O Quê?!

www.maequeroserit.wordpress.com

Em 2011, a apresentadora do Jornal Hoje, da Rede Globo, Sandra Anneberg, pronunciou esta frase mostrando sua opinião sobre um tombo sofrido, propositadamente, por uma repórter, durante uma reportagem apresentada, ao vivo, em São Paulo.

Nesse enunciado, a palavra “Que” intensifica a ideia do adjetivo ‚Äúdeselegante‚ÄĚ, por isso, quanto √† morfologia, desempenha a fun√ß√£o de adv√©rbio. Na sintaxe, de um adjunto adverbial.

Deseleg√Ęncia √† parte, a palavra mais utilizada da L√≠ngua Portuguesa possui diversas fun√ß√Ķes que possibilitam ao usu√°rio a constru√ß√£o de textos coerentes e coesos, sonoros e articulados tanto na oralidade, quanto na escrita, da√≠ muitos acreditarem ser ela a palavra mais rica da nossa devido a sua varia√ß√£o morfol√≥gica e sint√°tica.

Observe outros exemplos:

Ex 2. Falava que falava, mas ninguém conseguia entendê-la.

Aqui, a palavra ‚Äúque‚ÄĚ assume a fun√ß√£o morfol√≥gica de uma conjun√ß√£o aditiva e n√£o possui fun√ß√£o sint√°tica.

Ex. 3:

Meu bem querer
tem um quê de pecado
Acariciado pela emoção

Nesses bel√≠ssimos versos de Djavan, morfologicamente, a classe gramatical da palavra “qu√™‚ÄĚ √© um substantivo, porque denota a ideia de um elemento, um ser abstrato. J√°, sintaticamente, complementa o sentido de um verbo transitivo direto, por isso se trata de um objeto direto.

No entanto, existem casos em que o uso abusivo dela empobrece o texto, tornando-o pesado, enfadonho, dificultando sua leitura e seu entendimento.

Veja alguns exemplos desse mau uso:

www.nicolaruth.blogspot.com

Ex 4. Quando chegaram, pediram-me que devolvesse o livro que me fora emprestado por ocasi√£o dos exames que se realizaram no fim do ano que passou.

Percebe-se que o enunciado está mal construído, e existem algumas possibilidades de reestruturação.

Veja uma delas:

Ex. Quando chegaram, pediram-me a devolução do livro emprestado por ocasião dos exames realizados no fim do ano passado.

Convenhamos que, agora, o enunciado se apresenta sonoro e simples. De f√°cil pron√ļncia e entendimento. Observe mais um exemplo:

Ex. 5: Muitos candidatos revelaram que desconheciam totalmente a matéria que constava dos programas que foram organizados pela banca que os examinava.

Ficaria enriquecido se estivesse, por exemplo, assim, construído:

Ex. Muitos candidatos revelaram desconhecer totalmente a matéria constante dos programas organizados pela banca examinadora.

www.otvfoco.com.br

A habilidade para desenvolver a produção de textos leves, sonoros e elegantes Рnão nos esqueçamos! Рé adquirida com a leitura sistemática de textos de qualidade, sejam eles literários ou não literários.

Abraços,

Paulo Jorge


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Dificuldade,

Um ano antes da morte de Tancredo Neves, Andrea Neves, sua primeira neta, publicou um artigo na Revista Vogue, no qual faz uma radiografia do av√ī, por um vi√©s terno e familiar. Emocionado, o ex-presidente foi √†s l√°grimas ao ler o texto.¬† Ao se encontrar com a neta, disse:

‚Äď Voc√™ n√£o sabe usar as v√≠rgulas!

www.alunosonline.uol.com.br

Sinal de pontuação que mais apresenta dificuldades de uso ao produtor textual, a vírgula serve para indicar pequenas pausas e mudança de entonação, embora seus usos não estejam diretamente ligados à fala. Veja estes exemplos:

Ex. Ficarei feliz se você vier. / Se você vier, ficarei feliz.

Ambas as constru√ß√Ķes est√£o escritas de acordo com a variante padr√£o da L√≠ngua Portuguesa, no entanto a presen√ßa da v√≠rgula, no segundo exemplo, exige do falante uma entona√ß√£o que inexiste no primeiro. Esse fato torna o enunciado mais sonoro e, por isso, mais enriquecido.

√Č claro que a frase do ex-presidente revela um contexto no qual a formalidade determina um comportamento social r√≠gido, mas n√£o deixa de registrar um aspecto gramatical que estressa alguns produtores textuais, da√≠ a necessidade de se conhecer as situa√ß√Ķes em que o uso da v√≠rgula √© obrigat√≥rio.

Vamos a elas!

www.comoescreve.com.br

‚Äď Em datas, endere√ßos, termos relacionados e certas express√Ķes:
Ex. Salvador, 01 de julho de 2013.
Residia na pra√ßa do Campo Grande, 10 ‚Äď Centro
O cinema, o teatro, a praia e a m√ļsica s√£o as suas divers√Ķes.
Terminou a festa em minha cidade, isto é, a festa da padroeira.

‚Äď Separa vocativo, aposto, adv√©rbio longo e adjunto adverbial:
Ex. A vida, seu moço, tem dessas coisas.
Dom Casmurro, romance de Machado de Assis, é uma obra monumental.
Neymar perdeu, inacreditavelmente, o gol.
Ele vai, pouco a pouco, assumindo o papel que era do pai.

‚Äď Separa ora√ß√Ķes coordenadas, subordinadas e reduzidas:
Ex. O tempo não para no porto, não apita na curva, não espera ninguém.
Quando os brasileiros aprenderem a votar, este país irá melhorar.
A inteligência, que nos distingue dos irracionais, tem valor inestimável.
Chegando o diretor, avise-me imediatamente!

‚Äď Indica a presen√ßa de elipse e zeugma:
Ex. Na queda, nenhum arranh√£o.
Alguns políticos trabalham; outros, não.

‚Äď Separa termos deslocados de sua posi√ß√£o normal na frase e ora√ß√Ķes iniciadas pela conjun√ß√£o E, quando os sujeitos forem diferentes:
Ex. A desculpa, entretanto, n√£o foi suficiente para agradar ao diretor.
Tirai o homem do mundo, e a ambição desaparecerá da Terra.

Pronto. S√£o essas as situa√ß√Ķes de uso da v√≠rgula. Atento aos aspectos gramaticais, voc√™ estar√° em condi√ß√Ķes de virgular, corretamente, o seu texto.

Abraços,

Paulo Jorge


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O √ćndio

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Em 19 de abril, comemora-se o Dia do √ćndio, e para homenagearmos os primeiros habitantes da¬† terra de brasilis e n√£o nos esquecermos das trag√©dias ambientais que muitos insistem em provocar e outros em n√£o criminalizar, trazemos a letra e o √°udio* da m√ļsica Um √ćndio, de Caetano Veloso, que faz parte do √°lbum Bicho, lan√ßado em no ano de 1977, por este √≠cone da MPB – M√ļsica Popular Brasileira.

Na obra, Caetano denuncia o processo de extin√ß√£o dos √≠ndios na Am√©rica Latina, em ‚ÄúDepois de exterminada a √ļltima na√ß√£o ind√≠gena…‚ÄĚ e prev√™ a volta deles em ‚ÄúNum ponto equidistante entre o Atl√Ęntico e o Pac√≠fico / Do objeto, sim, resplandecente descer√° o √≠ndio.‚ÄĚ, com uma for√ßa somente compar√°vel a grandes her√≥is reais – Muhammed Ali, Bruce Lee e Ghandi,¬† ou imagin√°rios – Peri. E das premissas apresentadas, o compositor chega √† seguinte conclus√£o: ‚ÄúE aquilo que nesse momento se revelar√° aos povos / Surpreender√° a todos, n√£o por ser ex√≥tico / Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto / Quando ter√° sido o √≥bvio.‚ÄĚ

Os √ćndios e Caetano, tudo a ver!

www.vagalume.com.br

Um √ćndio

Um índio descerá de uma estrela colorida e brilhante
De uma estrela que vir√° numa velocidade estonteante

E pousará no coração do hemisfério sul, na América, num claro instante

Depois de exterminada a √ļltima na√ß√£o ind√≠gena
E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida
Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias

Vir√°, imp√°vido que nem Muhammed Ali, vir√° que eu vi
Apaixonadamente como Peri, vir√° que eu vi
Tranq√ľilo e infal√≠vel como Bruce Lee, vir√° que eu vi
O axé do afoxé, filhos de Ghandi, virá

Um índio preservado em pleno corpo físico
Em todo sólido, todo gás e todo líquido
Em √°tomos, palavras, alma, cor, em gesto e cheiro
Em sombra, em luz, em som magnífico

Num ponto equidistante entre o Atl√Ęntico e o Pac√≠fico
Do objeto, sim, resplandecente descerá o índio
E as coisas que eu sei que ele dir√°, far√°, n√£o sei dizer
Assim, de um modo explícito

REFRÃO

E aquilo que nesse momento se revelar√° aos povos
Surpreenderá a todos, não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio

Abraços Fraternos!

Paulo Jorge

*Link: https://www.youtube.com/watch?v=dPdfwzYuOsw


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Ênclise, Próclise & Mesóclise

www.sugestoesdeatividades.blogspot.com

Não tem jeito. Seja em jornais, revistas ou internet, lá estão eles, às vezes quase imperceptíveis, mas sempre marcando presença.

Veja:

‚ÄúPoucos tem (sic) o curr√≠culo ecl√©tico de Roberto Viana, dono da Petra Energia. Antes de se formar em economia pela Universidade Federal de Pernambuco, passou alguns anos estudando filosofia na Sui√ßa (sic), onde dedicou-se ao estudo da obra do alem√£o Arthur Schopenhauer.‚ÄĚ Folha de S. Paulo

‚ÄúMas comenta-se tamb√©m que o desfecho da negocia√ß√£o √© quest√£o de tempo.‚ÄĚ A Tarde

‚ÄúA institui√ß√£o botou o p√© no freio, se antecipando a uma eventual queda em seus lucros ao fim deste ano.‚ÄĚ O Globo

www.portuguesvillare.webnode.com.br

Pois é. Por cochilo ou desconhecimento, os exemplos citados estão com os pronomes oblíquos átonos - o, os, a, as, me, te, se, nos, vos, lhe e lhes Рcolocados após os verbos, quando deveriam antecedê-los. Este fato chama à atenção, porque, se existe um aspecto gramatical que, em princípio, não deveria causar dificuldades ao usuário da língua, este é a Colocação Pronominal, que indica a posição adequada desses pronomes em complementos verbais. Aqui, estamos nos referindo aos Objetos Direto e Indireto.

Existem em nosso idioma palavras ‚Äď como pronomes, adv√©rbios e conjun√ß√Ķes ‚Äď que atraem o pronome obl√≠quo para antes do verbo e, este fato, em tese, pode ser confirmado quando conseguimos uma melhor sonoridade ao aplicarmos a ‚Äúlei do menor esfor√ßo‚ÄĚ, ou seja, a constru√ß√£o oral mais leve e suave √© a correta. Tente colocar os pronomes obl√≠quos, nos exemplos citados, antes dos verbos e voc√™ perceber√° que pronunciamos os sons das palavras sem dificuldades, sem atropelos. Veja como a sonoridade se alia √† orienta√ß√£o da variante padr√£o da l√≠ngua:

Ex. “… onde se dedicou…”¬† /¬† “Mas se comenta tamb√©m…”¬† /¬† “… se antecipando a uma eventual…”

As regras de Colocação Pronominal, no entanto, devem ser internalizadas para uma maior desenvoltura linguística tanto do falante como do produtor textual.

Vamos a elas:

www.escrevamaisemelhor.blogspot.com

Se houver a presença de palavras atrativas, o pronome oblíquo deverá estar antes do verbo; neste caso, temos a Próclise.

Ex. N√£o me deram uma nova oportunidade na empresa.

Caso n√£o ocorra a presen√ßa de palavras atrativas, e os verbos estejam no Futuro do Presente ou no Futuro do Pret√©rito, o pronome obl√≠quo dever√° ficar no meio do verbo. Ali√°s, constru√ß√£o praticamente em desuso na oralidade, mesmo em ambientes liter√°rios e acad√™micos. √Č a Mes√≥clise.

Ex. Dar-me-iam uma nova oportunidade na empresa?

Se n√£o houver nenhuma das condi√ß√Ķes citadas, o pronome obl√≠quo dever√° estar ap√≥s o verbo. √Č a √änclise. Condi√ß√£o cl√°ssica da L√≠ngua Portuguesa.

Ex. Deram-me uma nova oportunidade na empresa.

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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Ditados Populares & Suas Origens ‚Äď II

Publicamos, nesta semana, a segunda e √ļltima parte dos Ditados Populares mais recorrentes em nossas intera√ß√Ķes sociais.

A propósito, caso você não saiba a origem de algum de ditado e queira saber, entre em contado conosco.

√ďtima Leitura!

www.pastortonysilva.blogspot.com

Segundo estudiosos da língua portuguesa, este termo surgiu a partir de uma história curiosa. Conta-se que um caçador mentiroso, ao ser surpreendido, sem armas, por uma onça, deu um grito tão forte que o animal fugiu apavorado. Como quem o ouvia não acreditou, dizendo que , se assim fosse, ele teria sido devorado, o caçador, indignado, perguntou se, afinal, o interlocutor era seu amigo ou amigo da onça. Atualmente, o ditado significa amigo falso, hipócrita.

Elefante branco

A express√£o vem de um costume do antigo reino de Si√£o, situado na atual Tail√Ęndia, que consistia no gesto do rei de dar um elefante branco aos cortes√£os que ca√≠am em desgra√ßa.¬†Sendo um animal sagrado, n√£o podia ser posto a trabalhar. Como presente do pr√≥prio rei, n√£o podia ser vendido. Mat√°-lo, ent√£o, nem pensar.¬†N√£o podendo tamb√©m ser recusado, restava ao infeliz agraciado aliment√°-lo, acomod√°-lo e cri√°-lo com luxo, sem nada obter de todos esses cuidados e despesas.¬†Da√≠ o ditado significar algo que se tem ou que se construiu, mas que n√£o serva para nada.

Estar com a corda no pescoço

O enforcamento foi, e ainda √© em alguns pa√≠ses, um meio de aplica√ß√£o da pena de morte. A met√°fora nasceu de anistias ou comuta√ß√Ķes de pena chegadas √† √ļltima hora, quando o condenado j√° estava prestes a ser executado e o carrasco j√° lhe tinha posto a corda no pesco√ßo, situa√ß√£o que, de fato, √© um sufoco.¬†Hoje, o ditado significa estar amea√ßado, sob press√£o ou com problemas financeiros.

O pior cego é o que não quer ver

Em 1647, em Nimes, na França, na universidade local, o doutor Vicent de Paul D’Argenrt fez o primeiro transplante de córnea em um aldeão de nome Angel. Foi um sucesso da medicina da época, menos para Angel, que assim que passou a enxergar ficou horrorizado com o mundo que via. Disse que o mundo que ele imagina era muito melhor. Pediu ao cirurgião que arrancasse seus olhos. O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou para a história como o cego que não quis ver. Atualmente, o ditado se refere a alguém que se nega a admitir um fato verdadeiro.

www.elo7.com.br

Este dito popular tem origem na It√°lia. Joana, rainha de N√°poles e condessa de Proven√ßa (1326-1382), liberou os bord√©is em Avignon, onde estava refugiada, e mandou escrever nos estatutos: ‚ÄúQue tenha uma porta por onde todos entrar√£o‚ÄĚ. O lugar ficou conhecido como Pa√ßo de M√£e Joana, em Portugal. Ao vir para o Brasil a express√£o virou ‚ÄúCasa da M√£e Joana‚ÄĚ. A outra express√£o envolvendo M√£e Joana, um tanto chula, tem a mesma origem, naturalmente.

Onde Judas perdeu as botas

Depois de trair Jesus e receber 30 dinheiros, Judas caiu em depressão e culpa, vindo a se suicidar enforcando-se numa árvore. Acontece que ele se matou sem as botas. E os 30 dinheiros não foram encontrados com ele. Logo os soldados partiram em busca as botas de Judas, onde, provavelmente, estaria o dinheiro. A história é omissa daí pra frente. Nunca saberemos se acharam ou não as botas e o dinheiro. Mas a expressão atravessou vinte séculos. Atualmente, o ditado significa lugar distante, inacessível.

Quem não tem cão caça com gato

Se voc√™ n√£o pode fazer algo de uma maneira, se vira e faz de outra.¬†Na verdade, a express√£o, com o passar dos anos, se adulterou. Inicialmente se dizia ‚Äúquem n√£o tem c√£o ca√ßa como gato‚ÄĚ, ou seja, se esgueirando, astutamente, trai√ßoeiramente, como fazem os gatos.

Deixar de Nhenhenhém

Conversa intermin√°vel em tom de lam√ļria, irritante, mon√≥tona. Nhe√ę, em tupi, quer dizer falar. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, eles n√£o entendiam aquela fala√ß√£o estranha e diziam que os portugueses ficavam a dizer ‚Äúnhenhenh√©m‚ÄĚ.

www.beniniclaudemir.wordpress.com

Estar distante, pensativo, alheio a tudo. Como se sabe, o bezerro era adorado pelos hebreus e sacrificados para Deus num altar. Quando Absal√£o, por n√£o ter mais bezerros, resolveu sacrificar uma bezerra, seu filho menor, que tinha grande carinho pelo animal, se op√īs. Em v√£o. A bezerra foi oferecida aos c√©us e o garoto passou o resto da vida sentado do lado do altar ‚Äúpensando na morte da bezerra‚ÄĚ. Consta que meses depois veio a falecer.

N√£o entender patavina

Tito Lívio, natural de Patavium (hoje Pádova, na Itália), usava um latim horroroso, originário de sua região. Nem todos entendiam. Daí surgiu o Patavinismo, que originariamente significava não entender Tito Lívio, não entender patavina.

Jurar de pés junto

A expressão surgiu das torturas executadas pela Santa Inquisição, nas quais o acusado de heresias tinha as mãos e os pés amarrados (juntos) e era torturado para confessar seus crimes.

Testa de ferro

O Duque Emanuele Filiberto di Savoia, conhecido como Testa di Ferro, foi rei de Chipre e Jerusalém. Mas tinha somente o título e nenhum poder verdadeiro. Daí a expressão ser atribuída a alguém que aparece como responsável por um por um negócio ou empresa sem que o seja efetivamente.

www.caiomotta.com.br

O crocodilo, quando ingere um alimento, faz forte press√£o contra o c√©u da boca, comprimindo as gl√Ęndulas lacrimais. Assim, ele chora enquanto devora a v√≠tima. Da√≠ a express√£o significar choro fingido.

Passar a mão pela cabeça

Significa perdoar, e vem do costume judaico de abençoar cristãos-novos, passando a mão pela cabeça e descendo pela face, enquanto se pronuncia a bênção.

Queimar as pestanas

Antes do aparecimento da eletricidade, recorria-se a uma lamparina ou uma vela para iluminação. A luz era fraca e, por isso, era necessário colocá-las muito perto do texto quando se pretendia ler o que podia dar num momento de descuido queimar as pestanas. Por essa razão, aplica-se àqueles que estudam muito.

Sem papas na língua

Significa ser franco, dizer o que sabe, sem rodeios.¬†A express√£o vem da frase castelhana ‚Äúno tener pepitas em la lengua‚ÄĚ. Pepitas, diminutivo de papas, s√£o part√≠culas que surgem na l√≠ngua de algumas galinhas, √© uma esp√©cie de tumor que lhes obstrui o cacarejo. Quando n√£o h√° pepitas (papas), a l√≠ngua fica livre.

A toque de caixa

A caixa é o corpo oco do tambor que foi levado para a  Europa pelos árabes. Como os exercícios militares eram acompanhados pelo som de tambores, dizia-se que os soldados marchavam a toque de caixa. Atualmente, refere-se a uma tarefa que se tem de fazer rapidamente, eventualmente a mando de alguém ou mesmo à força.

Maria vai com as outras

Dona Maria I, m√£e de D. Jo√£o VI (av√≥ de D. Pedro I e bisav√≥ de D. Pedro II), enlouqueceu de um dia para o outro. Declarada incapaz de governar, foi afastada do trono.¬†Passou a viver recolhida e s√≥ era vista quando sa√≠a para caminhar a p√©, escoltada por numerosas damas de companhia. Quando o povo via a rainha levada pelas damas nesse cortejo, costumava comentar: ‚ÄúL√° vai D. Maria com as outras‚ÄĚ.¬†Atualmente aplica-se a express√£o a uma pessoa que n√£o tem opini√£o e se deixa convencer com a maior facilidade.

Fonte: Locu√ß√Ķes Tradicionais no Brasil,
Lu√≠s da C√Ęmara Cascudo.
S√£o Paulo, Editora Global/2008.

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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Salvador, cidade-texto

Caro (a) Leitor (a),

Para esta semana, estava programada a postagem da segunda parte dos Ditados & suas Origens, entretanto, com a proximidade do anivers√°rio da cidade do Salvador – 29 de mar√ßo -, adiamos a publica√ß√£o para a pr√≥xima semana, porque homenagear a Roma Negra √© obriga√ß√£o de todo soteropolitano e / ou habitante desta Cidade d’Oxum.

O artigo de opini√£o, de Pinheiro e Silva, – permeado de literatura – homenageia nossa cidade com um grande achado, ou seja, compara a constru√ß√£o e leitura da cidade √† constru√ß√£o e leitura do texto. Aten√ß√£o especial √† frase interrogativa que encerra o texto, informa o objetivo de seus autores e pode provocar diferentes interpreta√ß√Ķes.

Acrescente-se a isso o fato de a pintura do mestre Caribé, que antecede o texto verbal e estabelece um diálogo com ele, é a mais perfeita tradução de Salvador no que se refere às artes plásticas.

Não é?!

Feliz Anivers√°rio, Salvador!

www.leiufba.blogspot.com.

Cidade-texto

Sempre existiu uma √≠ntima rela√ß√£o entre a literatura e a cidade. Na hist√≥ria, os dois fen√īmenos ‚Äď escrita e cidade ‚Äď ocorrem quase que simultaneamente. Por outro lado, √© evidente o paralelismo que existe na possibilidade de empilhar tijolos / construir cidades e agrupar letras formando palavras para representar sons e ideias. Construir cidades significa tamb√©m uma forma de escrita. Sempre presente nas indaga√ß√Ķes e nas ang√ļstias dos escritores, a cidade √© sempre tessitura, trama da experi√™ncia liter√°ria. Seja a cidade natal, seja a cidade grande, sempre em torno da cidade o escritor, o artista, constroem sua vida pessoal e, consequentemente, sua obra liter√°ria. Sendo a cidade o cen√°rio de nossa vida cotidiana, n√≥s somos parte dela, da urbe ‚Äď somos urbanos.

√Č na cidade e atrav√©s da escrita que se registra a acumula√ß√£o de conhecimentos. Na cidade-escrita, habitar ganha uma dimens√£o completamente nova, vez que se fixa em uma mem√≥ria que, ao contr√°rio da lembran√ßa, n√£o se dissipa com a morte. A cena escrita da cidade permanece. E n√£o s√£o somente os textos que a cidade produz e cont√©m (documentos, registros, mapas, plantas baixas, invent√°rios) que fixam essa mem√≥ria. A pr√≥pria arquitetura urbana escreve a hist√≥ria da cidade. O desenho das casas e das ruas, das pra√ßas e dos templos, al√©m de contar a experi√™ncia daqueles que os constru√≠ram, revela o seu mundo. √Č por isso que as formas e tipologias arquitet√īnicas podem ser lidas e decifradas como se l√™ um texto. A arquitetura da cidade √©, ao mesmo tempo, continente e registro da cultura urbana. √Č como se a cidade fosse um imenso alfabeto, com o qual se montam e desmontam palavras e frases. √Č precisamente essa dimens√£o que permite ser o pr√≥prio espa√ßo da cidade o encarregado de contar sua hist√≥ria.

Tanto as manifesta√ß√Ķes culturais populares e eruditas quanto as igrejas, os monumentos, qualquer produto arquitet√īnico, as pra√ßas e jardins, o tra√ßado das ruas e caminhos, os arquivos e museus, as obras de arte, os fazeres e as peculiaridades do comportamento social, a paisagem e os vest√≠gios arqueol√≥gicos podem estar reunidos no cen√°rio da cidade. Tudo isso constitui, na cidade, as suas refer√™ncias, a sua mem√≥ria e a sua identidade. A cidade √© o espa√ßo da hist√≥ria e da cultura. √Č na cidade que se produz a arte.

E √© essa hist√≥ria, com o cen√°rio de Salvador, o objeto de muitas obras liter√°rias de Jorge Amado, dentre as quais a Bahia de Capit√£es da Areia, dos Pastores da Noite, de Tenda dos Milagres, da vida amorosa de Dona Flor e seus Dois Maridos e de A morte e a morte de Quincas Berro d‚Äô√Āgua. √Č tema tamb√©m dos versos sat√≠ricos de Greg√≥rio de Matos e Guerra, que retratam a velha metr√≥pole do s√©culo XVII.

Lugar de nossas lembran√ßas e de nossas emo√ß√Ķes, cidade do Terceiro Mundo, fundada h√° 450 anos, Salvador foi a primeira capital portuguesa da Am√©rica, e o seu Centro Hist√≥rico o primeiro aglomerado urbano do Brasil. Seus s√≠mbolos e significados do passado se interceptam com os do presente, construindo uma rede de significados m√≥veis. Em Salvador, o passado existe porque faz parte do presente.

√Č nesse presente, mais precisamente na d√©cada de 90, que Salvador passou por uma das mais vastas e profundas opera√ß√Ķes urban√≠sticas de que se t√™m not√≠cias no mundo ‚Äď a revitaliza√ß√£o do seu Centro Hist√≥rico, em torno do Pelourinho. Ser√° o novo Pelourinho um engano a desafiar nossa leitura do texto da cidade?

Silva, M. A. da. & Pinheiro, D. J. F.

Abraços Fraternos!

Paulo Jorge


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Ditados Populares & Suas Origens ‚Äď I

Recursos lingu√≠sticos recorrentes em nossa oralidade, os ditados populares ‚Äst ad√°gios, prov√©rbios ‚Äď enriquecem as nossas intera√ß√Ķes sociais, resumindo um pensamento que, se dito de forma literal, necessitar-se-ia da utiliza√ß√£o de um grande n√ļmero de palavras, tornando determinados discursos enfadonhos, al√©m se perder o ‚Äúar‚ÄĚ po√©tico das express√Ķes.

Lu√≠s da C√Ęmara Cascudo, folclorista, historiador, antrop√≥logo, registrou no livro Locu√ß√Ķes Tradicionais no Brasil os resultados de suas pesquisas sobre a origem de ditados e express√Ķes populares que s√£o de se ‚ÄúComer com os olhos‚ÄĚ para aqueles que se interessam pela etimologia de palavras e express√Ķes da L√≠ngua Portuguesa.

Bom apetite!

www.apaixonadopormissoes.blogspot.com

Comer com os olhos

Soberanos da √Āfrica Ocidental n√£o consentiam testemunhas √†s suas refei√ß√Ķes. Comiam sozinhos.¬†Na Roma Antiga, uma cerim√īnia religiosa f√ļnebre consistia num banquete oferecido aos deuses em que ningu√©m tocava na comida. Apenas olhavam, ‚Äúcomendo com os olhos‚ÄĚ.¬†A prop√≥sito, o pesquisador C√Ęmara Cascudo diz que certos olhares absorvem a subst√Ęncia vital dos alimentos. Hoje o ditado significa apreciar de longe, sem tocar.

Bicho-de-sete-cabeças

Tem origem na mitologia grega, mais precisamente na lenda da Hidra de Lerna, monstro de sete cabeças que, ao serem cortadas, renasciam. Matar este animal foi uma das doze proezas realizadas por Hércules. A expressão ficou popularmente conhecida, no entanto, por representar a atitude exagerada de alguém que, diante de uma dificuldade, coloca limites à realização da tarefa, até mesmo por falta de disposição para enfrentá-la.

Com o rei na barriga

A express√£o prov√©m do tempo da monarquia em que as rainhas, quando gr√°vidas do soberano, passavam a ser tratadas com defer√™ncia especial, pois iriam aumentar a prole real e, por vezes, dar herdeiros ao trono, mesmo quando bastardos. Em nossos dias refere-se a uma pessoa que d√° muita import√Ęncia a si mesma.

Com a corda toda

Antigamente, os brinquedos que possu√≠am movimento eram acionados torcendo um mecanismo em forma de mola ou um el√°stico, que ao ser distendido, fazia o brinquedo se mexer. Ambos os mecanismos eram chamados de ‚Äúcorda‚ÄĚ. Logo, quando se dava ‚Äúcorda‚ÄĚ totalmente num brinquedo, ele movia-se de forma mais agitada e fren√©tica. Da√≠ a origem da express√£o.

Com as favas contadas

De acordo com C√Ęmara Cascudo, antigamente, votavam-se com as favas brancas e pretas, significando sim ou n√£o. Cada votante colocava o voto, ou seja, a fava, na urna. Depois vinha a apura√ß√£o pela contagem dos gr√£os, sendo que quem tivesse o maior n√ļmero de favas brancas estaria eleito. Atualmente, significa coisa certa, neg√≥cio seguro.

Fazer ouvidos de mercador

Orlando Neves, autor do Dicion√°rio das Origens das Frases Feitas, diz que a palavra mercador √© uma corruptela de marcador, nome que se dava ao carrasco que marcava os ladr√Ķes com ferro em brasa, indiferente aos seus gritos de dor. No caso, fazer ouvidos de mercador √© uma alus√£o a atitude desse algoz, sempre surdo √†s s√ļplicas de suas v√≠timas.

Tapar o sol com a peneira

Peneira √© um instrumento circular de madeira com o fundo em trama de metal, seda ou crina, por onde passa a farinha ou outra subst√Ęncia mo√≠da. Qualquer tentativa de tapar o sol com a peneira √© ingl√≥ria, uma vez que o objeto √© perme√°vel √† luz. A express√£o teria nascido dessa constata√ß√£o, significando atualmente um esfor√ßo mal sucedido para ocultar uma asneira ou negar uma evid√™ncia.

Ave de mau agouro

Na antiga Roma, a predi√ß√£o dos bons ou maus acontecimentos (Avis spicium, em Latim) era feita atrav√©s da leitura do v√īo ou canto das aves. Os p√°ssaros mais usados para isso eram a √°guia, a coruja, o corvo e a gralha. Ainda hoje perdura, popularmente, a conota√ß√£o funesta com qualquer destas aves.

Santa do pau oco

Express√£o que se refere √† pessoa que se faz de boazinha, mas n√£o √©. Nos s√©culo XVIII e XIX os contrabandistas de ouro em p√≥, moedas e pedras preciosas utilizavam est√°tuas de santos ocas por dentro. O santo era ‚Äúrecheado‚ÄĚ com preciosidades roubadas e enviado para Portugal.

Mais vale um p√°ssaro na m√£o que dois voando

Significa que √© melhor ter pouco que ambicionar muito e perder tudo. √Č tradi√ß√£o de antigos ca√ßadores. Eles achavam melhor apanhar logo a ave que tinham atingido de rasp√£o, antes que ela fugisse, do que tentar atirar nas que estavam voando e errar o alvo.

Farinha do mesmo saco

‚ÄúHomines sunt ejusdem farinae‚ÄĚ (homens da mesma farinha), √© a origem latina desse ditado; hodiernamente, utilizado para generalizar um comportamento reprov√°vel. Como a farinha boa √© posta em sacos diferentes da farinha ruim, faz-se essa compara√ß√£o para insinuar que os bons andam com os bons enquanto os maus preferem os maus.

Aquela que matou o guarda

Tratava-se de uma mulher que trabalhava para D. Jo√£o VI e se chamava Canjebrina, que, como informam os dicion√°rios, significa pinga, cacha√ßa. Ela teria matado um dos principais guardas da corte do Rei. O fato n√£o foi provado. Mas est√° no livro ‚ÄúInconfid√™ncias da Real Fam√≠lia no Brasil‚ÄĚ, de Alberto Campos de Moraes.

Colocar panos quentes

Em termos terap√™uticos, colocar panos quentes √© uma receita, embora paliativa, prescrita pela medicina popular desde tempos remotos. Recomenda-se sobretudo nos estados febris, pois a temperatura muito elevada pode levar a convuls√Ķes e a problemas da√≠ decorrentes. Nesses casos, compressas de panos encharcados com √°gua quente s√£o um santo rem√©dio.

Pagar o pato

A express√£o deriva de um antigo jogo praticado em Portugal. Amarrava-se um pato a um poste e o jogador (em um cavalo) deveria passar rapidamente e arranc√°-lo de uma s√≥ vez do poste. Quem perdia era que pagava pelo animal sacrificado. Sendo assim, passou-se a empregar a express√£o para representar situa√ß√Ķes onde se paga por algo sem ter qualquer benef√≠cio em troca.

De pequenino é que se torce o pepino

Os agricultores que cultivam os pepinos precisam dar a melhor forma a estas plantas. Retiram uns ‚Äúolhinhos‚ÄĚ para que os pepinos se desenvolvam. Se n√£o for feita esta pequena poda, os pepinos n√£o crescem da melhor maneira porque criam uma rama sem valor e adquirem um gosto desagrad√°vel. Assim como √© necess√°rio dar a melhor forma aos pepinos, tamb√©m √© preciso moldar o car√°ter das crian√ßas o mais cedo poss√≠vel.

Salvo pelo gongo

O ditado tem origem na na Inglaterra. L√°, antigamente, n√£o havia espa√ßo para enterrar todos os mortos. Ent√£o, os caix√Ķes eram abertos, os ossos tirados e encaminhados para o oss√°rio, e o t√ļmulo era utilizado para outro infeliz. S√≥ que, √†s vezes, ao abrir os caix√Ķes, os coveiros percebiam que havia arranh√Ķes nas tampas, do lado de dentro, o que indicava que aquele morto, na verdade, tinha sido enterrado vivo (catalepsia ‚Äď muito comum na √©poca). Assim, surgiu a ideia de, ao fechar os caix√Ķes, amarrar uma tira no pulso do defunto, tira essa que passava por um buraco no caix√£o e ficava amarrada num sino.¬†Ap√≥s o enterro, algu√©m ficava de plant√£o ao lado do t√ļmulo durante uns dias. Se o indiv√≠duo acordasse, o movimento do bra√ßo faria o sino tocar. Desse modo, ele seria salvo pelo gongo.¬†Atualmente, a express√£o significa escapar de se meter numa encrenca por uma fra√ß√£o de segundos.

Abraços Fraternos!

Paulo Jorge


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Origem dos Nomes dos Estados Brasileiros

Acre – do ipurin√£ uw√°k√ľr√ľ, “rio verde”, por meio da corruptela a’quiri ou a’kiru, ou do mundurucu √°quiri, uma touca de penas. A grafia atual data de 1878, quando um comerciante paraense n√£o entendeu a escrita do colonizador Jo√£o Gabriel de Carvalho Melo, que havia pedido mercadorias para a “boca do rio Aquiri”.

Alagoas – plural de “alagoa”, que √© uma varia√ß√£o de “lagoa”. O estado leva o nome da cidade de Alagoas, antiga capital da prov√≠ncia e atual munic√≠pio de Marechal Deodoro. A cidade de Alagoas tem como origem as povoa√ß√Ķes de Santa Maria Madalena da Alagoa do Sul, em refer√™ncia √† lagoa Manguaba, e Santa Luzia da Alagoa do Norte (atual munic√≠pio de Santa Luzia do Norte), em refer√™ncia √† lagoa Munda√ļ.

Amap√° – H√° tr√™s hip√≥pteses: do tupi amap√°, “lugar da chuva” (ama, “chuva” + paba, “lugar”, “est√Ęncia” ou “morada”); ou derivado de ama’p√°, nome da √°rvore apocin√°cea Parahancornia amapa na l√≠ngua geral setentrional; ou do nheengatu para “terra que acaba”, em refer√™ncia ao ent√£o limite da coloniza√ß√£o portuguesa, ou “ilha”, em refer√™ncia √†s ilhas do litoral do estado.

Amazonas Рa partir do rio Amazonas, que, por sua vez, foi batizado pelo explorador espanhol Francisco de Orellana que relatou ter encontrado mulheres guerreiras ao longo do rio em 1541 e as associou às amazonas da mitologia grega.

Bahia – de bahia, a grafia arcaica de “ba√≠a”. √Č uma refer√™ncia √† Ba√≠a de Todos-os-Santos.

 

Cear√° – do tupi siar√°, “canto da jandaia”.

 

 

Espírito Santo Рnome dado à capitania por seu donatário, Vasco Fernandes Coutinho, aonde chegou em 23 de maio de 1535, domingo de Pentecostes, dedicado ao Espírito Santo.

 

Goi√°s – dos goiases ou guaiases, uma tribo ind√≠gena que existia na regi√£o at√© a chegada dos bandeirantes. L√° os exploradores fundaram Santana de Goi√°s, futura capital da capitania de Goi√°s e atual munic√≠pio de Goi√°s, capital do estado anterior a Goi√Ęnia.

Maranh√£o – do tupi mbar√£-nhana ou para-nhana, “rio que corre”; ou do nheengatu mara-nh√£; ou do espanhol mara√Ī√≥n, “cajueiro”.

 

Mato Grosso Рsentido literal, por causa da vegetação densa na região. O nome teria sido dado por bandeirantes na década de 1730.

 

Mato Grosso do Sul Рderivado do anterior, por ser a porção meridional (sul) que se separou em 1977.

 

Minas Gerais – sentido literal, por abrigar campos de extra√ß√£o de in√ļmeros min√©rios, principalmente ouro, denominadas “minas gerais” em oposi√ß√£o √†s minas particulares ou por sua variedade de tipos de min√©rio. No in√≠cio do s√©culo XVIII, a regi√£o era simplesmente denominada Minas. Em 1710, surge a capitania de S√£o Paulo e Minas de Ouro e, em 1732, desmembra-se dela a capitania de Minas Gerais.

Par√° – do tupi par√°, “mar”, em refer√™ncia ao estu√°rio do rio Amazonas. Par√° era o antigo nome do rio Amazonas.

 

Para√≠ba – do rio hom√īnimo que banha a capital do estado, Jo√£o Pessoa. Para√≠ba vem do tupi antigo para√≠ba, que significa “rio ruim” (par√°, “rio grande” + a√≠b, “ruim” + a, sufixo).[10] no caso, ruim para navega√ß√£o.

 

Paran√° – do termo da l√≠ngua geral paran√°, “rio”; ou do tupi par√°, “mar” + an√£, “semelhante”.

 

Pernambuco – do tupi antigo paranabuka ou paranambuco , que significa “fenda do mar”, “mar furado” (paran√£, “mar” ou “rio caudaloso + puka, “fenda”), em refer√™ncia a uma pedra fadura por onde o mar entrou ou aos navios que furavam a barreira de recifes.

Piau√≠ – do tupi antigo piaby, que significa “rio das piabas” (piaba ou pi(ra)aw, “piaba” ou “piau” + ‘y “rio”).

 

Rio de Janeiro – sentido literal, por ter sido descoberto no dia 1¬ļ de janeiro de 1502 por Gaspar de Lemos, e por julgar-se que a ba√≠a de Guanabara fosse a foz de um rio.

 

Rio Grande do Norte Рsentido literal, em referência ao rio Potenji.

 

 

Rio Grande do Sul – sentido literal, por julgar-se que a Lagoa dos Patos, de formato longo e estreito, fosse um rio (de fato, abriga a foz do rio Gua√≠ba)¬† A lagoa foi o local do estabelecimento da col√īnia portuguesa de Rio Grande de S√£o Pedro, a atual cidade de Rio Grande.

Rond√īnia – em homenagem ao marechal C√Ęndido Rondon, explorador da regi√£o.

 

Roraima – do tupi roro ou rora, “verde”, e ima, “monte” ou “serra”; do pemon roroima, “montanha verde-azulada”; do ianom√Ęmi roro im√£, que significa “montanha trovejante”; ou do √©timo das l√≠nguas caribes para “fonte dos papagaios”, a partir de roro, “papagaio”, e im√£, “pai” ou “formador”.

Santa Catarina Рem homenagem a Catarina Medrano, esposa de Sebastião Caboto, que chegou à ilha de Santa Catarina em 1526, ou em homenagem a Catarina de Alexandria, considerada santa pela Igreja Católica.

São Paulo Рassim batizado devido ao colégio jesuíta de São Paulo de Piratininga, fundado em 1554 no dia 25 de janeiro, em que os católicos comemoram a conversão de Paulo de Tarso.

 

Sergipe – do tupi¬īantigo seri√ģype, que significa “no rio dos siris” (seri, “siri” + √ģy, “rio” + pe, “em”)

 

Tocantins – do rio hom√īnimo, que, por sua vez, vem da tribo ind√≠gena hom√īnima que habitava o rio. Do tupi tukantim, que significa “bicos de tucanos” (tukana, “tucano” + tim, “bico”).

 

Distrito Federal Рsentido literal, por ser esta unidade um distrito à parte da federação e, durante mais de um século (1889-1990), administrado diretamente pela União (Governo Federal).

 

Abraços Fraternos!

Paulo Jorge


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Quem tem medo da crase?

www.uducacao.uol.com.br

Foi a partir da leitura do livro ‚ÄúTudo sobre crase‚ÄĚ, que ganhou em 1955, que Ferreira Gullar concebeu um irreverente aforismo gramatical: “A crase n√£o foi feita para humilhar ningu√©m.” Conta o poeta que se divertiu tanto a com ideia que criou outros: “Quem tem frase de vidro n√£o joga crase na frase do vizinho.” Mais: “Frase torcida, crase escondida.

Criatividade à parte, o fato é que encontramos a todo o momento, e em vários contextos, exemplos do seu uso inadequado. Veja:

‚ÄúA pedido de Jaques Wagner, presidente Dilma Rousseff adia viagem √† Salvador.‚ÄĚ (http://www.tribunadabahia.com.br/2013/06/20)

www.dicasdiariasdeportugues.com.br

√Č o encontro do termo regente ‚Äď que exigir√° preposi√ß√£o ‚Äúa‚ÄĚ ‚Äď com o termo regido ‚Äď que pede a presen√ßa do fonema ‚Äúa‚ÄĚ. Ocorrendo a fus√£o, o produtor textual dever√° marcar o fonema feminino com o sinal grave (√†), conforme determina a variante padr√£o da l√≠ngua. Condi√ß√£o essa que n√£o se observa no exemplo citado, uma vez que a palavra ‚ÄúSalvador‚ÄĚ dispensa a presen√ßa do artigo.

Talvez pelo fato de a crase ser invis√≠vel e impronunci√°vel existam tantos equ√≠vocos e dificuldades no que se refere ao seu entendimento. Tirante essa primeira condi√ß√£o de exist√™ncia dela, existem outras situa√ß√Ķes de ocorr√™ncia, independentemente do encontro do fonema “a“.

Observe:

www.noticias.universias.com.br

‚Äď Em locu√ß√Ķes adverbiais, conjuntivas e prepositivas femininas:
Ex. Às vezes, a vida nos traz grandes surpresas.
√Ä medida que estudava, percebia que as d√ļvidas aumentavam.
Ganhava a vida, à custa de grandes esforços.

‚Äď Em pronomes demonstrativos e relativos:
Ex. Fiz alusão àquele rapaz sentado à direita.
A igreja à qual me refiro fica no centro da cidade.
Será feita a realocação da comunidade para uma área equivalente à que ela vive hoje.

‚Äď Com a presen√ßa de nomes pr√≥prios de lugares que exigem o artigo definido feminino:
Ex. Os atletas retornaram à Austrália após o jogo.

‚Äď Com numerais quando indicam horas:
Ex. Chegaremos a São Paulo às 8h.

‚Äď Nas palavras CASA, TERRA e DIST√āNCIA, somente quando especificado o sentido:
Ex. Ela sabia do meu retorno à casa de meus pais.
Os marinheiros voltaram à terra natal.
Os animais ficam √† dist√Ęncia de 100 metros daqui.

‚Äď Quando estiver subentendido ‚Äú√† moda de” ou “com o estilo de‚ÄĚ:
Ex. Prefiro filé à milanesa.
Carlos Heitor Cony escreve à Machado de Assis.

Obs.: Veja que, neste √ļltimo exemplo, caso n√£o houvesse o sinal grave, o sentido seria de um envio de correspond√™ncia de Cony ao escritor realista e estaria correto.

Há, porém, três casos em que o uso da crase é opcional. Observe:

‚Äď Com pronomes possessivos femininos no singular, nomes pr√≥prios femininos e ap√≥s a preposi√ß√£o ‚Äúat√©‚ÄĚ:
Ex. Meus amigos andam à / a minha procura.
Aqueles quadros pertencem à / a Marta.
Fui até à / a praia pela manhã.

Vamos concordar com o poeta que s√£o situa√ß√Ķes gramaticais que n√£o ofendem ningu√©m. Basta aten√ß√£o e reflex√£o ao escrever e ao revisar a produ√ß√£o textual.

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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Sobre Estrangeirismos e Adequa√ß√Ķes

www.ooutroladodamoeda.com.br

Lu√≠s Fernando Ver√≠ssimo escreveu um poema, ‚ÄúCapitula√ß√£o‚ÄĚ, em que apresenta uma cr√≠tica bem-humorada ao emprego de termos estrangeiros no cotidiano:

Delivery

Até pra telepizza
√Č um exagero.
H√° quem negue?
Um povo com vergonha
Da própria língua
J√° est√° entregue.

Vejamos outra crítica divertida, desta vez do cartunista Caco Galhardo:

www.cwbdeluxe.blogspot.com

Os dois, escritor e cartunista, fazem refer√™ncia a um fen√īmeno lingu√≠stico denominado estrangeirismo, com um tom condenat√≥rio: o primeiro, mencionando a submiss√£o cultural (‚ÄúUm povo com vergonha/ Da pr√≥pria l√≠ngua/ J√° est√° entregue‚ÄĚ ‚Äď ou seja, j√° capitulou, j√° se rendeu a outro povo, a outra cultura, da√≠ o t√≠tulo Capitula√ß√£o). J√° o segundo, mostrando que a capitula√ß√£o √© definitiva, apresenta um personagem que sequer conhece a palavra da l√≠ngua portuguesa, conhece apenas o anglicismo (estrangeirismo de origem inglesa).

Antes de tomar partido, contra ou a favor do emprego de palavras estrangeiras, vamos analisar as diferentes situa√ß√Ķes de uso e os caminhos tomados pelas palavras. Sabemos que o idioma √© um ‚Äėorganismo vivo‚Äô, que sofre altera√ß√Ķes causadas por diferentes fatores, chamadas de varia√ß√Ķes lingu√≠sticas. Por causa dessas varia√ß√Ķes, ao longo do tempo n√£o raro um idioma acaba tendo uma fei√ß√£o diferente de sua vers√£o ‚Äėarcaica‚Äô. √Č o que podemos verificar quando estudamos, em Literatura, textos do Trovadorismo e os comparamos com textos do Realismo, por exemplo. Chegam a parecer escritos em l√≠nguas diferentes, mas √© apenas uma vers√£o arcaica da L√≠ngua Portuguesa (proto-portugu√™s ou galego-portugu√™s) em compara√ß√£o com a outra mais modernizada. E isso ocorre, como dissemos, porque o idioma √© ‚Äėvivo‚Äô e vai sendo modificado pelos seus usu√°rios.

E o que os estrangeirismos t√™m a ver com isso? Bem, em algumas situa√ß√Ķes, pode ser que uma l√≠ngua n√£o contenha a palavra exata para determinado conceito de outra cultura (algo que s√≥ existia na outra cultura ou uma inova√ß√£o ou inven√ß√£o, cujo nome foi criado na l√≠ngua do seu criador). Dessa forma, quando importamos o conceito, importamos a palavra junto. Nesse primeiro momento, a palavra √© considerada um empr√©stimo lingu√≠stico e pode ser empregada (por falta de uma vers√£o nacional) na l√≠ngua original e deve ser escrita entre aspas (ou em it√°lico, se estivermos digitando). Nesse grupo est√£o, por exemplo, leasing (opera√ß√£o financeira), r√©veillon, cappuccino. H√° algumas que continuam sendo empr√©stimo, mas, de t√£o usadas, j√° foram incorporadas ao nosso vocabul√°rio sem aspas mesmo, como jeans, show ou pizza.

O est√°gio seguinte de ingresso das palavras estrangeiras √© o aportuguesamento: j√° consideramos a palavra essencial para denominar determinado conceito, mas damos a ela uma vers√£o nacional (lembra a antropofagia cultural do Modernismo ‚Äď pegamos o estrangeiro e digerimos, devolvendo uma vers√£o com a nossa ‚Äėcara‚Äô). Fizemos isso com futebol (football), abajur (abat-jour), conhaque (cognac).

O problema neste processo linguístico aparece quando ocorre o que é criticado tanto no poema quanto na tirinha: o uso indiscriminado de termos estrangeiros, quando a língua materna apresenta sua própria versão para aqueles conceitos. Nesse caso, o estrangeirismo passa a ser um vício de linguagem. Eis aqui alguns exemplos de palavras estrangeiras que têm tradução e que, por isso, não devem ser empregadas: performance (desempenho), shampoo (xampu), coffee-break (intervalo do café, ou só intervalo). Ou, pior ainda, quando há uma mescla dos dois idiomas como em startar (to start, começar em inglês + -ar, sufixo formador de verbos em português).

[...] Use o dicion√°rio sem modera√ß√£o, n√£o h√° contraindica√ß√Ķes, e o efeito colateral √© o aumento de sua bagagem lexical!

https://www.infoenem.com.br/sobre-estrangeirismos-e-adequacoes/
Acesso em: 27 de fevereiro de 2016, às 17h14.

Abraços Fraternos!

Paulo Jorge


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