O Natal, por Vinicius de Moraes

Caras (os) Leitoras (es),

Pensei em trazer para reflex√£o, nesta semana de Natal, o texto Zero Grau de Libra, produ√ß√£o luminosa de Caio Fernando Abreu, mas os versos deste poema de Vinicius venceu uma batalha interior que travei antes da¬† escolha da postagem. No entanto, a vis√£o de Natal do poetinha vai ao encontro do pensamento demasiado humano do grande escritor ga√ļcho.

Observem, por exemplo, este “di√°logo” estabelecido entre eles em “Pois para isso fomos feitos: Para a esperan√ßa no milagre“, por Vinicius, e em “E, porque tudo √© ritual, porque f√©, quando n√£o se tem, se inventa, …“, em Caio Fernando Abreu.

Que Deus Рse é que existe! Рderrame teu olhar mais amoroso sobre todos nós!

Feliz Natal!

www.adrianacaitano.wordpress.com

Poema de Natal

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos -
Por isso temos braços longos para os adeuses
M√£os para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.

Assim ser√° a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois t√ļmulos -
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

N√£o h√° muito que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai -
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos cora√ß√Ķes
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte -
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

www.tatibravo.com.br

 

 

 

 

Poesia Completa e Prosa
Editora Nova Aguilar. Rio de Janeiro, 1986.

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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REFLEX√ÉO SOBRE O NATAL DA GRAM√ĀTICA #partiu emo√ß√Ķes e festejos!

 

 

FELIZ NASCER DE NOVO!

 

Os festejos natalinos buscam reviver ou renascer nos cora√ß√Ķes das pessoas momentos vividos que emocionaram de alguma forma! Mas que significa a palavra NATAL? Qual sua origem? Que verdade ou verdades ela representa? Que sentido a palavra representa para cada pessoa? Essas e outras indaga√ß√Ķes √© que vou tentar trazer do ponto de vista das emo√ß√Ķes, omitindo o sentido comercial ou religioso atribu√≠do pelos interesses da igreja e do capital entre outros. Sobre esses aspectos, h√° muita controv√©rsia.

 

FELIZES AMIZADES!

  1. Ent√£o √© natal e as pessoas, tocadas por uma emo√ß√£o moment√Ęnea se entregam √†s mensagens e se envolvem em um mar de votos de felicidades e harmonia e PAZ! Fico a me perguntar sobre o que se passou durante a outra parte do ano vivido em sociedade. Quero saber que fim levou as ofensas, provoca√ß√Ķes, ass√©dios morais, descontroles emocionais, irrita√ß√Ķes no tr√Ęnsito e no trabalho, nos campos de futebol entre as torcidas, nas diverg√™ncias pol√≠ticas e de ideais. Quero entender o que foi feito com os crimes cometidos para alguns dos quais os Presidentes e Presidenta da Rep√ļblica d√£o indultos de natal. Quero saber onde est√° o INSTINTO (assistam ao filme com Anthony Hopkins, Cuba Gooding Jr., Donald Sutherland, Maura Tierney) de humanidade consciente das pessoas que sabem se expressar estrategicamente para dizer palavras emocionadas de pedidos de perd√£o demonstrando humildade para receber um abra√ßo, um afago, um gesto de olhar sincero ou outro de interesse pessoal. O que faz as pessoas pensarem que ‚Äúent√£o √© natal‚ÄĚ e s√≥ agora devem rever seus erros e falhas cometidas por todos os outros dias do ano esquecidos nesse per√≠odo?

http://www.youtube.com/watch?v=EuEW3Tgxrr8 INSTINTO (assistam ao filme com Anthony Hopkins, Cuba Gooding Jr., Donald Sutherland, Maura Tierney)

Ah! Ent√£o √© natal. Hora de refletir sobre o renascer dentro de si e voltar o olhar para ver e enxergar o outro pela necessidade que tem e n√£o pelos bens que tem. Hora de doa√ß√£o de bens materiais e emocionais porque esse √© o momento. Passei o ano e nem me dei conta de que a cada momento eu deveria estar atento √† reflex√£o, tomar consci√™ncia e ao tratamento imediato dos meus erros diante do outro. Mas agora √© natal e eu preciso mostrar minha bondade, minha humildade, dar meu perd√£o, pedir meus perd√Ķes todos, mostrar que tamb√©m mere√ßo tudo e fazer votos de sa√ļde, paz, dinheiro abundante. Claro! √Č natal! Esse √© o momento. Mas por que n√£o fiz isso o ano todo? Ah! √Č porque n√£o √© NATAL!

Gente! √Č hora de nascer de novo todos os dias!

 

HUMILDADE e RESPEITO!

Comungando com Paulo Jorge, agrade√ßo aos amigos leitores, aos colaboradores do IBAHIA que cuidam de nosso BLOG DE L√ćNGUA PORTUGUESA e aos amigos Paulo Jorge e Marta Mendon√ßa por mais um ANO com essa parceria produtiva e saud√°vel!

Feliz nascer de novo,

Adil Lyra


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A Reg√™ncia Verbal ‚Äď II

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Nesta semana, postamos mais alguns verbos cuja regência requer atenção do usuário da Língua Portuguesa ao utilizá-los na oralidade e na escrita.

Vejam:

DAR

VTDI = entregar (com a preposição a)
Ex. Dê exemplo aos seus filhos.

DESCULPAR

VTDI = quando pronominal
Ex. Desculpe-me pelo atraso.

ESQUECER

VTD ou VTI = neste √ļltimo caso, √© sempre pronominal.
Ex. Esqueci todos os meus documentos.
Esqueci-me de todos os meus documentos.

VTI = quando se dá ao ser esquecido a função de sujeito.
Ex. Esqueceu-me o documento.

INFORMAR

VTDI = esclarecer
Ex. Informei-o do ocorrido na reuni√£o.
Informei-o sobre o ocorrido na reuni√£o.
Informei-lhe o ocorrido na reuni√£o.

LEMBRAR

VTD ou VTI = neste √ļltimo caso, sempre pronominal
Ex. N√£o lembro o seu nome.
N√£o me lembro do seu nome.

VTD = fazer recordar.
Ex. Esse rapaz lembra o pai em tudo.

VTDI = advertir.
Ex. Lembrei a meus amigos o dia do meu anivers√°rio.

VTI = quando se dá ao ser lembrado a função de sujeito.
Ex. N√£o lhe lembram os bons momentos de inf√Ęncia?

OBEDECER – DESOBEDECER

VTI = sempre (obedecer a, desobedecer a)
Ex. Bons filhos nunca desobedecem aos pais.

Obs. I: Quando o complemento √© coisa, n√£o aceitam lhe, lhes, mas a ele e suas varia√ß√Ķes.
Ex. O regulamento é esse, e todos devem obedecer a ele.

Obs. II: Mesmo sendo intransitivos, admitem a voz passiva.
Ex. O regulamento é obedecido por todos.

PAGAR – PERDOAR

VTDI = com objeto direto para coisa e objeto indireto para pessoa.
Ex. Paguei todas as minhas dívidas a meus credores.
Perdoei todas as dívidas a meus devedores.

PRECISAR

VTD = indicar com exatid√£o
Ex. O piloto precisou o local do pouso e aterrissou.

VTI = necessitar
Ex. Aqui ninguém precisa de sua atenção.

PREFERIR

VTDI = sempre, e com a preposição a.
Ex. Prefiro a letra à musica.

QUERER

VTD = desejar
Ex. O presidente disse ao ministro que n√£o o queria mais no governo.

VTI = estimar
Ex. O menino queria muito ao pai.

VISAR

VTD = p√īr o visto ou mirar.
Ex. J√° visei o cheque.

VTI = almejar
Ex. Todo político visa ao poder.

Obs. I: N√£o aceita lhe, lhes como complemento, mas apenas a ele e suas varia√ß√Ķes.
Ex. O poder envaidece; por isso todos visam a ele.

Obs. II: Seguido de infinitivo, omite-se a preposição.
Ex. Todo político visa chegar ao poder.

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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A Reg√™ncia Verbal ‚Äď I

www.museudalinguaportuguesa.org.br

A Reg√™ncia Verbal estuda a rela√ß√£o que se estabelece entre o verbo ‚Äď termo regente ‚Äď e o seu complemento ‚Äď termo regido.

Ex. Todos criticam os maus políticos. / Todos desconfiaram de você.

No primeiro exemplo, o verbo criticar, por ser um verbo transitivo direto, necessita de complemento sem preposição: os (artigo), maus (adjetivo) e políticos (substantivo).

Já no segundo exemplo, desconfiar é um verbo transitivo indireto e precisa de um complemento com preposição: de (preposição) e você (pronome).

LEMBRETES

‚Äď A Voz Passiva
Ex. A mulher agradava o filho. O filho era agradado pela mulher.
O desempenho do time agradou ao técnico.

Obs.: Os VI, VTI e VL* n√£o admitem a voz passiva.

‚Äď Complemento √ļnico p/ reg√™ncias diferentes
Ex. Entrei e saí de casa rapidamente. (regência inadmissível)
Entrei em casa e saí dela rapidamente. (regência padrão)

‚Äď Verbos com ideia de movimento
Ex. Cheguei a Salvador e fui direto para o hotel.

Veja, a seguir e em duas postagens, os verbos que, muito frequentemente, utilizamos de maneira diferente do que recomenda a variante padr√£o da L√≠ngua Portuguesa e – possivelmente por isso – muito cobrados em concursos p√ļblicos.

FONTE PR√ďPRIA

AGRADAR

VTD = acariciar
Ex. A m√£e agradava o filho todas as manh√£s.

VTI = satisfazer (agradar a)
Ex. A m√£e agradava ao filho sempre que podia.
Obs. O ant√īnimo desagradar √© sempre VTI: desagradar ao p√ļblico.

ASPIRAR

VTD = absorver, inalar etc.
Ex. Sentia um enorme prazer em aspirar o ar do campo.

VTI = almejar, ambicionar etc.
Ex. Nunca aspirei a nenhum cargo p√ļblico.

Obs. N√£o aceita lhe, lhes como complemento, mas apenas a ele, a ela, a eles, a elas.

ASSISTIR

VTD = socorrer, ajudar etc.
Ex. O pequeno garoto assistia o pai na mercearia todos os dias.

VTI = ser espectador (assistir a)
Ex. Não assisto a programação de tevê aos domingos.

Obs.: N√£o aceita lhe, lhes como complemento, mas apenas a ele e suas flex√Ķes.
Ex. O programa é bom, mas crianças não podem assistir a ele.

VTI= caber (assistir a)
Ex. Esse é um direito que assiste a mim.

VI = morar, residir etc.
Ex. Geralmente, os ministros de Estado assistem em Brasília.

ATENDER

VTI = Sempre com a preposição a.
Ex. Por favor, atenda ao telefone.

CHAMAR

VTD ou VTI = indiferentemente, no sentido de considerar.
Ex. Chamei-o meu amigo.
Chamei-lhe meu amigo.
Chamei-o de meu amigo.
Chamei-lhe de meu amigo.

VTDI = no sentido de repreender. (preposição a)
Ex. Chamei-o à atenção pelo equívoco ocorrido.

VTD = no sentido de fazer vir, convocar.
Ex. O professor chamou-me ao telefone.

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge

*Siglas:

VL = verbo de ligação
VI = verbo intransitivo
VTD = verbo transitivo direto
VTI = verbo transitivo indireto
VTDI = verbo transitivo direto e indireto.


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As Fun√ß√Ķes do SE

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Duas semanas atr√°s, vimos as fun√ß√Ķes morfol√≥gicas e sint√°ticas da palavra “que”. Hoje, veremos as fun√ß√Ķes morfossint√°ticas de outra palavra de tamanho reduzido e de grande import√Ęncia para a L√≠ngua Portuguesa: SE.

1) Conjun√ß√£o coordenativa: une duas ora√ß√Ķes coordenadas alternativas.
Ex. Se somos tristes, se somos alegres, pouco importa, a vida caminha.

2) Conjun√ß√£o subordinativa: liga ora√ß√Ķes subordinadas.
Ex. Ele quer saber se eu me sinto realizado.

3) Partícula integrante do verbo: liga-se a verbos usados na forma pronominal, que geralmente exprimem sentimento ou mudança de estado, como: queixar-se, dignar-se, arrepender-se, suicidar-se etc.
Ex. Os alunos se queixaram das carteiras da escola.
Quando Marta chegou, ele nem se dignou a olh√°-la.

4) Partícula expletiva ou de realce: junta-se aos verbos intransitivos, sem desempenhar nenhuma função sintática, geralmente aparece para realçar o sujeito.
Ex. Acabou-se a confiança no próximo.
Foi-se embora assim que acabou a festa

5) Partícula apassivadora: aparece na formação da voz passiva sintética com verbos transitivos direto e transitivo direto e indireto; com verbo transitivo apenas indireto, não há possibilidade do aparecimento dessa partícula.
Ex. Sentia-se o cheiro de panela no fogo.
Entregou-se o prêmio ao vencedor.

6) Pronome reflexivo: acompanha o verbo na voz reflexiva, na função de pronome pessoal oblíquo átono.
Ex. Levantou-se rapidamente da cama ao primeiro sinal de trovoada.
Feriu-se seriamente ao montar o cavalo.

1) Sujeito de infinitivo: restringe-se apenas aos casos de verbos no infinitivo, em ora√ß√Ķes subordinadas reduzidas.
Ex. ‚ÄúCapitu deixou-se fitar e examinar.‚ÄĚ
O jovem professor sentiu-se fraquejar.

2) Objeto direto: acompanha verbo transitivo direto que tenha sujeito animado.
Ex. Ergueu-se, passou, a toalha no rosto.
Vestiu-se rapidamente, telefonou pedindo um t√°xi, saiu.

3) Objeto indireto: aparece somente quando o verbo é transitivo direto e indireto.
Ex. Ele se arroga à liberdade de sair a qualquer hora.
O advogado imp√īs-se uma disciplina rigorosa.

4) √ćndice de indetermina√ß√£o do sujeito: apresenta-se junto a verbo intransitivo ou transitivo indireto. Neste caso, o verbo fica sempre na 3¬™. Pessoa do singular.
Ex. Trata-se do primeiro e √ļltimo fundo financeiro no Brasil.
Estuda-se muito nas universidades.

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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Adélia Prado e a Língua Portuguesa

www.literatortura.com

Adélia Prado nasceu em Divinópolis, Minas Gerais, em 13 de dezembro de 1935, e lá vive até hoje; em razão disso, os temas recorrentes em sua poesia são a mulher e a casa , a missa diária, o cheiro do mato, os vizinhos, ou seja, a vida cotidiana que se repete, mas, sob o olhar de D. Adélia Рcomo carinhosamente gostam de lhe chamar seus admiradores -, ela é sempre nova.

No entanto, seus norteadores são a fé cristã e a condição da mulher, pois permeiam toda sua obra.

√ďtima Leitura!

www.kdfrases.com

Antes do Nome

N√£o me importa a palavra, esta corriqueira.
Quero é o esplêndido caos de onde emerge a sintaxe,
os s√≠tios escuros onde nasce o “de”, o “ali√°s”,
o “o”, o “por√©m” e o “que”, esta incompreens√≠vel
muleta que me apoia.
Quem entender a linguagem entende Deus
cujo Filho é Verbo. Morre quem entender.
A palavra é disfarce de uma coisa mais grave, surda-muda,
foi inventada para ser calada.
Em momentos de graça, infrequentíssimos,
se poder√° apanh√°-la: um peixe vivo com a m√£o.
Puro susto e terror.

 

Abraços Fraternos,
Paulo Jorge


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A LINGUAGEM VARIA OU VAREIA?

 

A NORMA PADRÃO E OUTRAS NORMAS

 

Diariamente nos deparamos com situa√ß√Ķes de desconforto no uso da l√≠ngua portuguesa. Isso provoca certas discuss√Ķes sobre o falar CERTO ou ERRADO! Mas quem determina esses par√Ęmetros? Quais s√£o os interesses de quem determina o que deve ser ou n√£o PADR√ÉO em nossa l√≠ngua? Como devemos mesmo usar a l√≠ngua em benef√≠cio pr√≥prio? Quais s√£o as forma inadequadas, em que situa√ß√Ķes e em que momentos devemos usar essa ou aquela forma de express√£o lingu√≠stica? O que podemos considerar certo ou errado? Existe isso? Pra que serve falar certo ou errado? A gente pode falar ou escrever de qualquer jeito? Existe mesmo alguma recomenda√ß√£o ou normatiza√ß√£o que deva ser obedecida no uso da l√≠ngua? Vamos ver um pouco sobre isso a seguir.

√Č bom sabermos que existem DIVERSIDADES de linguagem e que h√° explica√ß√Ķes fundamentadas para o uso adequado em cada situa√ß√£o envolvendo o falante da L√≠ngua Portuguesa. N√£o h√° porque condenar ou, at√©, excluir os falantes de nossa l√≠ngua que falam fora da Norma Padr√£o!

Quero propor a leitura de um romance incrível de Marcos Bagno РA Língua de Eulália!

ROMANCE DE MARCOS BAGNO

Esse caso √© semelhante ao do verbo ‚Äúvadiar‚ÄĚ (eu vadio, tu vadias, ele vadia, n√≥s vadiamos, v√≥s vadiais, eles vadiam), cuja variante oral est√° bem registrada nas vozes de Clara Nunes e Clementina de Jesus no samba ‚ÄúN√£o vadeia‚ÄĚ, de Candeia

N√£o vadeia, Clementina
Fui feita pra vadiar
N√£o vadeia, Clementina
Fui feita pra vadiar, eu vou…

Vou vadiar, vou vadiar, vou vadiar, eu vou
Vou vadiar, vou vadiar, vou vadiar, eu vou

Energia nuclear
O homem subiu à Lua
√Č o que se ouve falar
Mas a fome continua

√Č o progresso, tia Clementina
Trouxe tanta confus√£o
Um litro de gasolina
Por cem gramas de feij√£o

N√£o vadeia, Clementina
Fui feita pra vadiar
N√£o vadeia, Clementina
Fui feita pra vadiar, eu vou…

Vou vadiar, vou vadiar, vou vadiar, eu vou
Vou vadiar, vou vadiar, vou vadiar, eu vou

Cadê o cantar dos passarinhos
Ar puro n√£o encontro mais n√£o
√Č o pre√ßo que o progresso
Paga com a poluição

O homem é civilizado
A sociedade é que faz sua imagem
Mas tem muito diplomado
Que é pior do que selvagem.

Extraída em 13.11.2014, do blog de Thais Nicoleti de Camargo: http://thaisnicoleti.blogfolha.uol.com.br/2013/09/02/varia-ou-vareia/

Vejamos outro caso de variação pelo uso do PNP (Português Não Padrão) : TIRO AO ALVARO РAdoniran Barbosa! http://www.youtube.com/watch?v=JVWaebTVn8c

Play

De tanto levar
“frexada” do teu olhar
Meu peito até
Parece sabe o que?
“talbua” de tiro ao “√°lvaro”
N√£o tem mais onde furar (2x) 

Teu olhar mata mais
Do que bala de carabina
Que veneno estriquinina
Que pexeira de baiano

Teu olhar mata mais
Que atropelamento
De automóver
Mata mais
Que bala de revorver.

De tanto levar
“frexada” do teu olhar
Meu peito até
Parece sabe o que?
“talbua” de tiro ao “√°lvaro”
N√£o tem mais onde furar (2x)

Teu olhar mata mais
Do que bala de carabina
Que veneno estriquinina
Que pexeira de baiano

Teu olhar mata mais
Que atropelamento
De automóvel mata mais
Que bala de revorver.

Link: http://www.vagalume.com.br/adoniran-barbosa/tiro-ao-alvaro.html#ixzz3IxCaTAemEm 13.11.2014.

Agora me diga, car√≠ssimos leitores! Como condenar por ERRO dois cl√°ssicos t√£o belos e originais de nossa m√ļsica?!

Quem responde aos questionamentos colocados na introdução deste texto?! Quem se habilita?! Você pode responder, caro leitor ou leitora ou acessar os HIPERLINKS que obterão melhores respostas.

Boas leituras e boas descobertas!

Adil Lyra

 

 

 


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As Fun√ß√Ķes do QUE

www.smersl.blogspot.com

As palavras QUE e SE, na L√≠ngua Portuguesa, podem exercer variad√≠ssimas fun√ß√Ķes, tanto morfologica quanto sintaticamente. Hoje, veremos as diversas fun√ß√Ķes da palavra QUE.

Observe:

www.pt.slideshare.net

a) Adv√©rbio: liga-se a um adjetivo ou adv√©rbio, funcionando como termo intensificador, equivalendo a ‚Äúqu√£o, quanto‚ÄĚ.
Ex. Que longe est√° meu sonho!

b) Substantivo: é modificado por um artigo, pronome adjetivo ou numeral. Nesta função, é sempre acentuado.
Ex. ‚ÄúMeu bem querer / Tem um qu√™ de pecado‚ÄĚ

c) Preposi√ß√£o: equivale a ‚Äúde ou para‚ÄĚ, e aparece geralmente ligando uma locu√ß√£o verbal com os verbos auxiliares ter e haver.
Ex. Tem que combinar?

d) Interjeição: exprime um sentimento, uma emoção, um estado interior. Nesta função, é sempre exclamativo e, portanto, acentuado.
Ex. Quê! Nunca você fará isso!

e) Partícula expletiva ou de realce: empregado para simples realce ou ênfase, pode ser supresso sem que se altere o sentido da oração.
Ex. Mas é que lá passava um bonde.

f) Pronome adjetivo: apresenta-se junto ao substantivo para modific√°-lo.
Ex. ‚ÄúQue peixada bonita voc√™ pegou!‚ÄĚ

g) Pronome interrogativo: apresenta-se em in√≠cio de ora√ß√Ķes interrogativas.
Ex. Que história é essa, agora?

h) Pronome relativo: refere-se a um termo antecedente (substantivo ou pronome), ligando a ora√ß√£o subordinada adjetiva √† principal. Neste caso, pode ser substitu√≠do pela express√£o por qual e suas varia√ß√Ķes.
Ex. ‚ÄúJo√£o que amava Teresa / que amava Raimundo / que amava Maria…‚ÄĚ.

i) Conjun√ß√£o: n√£o exerce fun√ß√£o sint√°tica no interior da ora√ß√£o e estabelece rela√ß√£o entre duas ora√ß√Ķes.
Ex. Fica l√° o tempo todo aquele chove que chove…
Parecia-me que as paredes tinham vulto.

www.elpiensino.com.br

a) Sujeito Ex. Minist√©rio da Sa√ļde vai cassar o registro de produtos que fazem propaganda enganosa.

b) Objeto direto Ex. Além desses limites, a guerra seria um flagelo bárbaro, que o patriotismo repudia.

c) Objeto indireto Ex. Os jornais noticiam tudo, tudo, menos uma coisa tão banal de que ninguém se lembra: a vida.

d) Predicativo do sujeito Ex. A aluna que foi encantava a todos.

e) Adjunto adverbial Ex. Aproveitou-se de um momento em que seu adversário erguia os braços.

f) Complemento nominal Ex. O conflito a que fizeste alus√£o foi solucionado.

g) Agente da passiva Ex. O c√£o por que Jo√£o foi mordido n√£o estava doente.

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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Mário Quintana e a Língua Portuguesa

www.aquele-poema.blogspot.com

O l√ļdico e o simples talvez sejam as marcas que mais cintilem na poesia de M√°rio Quintana, poeta ga√ļcho nascido na cidade de Alegrete, no Rio Grande do Sul, como pode ser confirmado em De Gram√°tica e de Linguagem, poema de Quintana em homenagem √† L√≠ngua Portuguesa, constante no livro Apontamentos de Hist√≥ria Sobrenatural, e que escolhemos para a postagem desta semana.

Observe que, ao demonstrar sua prefer√™ncia pelo adjetivo em rela√ß√£o a uma das classes fundamentais da gram√°tica da L√≠ngua Portuguesa, que √© o substantivo ‚Äď a outra √© o verbo ‚Äď, Mario Quintana confirma o enunciado que se tornou uma m√°xima, ou seja, ser poeta √© possuir um olhar diferenciado sobre a vida e o mundo.

√ďtima leitura!

www.kdfrases.com

De Gram√°tica e de Linguagem

E havia uma gram√°tica que dizia assim:
“Substantivo (concreto) é tudo quanto indica
Pessoa, animal ou cousa: Jo√£o, sabi√°, caneta‚ÄĚ.
Eu gosto √© das cousas. As cousas, sim!…
As pessoas atrapalham. Est√£o em toda parte.
Multiplicam-se em excesso.
As cousas são quietas. Bastam-se. Não se metem com ninguém.
Uma pedra. Um armário. Um ovo. (Ovo, nem sempre, Ovo pode estar choco: é inquietante…)
As cousas vivem metidas com as suas cousas.
E n√£o exigem nada.
Apenas que n√£o as tirem do lugar onde est√£o.
E João pode neste mesmo instante vir bater à nossa porta.
Para quê? não importa: João vem!
E h√° de estar triste ou alegre, reticente ou falastr√£o.
Amigo ou adverso… Jo√£o s√≥ ser√° definitivo
Quando esticar a canela. Morre, Jo√£o…
Mas o bom, mesmo, s√£o os adjetivos,
Os puros adjetivos isentos de qualquer objeto.
Verde. Macio. √Āspero. Rente. Escuro. Luminoso.
Sonoro. Lento. Eu sonho
Com uma linguagem composta unicamente de adjetivos
Como decerto é a linguagem das plantas e dos animais.
Ainda mais:
Eu sonho com um poema
Cujas palavras sumarentas escorram
Como a polpa de um fruto maduro em tua boca,
Um poema que te mate de amor
Antes mesmo que tu saibas o misterioso sentido:
Basta provares o seu gosto…

www.palavrastodaspalavras.wordpress.com

 

 

 

 

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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TEMAS EM ALTA – #PARTIU ENEM

 

# partiu ENEM

Est√£o a√≠¬†TODOS OS TEMAS DE REDA√á√ÉO DO ENEM, desde a 1¬™ edi√ß√£o (1998) at√© a √ļltima (2013). Assim, entendemos que esses temas n√£o ser√£o repetidos pelo ENEM! O m√°ximo que pode ocorrer √© um DESMEMBRAMENTO dessas TEM√ĀTICAS!

2013 – A Lei seca e a impunidade

 

OUTUBRO ROSA

Estive conversando com meu amigo Prof. Paulo Jorge e entendemos que, às vésperas da AVALIAÇÃO do ENEM, deveríamos postar textos informando sobre as temáticas que mais têm sido discutidas pela mídia!

Selecionamos alguns temas e propomos que você, caro leitor focado no ENEM, escreva uma redação sobre cada um deles! Pra quê? Oraaaa! Sabemos que quanto mais treinarmos uma atividade, mais habilidade desenvolveremos para aplicá-la em um momento oportuno. O ENEM é um deles!

Estão aí 15 (quinze) temas com grande PROBABILIDADE de serem exigidos pelo ENEM.

http://bendittoblog.wordpress.com/2013/10/01/enem-2013-redacao-e-temas-cotados/

1- SAÚDE PÚBLICA BRASILEIRA.

Tema frequente em jornais e relativamente recente, teve notoriedade no contexto dos protestos, apesar de ser uma realidade corriqueira no Brasil. √Č bem cotado, ent√£o, n√£o deixem de escrever.

2-¬†A MULHER NA SOCIEDADE CONTEMPOR√āNEA.

Adoro esse tema e aposto muito nele, por conta dos esc√Ęndalos nacionais e internacionais do primeiro semestre. Vale muito analisar.

3- TRANSPORTE URBANO BRASILEIRO.

Problema constante, n√©? Tamb√©m tomou notoriedade com os protestos ‚Äď foi o estopim das manifesta√ß√Ķes.

4-¬†√ĀLCOOL E DIRE√á√ÉO.

Mais uma vez, motivado por calamidades (o acidente do ciclista). Alguns ainda apostam em outros acidentes motivados por imprud√™ncias, como o desastre da Boate Kiss em Santa Maria ‚Äď RS. Um daqueles temas de exemplos dif√≠ceis, portanto, exige pesquisa.

7- CASAMENTO GAY.

Também sou fã desse tema. Muitos concorrentes caem por fundamentalismos ou críticas que vão de encontro aos direitos humanos.

6-¬†O PETR√ďLEO DO PR√Č-SAL.

Ah, como detesto esses temas super geopolíticos. Enfim, é cotado. Mas creio que o Enem assuma temas mais sociais.

7- LEI DAS COTAS.

Daqueles temas ‚Äúimposs√≠veis‚ÄĚ que podem acabar aparecendo‚Ķ

8- REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL.

Em decorrência dos crimes praticados por jovens adolescentes, há um apelo social e midiático para aprovar uma lei de redução da maioridade penal. Tá na pauta dos acontecimentos.

9) A mobilidade urbana se apresenta como um dos grandes desafios a serem vencidos no Brasil nos tempos atuais.

Tivemos recentemente uma grande mobilização nacional por causa de R$ 0,20 (vinte centavos), por melhores transportes e valor da passagem que gerou um reboliço na sociedade e até hoje há no Rio e São Paulo diversos movimentos sobre essa questão.

10) A viola√ß√£o √† privacidade das na√ß√Ķes pode criar um estado de tens√£o com consequ√™ncias inconcili√°veis.

O Alto Comissariado das Na√ß√Ķes Unidas para os Direitos Humanos defendeu, esta ter√ßa-feira que os Estados t√™m a obriga√ß√£o de defender a privacidade dos cidad√£os e que essa privacidade s√≥ pode ser violada dentro de um quadro legal.

“A Conven√ß√£o Internacional sobre Direitos Pol√≠ticos e Sociais exige que os Estados protejam as pessoas de interfer√™ncias arbitr√°rias e ilegais na sua privacidade. Por outras palavras, qualquer ato que tenha impacto na privacidade dos cidad√£os ter√° de ser legal”, afirmou, numa confer√™ncia de imprensa, em Genebra, Rupert Colville, porta-voz da alta comiss√°ria Navi Pillay.

11) A doa√ß√£o de √≥rg√£os √© um assunto que provoca opini√Ķes antag√īnicas na nossa sociedade.

Grande parte dos procedimentos de transplante de √≥rg√£os e tecidos √© realizada pelo SUS, j√° que os planos de sa√ļde particulares se recusam a pagar devido ao seu alto custo.

12) Sete anos após a implantação da lei Maria da Penha, dados estatísticos mostram que a violência contra a mulher não diminuiu no Brasil.

Diante de controv√©rsia gerada por estudo do Ipea, pessoas entrevistadas s√£o un√Ęnimes em destacar a import√Ęncia da Lei Maria da Penha e tecer pondera√ß√Ķes cr√≠ticas ao estudo.

13) As letras de m√ļsica populares e a coreografia feminina v√™m gerado discuss√£o¬†¬†os cr√≠ticos, o p√ļblico jovem e os pais.

O pagode est√° enraizado na cultura baiana como o funk est√° na cultura carioca. √Č muito dif√≠cil voc√™ dar uma volta por Salvador e n√£o ouvir um refr√£o de pagode, seja no carro com autofalantes potentes, em alguma casa na vizinhan√ßa ou algu√©m cantarolando por a√≠. Nas r√°dios, na TV, nos shows √© muito comum ver as bandas cantando seus refr√Ķes de duplo sentido e as mulheres ‚Äď no palco ou na plat√©ia ‚Äď dan√ßando em coreografias sensuais.

14) A legalidade das torcidas organizadas vem a debate, haja vista a violência que ocorre nos estádios.

√Č incontest√°vel a paix√£o que o brasileiro, e porque n√£o dizer o povo do planeta, tem pelo futebol. E diante de tantas manifesta√ß√Ķes ao esporte, as torcidas organizadas se mostram presentes na maioria dos clubes. Algumas delas at√© recebem incentivo financeiro dos seus respectivos times. N√£o h√° como negar que elas s√£o capazes de transformar os jogos de futebol em verdadeiros espet√°culos fora do gramado, com cores, cantos e emo√ß√£o.

15) A inclus√£o de pessoas em condi√ß√Ķes especiais se apresenta como uma quest√£o social da maior relev√Ęncia.

Incluir quer dizer fazer parte, inserir, introduzir. E inclus√£o √© o ato ou efeito de incluir. Assim, a inclus√£o social das pessoas com defici√™ncias significa torn√°-las participantes da vida social, econ√īmica e pol√≠tica, assegurando o respeito aos seus direitos no √Ęmbito da Sociedade, do Estado e do Poder P√ļblico.

S√≥ digo que voc√™, cara leitora e caro leitor que far√° as PROVAS DO ENEM escreva reda√ß√Ķes sobre cada uma dessas sugest√Ķes de TEMAS ou, no m√≠nimo, leia e assista aos notici√°rios sobre eles, considerando os aspectos favor√°veis e desfavor√°veis de cada uma tem√°tica. Quem defende contra e que defende a favor de cada quest√£o pol√™mica.

No mais, felicidades em sua produção textual e sexta-feira, dia 07 de novembro, procure esquecer os estudos e distraia-se ao máximo, descansando e relaxando seu corpo e mente! O que aprendeu, aprendeu e pronto!

Agora √© s√≥ deixar a mem√≥ria fresca para n√£o dar “branco” na hora necess√°ria!

Um abraço,

Adil Lyra

Se ainda precisarem, acessem nossos textos anteriores sobre diversos assuntos de como escrever melhor no ENEM!

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