√≠stica rara na L√≠ngua Portuguesa, ou seja, a inexist√™ncia de palavras constru√≠das com a utiliza√ß√£o da letra A, certamente o fonema mais importante da l√≠ngua, pelo fato de ele ser apenas vogal e, diferentemente das outras semivogais, nunca uma semivogal nas constru√ß√Ķes sil√°bicas. E como as consoantes e as semivogais n√£o formam n√ļcleo da s√≠laba, ent√£o o fonema A √© o mais importante da L√≠ngua Portuguesa. Da√≠ o inusitado daquela produ√ß√£o textual.

Hoje, trazemos o texto¬†N√£o despertemos o leitor, de M√°rio Quintana, no qual o poeta ga√ļcho faz uma reflex√£o sobre os leitores e seus comportamentos, ao mesmo tempo em que coloca uma pedra no seu caminho, Caro (a) Leitor (a), pois incluiu em um dos par√°grafos uma explica√ß√£o absurda que deve chamar a aten√ß√£o do leitor atento.

A fim de ampliar e enriquecer o seu percurso interpretativo, sugerimos que você responda as seguintes perguntas ao final da leitura:

Qual o entendimento que voc√™ faz do t√≠tulo do texto? Que conselho o autor d√° para os escritores conservarem seus eventuais leitores? Voc√™ concorda com o autor a respeito da frase ‚ÄúPois n√£o √© mesmo t√£o bom falar e pensar sem esfor√ßo?‚ÄĚ Qual a diferen√ßa de postura entre o leitor dorminhoco, o leitor semidesperto e o leitor atento?

Confira a sua resposta com a deste blogueiro, no final da postagem.

Mãos à obra e ótima leitura!

www.cultura.rs.gov.br

N√£o despertemos o leitor

Os leitores s√£o, por natureza, dorminhocos. Gostam de ler dormindo.

Autor que os queira conservar n√£o deve ministrar-lhes o m√≠nimo susto. Apenas as eternas frases feitas. ‚ÄúA vida √© um fardo.‚ÄĚ ‚Äď isto, por exemplo, pode-se repetir sempre. E acrescentar impunemente: ‚Äúdisse Bias‚ÄĚ. Bias n√£o faz mal a ningu√©m, como, ali√°s, os outros seis s√°bios da Gr√©cia, pois todos os sete, como h√° vinte s√©culos j√° se queixava Plutarco, eram uns verdadeiros chatos. Isto para ele, Plutarco. Mas, para o grego comum da √©poca, deviam ser a t√°bua de salva√ß√£o das conversas.

Pois n√£o √© mesmo t√£o bom falar e pensar sem esfor√ßo? O lugar-comum √© a base da sociedade, a sua pol√≠tica, a sua filosofia, a seguran√ßa das institui√ß√Ķes. Ningu√©m √© levado a s√©rio com ideias originais.

J√° n√£o √© a primeira vez, por exemplo, que um figur√£o qualquer declara em entrevista: ‚ÄúO Brasil n√£o fugir√° ao seu destino hist√≥rico!‚ÄĚ

O êxito da tirada, a julgar pelo destaque que lhe dá a imprensa, é sempre infalível, embora o leitor semidesperto possa desconfiar que isso não quer dizer coisa alguma, pois nada foge mesmo ao seu destino histórico, seja um Império que desaba ou uma barata esmagada.

M√°rio Quintana

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge

www.cilelelaagarotado.blogspot.com

Resp.: ‚Äú… como, ali√°s, os outros seis s√°bios da Gr√©cia, pois todos os sete…‚ÄĚ Os s√°bios da Gr√©cia eram seis ou sete?!


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Ao Leitor Atento – I

De maneira ampla, leitura é um ato social praticado pelo indivíduo de interpretar a si próprio e o mundo, dentro de um contexto histórico, a partir de um ponto de vista. Condição essa essencial ao homem, pois suas leituras determinam a sua condição de ser e estar no mundo.

Na postagem desta semana, disponibilizamos um teste para você, Leitor (a), exercitar a sua competência leitora, ou seja, tente descobrir qual fato inusitado, raríssimo na Língua Portuguesa ocorreu nesta produção textual.

A resposta se encontra no final do texto.

N√£o vale a “pesca”, hein?!

www.arktetonix.com.br

Como é que é?!*

Sem nenhum tropeço, posso escrever o que quiser sem ele, pois rico é o português e fértil em recursos diversos, tudo permitindo, mesmo o que de início, e somente de início, se pode ter como impossível. Pode-se dizer tudo, com sentido completo, como se isto fosse mero ovo de Colombo.

Desde que se tente sem se p√īr inibido, pode muito bem o leitor empreender este belo exerc√≠cio, dentro do nosso fecundo e peregrino dizer portugu√™s, pur√≠ssimo instrumento dos nossos melhores escritores e mestres do verso, instrumento que nos legou monumentos dignos de eterno e honroso reconhecimento.

Trechos dif√≠ceis se resolvem com sin√īnimos. Observe-se bem: √© certo que, em se querendo, esgrime-se sem limites com este divertimento instrutivo. Brinque-se mesmo com tudo. √Č um bel√≠ssimo esporte do intelecto, pois escrevemos o que quisermos sem o “E” ou sem o “I” ou sem o “O” e, conforme meu exclusivo desejo, escolherei outro, discorrendo livremente, por exemplo, sem o “P”, “R” ou “F”, ou o que quiser escolher. Podemos, em estilo corrente, repetir sempre um som ou mesmo escrever sem verbos.

Com o concurso de termos escolhidos, isso pode ir longe, escrevendo-se todo um discurso, um conto ou um livro inteiro sobre o que o leitor melhor preferir. Porém mesmo sem o uso pernóstico dos termos difíceis, muito e muito se prossegue do mesmo modo, discorrendo sobre o objeto escolhido, sem impedimentos. Deploro sempre ver moços deste século inconscientemente esquecerem e oprimirem nosso português, hoje culto e belo, querendo substituí-lo pelo inglês. Por quê?

Cultivemos nosso polif√īnico e fecundo verbo, doce e melodioso, por√©m incisivo e forte, messe de luminosos estilos, voz de muitos povos, escr√≠nio de belos versos e de imenso porte, ninho de cisnes e de condores.

Honremos o que é nosso, ó moços estudiosos, escritores e professores. Honremos o digníssimo modo de dizer que nos legou um povo humilde, porém viril e cheio de sentimentos estéticos, pugilo de heróis e de nobres descobridores de mundos novos.

(Texto de livre circulação e sem autoria.)

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge

* Título criado pelo blogueiro.

www.teologiaeinclusao.blogspot.com

Resp.: O texto n√£o possui a letra “A”.



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REGIDOS OBEDECEM AOS REGENTES

 

 

O MELHOR √Č O EXEMPLO

 

O exemplo faz toda diferença. As palavras apenas complementam as atitudes. Quem obedece, obedece a alguém. Então o verbo obedecer exige complemento sim e exige complemento ligado pela preposição a. Daí, se seu pai ou sua mãe der uma ordem expressa assim, por exemplo: Obedeça seu pai ou obedeça sua mãe, não dê ouvidos, pois quem erra a gramática não deve impor que o outro acerte. Para isso, o obedecedor deve conhecer a língua tão bem que lhe possibilite não obedecer a uma ordem superior e apresentar argumentos convincentes para não levar uma surra.

 

O maestro comanda sua orquestra diversificada de instrumentos musicais que deve obedecer a seus movimentos delirantes e, de repente, um deles, desafinado, tocar√° ao ouvido sens√≠vel do ouvinte. Aquele instrumento desafinado que destoa da harmonia dos outros musicistas causa um mal estar. Nesse momento, haver√° reprova√ß√£o porque faltou conjunto harm√īnico e qualidade de express√£o musical. Na reg√™ncia da gram√°tica, ocorre algo bem semelhante. Se n√£o houver harmonia correta e/ou adequada no emprego da reg√™ncia verbal poder√° acarretar, inclusive, mudan√ßa de sentido.

Exemplo cl√°ssico:

O conhecimento pertence a todos
Termo regente Preposição Termo  regido

Ent√£o como ficaria o sentido nas situa√ß√Ķes a seguir?

 

  1. Estou namorando com uma mulher inteligentíssima e culta. Mas a pessoa que namora essa mulher na verdade é o amigo do enunciador desse discurso, pois quem namora, namora alguém. (V.T.D.) Sabemos que Quem namora com faz companhia a um casal enamorado. (V.T.I.)
  2. O m√©dico que¬†assiste a um paciente em estado grave n√£o presta assist√™ncia m√©dica e os familiares devem sair imediatamente daquele ‚Äúatendimento‚ÄĚ, pois o m√©dico est√° apenas¬†assistindo √† morte dele. A constru√ß√£o correta conforme D. Norma seria¬†O m√©dico assiste o paciente que se encontra em estado grave. Nesse caso, mantenha-se o paciente l√°!
  3. Os estudantes inteligentes devem frequentar a aula de Língua Portuguesa com interesse e motivação. Essa construção tem o verbo dever auxiliando o verbo principal frequentar. (V.T.D.) Assim seu complemento é ligado ao verbo sem preposição e, portanto, direto. Já sozinho, o verbo dever tem a regência diferente, pois quem deve, deve algo a alguém então sua regência exige dois complementos e um é ligado pela preposição a.(V.T.D.I)
  4. Agora, Quem ouve, ouve algo de alguém e, assim, teríamos dois complementos verbais no verso As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico. Enquanto que a palavra de é preposição. Nesse caso o verbo ouvir também pede dois complementos. (V.T.D.I)
  5. Os torcedores preocupados queriam saber se O desempenho do time dele agradou o técnico. Contudo o técnico chateado não respondeu por que a escrita correta conforme D. Norma deveria ser O desempenho do time dele agradou ao técnico. (V.T.I.)
  6. Todo estudante aspira bons resultados, mas n√£o atinge esse objetivo pelo simples fato de n√£o observarem que o verbo aspirar possui significados diferentes. Dependendo da situa√ß√£o teremos a palavra regente exigindo preposi√ß√£o. Ficaria ent√£o, ‚Äúaspira a‚ÄĚ bons resultados. Nesse caso o VERBO aspirar √© TRANSITIVO INDIRETO porque exige preposi√ß√£o ligando-o ao complemento verbal chamado objeto indireto. Essa √© a situa√ß√£o sin√īnima de desejar, almejar, buscar.
  7. Quando tratamos de absorver algo não haverá necessidade de usar o verbo assistir com preposição. Nesse caso o verbo assistir seria transitivo direto. O exemplo a seguir pode ser triste, mas correto, denunciando uma questão de abandono  dos jovens que usam drogas em pó. Diríamos que Muitos jovens aspiram pó de ervas danoso. (V.T.D.)
  8. Os verbos intransitivos por sua vez não exigem complemento algum. Seria o caso das frases em que a ideia se encerra e ponto.  O verbo assistir, por exemplo, apresenta uma situação interessante de intransitividade na frase Assisto em Salvador desde meu nascimento, porque tem o significado de residir, morar. Ocorre intransitividade, também, com o verbo custar, no sentido de ter um preço. Meu curso custou R$ 2.000,00. Temos também o verbo proceder querendo dizer que tem fundamento aquilo que se diz, Procede a informação trazida. Vamos ver também outros verbos intransitivos como, deitar-se, levantar-se, ir, vir, voltar, chegar, cair, comparecer e dirigir-se. Esses verbos possuem complementos circunstanciais, ou seja, podem ser complementados por adjuntos adverbiais.

Palavra de William

Ocorre, contudo que escritores renomados como Machado de Assis, Cec√≠lia Meireles, Euclides da Cunha, √Črico Ver√≠ssimo, Graciliano Ramos, Fernando Sabino, Rui Barbosa entre outros apresentaram outras formas de reg√™ncia pelo uso da palavra em seus livros de cr√īnicas, romances, contos e novelas. Assim, o bom senso diz que devemos respeitar essas autoridades da escrita e seguir suas orienta√ß√Ķes como uso correto da linguagem. Afinal, esses autores s√£o autoridades no assunto. Veja mais em¬†Reg√™ncia de alguns verbos!

Bem, na verdade eu s√≥ queria escrever um pouco sobre esse assunto para colocar em pauta esse conte√ļdo gramatical, mais claramente! Aspirei fazer isso! Ser√° que consegui?

Um abraço e até o próximo texto!

Adil Lyra

 


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Viva Jo√£o Ubaldo Ribeiro!

Vez em quando aparecem no linguajar brasileiro excresc√™ncias como ‚Äúelencar‚ÄĚ, ‚Äúfocado‚ÄĚ, ‚Äútipo assim‚ÄĚ e outras de igual naipe. O nascedouro dessas constru√ß√Ķes tem origem diversa: podem vir, por exemplo, de empr√©stimos de outras l√≠nguas, de novelas e programas de tev√™s, da oralidade do dia a dia dentre outros. E a sua repeti√ß√£o excessiva pelos falantes e produtores textuais se d√°, provavelmente, por uma vis√£o torta de que, ao usar essas constru√ß√Ķes, o usu√°rio estaria em um contexto interativo superior ao seu oponente. Nada mais enganoso! Na verdade, elas mais empobrecem do que enriquecem o repert√≥rio lingu√≠stico do seu usu√°rio, pois, se √© repert√≥rio, como podemos nos mover lingu√≠stica e diariamente com um n√ļmero t√£o reduzido de palavras?!

No texto que hoje postamos, reverenciando um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos, o palavrão (fique à vontade para escolher o sentido que melhor lhe convier!) paralimpíadas é o mote para João Ubaldo apontar e disparar sua metralhadora afiada para os adeptos, repetimos, dessas excrescências linguísticas.

D√°-lhe, Jo√£o!

www.blogdogusmao.com.br

Paralimpíadas é a mãe

Certamente eu descobriria no Google, mas me deu pregui√ßa de pesquisar e, al√©m disso, n√£o tem import√Ęncia saber quem inventou essa palavra grotesca, que agora a gente ouve nos notici√°rios de televis√£o e l√™ nos jornais. O surpreendente n√£o √© a inven√ß√£o, pois sempre houve besteiras desse tipo, bastando lembrar os que se empenharam em n√£o jogarmos futebol, mas ludop√©dio ou podob√°lio. O impressionante √© a quase universalidade da ado√ß√£o dessa palavra (ainda n√£o vi se ela colou em Portugal, mas tenho d√ļvidas; os portugueses s√£o bem mais ciosos de nossa l√≠ngua do que n√≥s), cujo uso parece ter sido objeto de um decreto imperial e faz pensar em por que n√£o classificamos isso imediatamente como uma aberra√ß√£o deseducadora, desnecess√°ria e inaceit√°vel, al√©m de subserviente a ditames sa√≠dos n√£o se sabe de que cabe√ßa desmiolada ou que interesse obscuro. Imagino que temos autonomia para isso e, se n√£o temos, dever√≠amos ter, pois jornal, telejornal e radiojornal implicam deveres s√©rios em rela√ß√£o √† l√≠ngua. Sua escrita e sua fala s√£o imitadas e tidas como padr√£o e essa responsabilidade n√£o pode ser encarada de forma leviana.

Que cretinice √© essa? Que quer dizer essa palavra, cuja forma√ß√£o n√£o tem nada a ver com nossa l√≠ngua? Faz muitos e muitos anos, o ent√£o ministro do Trabalho, Ant√īnio Magri, usou a palavra “imex√≠vel” e foi gozado a torto e a direito, at√© porque ele n√£o era bem um intelectual e era visto como um alvo f√°cil. Mas, no neologismo que talvez tenha criado, aplicou perfeitamente as regras de deriva√ß√£o da l√≠ngua e o voc√°bulo resultante n√£o est√° nada “errado”, tanto assim que hoje √© encontrado em dicion√°rios e tem uso corrente. J√° o vi empregado muitas vezes, sem alus√£o ao ex-ministro. Infutuc√°vel, inesculhamb√°vel e impaquer√°vel, por exemplo, s√£o palavras que n√£o se acham no dicion√°rio, mas qualquer falante da l√≠ngua as entende, pois est√£o dentro do esp√≠rito da l√≠ngua, exprimem bem o que se pretende com seu uso e constituem deriva√ß√Ķes perfeitamente leg√≠timas.

Por que ser√° que aceitamos sem discutir uma excresc√™ncia como “paralimp√≠ada”? J√° li alguns protestos na imprensa e na internet, mas a experi√™ncia insinua que paralimp√≠ada chegou para ficar e ter seu uso praticamente imposto. Ao contr√°rio dos portugueses, parecemos encarar nossa l√≠ngua com desprezo e nem sequer pensamos em como, ao abastard√°-la e ao subordin√°-la a padr√Ķes e usos estranhos a ela, vamos aos poucos abdicando at√© de nossa maneira de ver o mundo e falar dele, nossa maneira de existir. Talvez isso, no pensar de alguns, seja desej√°vel, mas o problema √© que, por esse caminho, nunca se chegar√° √† identifica√ß√£o com o colonizador que tanto se admira e inveja, mas, sim, √† condi√ß√£o cada vez mais arraigada de colonizado, que recebe tudo de segunda m√£o, at√© suas pr√≥prias opini√Ķes e valores.

Mas h√° um pequeno consolo em presenciar esse tipo de vergonheira servil. Consolo meio torto, mas consolo. Refiro-me ao fato de que nossa crescente ignor√Ęncia n√£o se limita a estropiar nossa l√≠ngua, mas faz o mesmo com idiomas que consideramos superiores em tudo, como o ingl√™s. Hoje isto caiu em desuso, mas smoking j√° foi aqui “smocking” durante muito tempo. Assim como doping j√° foi “dopping”. Quanto a este, assinale-se que o som, digamos fechado, do O, em ingl√™s, foi trocado aqui por um som aberto, √© o d√≥pin. O mesmo tipo de fen√īmeno ocorreu com volley, cuja primeira vogal em ingl√™s √© aberta, mas em brasingl√™s √© fechada e j√° entrou no portugu√™s assim.

No setor de nomes pr√≥prios, a vingan√ßa √© mais completa. Em primeiro lugar, transformamos os sobrenomes deles em prenomes nossos e enchemos o Pa√≠s de jeffersons, washingtons, edisons (ali√°s, em brasingl√™s, Edson, como Pel√©), lincolns, roosevelts e at√© mesmo kennedys e nixons. E n√£o perdoamos os contempor√Ęneos. N√£o s√≥ trocamos o H por E em Elizabeth, como at√© hoje h√° publica√ß√Ķes que se referem a Margareth Thatcher, ou √† princesa Margareth. Esse nome nunca teve H no fim, mas aqui √© assim n√£o s√≥ em muitos jornais quanto no caso de nossas meninas, como atesta o exemplo da minha linda e talentosa conterr√Ęnea Margareth Menezes. E das Nathalies que assim foram batizadas em homenagem a Natalie Wood. E dos Phellipes, inspirados no pr√≠ncipe Philip, das Daianes da Diane, a lista n√£o acaba.

De maneira semelhante, tamb√©m alteramos n√£o somente a pron√ļncia, mas as regras gramaticais do ingl√™s. Por exemplo, √© quase un√Ęnime, entre todos os numerosos militantes do brasingl√™s, a convic√ß√£o de que qualquer plural ingl√™s terminado em S deve ter essa letra precedida de um asterisco. Acho que √© barbada apostar que, em todas as cidades brasileiras de m√©dias para cima, ser√£o encontrados pelo menos uma placa e cinco card√°pios anunciando “Drink’s”. √Č mais chique e at√© o Gale√£o, n√£o h√° muito tempo, tinha arm√°rios (lockers) de aluguel, encimados pelo letreiro “Locker’s”, o que fazia os falantes de ingl√™s entender que os arm√°rios eram propriedade de um certo Mr. Locker. No Gale√£o, ali√°s, gate (port√£o) j√° soou como gay tea (ch√° gay) e shuttle service (ponte a√©rea) como chateau service (o que l√° seja isso). Agora mudou, mas to (para) deu para sair um prolongado tchuu, que, a um ouvido americano, h√° de soar como uma onomatopeia de espirro ou partida de maria-fuma√ßa.

Mas, at√© mesmo por causa (“por causa”, n√£o, por conta; agora s√≥ se diz “por conta”, vai ver que vem do ingl√™s on account of) dessas paralimp√≠adas, receio que as contraofensivas nacionais n√£o ser√£o suficientes para neutralizar a subordina√ß√£o de nossa cabe√ßa, atrav√©s do incalcul√°vel poder da l√≠ngua. Acho que, coletivamente, aspiramos a essa subordina√ß√£o. Tem sido muito lembrado o complexo de vira-lata de que falou N√©lson Rodrigues. Pois √©, √© isso mesmo e √© tamb√©m caminho seguro para sermos vira-latas de verdade.

Jo√£o Ubaldo Ribeiro
O Estado de S√£o Paulo
Acesso em: 19 de julho de 2014, às 14h33

Abraços Fraternos!

Paulo Jorge


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A Concord√Ęncia Nominal

Semanticamente, concordar significa estar em harmonia, seguir uma orienta√ß√£o, uma determina√ß√£o. Na Morfologia, o substantivo e o verbo s√£o as classes gramaticais mais importantes, haja vista que elas s√£o n√ļcleos na constru√ß√£o oracional e frasal, por isso todas as outras categorias gramaticais gravitam em torno delas.

Veja:

Ex. As nossas duas jogadoras prediletas chegaram.

Nesse enunciado, as palavras ‚Äúas‚ÄĚ, ‚Äúnossas‚ÄĚ, ‚Äúduas‚ÄĚ e ‚Äúestrangeiras‚ÄĚ aparecem no feminino plural, porque o substantivo ‚Äújogadoras‚ÄĚ est√° no feminino plural. Concluindo: o artigo, o adjetivo, o pronome e o numeral concordam com o substantivo em g√™nero e n√ļmero. Essa √© a regra geral da Concord√Ęncia Nominal; no entanto, existem condi√ß√Ķes especiais. Veja:

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I ‚Äď Regras Especiais:

1) O adjetivo funcionando como adjunto adnominal

‚Äď quando anteposto:
Ex. Trazia consigo velha revista e jornais.
Os esforçados Luís e Manuel não obtiveram aprovação.

‚Äď quando posposto:
Ex. Sentia a alma e o coração sujo.
Sentia a alma e a pele sujas.
Sentia a alma e o coração sujos.

Obs.: Se os substantivos forem ant√īnimos, a concord√Ęncia com ambos ser√° obrigat√≥ria.
Ex. Era capaz de num mesmo instante jurar amor e ódio eternos.
O verdadeiro herói considera impostoras a glória e a derrota.

2) Predicativo do sujeito

‚Äď quando posposto:
Ex. A mulher e o zelador abandonaram o prédio desconfiados.
M√£e e filha pareciam bastante preocupadas.

‚Äď quando anteposto:
Ex. Desconfiado, o zelador e a mulher abandonaram o prédio.
Desconfiados, o zelador e a mulher abandonaram o prédio.
Desconfiada, a mulher e o zelador abandonaram o prédio.

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‚Äď quando anteposto:
Ex. O pai encontrou cansada a filha e seu irm√£o.
O pai encontrou cansados a filha e seu irm√£o.

‚Äď quando posposto:
Ex. O juiz considerou a ré culpada.
O juiz considerou o réu e sua mulher culpados.

4) Dois adjetivos para um substantivo
Ex. Ela estuda a língua inglesa e a alemã.
Querem unificar a polícia civil e a militar.

Ex. Ela estuda as línguas inglesa e alemã.
Querem unificar as polícias civil e militar.

5) Adjetivos compostos
Ex. Era uma morena de belos olhos verde-claros.
S√£o necess√°rios acordos afro-luso-brasileiros para nova reforma ortogr√°fica.

6) Numerais ordinais mais substantivo
Ex. O primeiro e o segundo graus fazem por merecer séria atenção do governo.
A primeira e a segunda série apresentaram vários alunos reprovados.

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II ‚Äď Casos especiais:

1) Palavras variáveis: meio, anexo, barato, bastante, caro, incluso, leso, mesmo, extra, muito, obrigado, pouco, próprio, quite.
Ex. A turista mostrava-se meio desapontada com a cidade.
O caminh√£o derramou meia tonelada de asfalto na pista.
Eu estou quite com o serviço militar.
Seguem anexas as documenta√ß√Ķes solicitadas.
Bastantes trabalhadores estão bastante descontentes com os rumos do país.

2) Palavras e express√Ķes invari√°veis: alerta, em alerta, em anexo, menos, pseudo.

Ex. Os brasileiros est√£o alerta com as novas medidas econ√īmicas.
Cada vez mais menos pessoas acreditam no atual Governo.
Essa pseudo-representa√ß√£o popular esconde inten√ß√Ķes desp√≥ticas.

3) Algumas express√Ķes: √© proibido, √© necess√°rio, √© bom, √© preciso.
Ex. Pimenta é bom para tempero.
Esta pimenta é boa para tempero.

√Č proibido passagem.
√Č proibida a passagem de estranhos.

4) A palavra ‚Äú poss√≠vel ‚ÄĚ
Ex. Vi mulheres o mais elegantes possível.
Traga cervejas tão geladas quanto possível.

Abraços Fraternos!

Paulo Jorge


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Armando Oliveira, o Futebol e o Torcedor

www.esporteemcatalao.com.br

No encerramento da publica√ß√£o de cr√īnicas que possuem o futebol como tema, convocamos para a ‚Äúgrande final‚ÄĚ um jornalista pelo qual n√≥s baianos com mais trinta temos um imenso carinho e respeito. Armando Oliveira.

Demasiadamente humano, Armando, por mais de trinta anos, escreveu não apenas sobre futebol. Poético, registrou também o universo cotidiano de pessoas simples, com rara sensibilidade.

No livro Cr√īnicas de Armando Oliveira, do qual foi retirada a cr√īnica desta semana, Guido Guerra afirma sobre o jornalista: ‚ÄúFascina-me tamb√©m, e talvez mais, o universo ficcional que criou nas p√°ginas do Jornal da Bahia, na coluna amenidades, pela qual se transportava da Massaranduba, onde se movimentavam seres extuantes (sic) de vida como Dona Mi√ļda e o compadre, mais o mundo de insinua√ß√Ķes que os cercava.‚ÄĚ

E esse ambiente com seus personagens plenos de humanidade você, Leitor, poderá conferir nesse texto publicado na década de 70, no antigo Jornal da Bahia.

Um show de bola regado com humor e baianidade.

√ďtima leitura!

www.pimenta.blog.br

A tragédia tricolor

A barra, no famoso solar de Massaranduba, anda mais pra L√ļcifer que pra Irm√£ Dulce.

Desde a noite do √ļltimo domingo que Ant√īnio Bispo ingressou numa mudez de deixar o Dr. Falc√£o com inveja, s√≥ abre a boca pra comer e, assim mesmo, sem aquela voracidade habitual.

Dona Mi√ļda, coitada, embora sabedora das causas que levaram o compadre a arriar todos os pneus, cair na fossa, entrar numa de horror, teme puxar conversa, ainda mais que n√£o disp√Ķe de argumentos muito consoladores.

Ontem, porém, a loquacidade feminina fez-se intolerável e ela, após três tossidelas de advertência, resolveu cutucar a fera com vara curta:

‚Äď Se ficar calado resolvesse alguma coisa, Deus n√£o fazia a gente nascer com l√≠ngua!

‚Äď Hum!

‚Äď Eu sei que foi 1×1, deu no jornal, no r√°dio e na televis√£o, n√£o precisa voc√™ ficar se martirizando…

‚Äď Em quem falou em desgra√ßa de futebol aqui, diga?

‚Äď Ent√£o eu n√£o sei esta tromba toda √© por causa do Bahia!

‚Äď Acho bom a senhora n√£o mexer com quem est√° no seu quieto, por favor, t√° bem!

‚Äď Engra√ßado, quando o Ypiranga do finado perde, voc√™ fica dando risada, n√£o respeita nem a mem√≥ria do falecido…

‚Äď Que compara√ß√£o mais besta, comadre, tenha paci√™ncia!

‚Äď Esse povo do Bahia √© muito cheio de nove horas, ganha quase todo dia e n√£o suporta nem empatar…

‚Äď Isso √© problema nosso, n√£o interessa a ningu√©m!

‚Äď Pera√≠, n√£o engrossa n√£o, que eu tamb√©m parto pra ignor√Ęncia!

‚Äď Ser√° que a senhora n√£o compreende a minha dor, n√£o respeita a minha m√°goa, n√£o entende o meu drama?

‚Äď Eu, hein, esconjuro!

‚Äď A senhora sabe o que √© cem mil pessoas preparando uma festa e, no fim, dar jegue!

‚Äď √Č, mas quando a Sele√ß√£o perdeu a Copa, voc√™ quase nem ligou…

‚Äď E a senhora quer comparar aquela Sele√ß√£o fajuta com o glorioso Esporte Clube Bahia?

‚Äď Fala baixo, homem, cuidado que essas palavras pode dar bode!

‚Äď Pode nada, comadre, depois do que aconteceu domingo, desgra√ßa pouca eu tiro de letra!

‚Äď Mas n√£o disse que o Bahia fez uma boa campanha, deu no r√°dio?

‚Äď Foi o doutor Paulo Virg√≠lio Maracaj√° Pereira quem falou isto.

‚Äď Quem?

‚Äď O doutor Maracaj√°, aquele que fala em quatro r√°dios e duas televis√Ķes ao mesmo tempo…

‚Äď Miseric√≥rdia!

‚Äď Segunda-feira eu n√£o tive coragem de ouvir r√°dio, o sofrimento era demais…

‚Äď Deve ter sido ele, foi um com uma voz de lamenta√ß√£o que me deu pena…

‚Äď N√£o me conformo, comadre, a gente ser desclassificado por um time que tinha at√© Vanuza!

‚Äď E ela n√£o tava de barriga?

‚Äď Um time cheio de mutreta, disse que o presidente deles meteu a m√£o no dinheiro, uma vergonha!

‚Äď E o Bahia n√£o vai protestar?

‚Äď Sei l√°, comadre, parece que nossa diretoria n√£o suporta ouvir falar nesta palavra ‚Äúprotesto‚ÄĚ…

‚Äď Por que ser√°, hein?

‚Äď Antigamente a gente partia firme pro ‚Äútapet√£o‚ÄĚ e ganhava todas!

‚Äď Disse que o Le√£o deu uma dentada no Beijoca, foi verdade?

‚Äď Pois √©, mordeu o nosso √≠dolo no joelho, mas l√° na Argentina ele n√£o dividia uma!

‚Äď Valha-me Deus!

‚Äď E ainda me arranjaram um juiz estrangeiro, com um nome danado de complicado, parece que √© at√© alem√£o!

‚Äď O mal √© esse compadre, chegam esses gringos n√£o sei de onde e fazem o que querem aqui na Bahia!

‚Äď Ningu√©m toma uma provid√™ncia e fica tudo por isso mesmo!

‚Äď O neg√≥cio agora, como disse o homem da r√°dio, √© sair pra outra!

‚Äď √Č, mas este neg√≥cio de ‚Äúsair pra outra‚ÄĚ parece at√© desculpa da torcida do Vit√≥ria…

Cr√īnicas de Armando Oliveira, p√°gs. 88 – 90.
EGBA / Governo do Estado da Bahia. 2006.

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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