O Homem que Lê

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A UNESCO instituiu, em 1996, o dia 23/04 para se comemorar o Dia Mundial do Livro. A data é uma homenagem aos escritores Miguel de Cervantes e William Shakespeare, que faleceram em 23 de abril de 1616. O primeiro, espanhol, deixou para a humanidade um livro imortal: Dom Quixote de La Mancha. Já o inglês é considerado o mais importante dramaturgo e escritor de todos os tempos.

Em sua etimologia, livro vem do Latim liber, librum, ‚Äúlivro, papel, pergaminho‚ÄĚ, originalmente ‚Äúparte interna da casca das √°rvores‚ÄĚ, do Indo-Europeu leubh-, ‚Äúdescascar, retirar uma camada‚ÄĚ, segundo o site¬† http://www.origemdapalavra.com.br. De acordo com o dicion√°rio Houaiss, em sua primeira acep√ß√£o (sem√Ęntica), livro representa uma ‚ÄúCole√ß√£o de folhas de papel, impressas ou n√£o, cortadas, dobradas e reunidas em cadernos cujos dorsos s√£o unidos por meio de cola, costura etc., formando um volume que se recobre com capa resistente.‚ÄĚ.

Literariamente ‚Äď aspecto que aqui mais nos interessa! ‚Äď fiquemos com a reflex√£o po√©tica e pedag√≥gica de Rainer Maria Rilke sobre LIVRO.

√ďtima Leitura!

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O Homem que Lê

Eu lia h√° muito. Desde que esta tarde
com o seu ruído de chuva chegou às janelas.
Abstraí-me do vento lá fora:
o meu livro era difícil.
Olhei as suas p√°ginas como rostos
que se ensombram pela profunda reflex√£o
e em redor da minha leitura parava o tempo. ‚ÄĒ
De repente sobre as páginas lançou-se uma luz
e em vez da tímida confusão de palavras
estava: tarde, tarde… em todas elas.
N√£o olho ainda para fora, mas rasgam-se j√°
as longas linhas, e as palavras rolam
dos seus fios, para onde elas querem.
Ent√£o sei: sobre os jardins
transbordantes, radiantes, abriram-se os céus;
o sol deve ter surgido de novo. ‚ÄĒ
E agora cai a noite de Verão, até onde a vista alcança:
o que est√° disperso ordena-se em poucos grupos,
obscuramente, pelos longos caminhos v√£o pessoas
e estranhamente longe, como se significasse algo mais,
ouve-se o pouco que ainda acontece.

E quando agora levantar os olhos deste livro,
nada ser√° estranho, tudo grande.
Aí fora existe o que vivo dentro de mim
e aqui e mais além nada tem fronteiras;
apenas me entreteço mais ainda com ele
quando o meu olhar se adapta às coisas
e √† grave simplicidade das multid√Ķes, ‚ÄĒ
ent√£o a terra cresce acima de si mesma.
E parece que abarca todo o céu:
a primeira estrela √© como a √ļltima casa.

Rainer Maria Rilke, in “O Livro das Imagens”.

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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TOP 10 ‚Äď DESVIOS NA FALA

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Ocorrem em nossas intera√ß√Ķes sociais orais diversas diverg√™ncias entre o modo com que pronunciamos determinadas palavras e o que recomenda a variante padr√£o da L√≠ngua Portuguesa, motivadas por v√°rios aspectos, como, por exemplo, a facilidade de pron√ļncia de determinados fonemas, uma melhor sonoridade, dentre outras causas.

Listamos, a seguir, um TOP 10 entre as palavras mais utilizadas pelo falante que se desviam da variante padrão da Língua Portuguesa.

Boa Leitura!

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1) MENOS: esta palavra só possui uma forma, independente se o termo a que ela se  refira é masculino ou feminino,  singular ou plural.
EX. Isto é menos verdade, meu amigo.
Menos pessoas apareceram no jogo de hoje.

2) RUBRICA: a palavra √© parox√≠tona, entretanto muitos pronunciam como se o som mais forte da palavra estivesse na antepen√ļltima s√≠laba, ou seja, fosse uma proparox√≠tona, o que n√£o acontece.
Ex Por favor, coloque aqui a sua rubrica.

3) EU / MIM: quando uma frase possuir um verbo terminado em AR / ER / IR e exigir sujeito, o uso deve ser EU e n√£o MIM. Caso contr√°rio, utiliza-se MIM.
Ex. Este trabalho é para eu fazer o mais rápido possível.
Foi o que disse para mim o gerente.

4) GRATUITO: o falante pensa que o fonema (letra) ‚Äúi‚ÄĚ n√£o faz parte da segunda s√≠laba da palavra, o que n√£o √© verdade, ela faz, sim: gra-tui-to.
Ex. O passeio de bicicleta é gratuito.

5) RECORDE: possivelmente influenciado pelo seu som de origem, muitos a pronunciam como se a primeira sílaba fosse a mais forte, não é, pois se trata de uma paroxítona.
Ex. Nadador baiano bate recorde em prova aqu√°tica.

6) IBERO: trata-se uma parox√≠tona, pois a s√≠laba t√īnica se encontra no meio da palavra.
Ex. Tempos atr√°s, ocorreu um encontro ibero-americano, em Salvador.

7) L√ĀTEX: certamente obedecendo √† lei do menor esfor√ßo, o usu√°rio da l√≠ngua a pronuncia como se a s√≠laba t√īnica fosse a √ļltima. Na verdade, trata-se de uma parox√≠tona.
Ex. Obtém-se o látex a partir das seringueiras.

8) NOBEL: a palavra possui o som mais forte na √ļltima s√≠laba, mas o falante sup√Ķe ser a primeira.
Ex. Em 1998, José Saramago, escritor português, recebeu o Nobel de Literatura.

9) MENDIGO: condicionado pela grande nasalidade existente na L√≠ngua Portuguesa, muitos falantes pronunciam, incorretamente, ‚Äúmendingo‚ÄĚ.
Ex. Os mendigos necessitam de mais atenção das prefeituras e da sociedade.

10) PRIVIL√ČGIO: provavelmente, muitas pessoas pensam que a melhor sonoridade presente em ‚Äúprevil√©gio‚ÄĚ faz dela a pron√ļncia correta, mas √© um equ√≠voco.
Ex. O acesso à educação de qualidade deve ser privilégio de todos.

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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Frase, Oração e Período

www.kdfrases.com

1) Frase: √Č o enunciado que apresenta sentido completo.
Ex. Todo homem tem direito ao trabalho.
Que houve com você?
Fogo!

Classificação

a- Declarativas
Ex. Os brasileiros, atualmente, sofrem com o desemprego.

b- Interrogativas
Ex. Muitos melhoraram de vida em nosso país?

c- Exclamativas
Ex. Quantos desempregados neste País, meu Deus!

d- Imperativas
Ex. Não compactue com a corrupção.

e- Optativas
Ex. Oxal√° tenhamos dias melhores!

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2) Ora√ß√£o: √Č o conjunto de palavras estruturado em torno de um verbo.
Ex. A Terra é azul.
N√£o se desespere!
‚ÄúA vida s√≥ √© poss√≠vel reinventada.‚ÄĚ Cec√≠lia Meireles

Classificação

a- Absoluta: Constitui um período simples.
Ex. “O amor √© um grande la√ßo.” Djavan

b- Coordenada: S√£o ora√ß√Ķes constru√≠das em um mesmo per√≠odo, mas independentes entre si.
Ex. Deitou-se na cama, rezou com fervor e adormeceu.

c- Subordinada: Une-se à outra oração, mantendo uma relação de dependência sintática.
Ex. “Quando eu jurei meu amor, eu tra√≠ a mim mesmo.” Raul Seixas

d- Principal: √Č aquela da qual depende a ora√ß√£o subordinada.
Ex. Quando eu jurei meu amor, eu traí a mim mesmo.

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3) Per√≠odo: √Č o enunciado de uma frase formada por uma ou mais ora√ß√Ķes, e que apresenta, necessariamente, um sentido completo.
Ex. ‚ÄúMesmo que eu falasse a l√≠ngua dos homens, sem amor eu nada seria.‚ÄĚ Corintos

Classificação

a- Simples: √Č o enunciado organizado em torno de uma √ļnica ora√ß√£o, chamado de Ora√ß√£o Absoluta.
Ex. O brasileiro adora futebol e carnaval.

b- Composto: √Ȭ† o¬† enunciado¬† estruturado¬† em¬† torno¬† de duas ou mais ora√ß√Ķes, podendo ser composto por coordena√ß√£o ou subordina√ß√£o.
Ex. Galileu provou que o brilho das estrelas não tem nenhuma influência no destino dos homens.

www.intelectacursos.com.br

4) Parágrafo: Representa uma parte do texto que forma um sentido completo e normalmente se inicia com a mudança de linha e afastado da margem.

Ex. Estou na Avenida 23 de Maio, na pista do meio. Engarrafamento. De repente, a da direita anda. A da esquerda tamb√©m. A minha n√£o. Fico contando os carros que passam. Come√ßo a ranger os dentes. Imagino: “Deve haver um acidente nesta pista”. Dou seta √† esquerda. Atiro meu carro na pista do lado. Ou√ßo buzinadas. Consegui! Agora vou andar! Puro engano. Imediatamente, a da esquerda para. A pista onde eu estava se desafoga. Todos os ve√≠culos que se encontravam atr√°s de mim me ultrapassam. Permane√ßo im√≥vel. Lamento-me: ‚ÄúPor que fui mudar de pista‚ÄĚ?

Dias tortos. Walcyr Carrasco

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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A Estilística

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Segundo o Houaiss, Estil√≠stica √© o ‚Äúramo da lingu√≠stica que estuda a l√≠ngua na sua fun√ß√£o expressiva, analisando o uso dos processos f√īnicos, sint√°ticos e de cria√ß√£o de significados que individualizam estilos.‚ÄĚ, ou seja, o produtor textual utiliza a fun√ß√£o emotiva aliada ao intelecto com o objetivo de conseguir a ades√£o do seu interlocutor de maneira emocional.

Ao responder a pergunta “Qual sua experi√™ncia?” para concorrer a uma vaga de emprego, o autor produziu um texto que √© um monumento √† Estil√≠stica. Infelizmente, sem autoria requerida.

Boa Leitura!

www.portugues.com.br

Experiência?!

Já fiz cosquinha na minha irmã só pra ela parar de chorar, já me queimei brincando com vela.
Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto, já conversei com o espelho e até já brinquei de ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista, já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora.
J√° passei trote por telefone, j√° tomei banho de chuva e acabei me viciando.
J√° roubei beijo, j√° confundi sentimentos.
Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro, já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer.
J√° subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas, j√° subi em √°rvore pra roubar fruta, j√° ca√≠ da escada de bunda, j√° fiz juras eternas, j√° escrevi no muro da escola, j√° chorei sentado no ch√£o do banheiro, j√° fugi de casa pra sempre e voltei no outro instante, j√° corri pra n√£o deixar algu√©m chorando, j√° fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma s√≥, j√° vi p√īr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado, j√° me joguei na piscina sem vontade de voltar, j√° bebi u√≠sque at√© sentir dormentes os meus l√°bios, j√° olhei a cidade de cima e mesmo assim n√£o encontrei meu lugar, j√° senti medo do escuro, j√° tremi de nervoso, j√° quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de algu√©m especial. J√° acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar.
J√° apostei em correr descal√ßo na rua, j√° gritei de felicidade, j√° roubei rosas num enorme jardim. J√° me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um “para sempre” pela metade. J√° deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol, j√° chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos e a vida √© mesmo um ir e vir sem raz√£o.
Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emo√ß√£o, guardados num ba√ļ, chamado cora√ß√£o. E agora um formul√°rio me interroga, me encosta na parede e grita: “Qual sua experi√™ncia?”
Essa pergunta ecoa no meu c√©rebro: Experi√™ncia… Experi√™ncia…
Ser√° que ser “plantador de sorrisos” √© uma boa experi√™ncia? N√£o! Talvez eles n√£o saibam ainda colher sonhos! Agora, gostaria de indagar uma pequena coisa a quem formulou esta pergunta:
“Experi√™ncia?! Experi√™ncia?! Quem a tem, se a todo o momento tudo se renova?!”

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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A Poesia Vai Acabar!

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Todo dia √© dia de Poesia. Mas escolheu-se o dia 21 de mar√ßo para homenage√°-la. A data foi institu√≠da na XXX confer√™ncia da Organiza√ß√£o das Na√ß√Ķes Unidas para a Educa√ß√£o, a Ci√™ncia e a Cultura ‚Äď UNESCO ‚Äď em 16 de novembro de 1999, com o prop√≥sito de promover a leitura, a escrita, a publica√ß√£o e o ensino deste g√™nero liter√°rio pelo mundo. Tentei descobrir o porqu√™ de se comemorar neste dia, mas n√£o consegui. Caso algum leitor ou leitora saiba a raz√£o, por favor, nos informe.

E para celebrarmos esse evento, trouxemos um poema de Manuel Ant√≥nio Pina, poeta portugu√™s falecido em 19 de outubro de 2012. Cronista, dramaturgo e jornalista, foi na poesia e na literatura infantil, a maior contribui√ß√£o de Pina para a literatura portuguesa. Em 2011, ele recebeu o Pr√™mio Cam√Ķes, condecora√ß√£o institu√≠da pelos governos do Brasil e de Portugal, em 1988, para reverenciar autores que tenham contribu√≠do para o enriquecimento do patrim√īnio liter√°rio e cultural da L√≠ngua Portuguesa.

O poema A Poesia Vai Acabar, que voc√™ ir√° ler agora, faz parte da obra “Ainda n√£o √© o Fim nem o Princ√≠pio do Mundo. Calma √© Apenas um Pouco Tarde“, √© puro luxo e encantamento. Um desafio √† imagina√ß√£o do leitor.

√ďtima Leitura!

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A Poesia Vai Acabar

A poesia vai acabar, os poetas
v√£o ser colocados em lugares mais √ļteis.
Por exemplo, observadores de p√°ssaros
(enquanto os p√°ssaros n√£o
acabarem). Esta certeza tive-a hoje ao
entrar numa reparti√ß√£o p√ļblica.
Um senhor míope atendia devagar
ao balc√£o; eu perguntei: ‚Äď Que fez algum
poeta por este senhor? ‚Äď E a pergunta
afligiu-me tanto por dentro e por
fora da cabeça que tive que voltar a ler
toda a poesia desde o princípio do mundo.
Uma pergunta numa cabeça.
‚Äď Como uma coroa de espinhos:
est√£o todos a ver onde o autor quer chegar? ‚Äď

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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Mas que coisa!

Todo falante tem uma inclinação para criar e brincar com a língua; que o digam, por exemplo, os humoristas, que têm sempre a sua disposição palavras da Língua Portuguesa para com elas criarem momentos de prazer e divertimento. O texto, a seguir, me enviado pela minha colega e leitora deste Blog Ely Lima e, infelizmente, sem autoria requerida, é um belo exemplo do que pode essa língua. E seus falantes.

√Č para se deliciar!

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Mas que coisa!

A palavra “coisa” √© um bombril do idioma. Tem mil e uma utilidades. √Č aquele tipo de termo-muleta ao qual a gente recorre sempre que nos faltam palavras para exprimir uma ideia. “Coisas” do portugu√™s.

Gramaticalmente, “coisa” pode ser substantivo, adjetivo, adv√©rbio. Tamb√©m pode ser verbo: o Houaiss registra a forma “coisificar”. E no Nordeste h√° “coisar”: √Ē, seu “coisinha”, voc√™ j√° “coisou” aquela coisa que eu mandei voc√™ “coisar”?

Na Para√≠ba e em Pernambuco, “coisa” tamb√©m √© cigarro de maconha. Em Olinda, o bloco carnavalesco Segura a Coisa tem um baseado como s√≠mbolo em seu estandarte. Alceu Valen√ßa canta: Segura a “coisa” com muito cuidado / Que eu chego j√°.”

J√° em Minas Gerais, todas as coisas s√£o chamadas de trem. (menos o trem, que l√° √© chamado de “coisa”). A m√£e est√° com a filha na esta√ß√£o, o trem se aproxima e ela diz: “Minha filha, pega os trem que l√° vem a “coisa”!.

E, no Rio de Janeiro? Olha que “coisa” mais linda, mais cheia de gra√ßa… A garota de Ipanema era coisa de fechar o tr√Ęnsito! Mas se ela voltar, se ela voltar, que “coisa” linda, que “coisa” louca. Coisas de Jobim e de Vinicius, que sabiam das coisas.

Coisa n√£o tem sexo: pode ser masculino ou feminino. Coisa-ruim √© o capeta. Coisa boa √© a Juliana Paes. Nunca vi coisa assim! Coisa tamb√©m n√£o tem tamanho. Na boca dos exagerados, “coisa nenhuma” vira um monte de coisas…

Mas a “coisa” tem hist√≥ria mesmo √© na MPB. No II Festival da M√ļsica Popular Brasileira, em 1966, a coisa estava na letra das duas vencedoras: Disparada, de Geraldo Vandr√©: Prepare seu cora√ß√£o pras “coisas” que eu vou contar…, e A Banda, de Chico Buarque: pra ver a banda passar, cantando “coisas” de amor… Naquele ano do festival, no entanto, a coisa tava preta (ou melhor, verde-oliva). E a turma da Jovem Guarda n√£o tava nem a√≠ com as coisas: “coisa” linda, “coisa” que eu adoro!

Para Maria Beth√Ęnia, o diminutivo de coisa √© uma quest√£o de quantidade afinal, s√£o tantas “coisinhas” mi√ļdas. E esse papo j√° t√° qualquer “coisa”. J√° qualquer “coisa” doida dentro mexe… Essa coisa doida √© um trecho da m√ļsica “Qualquer Coisa”, de Caetano,
que tamb√©m canta: alguma “coisa” est√° fora da ordem! E o famoso hino a S√£o Paulo: alguma “coisa” acontece no meu cora√ß√£o”!

Por essas e por outras, é preciso colocar cada coisa no devido lugar. Uma coisa de cada vez, é claro, afinal, uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa. E tal e coisa, e coisa e tal.

Um cara cheio de coisas é o indivíduo chato, pleno de não-me-toques. Já uma cara cheio das coisas, vive dando risada. Gente fina é outra coisa. Para o pobre, a coisa está sempre feia: o salário mínimo não dá pra coisa nenhuma.

A coisa p√ļblica n√£o funciona no Brasil. Pol√≠tico, quando est√° na oposi√ß√£o, √© uma coisa, mas, quando assume o poder, a coisa muda de figura. Quando elege seu candidato de confian√ßa, o eleitor pensa: Agora a “coisa” vai… Coisa nenhuma! A coisa fica na mesma. Uma coisa √© falar; outra √© fazer. Coisa feia! O eleitor j√° est√° cheio dessas coisas!

Se as pessoas foram feitas para ser amadas e as coisas, para serem usadas, por que ent√£o n√≥s amamos tanto as coisas e usamos tanto as pessoas? Bote uma coisa na cabe√ßa: as melhores coisas da vida n√£o s√£o coisas. H√° coisas que o dinheiro n√£o compra: paz, sa√ļde, alegria e outras cositas m√°s.

Mas, deixemos de “coisa”, cuidemos da vida, sen√£o chega a morte, ou “coisa” parecida… Por isso, fa√ßa a coisa certa e n√£o esque√ßa o grande mandamento:

“Amar√°s a Deus sobre todas as coisas.”

Entendeu o espírito da coisa?

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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Dia Nacional da Poesia

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O dia criado para celebrar uma das maiores cria√ß√Ķes da humanidade √© uma homenagem ao maior poeta brasileiro. Nascido na cidade de Curralinho ‚Äď hoje, Castro Alves ‚Äď, Ant√īnio Frederico de Castro Alves nasceu em 14 de mar√ßo de 1847.

Castro Alves foi um entusiasta defensor da aboli√ß√£o da escravatura e a essa causa ele dedicou poemas memor√°veis como Vozes d’√Āfrica, Navio Negreiro e Sauda√ß√£o a Palmares. Al√©m disso, o poeta trouxe para a poesia brasileira uma vis√£o nova de amor, como pode ser visto neste bel√≠ssimo poema O la√ßo de fita.

√ďtima Leitura!

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O laço de fita

N√£o sabes, crian√ßa?¬† ‘Stou louco de amores…
Prendi meus afetos, formosa Pepita.
Mas onde?  No templo, no espaço, nas névoas?!
N√£o rias, prendi-me
Num laço de fita.

Na selva sombria de tuas madeixas,
Nos negros cabelos da moça bonita,
Fingindo a serpente qu’enla√ßa a folhagem,
Formoso enroscava-se
O laço de fita.

Meu ser, que voava nas luzes da festa,
Qual p√°ssaro bravo, que os ares agita,
Eu vi de repente cativo, submisso
Rolar prisioneiro
Num laço de fita.

E agora enleada na tênue cadeia
Debalde minh’alma se embate, se irrita…
O braço, que rompe cadeias de ferro,
N√£o quebra teus elos,
√ď la√ßo de fita!

Meu Deus! As falenas têm asas de opala,
Os astros se libram na plaga infinita.
Os anjos repousam nas penas brilhantes…
Mas tu…¬†¬† tens por asas
Um laço de fita.

Há pouco voavas na célere valsa,
Na valsa que anseia, que estua e palpita.
Por que √© que tremeste?¬† N√£o eram meus l√°bios…
Beijava-te apenas…
Teu laço de fita.

Mas ai! findo o baile, despindo os adornos
N’alcova onde a vela ciosa… crepita,
Talvez da cadeia libertes as tranças
Mas eu… fico preso
No laço de fita.

Pois bem!  Quando um dia na sombra do vale
Abrirem-me a cova… formosa Pepita!
Ao menos arranca meus louros da fronte,
E d√°-me por c’roa…
Teu laço de fita.

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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Primeiro Texto Literário em Língua Portuguesa

www.cultura.culturamix.com

Segundo a professora de L√≠ngua Portuguesa da Universidade de S√£o Paulo Benilde Cianato, foi a Cantiga da Ribeirinha, escrito por Paio Soares de Taveir√≥s para sua amada Maria Ribeira o primeiro texto liter√°rio em L√≠ngua Portuguesa de que se tem not√≠cia. A cantiga narra a hist√≥ria de um amor n√£o correspondido. H√° d√ļvidas se a poesia foi escrita em 1189 ou 1198, √©poca do Trovadorismo. Est√° registrada no Cancioneiro da Ajuda, um livro de textos manuscritos. A l√≠ngua portuguesa, como sabemos, originou-se do latim, e o texto foi escrito em galego-portugu√™s. Na √©poca, a Gal√≠cia (hoje Espanha), regi√£o pr√≥xima a Portugal, era um centro irradiador de cultura, por isso o idioma sofreu influ√™ncias do galego.

www.trovadorismo-trabalhodeliteratura.blogspot.com

Cantiga da Ribeirinha

No mundo non me sei parelha,
mentre me f√īr como me vai,
ca j√° moiro por v√≥s ‚ÄĒ e ai!
mia senhor branca e vermelha,
queredes que vos retraia
quando vos eu vi en saia!
Mau dia me levantei,
que vos enton non vi fea!

E, mia senhor, dês aquel dia, ai!
me foi a mi mui mal,
e vós, filha de don Paai
Moniz, e ben vos semelha
d’haver eu por vós guarvaia,
pois eu, mia senhor, d’alfaia
nunca de vós houve nen hei
valia d’ua correa.

Tradução

No mundo não conheço
ninguém igual a mim,
enquanto acontecer o
que me aconteceu,
pois eu morro por v√≥s ‚ÄĒ e ai!
Minha senhora alva e rosada,
quereis que vos lembre
que j√° vos vi na intimidade!
Em mau dia eu me levantei
Pois vi que n√£o sois feia!

E, minha senhora,
desde aquele dia, ai!
Venho sofrendo de um grande mal
enquanto vós, filha de dom Paio
Muniz, a julgar forçoso
que eu lhe cubra com o manto
pois eu, minha senhora,
nunca recebi de vós
a coisa mais insignificante.

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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Ora√ß√Ķes Reduzidas

S√£o ora√ß√Ķes subordinadas que se apresentam sem conectivos, de forma bastante simplificada, utilizando as formas nominais do verbo, isto √©, o infinitivo, o ger√ļndio ou o partic√≠pio.

Veja:

Em “Quando eu jurei meu amor, eu tra√≠ a mim mesmo. “, a ora√ß√£o em destaque, sintaticamente, desempenha a fun√ß√£o de uma Ora√ß√£o Subordinada Adverbial Temporal, haja vista a presen√ßa da conjun√ß√£o “quando”; no entanto, na constru√ß√£o “Ao jurar meu amor, eu tra√≠ a mim mesmo.”, devido √† aus√™ncia da conjun√ß√£o temporal, temos uma Ora√ß√£o Temporal Reduzida de Infinitivo.

As ora√ß√Ķes reduzidas se classificam de acordo com a sua forma nominal.

Substantivas

a- Subjetiva
Ex. Custou-me muito fazer meu primeiro verso.
Era importante reformar a casa.

b- Objetiva direta
Ex. Queremos evitar uma guerra.
Aquela ministra prometeu acabar com a inflação.

c- Objetiva indireta
Ex. Nada lhe impede de cantar.
Ninguém pensa em morrer pobre.

d- Completiva nominal
Ex. Sentiu vontade de amar fortemente.
Deu-lhe ordem para sair.

e- Predicativa
Ex. Minha vontade era conseguir logo um emprego.
Meu ofício é ensinar.

f- Apositiva
Ex. Ele tem dois vícios: fumar e beber.
Prometi-lhe apenas isto: esperá-la até à noite.

Adjetiva

Ex. Ela n√£o era mulher de fantasiar a vida.
Diante de mim estava um homem, a interpelar-me repetidamente.

Adverbiais

a- Consecutiva
Ex. Você não pode faltar às aulas sob pena de perder o ano.
O resultado foi o pior possível a ponto de deixar o jovem irritado.

b- Causal
Ex. Quase nos sufocam, de tanto nos apertar.
Por serem indisciplinados, tomaram suspens√£o.

c- Condicional
Ex. N√£o far√°s a prova sem antes estudar.
A continuarem esses problemas, n√£o haver√° festa.

d- Concessiva
Ex. Fez o exame, apesar de n√£o sentir-se preparada.
Mesmo sem saber, votou contra os aliados.

e- Final
Ex. Para n√£o gastar, n√£o frequentava as festas.
Os visitantes saíram a pé, a fim de conhecer a montanha.

f- Temporal
Ex. Depois de treinar, descansou bastante.
Ao descer da escada, escorregou.

Adjetiva

Ex. Saíram dois funcionários, carregando cartazes.
A São Paulo, chegam retirantes trazendo apenas esperanças.

Adverbiais

a- Causal
Ex. Nada mais havendo na reuni√£o, retirou-se.
Julgando melhor a prova, fiz o que minha consciência determinou.

b- Condicional
Ex. Escrevendo sem atenção, nada aprenderás.
Querendo, tudo conseguir√°s.

c- Concessiva
Ex. Mesmo estudando, não conseguiu aprovação.
Sendo t√£o inteligente, como erraste tanto?

d- Temporal
Ex. E rangendo os dentes, despediu-se rudemente.
Estudando o caso, descobriu o erro.

Adjetiva

Ex. Esta é a prova comentada pelo professor.

Adverbiais

a- Causal
Ex. Entristecido, só queria ficar na fazenda.
Irritado com o despejo, o inquilino gritava palavr√Ķes.

b- Condicional
Ex. Aceito o julgamento, nada se poder√° fazer.
Suprimido o regulamento, haver√° indisciplina.

c- Concessiva
Ex. Mesmo cansados, n√£o desanimaremos.
Rodeado por hipócritas, o soldado não se abateu.

d- Temporal
Ex. Acabada a prova, iremos embora.
Concluído o trabalho, comemoraremos o acontecimento.

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge

PS: No próximo mês, este blogueiro entra em merecidas férias. Nos veremos na primeira segunda-feira de março.


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RECUPERAÇÃO DO ENSINO DA LINGUA PORTUGUESA

 

ESTUDANTES DESINTERESSADOS EM AULAS

Existem jovens estudantes ainda adolescentes que buscam acertar nos estudos durante um ano letivo. S√£o seres especiais que sabem de sua compet√™ncia, intelig√™ncia e condi√ß√Ķes de aprendizagem. Alguns s√£o chamados de CDF, NERD, CR√āNIOS,¬† G√äNIOS e por a√≠ vai. Dentre esses h√° alguns que declaram n√£o gostar de estudar, mas s√£o respons√°veis e conscientes da NECESSIDADE de tal tarefa √°rdua. Esses jovens s√£o raros atualmente, pois a maioria se encontra no est√°gio de desinteresse total pelos estudos que d√° d√≥. Faltam muitas aulas ou v√£o √†s aulas desmotivados ou chegam atrasados em todos os primeiros hor√°rios, ligam seus acess√≥rios eletr√īnicos em sala de aula, n√£o interagem produtivamente nas aulas, √†s vezes s√£o REPETENTES, entregam atividades fora do prazo ou nem entregam atividades, fazem as atividades mal feitas, fazem pela metade ou fora das recomenda√ß√Ķes e exig√™ncias da proposta, em equipe se amparam naqueles CR√āNIOS, nem movem uma palha, mas pedem inclus√£o de seu nome, se comprometem a fazer as atividades em equipe e deixam o grupo em pavorosa por irresponsabilidade de n√£o fazer, fazer mal feito ou esquecer de levar ou apresentar no prazo. Mesmo assim, acredito que esses jovens querem algo diferente daquilo que a institui√ß√£o escolar oferece. Que ser√° mesmo que eles querem? Lembrando que aqueles estudiosos querem algo al√©m do oferecido pela escola, atrav√©s do sistema de ensino das pr√≥prias escolas p√ļblicas ou privadas. Isso √© fato!

ESTUDANTES TECNOL√ďGICOS

Mas como se encontra aparelhado o sistema de ensino atualmente? Estar√° acompanhando a evolu√ß√£o tecnol√≥gica com as diversas formas de aprendizagem e a massificada gama de INFORMA√á√ēES a cada segundo renovada? Possui estrutura adequada √† aprendizagem nessa evolu√ß√£o di√°ria das comunica√ß√Ķes e intera√ß√Ķes virtuais ou f√≠sicas? Em que institui√ß√£o se pode encontrar uma sala de aula completa com √°udio e v√≠deo prontos para intera√ß√£o de seus estudantes no mundo virtual a fim de adquirir uma aprendizagem condizente com sua vida pessoal, contextualizada com seu mundo?

ESTUDANDO PELO WhatsApp

Lembrando que estudei em ESCOLA P√öBLICA de An√≠sio Teixeira, como escreve a constitui√ß√£o, declaro que embora fosse ditada pelo regime militar, ao qual sou avesso, a qualidade de aprendizagem era muito boa. Era tanto que s√≥ os que tinham posse financeira estudavam. os demais n√£o estudavam. Eu, ah, eu estudei por “tr√°fico de influ√™ncia”, pois meu tio era professor da ESCOLA T√ČCNICA FEDERAL DA BAHIA e interveio para que eu e todos os meus irm√£os, pobres sobrinhos que mal tinha para comer, pud√©ssemos realizar testes de ascens√£o √† escola para podermos estudar. Assim, logramos √™xito e no CENTRO EDUCACIONAL CARNEIRO RIBEIRO, Escolas Classe 1 e Escola Parque estudamos e aprendemos muito bem as letras e os n√ļmeros assim como as OSPB e a EMC. Disciplina era a palavra de ordem. Nem tanto naquele tempo, nem t√£o pouco hoje. E fui vivendo e aprendendo a ler, escrever, calar e falar, me situando¬† e fazendo hist√≥ria como tamb√©m aprendi as ci√™ncias.

Um breve descrição me faz bem relembrar. Vejamos:

De segunda a sexta-feira havia aulas em dois turnos. No turno matutino, eu assistia aulas proped√™uticas que consistia de Ci√™ncias, Estudos Sociais, Matem√°tica e L√≠ngua Portuguesa. No vespertino, havia aulas de Educa√ß√£o F√≠sica (toda modalidade ol√≠mpica de esportes), Teatro, M√ļsica (coral com Prof. Hamilton Carvalho), Leitura na biblioteca, al√©m de derrubar jambo, manga verde e outras frutas das √°rvores frut√≠feras diversas da Escola Parque no bairro da Caixa D’√Āgua.

 

Um abraço com estas boas lembranças!
Adil Lyra


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