An√°lise das Melhores Reda√ß√Ķes / ENEM 2011

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A proposta do Exame Nacional do Ensino M√©dio ‚Äď ENEM / 2011 solicitava a leitura dos textos motivadores “Liberdade sem fio“, da edi√ß√£o no. 240, da revista “Galileu“, de julho de 2011, “A internet tem ouvidos e mem√≥ria“, retirado do portal www.terra.com.br, em 30 de junho de 2011, e a seguinte tirinha do cartunista Andr√© Dahmer, da s√©rie “Quadrinhos dos anos 10“:

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E a partir da leitura desses tr√™s textos, o candidato deveria produzir um texto dissertativo-argumentativo, utilizando a variante padr√£o da l√≠ngua, sobre o seguinte tema: “Viver em rede no s√©culo XXI: os limites entre o p√ļblico e o privado“.

Vejamos, agora, uma redação sobre esse tema considerada de excelente nível.

Redes sociais: o uso exige cautela

Uma característica inerente às sociedades humanas é sempre buscar novas maneiras de se comunicar: cartas, telegramas e telefonemas são apenas alguns dos vários exemplos de meios comunicativos que o homem desenvolveu com base nessa perspectiva. E, atualmente, o mais recente e talvez o mais fascinante desses meios, são as redes virtuais, consagradas pelo uso, que se tornam cada vez mais comuns.

Orkut, Twiter e Facebook s√£o alguns exemplos das redes sociais (virtuais) mais acessadas do mundo e, convenhamos, a popularidade das mesmas se tornou tamanha que n√£o ter uma p√°gina nessas redes √© praticamente como n√£o estar integrado ao atual mundo globalizado. Atrav√©s desse novo meio as pessoas fazem amizades pelo mundo inteiro, compartilham ideias e opini√Ķes, organizam movimentos, como os que derrubaram governos autorit√°rios no mundo √°rabe e, literalmente, se mostram para a sociedade. Nesse momento √© que nos conv√©m cautela e reflex√£o para saber at√© que ponto se expor nas redes sociais representa uma vantagem.

N√£o saber os limites da nossa exposi√ß√£o nas redes virtuais pode nos custar caro e colocar em risco a integridade da nossa imagem perante a sociedade. Afinal, a partir do momento em que colocamos informa√ß√Ķes na rede, foge do nosso controle a consci√™ncia das dimens√Ķes de at√© onde elas podem chegar. Sendo assim, apresentar informa√ß√Ķes pessoais em tais redes pode nos tornar um tanto quanto vulner√°veis moralmente.

Percebemos, portanto, que o novo fen√īmeno das redes sociais se revela como uma eficiente e inovadora ferramenta de comunica√ß√£o da sociedade, mas que traz seus riscos e revela sua faceta perversa √†queles que n√£o bem distinguem os limites entre as esferas p√ļblicas e privadas ‚Äújogando‚ÄĚ na rede informa√ß√Ķes que podem prejudicar sua pr√≥pria reputa√ß√£o e se tornar objeto para denegrir a imagem de outros, o que, sem d√ļvidas, √© um grande problema.

Dado isso, √© essencial que nessa nova era do mundo virtual, os usu√°rios da rede tenham plena consci√™ncia de que tornar p√ļblica determinadas informa√ß√Ķes requer cuidado e, acima de tudo, bom senso, para que nem a pr√≥pria imagem, nem a do pr√≥ximo possa ser prejudicada. Isso poderia ser feito pelos pr√≥prios governos de cada pa√≠s, e pelas pr√≥prias comunidades virtuais atrav√©s das redes sociais, afinal, se essas revelaram sua efici√™ncia e sucesso como objeto da comunica√ß√£o, ser√£o, certamente, o melhor meio para alertar os usu√°rios a respeito dos riscos de seu uso e os cuidados necess√°rios para tal.

Texto extra√≠do do ENEM 2012 ‚Äď Guia do Participante.
Disponível em http://www.inep.gov.br/

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Análise da Redação

Par√°grafo 1: Constru√≠do com dois per√≠odos, o par√°grafo introdut√≥rio traz a apresenta√ß√£o do tema e deixa subentendido a tese do autor ao se referir √† import√Ęncia das redes sociais para a comunica√ß√£o humana na vida moderna. Antes, o produtor textual se utiliza de sua bagagem cultural e relaciona algumas ‚Äúmaneiras‚ÄĚ que o homem criou para colocar em pr√°tica essa comunica√ß√£o, ou seja, ‚Äúcartas, telegramas e telefonemas‚ÄĚ, aparecendo, implicitamente, o seu ponto de vista sobre o tema.

Par√°grafo 2: Elaborando um perfeito T√≥pico Frasal, o candidato inicia o primeiro par√°grafo do Desenvolvimento citando alguns exemplos de redes sociais para, em seguida, fazer a apresenta√ß√£o seu primeiro argumento: ‚Äú… n√£o ter uma p√°gina nessas redes √© praticamente como n√£o estar integrado ao atual mundo globalizado.‚ÄĚ Em seguida, ele desenvolve o argumento: ‚Äú… as pessoas fazem amizades pelo mundo inteiro, compartilham ideias e opini√Ķes, organizam movimentos, como os que derrubaram governos autorit√°rios no mundo √°rabe e, literalmente, se mostram para a sociedade.‚ÄĚ No √ļltimo per√≠odo, existe uma sinaliza√ß√£o para os aspectos negativos que ser√£o tratados no pr√≥ximo par√°grafo.

Par√°grafo 3: Em outro bem elaborado T√≥pico Frasal, o produtor cita um novo argumento, que √© a extrapola√ß√£o dos limites de exposi√ß√£o do usu√°rio, desenvolve-o ao dizer que as informa√ß√Ķes publicadas fogem ao nosso controle e conclui refletindo sobre o perigo de ficarmos vulner√°veis moralmente a essa situa√ß√£o.

Parágrafo 4: Ocorre o término da argumentação, quando o candidato cita os dois aspectos fundamentais na discussão do uso das redes sociais, ou seja, o fato de elas serem eficientes e inovadoras e, ao mesmo tempo, representarem um perigo à imagem das pessoas e as consequências advindas dessa exposição excessiva.

Parágrafo 5: Na Conclusão, aparece a Proposta de Intervenção bem detalhada com as presenças dos agentes o quê:  consciência; quem: usuários, governos e comunidades virtuais; como: bom senso para que a própria imagem e a do outros não sejam prejudicadas. No entanto, por não estar muito bem detalhada, não pode receber a nota máxima nesta competência.

Sem d√ļvida, uma produ√ß√£o textual que revela muita compet√™ncia do candidato. Necess√°rio ressaltar que a Variante Padr√£o da L√≠ngua Portuguesa foi utilizada adequadamente, ocorrendo falhas, apenas, na aus√™ncia de v√≠rgulas, no segundo per√≠odo, do primeiro par√°grafo, ap√≥s a palavra “recente”, e no √ļltimo per√≠odo, do segundo par√°grafo, depois da palavra “momento”. E n√£o deveria existir, no √ļltimo per√≠odo, do √ļltimo par√°grafo, ap√≥s a palavra “pa√≠s”. No entanto, esses desvios n√£o impedem o recebimento de uma pontua√ß√£o elevada para o candidato.

Abraços Fraternos!

Paulo Jorge


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An√°lise das Melhores Reda√ß√Ķes / ENEM 2010

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A proposta de reda√ß√£o do ENEM / 2010 pedia que o candidato produzisse um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema ‚ÄúO Trabalho na Constru√ß√£o da Dignidade Humana‚ÄĚ e ofereceu os seguintes textos motivadores: ‚ÄúO que √© trabalho escravo‚ÄĚ (Dispon√≠vel em: http://www.reporterbrasil.org.br. Acesso em: 02. set.2010 (fragmento), ‚ÄúO futuro do trabalho‚ÄĚ, do fil√≥sofo e ensa√≠sta su√≠√ßo Alain de Botton, em seu novo livro The Pleasures and Sorrows of Works (Os prazeres e as dores do trabalho, ainda in√©dito no Brasil) e ainda a seguinte constru√ß√£o matem√°tico-lingu√≠stica:

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Vejamos, a seguir, um exemplo de uma redação bem avaliada:

(Sem título)

Depois de in√ļmeras mudan√ßas na sociedade, vive-se, hoje, um momento em que h√°, por parte de muitas pessoas, uma crescente busca pela realiza√ß√£o profissional. Para elas, a profiss√£o, muitas vezes, pode ter um grande significado na constru√ß√£o de sua identidade. H√°, por√©m, aquelas pessoas que, sem ter escolha, aceitam qualquer trabalho como forma de sobreviv√™ncia, submetendo-se, assim, √† desvaloriza√ß√£o da sua humanidade.

O Brasil √© um pa√≠s que vem crescendo, principalmente nas √ļltimas d√©cadas. Essa crescente evolu√ß√£o traz uma tend√™ncia trabalhadora ao povo, que, por querer acompanhar o desenvolvimento, busca, cada vez mais, melhores empregos e sal√°rios, a fim de viver mais e melhor. Observa-se, nesse contexto, que o trabalho ganhou um valor de dignifica√ß√£o, j√° que, hoje,¬†o fato de ter um emprego gera condi√ß√Ķes para uma boa vida.

Embora se observe esse grande desenvolvimento na nação brasileira, muitos defeitos permanecem inseridos nela. Alguns deles são a concentração de terras nas mãos de poucos e a enorme desigualdade social. Ambos favorecem a existência de pessoas que são obrigadas a se submeterem a trabalhos escravos, por exemplo.

Sabendo, portanto, da import√Ęncia do trabalho na vida das pessoas e dos contrastes existentes no Brasil, deve-se tomar consci√™ncia de que o governo precisa dar mais aten√ß√£o aos menos favorecidos financeiramente. Projetos sociais¬†como o Bolsa Fam√≠lia ajudam, mas o que deve ser feito, na verdade, √© investir mais em educa√ß√£o, buscando, assim, erradicar a mis√©ria e a exist√™ncia do trabalho desumano. Al√©m disso, provavelmente, uma reforma agr√°ria contribuiria para diminuir a desigualdade social, que √© uma realidade que contribui para a exist√™ncia desse tipo de escravismo.

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Análise da Redação

Par√°grafo 1: O Tema ‚Äď O trabalho na constru√ß√£o da dignidade humana ‚Äď aparece apresentado de forma dilu√≠da no par√°grafo o que j√° evidencia a compet√™ncia frasal do produtor textual. A Tese aparece muito bem constru√≠da no √ļltimo per√≠odo do par√°grafo introdut√≥rio: ‚ÄúH√°, por√©m, aquelas pessoas que, sem ter escolha, aceitam qualquer trabalho como forma de sobreviv√™ncia, submetendo-se, assim, √† desvaloriza√ß√£o da sua humanidade.‚ÄĚ

Parágrafo 2: Já no Desenvolvimento, o primeiro Argumento do autor para embasar sua tese diz respeito à necessidade que as pessoas têm em buscar melhores empregos para uma melhor qualidade de vida. Um argumento, convenhamos, previsível.

Par√°grafo 3: Inicialmente, a informa√ß√£o ‚Äú… a concentra√ß√£o de terras nas m√£os de poucos e a enorme desigualdade social.‚ÄĚ parece fugir √† ideia de trabalho na constru√ß√£o da dignidade humana; no entanto, a sua rela√ß√£o com o enunciado ‚ÄúAmbos favorecem a exist√™ncia¬†de pessoas que s√£o obrigadas a se submeterem a trabalhos escravos, por exemplo.‚ÄĚ elimina a possibilidade de fuga ao tema, estabelecendo uma perfeita rela√ß√£o de causa e consequ√™ncia. Este, sim, √© um bom Argumento. Observe, tamb√©m, que, neste par√°grafo, aparece um desvio gramatical grave em ‚ÄúAlguns deles s√£o a concentra√ß√£o de terras…‚ÄĚ O verbo ‚Äúser‚ÄĚ deveria estar no singular, pois este verbo prefere concordar com o Predicativo do Sujeito.

Par√°grafo 4: A Conclus√£o cont√©m uma Proposta de Interven√ß√£o bem elaborada com a presen√ßa dos agentes O QU√ä , em deve-se tomar consci√™ncia …“, ‚Äú… √© investir mais em educa√ß√£o …‚ÄĚ, e “… uma reforma agr√°ria … ” e COMO, em “Projetos sociais¬†como o Bolsa Fam√≠lia …“; no entanto, faltaram os agentes QUEM e ONDE para se construir uma proposta muito bem elaborada.

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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Jo√£o Ubaldo Ribeiro ‚Äď Uma visita √† Mem√≥ria e ao Memorial

O texto, a seguir, me foi enviado pelo escritor e roteirista Felipe Menezes e rende homenagem a um dos maiores escritores brasileiros falecido em julho de 2014, o nosso baianíssimo João Ubaldo Ribeiro. Um texto terno e reflexivo que, certamente, instigará você, Leitor / Leitora, a ampliar o seu conhecimento sobre a obra do escritor baiano, motivo pelo qual o texto é postado nesta semana.

√ďtima Leitura!

www.william.com.br

Em ‚ÄúPor que ler os cl√°ssicos‚ÄĚ, √ćtalo Calvino faz repercutir, em um dos primeiros cap√≠tulos do livro, o que constitui um livro intrinsecamente cl√°ssico. Os par√Ęmetros que ele apresenta s√£o deveras indiscut√≠veis e completamente relevantes. Mas um fator que √ćtalo n√£o chegou a mencionar e que eu gostaria de acrescentar √© o desespero que se sente quando um livro incr√≠vel est√° pr√≥ximo de acabar.

Quando a minha leitura de Viva o povo Brasileiro se encaminhava para o final, um desespero incomum se aproximou de mim. Comecei a ler cada vez mais devagar. As vírgulas se tornaram verbetes decodificáveis e os espaços entre um parágrafo e outro, igualmente. E então tive a ideia de ler todos os romances de João Ubaldo Ribeiro.

Comprei todos os romances de Jo√£o Ubaldo e comecei a l√™-los em ordem cronol√≥gica. O primeiro livro ‚ÄúSetembro n√£o tem sentido‚ÄĚ confirmou o quanto era promissor o talento daquele rapaz amigo de Glauber Rocha. Em seguida ‚ÄúVila Real‚ÄĚ me fez chorar internamente pela sabedoria e sensibilidade do povo deste sert√£o – que a poesia do vocabul√°rio de Jo√£o soube metrificar com tanta beleza. Mas foi com ‚ÄúSargento Get√ļlio‚ÄĚ que por v√°rias √≥timas raz√Ķes eu me diverti e que eu comecei a, prepotentemente, me sentir amigo intimo do Ubaldo.

Quando cheguei ao √ļltimo romance ‚ÄúO Albatroz Azul‚ÄĚ, li com a melancolia, a gra√ßa e a esperan√ßa inexplic√°vel de quem l√™ Ubaldo Ribeiro. O livro – que parece ter como fundo musical Nutcracker / Pas de deux de Tchaikovsky – se desenvolve semeando a certeza de que algu√©m t√£o incr√≠vel voltar√° a reexistir em Itaparica. Conclu√≠do a prazerosa e pesarosa experi√™ncia de ler todos os romances, eu tamb√©m me senti com a miss√£o de fazer alguma coisa em prol da mem√≥ria e exalta√ß√£o deste nome.

As férias de 2016 me trouxeram uma ótima quarta-feira para visitar a terra por quem João Ubaldo dedicou os frutos do seu punho. Mas foi o Memorial, localizado dentro da  Biblioteca Juracy Magalhães Jr, no centro de Itaparica, que me despertou a decisão de que deveria concretizar a visita à ilha da Baia de Todos os Santos.

Entrei em um ferryboat em Salvador e j√° enxergava nos passageiros as ondula√ß√Ķes de personalidades d‚ÄôO Sorriso do Lagarto. Mas foi quando uma pequena condu√ß√£o ‚Äď que eu peguei da rodovi√°ria de Bom despacho para Itaparica ‚Äď fez uma curva em Amoreiras, que eu senti o cora√ß√£o bater forte e um aperto no peito me deixou sem ar e lembrando da beleza dos um dos √ļltimos versos de Viva o Povo.

Isso l√° em cima, Deus sorrindo ou n√£o, porque embaixo, muito embaixo sob os ares de Amoreiras, tudo acontecia ou estava sempre podendo acontecer.

As emo√ß√Ķes continuaram quando a condu√ß√£o adentrou uma estradinha de ch√£o, onde respingavam por aqui e por ali casebres feitos a massap√™ de t√£o humilde, e da janela do autom√≥vel enxerguei uma idosa de c√≥coras, tal como na primeira p√°gina do mais volumoso romance de Jo√£o Ubaldo.

Como até hoje fazem os muitos idosos em sua terra, todos demasiados velhos para querer experimentar o que lá seja, e então deliram de cócoras com seus cachimbos de três palmos, rodeados pelo fascínio dos mais novos e mentindo estupendamente.

O memorial de João Ubaldo Ribeiro é carinhosamente cuidado, é militarmente organizado e está rodeado por uma atmosfera de funcionários, da biblioteca, que me receberam com a cordialidade apropriada à memória de um erudito.

Deparar-se de frente com a m√°quina de escrever que deu voz, alma e cora√ß√£o a personagens como Maria da f√©, Nego L√©leu e ao Bar√£o de Pirapuama, tem o seu pre√ßo. O pre√ßo √© saudar as cenas que a imagina√ß√£o do visitante se prop√Ķe a maquinar durante os minutos que puder passar contemplando-a. Discos, livros, fotografias e documentos est√£o dispostos pelas estantes e tudo sem nenhum vest√≠gio de poeira ou de desleixo. Visitar o memorial me despertou o prazeroso dever de voltar e voltar e voltar.

Outra coisa que √ćtalo Calvino deveria ter dito sobre os cl√°ssicos, e que n√£o disse, √© que eles sempre te levar√£o a lugares incr√≠veis. Pois Jo√£o Ubaldo me levou at√© Itaparica e levar√° todos os leitores de bom cora√ß√£o. E s√≥ estando em Itaparica, para deparar-me a cada passo com outras pessoas que sentem o mesmo carinho que eu tenho por Jo√£o Ubaldo. S√≥ mesmo indo a Itaparica para descobrir que a incredibilidade, de coisas foram ditas em O feiti√ßo da Ilha do Pav√£o, √© complemente irrelevante. S√≥ mesmo olhando para o c√©u de Itaparica, longe do sistema de transporte de Salvador e suas atravancadoras confus√Ķes, √© que eu pude finalmente enxergar, nos versos que trago em mem√≥ria, o esp√≠rito do homem vagando pelas √°guas sem luz da grande baia. E quando percebi que o fim da tarde se aproximava de Itaparica √© que eu olhei panoramicamente para a ilha e imaginei que a velha canastra s√≥ pode estar soterrada em algum lugar por ali e que deve continuar soterrada para sempre, em Itaparica.

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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Dia do Irm√£o

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No dia 5 de setembro, √© comemorado o Dia do Irm√£o e, segundo o site http://www.calendarr.com, “A data surgiu por iniciativa da Igreja Cat√≥lica, para homenagear a mission√°ria Madre Teresa de Calcut√°, morta em 5 de setembro de 2007.

No contexto religioso, o sentido da palavra “irm√£o” est√° ligado a “pr√≥ximo”. Portanto, esse dia serve para incentivar as pessoas a repensarem as atitudes perante os outros seres humanos, sendo mais humildes, companheiros e gentis.

O Dia do Irm√£o √© uma data bastante celebrada na √ćndia, pa√≠s onde nasceu a mission√°ria, durante o m√™s de agosto. L√°, os hindus fazem um ritual de oferenda entre irm√£os e irm√£s de uma fam√≠lia, simbolizando a uni√£o e prote√ß√£o entre eles.

Os dois conceitos do Dia do Irm√£o se misturaram no Brasil, sendo comemorado na data da morte de Madre Teresa de Calcut√°, 5 de setembro, por√©m com um significado mais direcionado para homenagear os irm√£os consangu√≠neos, como acontece na √ćndia.

E para celebrarmos esta data, trazemos uma poesia de um irm√£o nosso em Universo: Carlos Drummond de Andrade.

Aten√ß√£o especial √†s reflex√Ķes fraternas constantes na √ļltima estrofe do poema.

Feliz Dia do Irm√£o!

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Irm√£o, Irm√£os

Cada irmão é diferente.
Sozinho acoplado a outros sozinhos.
A linguagem sobe escadas, do mais moço
ao mais velho e seu castelo de import√Ęncia.
A linguagem desce escadas, do mais velho
ao mísero caçula.

S√£o seis ou s√£o seiscentas
dist√Ęncias que se cruzam, se dilatam
no gesto, no calar, no pensamento?
Que léguas de um a outro irmão.
Entretanto, o campo aberto,
os mesmos copos,
o mesmo vinh√°tico das camas iguais.
A casa é a mesma. Igual,
vista por olhos diferentes?

São estranhos próximos, atentos
à área de domínio, indevassáveis.
Guardar o seu segredo, sua alma,
seus objectos de toalete. Ninguém ouse
indevida cópia de outra vida.

Ser irmão é ser o quê? Uma presença
a decifrar mais tarde, com saudade?
Com saudade de quê? De uma pueril
vontade de ser irm√£o futuro, antigo e sempre?

Carlos Drummond de Andrade, Poesia Completa.
Editora Nova Aguilar. Rio de Janeiro, 2003. P√°gs 951-952.

Abraços Fraternos!

Paulo Jorge


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Um texto de excelência!

www.cursandomedicina.wordpress.com

A Prova de Reda√ß√£o, da II Unidade, do 3¬ļ. Ano, do turno vespertino, do CERS ‚Äď Col√©gio Estadual Raphael Serravalle, localizado no bairro da Pituba, em Salvador, pediu aos alunos a produ√ß√£o de um texto dissertativo-argumentativo para o tema ‚ÄúOs limites entre a est√©tica e a sa√ļde‚ÄĚ, em, aproximadamente, 30 linhas, observando as compet√™ncias exigidas pelo ENEM e por concursos, que solicitam esse g√™nero textual para sele√ß√£o de candidatos a vagas em faculdades, universidades e acesso ao mercado de trabalho.

Roberta Ingrid Silva Evangelista, aluna do 3¬į Ano A, produziu o texto, postado a seguir, que atende, com grande efici√™ncia, √† exig√™ncia dessas compet√™ncias textuais.

√ďtima Leitura!

www.saudeeestetica10.blogspot.com

Segundo a filosofia cl√°ssica, o belo n√£o se relacionava apenas √† est√©tica, mas √† alma e ao car√°ter. Desse modo um ser belo era aquele que possu√≠a virtudes, entretanto no mundo contempor√Ęneo a beleza se tornou um bem de consumo indispens√°vel, de maneira tal a preocupar o conselho de medicina e psicologia.

O belo sempre foi um assunto recorrente na sociedade, desde o padr√£o do antigo Egito at√© o Europeu, que de certa maneira ainda persiste em algumas sociedades. O conceito do ser belo acompanhou as mudan√ßas sociais como, por exemplo, no per√≠odo de 1500, quando o Brasil foi ‚Äúdescoberto‚ÄĚ, muitas mulheres europeias ansiaram a pele bronzeada das √≠ndias, assim como no per√≠odo colonial as mulheres dos coron√©is usavam p√≥ de arroz no rosto e sanguessugas em suas pernas para mostrar-se sempre fr√°gil.

No mundo globalizado surge o questionamento, o que é belo? Esse conceito tornou-se subjetivo tendo em vista a diversidade estética. Então porque a sociedade ainda dita um padrão? Seja de ter o corpo magérrimo da miss universo, ou o musculoso do garoto-propaganda de desodorante que a imprensa midiática publica nos meios de entretenimento, os quais têm levado muitas pessoas à busca do corpo perfeito, quando, em sua maioria, o indivíduo dita suas próprias regras.

Em meio a esse quadro de consumismo est√©tico, a procura por tratamento de beleza, academias, bem como cirurgias pl√°sticas se elevou, trazendo grande preocupa√ß√£o ao conselho de medicina, visto que toda cirurgia tem seu risco e, portanto, s√≥ deve ser indicada se realmente for necess√°rio. Al√©m disso, a frustra√ß√£o por n√£o conseguir esse corpo t√£o desejado pode levar a transtornos alimentares e psicol√≥gicos, assim como √† utiliza√ß√£o de m√©todos r√°pidos para emagrecimento e ganho de massa muscular que n√£o fazem bem a sa√ļde.

Diante disso, conclui-se que a preocupa√ß√£o excessiva com a est√©tica levou a um consumismo exagerado de produtos para alcan√ßar o corpo perfeito, de tal maneira que as pessoas p√Ķem seu anseio antes do bem-estar. Desse modo, torna-se necess√°rio uma reeduca√ß√£o de que √© belo e aprender com os fil√≥sofos cl√°ssicos as virtudes internas antes da mudan√ßa est√©tica. Al√©m disso, deve haver maior controle e fiscaliza√ß√£o dos produtos de tratamento e aconselhamento dos m√©dicos antes de quaisquer procedimentos est√©ticos.

Abraços Fraternos!

Paulo Jorge


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Um dia, um homem!

Desafiou a Justiça para fazer justiça

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Salvador, Bahia. Bairro: Palestina. Maio de 2003. Uma empresa convoca o operador de escavadeira Hamilton dos Santos para mais um servi√ßo. Deveria p√īr abaixo as duas casinhas da merendeira Telma Sueli dos Santos Sena, que vivia com o marido, sete filhos e mais cinco parentes em terreno que a m√£e havia ganhado de um antigo patr√£o fazia dez anos.

Mas o patrão teria vendido a propriedade a um engenheiro. O suposto comprador entrou com pedido de reintegração de posse e teve o processo julgado a seu favor. Um juiz expediu a ordem: a família de Telma deveria ser despejada. Lá foi Hamilton. Tomou o volante da escavadeira e apontou para as casas. Muita gente parou para assistir à cena. O destino trágico estava desenhado. Os vizinhos gritavam. Um clima de comoção e revolta  se instaurou. Mas Hamilton não conseguiu avançar. Sentada na calçada com alguns dos filhos, a merendeira chorava. Hamilton pai de nove crianças não resistiu. Também chorou. Desligou a máquina e se recusou a executar o serviço.

N√£o atendeu a um dos policiais que estava l√° para garantir o despejo: ‚ÄúEndure√ßa seu cora√ß√£o e cumpra a ordem‚ÄĚ.

Hamilton n√£o se moveu. Recebeu voz de pris√£o. Hipertenso, passou mal e teve que ser levado ao hospital.

A história entrou nos noticiários da noite. A humanidade e o senso de justiça de Hamilton foram reconhecidos e admirados por todo o país. O baiano teve a prisão revogada e virou herói nacional. Duas semanas depois, a Prefeitura anunciava que regularizaria o lote de Telma.

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Caderno de Valores Humanos. Projeto MEC / Nestlé de valorização de Crianças e Adolescentes, 2004. Exemplos na História. Pág. 32.

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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As M√£os do Meu Pai

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As M√£os do Meu Pai

As tuas mãos têm grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas j√° cor de terra
‚ÄĒ como s√£o belas as tuas m√£os ‚ÄĒ
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram
na nobre c√≥lera dos justos…

Porque h√° nas tuas m√£os, meu velho pai,
essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam
nos braços da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas…

Vir√° dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento?
Ah, Como os fizeste arder, fulgir,
com o milagre das tuas m√£os.

E é, ainda, a vida
que transfigura das tuas m√£os nodosas…
essa chama de vida ‚ÄĒ que transcende a pr√≥pria vida…
e que os Anjos, um dia, chamar√£o de alma…

M√°rio Quintana, em “Esconderijos do Tempo”


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An√°lise das Melhores Reda√ß√Ķes / ENEM 2009

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O ENEM 2009 prop√īs ao candidato dissertar sobre o tema “O indiv√≠duo frente √† √©tica nacional“, em, no m√°ximo, trinta linhas, levando em considera√ß√£o uma charge de Mill√īr Fernandes, (Dispon√≠vel em: http://www2.uol.com.br/millor), um texto de Lya Luft, retirado da revista Veja, e outro de Contardo Calligares, publicado, no site http://www1.folha.uol.com.br, ambos refletindo sobre indigna√ß√£o e corrup√ß√£o.

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Veja, a seguir, uma redação que obteve uma excelente pontuação, neste exame:

L√°grimas de crocodilo

O Brasil tem enfrentado, com frequ√™ncia, problemas s√©rios e at√© constrangedores, como os elevados √≠ndices de viol√™ncia, pobreza e corrup√ß√£o ‚Äď tr√™s mazelas fundamentais que servem para ilustrar uma lista bem mais longa. Por√©m, mesmo diante dessa triste realidade, boa parte dos brasileiros parece n√£o se constranger ‚Äď e, talvez, nem se incomodar ‚Äď, preferindo fingir que nada est√° ocorrendo. Em um cen√°rio marcado pela passividade, √© preciso que a sociedade se posicione frente √† √©tica nacional, de forma a honrar seus direitos e valores humanos e, assim, evitar o pior.

Na √©poca da ditadura militar, grande parte da popula√ß√£o vivia inconformada com a atua√ß√£o de um governo opressor, afinal, com as restri√ß√Ķes √† liberdade de express√£o, n√£o era poss√≠vel emitir opini√Ķes sem medir os riscos de violentas repress√Ķes. Apesar de uma conjuntura t√£o desfavor√°vel para manifesta√ß√Ķes, muitos foram os movimentos populares em busca de mudan√ßas, mesmo com as limita√ß√Ķes na atua√ß√£o da m√≠dia. Talvez a sensa√ß√£o de um Brasil melhor hoje ajude a explicar a in√©rcia da sociedade diante da atual crise de valores na pol√≠tica e em todas as camadas da popula√ß√£o.

Muitos n√£o percebem, mas esse panorama cria um paradoxo perverso: depois de tanto sangue derramado pelo direto de expressar opini√Ķes e participar das decis√Ķes pol√≠ticas, o indiv√≠duo se cala diante da crise moral contempor√Ęnea. Nesse contexto, protestos se transformam em lam√ļrias, lamenta√ß√Ķes em voz baixa, que ningu√©m ouve ‚Äď e talvez nem queira ouvir. Ou ent√£o em piadas, ‚Äú√≥timo‚ÄĚ recurso cultural para sorrir e se alienar frente √† falta de uma postura virtuosa. Assim, apesar de viver em um pa√≠s democr√°tico, o brasileiro guarda seus direitos ‚Äď e os dos outros ‚Äď no bolso da cal√ßa, pelo menos quando tem uma para vestir.

Para que o indiv√≠duo n√£o se dispa de sua cidadania, √© preciso honrar o sistema democr√°tico do pa√≠s. Nesse contexto, o povo deve ir √†s ruas, de modo pac√≠fico, para exigir uma mudan√ßa de postura do poder p√ļblico. Al√©m disso, a mobiliza√ß√£o deve agir na dire√ß√£o de quem mais necessita, ajudando, educando e oferecendo oportunidades para exclu√≠dos, que vivem √† margem da vida social, abaixo da linha da humanidade. Para tudo isso, entretanto, √© preciso uma mudan√ßa pr√©via de mentalidade, uma retomada de valores humanos esquecidos, que s√≥ ser√° poss√≠vel com a ajuda da fam√≠lia, das escolas e at√© mesmo da m√≠dia.

Por tudo isso, fica claro que o brasileiro deve parar de negar e de rir do evidente problema √©tico que enfrenta. Trata-se de quest√Ķes s√©rias, cujas solu√ß√Ķes s√£o dif√≠ceis e demoradas, mas n√£o imposs√≠veis. Se a sociedade n√£o se mobilizar imediatamente, chegar√° o dia em que as piadas alienadas e alienantes resultar√£o, para a maioria, em risadas de hiena. E, para a minoria privilegiada, imune ‚Äď ou beneficiada? ‚Äď √† crise √©tica, restar√£o apenas olhos marejados.

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Análise da Redação

Par√°grafo 1: T√≥pico frasal constru√≠do com muita compet√™ncia. Observe que os tr√™s per√≠odos apresentam uma Introdu√ß√£o, um Desenvolvimento e uma Conclus√£o, nos quais s√£o apresentados o Tema da reda√ß√£o ‚Äď “O indiv√≠duo frente √† √©tica nacional” ‚Äď e a Tese do autor sobre o tema ‚Äú… √© preciso que a sociedade se posicione frente √† √©tica nacional, de forma a honrar seus direitos e valores humanos e, assim, evitar o pior.‚ÄĚ

Parágrafo 2: Começa o produtor textual a relacionar seus argumentos que irão embasar sua Tese. E começando muito bem, pois busca em seu repertório cultural uma informação histórica que enaltece o comportamento do brasileiro no período ditatorial no País, emitindo uma comparação com os tempos atuais.

Parágrafo 3: Aqui, o candidato amplia sua reflexão sobre o comportamento do brasileiro, apontando sua estranheza sobre a acomodação da sociedade brasileira, numa época em que vivemos uma democracia plena.

Par√°grafo 4: No √ļltimo par√°grafo do Desenvolvimento, o produtor textual sugere qual deve ser o comportamento pol√≠tico do brasileiro, al√©m de j√° apresentar sua vis√£o humanista ‚Äď fundamental na reda√ß√£o do ENEM! ‚Äď, sobre o problema, ao citar que ‚Äú… a mobiliza√ß√£o deve agir na dire√ß√£o de quem mais necessita, ajudando, educando e oferecendo oportunidades para exclu√≠dos, que vivem √† margem da vida social, abaixo da linha da humanidade.‚ÄĚ

Par√°grafo 5: Na Conclus√£o, outro exemplo de um perfeito T√≥pico Frasal apresentando sua Proposta de Interven√ß√£o “Se a sociedade n√£o se mobilizar imediatamente, chegar√° o dia em que as piadas alienadas e alienantes resultar√£o, para a maioria, em risadas de hiena.” e um per√≠odo finalizador constru√≠do com refinamento textual: ‚ÄúE, para a minoria privilegiada, imune ‚Äď ou beneficiada? ‚Äď √† crise √©tica, restar√£o apenas olhos marejados.‚ÄĚ

Acrescente-se o uso correto da Variante Padrão da Língua Portuguesa e, também, a precisão na construção da Coerência e da Coesão textuais.

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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An√°lise das Melhores Reda√ß√Ķes / ENEM 2008

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Com a aproxima√ß√£o das datas de realiza√ß√£o das provas do ENEM ‚Äď Exame Nacional do Ensino M√©dio 2016, a partir desta semana, vamos postar e analisar as melhores reda√ß√Ķes dos √ļltimos concursos, a fim de refletirmos sobre as compet√™ncias que comp√Ķem a arquitetura textual do texto dissertativo-argumentativo e s√£o cobradas no exame, ali√°s, essenciais, tamb√©m, para outros exames e concursos.

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O ENEM de 2008 pediu uma resposta para o seguinte enunciado: ‚ÄúComo preservar a floresta Amaz√īnica‚ÄĚ. Foram sugeridas tr√™s possibilidades:

1) suspender imediatamente o desmatamento;
2) dar incentivos financeiros a propriet√°rios que deixarem de desmatar;
3) ou aumentar a fiscalização e aplicar multas a quem desmatar.

Inicialmente, vejamos uma redação sobre o tema que alcançou uma ótima pontuação:

www.infoenem.com.br

(Sem título)

A floresta Amaz√īnica vem sofrendo h√° muito tempo com o desmatamento, problema que compromete a realiza√ß√£o natural do ciclo da √°gua, prejudicando, assim, o funcionamento pleno deste bioma. Desse modo, √© necess√°rio preservar tal ambiente; e uma das maneiras de faz√™-lo √© a efetiva√ß√£o de pagamentos a propriet√°rios de terra a fim de que parem de desmatar a floresta. Contudo, n√£o se deve executar apenas esta a√ß√£o.

O cumprimento de tal atitude pode, sim, diminuir o √≠ndice de desmatamento da Amaz√īnia, j√° que os propriet√°rios de terra podem utilizar este pagamento para suas necessidades ao inv√©s do lucro que eles ganhariam se estivessem explorando os recursos naturais de forma exorbitante, o que significa que, pelo menos teoricamente, o padr√£o de vida desses indiv√≠duos n√£o seria alterado.

Por outro lado, h√° uma enorme probabilidade de que, mesmo recebendo dinheiro, alguns propriet√°rios de terra continuem devastando a floresta para enriquecerem mais rapidamente, o que, com certeza, √© uma evid√™ncia concreta da sociedade capitalista e ambiciosa contempor√Ęnea. Afinal, isto mostra que certas pessoas se preocupam apenas consigo mesmas, sem se importarem com o meio ambiente.

Al√©m disso, devido √† extens√£o territorial do Brasil, a verba enviada aos latifundi√°rios da Amaz√īnia pode n√£o chegar a essa regi√£o, fazendo com que eles permane√ßam desmatando-a. Outro motivo relevante para a ocorr√™ncia de tal evento √© o fato de, infelizmente, existirem muitos corruptos neste pa√≠s, os quais roubam parte do dinheiro.

Diante da problem√°tica em quest√£o, √© indispens√°vel que os ambientalistas promovam manifesta√ß√Ķes pac√≠ficas que tenham como objetivo a conscientiza√ß√£o dos adultos e do governo para que ambos compreendam que √© necess√°ria a preserva√ß√£o ambiental, pois s√≥ assim as gera√ß√Ķes futuras ter√£o meios de extrair da natureza o que √© essencial para a sobreviv√™ncia.

An√°lise

Par√°grafo 1: O produtor textual atendeu plenamente √† proposta de reda√ß√£o, pois escolheu a segunda alternativa, ou seja, defendeu a ideia de ‚Äú… dar incentivos financeiros a propriet√°rios que deixarem de desmatar;‚ÄĚ e colocou no par√°grafo inicial do texto. Ao mesmo tempo em que defende sua tese em rela√ß√£o a sua escolha: ‚ÄúDesse modo, √© necess√°rio preservar tal ambiente; e uma das maneiras de faz√™-lo √© a efetiva√ß√£o de pagamentos a propriet√°rios de terra a fim de que parem de desmatar a floresta.‚ÄĚ Constru√ß√£o perfeita da Introdu√ß√£o.

Par√°grafo 2: Para defender sua tese, o candidato apresenta seu primeiro e bom¬† argumento ‚Äú… j√° que os propriet√°rios de terra podem utilizar este pagamento para suas necessidades ao inv√©s do lucro que eles ganhariam se estivessem explorando os recursos naturais de forma exorbitante…‚ÄĚ com um T√≥pico Frasal constitu√≠do de Introdu√ß√£o, Desenvolvimento e Conclus√£o ‚Äď nessa ordem, o que demonstra compet√™ncia na progress√£o frasal.

Par√°grafo 3: Aqui, o candidato faz uma contra-argumenta√ß√£o correta ao argumento citado: ‚ÄúPor outro lado, h√° uma enorme probabilidade de que, mesmo recebendo dinheiro, alguns propriet√°rios de terra continuem devastando a floresta para enriquecerem mais rapidamente…‚ÄĚ

Par√°grafo 4: Neste par√°grafo, o candidato falha, pois apresenta mais duas contra-argumenta√ß√Ķes o que prejudica a defesa de sua tese. Defender um ponto de vista apresentando apenas um argumento e tr√™s contra-argumenta√ß√Ķes √© demonstrar inconsist√™ncia argumentativa.

Par√°grafo 5: Chama √† aten√ß√£o negativamente, o fato de o candidato citar ‚Äúmanifesta√ß√Ķes pac√≠ficas‚ÄĚ em sua proposta de interven√ß√£o, uma vez que n√£o houve refer√™ncia a elas ao longo do texto.

Sem d√ļvida uma reda√ß√£o acima da m√©dia, com corre√ß√£o no uso da variante padr√£o da l√≠ngua e coes√£o perfeitas, embora um pouco fragilizada pela engenharia argumentativa.

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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Dia Nacional do Escritor

www.brasilescola.uol.com.br

Hoje, 25 de julho, é o Dia Nacional do Escritor, data que celebra as pessoas que têm a palavra escrita como instrumento de trabalho. Embora a reverência seja ampla, feita ao produtor de textos tanto científicos quanto fictícios, aqui, renderemos homenagens àqueles que se dedicam ao ofício de tornar a passagem humana pela Terra uma aventura divina.

E o mestre de cerim√īnia deste evento ser√° M√°rio Quintana. Um gigante na arte de fazer poesia, com uma simplicidade que alcan√ßa os Deuses, e o poema dele que voc√™ ler√°, a seguir, confirma esta rela√ß√£o dos poetas com a divindade.

√ďtima Leitura!

www.colegioweb.com.br

Se eu fosse um padre!

Se eu fosse um padre, eu, nos meus serm√Ķes,
n√£o falaria em Deus nem no Pecado
‚ÄĒ muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas sedu√ß√Ķes,

n√£o citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terr√≠veis maldi√ß√Ķes…
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,

Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a inf√Ęncia me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!

Porque a poesia purifica a alma
… e um belo poema ‚ÄĒ ainda que de Deus se aparte ‚ÄĒ
um belo poema sempre leva a Deus!

Mário Quintana, em Nova Antologia Poética,
Editora Globo – SP, 1998, p√°g. 105.

Abraços Fraternos!

Paulo Jorge


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