Ao Leitor Atento – I

De maneira ampla, leitura é um ato social praticado pelo indivíduo de interpretar a si próprio e o mundo, dentro de um contexto histórico, a partir de um ponto de vista. Condição essa essencial ao homem, pois suas leituras determinam a sua condição de ser e estar no mundo.

Na postagem desta semana, disponibilizamos um teste para você, Leitor (a), exercitar a sua competência leitora, ou seja, tente descobrir qual fato inusitado, raríssimo na Língua Portuguesa ocorreu nesta produção textual.

A resposta se encontra no final do texto.

N√£o vale a “pesca”, hein?!

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Como é que é?!*

Sem nenhum tropeço, posso escrever o que quiser sem ele, pois rico é o português e fértil em recursos diversos, tudo permitindo, mesmo o que de início, e somente de início, se pode ter como impossível. Pode-se dizer tudo, com sentido completo, como se isto fosse mero ovo de Colombo.

Desde que se tente sem se p√īr inibido, pode muito bem o leitor empreender este belo exerc√≠cio, dentro do nosso fecundo e peregrino dizer portugu√™s, pur√≠ssimo instrumento dos nossos melhores escritores e mestres do verso, instrumento que nos legou monumentos dignos de eterno e honroso reconhecimento.

Trechos dif√≠ceis se resolvem com sin√īnimos. Observe-se bem: √© certo que, em se querendo, esgrime-se sem limites com este divertimento instrutivo. Brinque-se mesmo com tudo. √Č um bel√≠ssimo esporte do intelecto, pois escrevemos o que quisermos sem o “E” ou sem o “I” ou sem o “O” e, conforme meu exclusivo desejo, escolherei outro, discorrendo livremente, por exemplo, sem o “P”, “R” ou “F”, ou o que quiser escolher. Podemos, em estilo corrente, repetir sempre um som ou mesmo escrever sem verbos.

Com o concurso de termos escolhidos, isso pode ir longe, escrevendo-se todo um discurso, um conto ou um livro inteiro sobre o que o leitor melhor preferir. Porém mesmo sem o uso pernóstico dos termos difíceis, muito e muito se prossegue do mesmo modo, discorrendo sobre o objeto escolhido, sem impedimentos. Deploro sempre ver moços deste século inconscientemente esquecerem e oprimirem nosso português, hoje culto e belo, querendo substituí-lo pelo inglês. Por quê?

Cultivemos nosso polif√īnico e fecundo verbo, doce e melodioso, por√©m incisivo e forte, messe de luminosos estilos, voz de muitos povos, escr√≠nio de belos versos e de imenso porte, ninho de cisnes e de condores.

Honremos o que é nosso, ó moços estudiosos, escritores e professores. Honremos o digníssimo modo de dizer que nos legou um povo humilde, porém viril e cheio de sentimentos estéticos, pugilo de heróis e de nobres descobridores de mundos novos.

(Texto de livre circulação e sem autoria.)

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge

* Título criado pelo blogueiro.

www.teologiaeinclusao.blogspot.com

Resp.: O texto n√£o possui a letra “A”.



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REGIDOS OBEDECEM AOS REGENTES

 

 

O MELHOR √Č O EXEMPLO

 

O exemplo faz toda diferença. As palavras apenas complementam as atitudes. Quem obedece, obedece a alguém. Então o verbo obedecer exige complemento sim e exige complemento ligado pela preposição a. Daí, se seu pai ou sua mãe der uma ordem expressa assim, por exemplo: Obedeça seu pai ou obedeça sua mãe, não dê ouvidos, pois quem erra a gramática não deve impor que o outro acerte. Para isso, o obedecedor deve conhecer a língua tão bem que lhe possibilite não obedecer a uma ordem superior e apresentar argumentos convincentes para não levar uma surra.

 

O maestro comanda sua orquestra diversificada de instrumentos musicais que deve obedecer a seus movimentos delirantes e, de repente, um deles, desafinado, tocar√° ao ouvido sens√≠vel do ouvinte. Aquele instrumento desafinado que destoa da harmonia dos outros musicistas causa um mal estar. Nesse momento, haver√° reprova√ß√£o porque faltou conjunto harm√īnico e qualidade de express√£o musical. Na reg√™ncia da gram√°tica, ocorre algo bem semelhante. Se n√£o houver harmonia correta e/ou adequada no emprego da reg√™ncia verbal poder√° acarretar, inclusive, mudan√ßa de sentido.

Exemplo cl√°ssico:

O conhecimento pertence a todos
Termo regente Preposição Termo  regido

Ent√£o como ficaria o sentido nas situa√ß√Ķes a seguir?

 

  1. Estou namorando com uma mulher inteligentíssima e culta. Mas a pessoa que namora essa mulher na verdade é o amigo do enunciador desse discurso, pois quem namora, namora alguém. (V.T.D.) Sabemos que Quem namora com faz companhia a um casal enamorado. (V.T.I.)
  2. O m√©dico que¬†assiste a um paciente em estado grave n√£o presta assist√™ncia m√©dica e os familiares devem sair imediatamente daquele ‚Äúatendimento‚ÄĚ, pois o m√©dico est√° apenas¬†assistindo √† morte dele. A constru√ß√£o correta conforme D. Norma seria¬†O m√©dico assiste o paciente que se encontra em estado grave. Nesse caso, mantenha-se o paciente l√°!
  3. Os estudantes inteligentes devem frequentar a aula de Língua Portuguesa com interesse e motivação. Essa construção tem o verbo dever auxiliando o verbo principal frequentar. (V.T.D.) Assim seu complemento é ligado ao verbo sem preposição e, portanto, direto. Já sozinho, o verbo dever tem a regência diferente, pois quem deve, deve algo a alguém então sua regência exige dois complementos e um é ligado pela preposição a.(V.T.D.I)
  4. Agora, Quem ouve, ouve algo de alguém e, assim, teríamos dois complementos verbais no verso As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico. Enquanto que a palavra de é preposição. Nesse caso o verbo ouvir também pede dois complementos. (V.T.D.I)
  5. Os torcedores preocupados queriam saber se O desempenho do time dele agradou o técnico. Contudo o técnico chateado não respondeu por que a escrita correta conforme D. Norma deveria ser O desempenho do time dele agradou ao técnico. (V.T.I.)
  6. Todo estudante aspira bons resultados, mas n√£o atinge esse objetivo pelo simples fato de n√£o observarem que o verbo aspirar possui significados diferentes. Dependendo da situa√ß√£o teremos a palavra regente exigindo preposi√ß√£o. Ficaria ent√£o, ‚Äúaspira a‚ÄĚ bons resultados. Nesse caso o VERBO aspirar √© TRANSITIVO INDIRETO porque exige preposi√ß√£o ligando-o ao complemento verbal chamado objeto indireto. Essa √© a situa√ß√£o sin√īnima de desejar, almejar, buscar.
  7. Quando tratamos de absorver algo não haverá necessidade de usar o verbo assistir com preposição. Nesse caso o verbo assistir seria transitivo direto. O exemplo a seguir pode ser triste, mas correto, denunciando uma questão de abandono  dos jovens que usam drogas em pó. Diríamos que Muitos jovens aspiram pó de ervas danoso. (V.T.D.)
  8. Os verbos intransitivos por sua vez não exigem complemento algum. Seria o caso das frases em que a ideia se encerra e ponto.  O verbo assistir, por exemplo, apresenta uma situação interessante de intransitividade na frase Assisto em Salvador desde meu nascimento, porque tem o significado de residir, morar. Ocorre intransitividade, também, com o verbo custar, no sentido de ter um preço. Meu curso custou R$ 2.000,00. Temos também o verbo proceder querendo dizer que tem fundamento aquilo que se diz, Procede a informação trazida. Vamos ver também outros verbos intransitivos como, deitar-se, levantar-se, ir, vir, voltar, chegar, cair, comparecer e dirigir-se. Esses verbos possuem complementos circunstanciais, ou seja, podem ser complementados por adjuntos adverbiais.

Palavra de William

Ocorre, contudo que escritores renomados como Machado de Assis, Cec√≠lia Meireles, Euclides da Cunha, √Črico Ver√≠ssimo, Graciliano Ramos, Fernando Sabino, Rui Barbosa entre outros apresentaram outras formas de reg√™ncia pelo uso da palavra em seus livros de cr√īnicas, romances, contos e novelas. Assim, o bom senso diz que devemos respeitar essas autoridades da escrita e seguir suas orienta√ß√Ķes como uso correto da linguagem. Afinal, esses autores s√£o autoridades no assunto. Veja mais em¬†Reg√™ncia de alguns verbos!

Bem, na verdade eu s√≥ queria escrever um pouco sobre esse assunto para colocar em pauta esse conte√ļdo gramatical, mais claramente! Aspirei fazer isso! Ser√° que consegui?

Um abraço e até o próximo texto!

Adil Lyra

 


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Viva Jo√£o Ubaldo Ribeiro!

Vez em quando aparecem no linguajar brasileiro excresc√™ncias como ‚Äúelencar‚ÄĚ, ‚Äúfocado‚ÄĚ, ‚Äútipo assim‚ÄĚ e outras de igual naipe. O nascedouro dessas constru√ß√Ķes tem origem diversa: podem vir, por exemplo, de empr√©stimos de outras l√≠nguas, de novelas e programas de tev√™s, da oralidade do dia a dia dentre outros. E a sua repeti√ß√£o excessiva pelos falantes e produtores textuais se d√°, provavelmente, por uma vis√£o torta de que, ao usar essas constru√ß√Ķes, o usu√°rio estaria em um contexto interativo superior ao seu oponente. Nada mais enganoso! Na verdade, elas mais empobrecem do que enriquecem o repert√≥rio lingu√≠stico do seu usu√°rio, pois, se √© repert√≥rio, como podemos nos mover lingu√≠stica e diariamente com um n√ļmero t√£o reduzido de palavras?!

No texto que hoje postamos, reverenciando um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos, o palavrão (fique à vontade para escolher o sentido que melhor lhe convier!) paralimpíadas é o mote para João Ubaldo apontar e disparar sua metralhadora afiada para os adeptos, repetimos, dessas excrescências linguísticas.

D√°-lhe, Jo√£o!

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Paralimpíadas é a mãe

Certamente eu descobriria no Google, mas me deu pregui√ßa de pesquisar e, al√©m disso, n√£o tem import√Ęncia saber quem inventou essa palavra grotesca, que agora a gente ouve nos notici√°rios de televis√£o e l√™ nos jornais. O surpreendente n√£o √© a inven√ß√£o, pois sempre houve besteiras desse tipo, bastando lembrar os que se empenharam em n√£o jogarmos futebol, mas ludop√©dio ou podob√°lio. O impressionante √© a quase universalidade da ado√ß√£o dessa palavra (ainda n√£o vi se ela colou em Portugal, mas tenho d√ļvidas; os portugueses s√£o bem mais ciosos de nossa l√≠ngua do que n√≥s), cujo uso parece ter sido objeto de um decreto imperial e faz pensar em por que n√£o classificamos isso imediatamente como uma aberra√ß√£o deseducadora, desnecess√°ria e inaceit√°vel, al√©m de subserviente a ditames sa√≠dos n√£o se sabe de que cabe√ßa desmiolada ou que interesse obscuro. Imagino que temos autonomia para isso e, se n√£o temos, dever√≠amos ter, pois jornal, telejornal e radiojornal implicam deveres s√©rios em rela√ß√£o √† l√≠ngua. Sua escrita e sua fala s√£o imitadas e tidas como padr√£o e essa responsabilidade n√£o pode ser encarada de forma leviana.

Que cretinice √© essa? Que quer dizer essa palavra, cuja forma√ß√£o n√£o tem nada a ver com nossa l√≠ngua? Faz muitos e muitos anos, o ent√£o ministro do Trabalho, Ant√īnio Magri, usou a palavra “imex√≠vel” e foi gozado a torto e a direito, at√© porque ele n√£o era bem um intelectual e era visto como um alvo f√°cil. Mas, no neologismo que talvez tenha criado, aplicou perfeitamente as regras de deriva√ß√£o da l√≠ngua e o voc√°bulo resultante n√£o est√° nada “errado”, tanto assim que hoje √© encontrado em dicion√°rios e tem uso corrente. J√° o vi empregado muitas vezes, sem alus√£o ao ex-ministro. Infutuc√°vel, inesculhamb√°vel e impaquer√°vel, por exemplo, s√£o palavras que n√£o se acham no dicion√°rio, mas qualquer falante da l√≠ngua as entende, pois est√£o dentro do esp√≠rito da l√≠ngua, exprimem bem o que se pretende com seu uso e constituem deriva√ß√Ķes perfeitamente leg√≠timas.

Por que ser√° que aceitamos sem discutir uma excresc√™ncia como “paralimp√≠ada”? J√° li alguns protestos na imprensa e na internet, mas a experi√™ncia insinua que paralimp√≠ada chegou para ficar e ter seu uso praticamente imposto. Ao contr√°rio dos portugueses, parecemos encarar nossa l√≠ngua com desprezo e nem sequer pensamos em como, ao abastard√°-la e ao subordin√°-la a padr√Ķes e usos estranhos a ela, vamos aos poucos abdicando at√© de nossa maneira de ver o mundo e falar dele, nossa maneira de existir. Talvez isso, no pensar de alguns, seja desej√°vel, mas o problema √© que, por esse caminho, nunca se chegar√° √† identifica√ß√£o com o colonizador que tanto se admira e inveja, mas, sim, √† condi√ß√£o cada vez mais arraigada de colonizado, que recebe tudo de segunda m√£o, at√© suas pr√≥prias opini√Ķes e valores.

Mas h√° um pequeno consolo em presenciar esse tipo de vergonheira servil. Consolo meio torto, mas consolo. Refiro-me ao fato de que nossa crescente ignor√Ęncia n√£o se limita a estropiar nossa l√≠ngua, mas faz o mesmo com idiomas que consideramos superiores em tudo, como o ingl√™s. Hoje isto caiu em desuso, mas smoking j√° foi aqui “smocking” durante muito tempo. Assim como doping j√° foi “dopping”. Quanto a este, assinale-se que o som, digamos fechado, do O, em ingl√™s, foi trocado aqui por um som aberto, √© o d√≥pin. O mesmo tipo de fen√īmeno ocorreu com volley, cuja primeira vogal em ingl√™s √© aberta, mas em brasingl√™s √© fechada e j√° entrou no portugu√™s assim.

No setor de nomes pr√≥prios, a vingan√ßa √© mais completa. Em primeiro lugar, transformamos os sobrenomes deles em prenomes nossos e enchemos o Pa√≠s de jeffersons, washingtons, edisons (ali√°s, em brasingl√™s, Edson, como Pel√©), lincolns, roosevelts e at√© mesmo kennedys e nixons. E n√£o perdoamos os contempor√Ęneos. N√£o s√≥ trocamos o H por E em Elizabeth, como at√© hoje h√° publica√ß√Ķes que se referem a Margareth Thatcher, ou √† princesa Margareth. Esse nome nunca teve H no fim, mas aqui √© assim n√£o s√≥ em muitos jornais quanto no caso de nossas meninas, como atesta o exemplo da minha linda e talentosa conterr√Ęnea Margareth Menezes. E das Nathalies que assim foram batizadas em homenagem a Natalie Wood. E dos Phellipes, inspirados no pr√≠ncipe Philip, das Daianes da Diane, a lista n√£o acaba.

De maneira semelhante, tamb√©m alteramos n√£o somente a pron√ļncia, mas as regras gramaticais do ingl√™s. Por exemplo, √© quase un√Ęnime, entre todos os numerosos militantes do brasingl√™s, a convic√ß√£o de que qualquer plural ingl√™s terminado em S deve ter essa letra precedida de um asterisco. Acho que √© barbada apostar que, em todas as cidades brasileiras de m√©dias para cima, ser√£o encontrados pelo menos uma placa e cinco card√°pios anunciando “Drink’s”. √Č mais chique e at√© o Gale√£o, n√£o h√° muito tempo, tinha arm√°rios (lockers) de aluguel, encimados pelo letreiro “Locker’s”, o que fazia os falantes de ingl√™s entender que os arm√°rios eram propriedade de um certo Mr. Locker. No Gale√£o, ali√°s, gate (port√£o) j√° soou como gay tea (ch√° gay) e shuttle service (ponte a√©rea) como chateau service (o que l√° seja isso). Agora mudou, mas to (para) deu para sair um prolongado tchuu, que, a um ouvido americano, h√° de soar como uma onomatopeia de espirro ou partida de maria-fuma√ßa.

Mas, at√© mesmo por causa (“por causa”, n√£o, por conta; agora s√≥ se diz “por conta”, vai ver que vem do ingl√™s on account of) dessas paralimp√≠adas, receio que as contraofensivas nacionais n√£o ser√£o suficientes para neutralizar a subordina√ß√£o de nossa cabe√ßa, atrav√©s do incalcul√°vel poder da l√≠ngua. Acho que, coletivamente, aspiramos a essa subordina√ß√£o. Tem sido muito lembrado o complexo de vira-lata de que falou N√©lson Rodrigues. Pois √©, √© isso mesmo e √© tamb√©m caminho seguro para sermos vira-latas de verdade.

Jo√£o Ubaldo Ribeiro
O Estado de S√£o Paulo
Acesso em: 19 de julho de 2014, às 14h33

Abraços Fraternos!

Paulo Jorge


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A Concord√Ęncia Nominal

Semanticamente, concordar significa estar em harmonia, seguir uma orienta√ß√£o, uma determina√ß√£o. Na Morfologia, o substantivo e o verbo s√£o as classes gramaticais mais importantes, haja vista que elas s√£o n√ļcleos na constru√ß√£o oracional e frasal, por isso todas as outras categorias gramaticais gravitam em torno delas.

Veja:

Ex. As nossas duas jogadoras prediletas chegaram.

Nesse enunciado, as palavras ‚Äúas‚ÄĚ, ‚Äúnossas‚ÄĚ, ‚Äúduas‚ÄĚ e ‚Äúestrangeiras‚ÄĚ aparecem no feminino plural, porque o substantivo ‚Äújogadoras‚ÄĚ est√° no feminino plural. Concluindo: o artigo, o adjetivo, o pronome e o numeral concordam com o substantivo em g√™nero e n√ļmero. Essa √© a regra geral da Concord√Ęncia Nominal; no entanto, existem condi√ß√Ķes especiais. Veja:

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I ‚Äď Regras Especiais:

1) O adjetivo funcionando como adjunto adnominal

‚Äď quando anteposto:
Ex. Trazia consigo velha revista e jornais.
Os esforçados Luís e Manuel não obtiveram aprovação.

‚Äď quando posposto:
Ex. Sentia a alma e o coração sujo.
Sentia a alma e a pele sujas.
Sentia a alma e o coração sujos.

Obs.: Se os substantivos forem ant√īnimos, a concord√Ęncia com ambos ser√° obrigat√≥ria.
Ex. Era capaz de num mesmo instante jurar amor e ódio eternos.
O verdadeiro herói considera impostoras a glória e a derrota.

2) Predicativo do sujeito

‚Äď quando posposto:
Ex. A mulher e o zelador abandonaram o prédio desconfiados.
M√£e e filha pareciam bastante preocupadas.

‚Äď quando anteposto:
Ex. Desconfiado, o zelador e a mulher abandonaram o prédio.
Desconfiados, o zelador e a mulher abandonaram o prédio.
Desconfiada, a mulher e o zelador abandonaram o prédio.

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‚Äď quando anteposto:
Ex. O pai encontrou cansada a filha e seu irm√£o.
O pai encontrou cansados a filha e seu irm√£o.

‚Äď quando posposto:
Ex. O juiz considerou a ré culpada.
O juiz considerou o réu e sua mulher culpados.

4) Dois adjetivos para um substantivo
Ex. Ela estuda a língua inglesa e a alemã.
Querem unificar a polícia civil e a militar.

Ex. Ela estuda as línguas inglesa e alemã.
Querem unificar as polícias civil e militar.

5) Adjetivos compostos
Ex. Era uma morena de belos olhos verde-claros.
S√£o necess√°rios acordos afro-luso-brasileiros para nova reforma ortogr√°fica.

6) Numerais ordinais mais substantivo
Ex. O primeiro e o segundo graus fazem por merecer séria atenção do governo.
A primeira e a segunda série apresentaram vários alunos reprovados.

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II ‚Äď Casos especiais:

1) Palavras variáveis: meio, anexo, barato, bastante, caro, incluso, leso, mesmo, extra, muito, obrigado, pouco, próprio, quite.
Ex. A turista mostrava-se meio desapontada com a cidade.
O caminh√£o derramou meia tonelada de asfalto na pista.
Eu estou quite com o serviço militar.
Seguem anexas as documenta√ß√Ķes solicitadas.
Bastantes trabalhadores estão bastante descontentes com os rumos do país.

2) Palavras e express√Ķes invari√°veis: alerta, em alerta, em anexo, menos, pseudo.

Ex. Os brasileiros est√£o alerta com as novas medidas econ√īmicas.
Cada vez mais menos pessoas acreditam no atual Governo.
Essa pseudo-representa√ß√£o popular esconde inten√ß√Ķes desp√≥ticas.

3) Algumas express√Ķes: √© proibido, √© necess√°rio, √© bom, √© preciso.
Ex. Pimenta é bom para tempero.
Esta pimenta é boa para tempero.

√Č proibido passagem.
√Č proibida a passagem de estranhos.

4) A palavra ‚Äú poss√≠vel ‚ÄĚ
Ex. Vi mulheres o mais elegantes possível.
Traga cervejas tão geladas quanto possível.

Abraços Fraternos!

Paulo Jorge


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Armando Oliveira, o Futebol e o Torcedor

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No encerramento da publica√ß√£o de cr√īnicas que possuem o futebol como tema, convocamos para a ‚Äúgrande final‚ÄĚ um jornalista pelo qual n√≥s baianos com mais trinta temos um imenso carinho e respeito. Armando Oliveira.

Demasiadamente humano, Armando, por mais de trinta anos, escreveu não apenas sobre futebol. Poético, registrou também o universo cotidiano de pessoas simples, com rara sensibilidade.

No livro Cr√īnicas de Armando Oliveira, do qual foi retirada a cr√īnica desta semana, Guido Guerra afirma sobre o jornalista: ‚ÄúFascina-me tamb√©m, e talvez mais, o universo ficcional que criou nas p√°ginas do Jornal da Bahia, na coluna amenidades, pela qual se transportava da Massaranduba, onde se movimentavam seres extuantes (sic) de vida como Dona Mi√ļda e o compadre, mais o mundo de insinua√ß√Ķes que os cercava.‚ÄĚ

E esse ambiente com seus personagens plenos de humanidade você, Leitor, poderá conferir nesse texto publicado na década de 70, no antigo Jornal da Bahia.

Um show de bola regado com humor e baianidade.

√ďtima leitura!

www.pimenta.blog.br

A tragédia tricolor

A barra, no famoso solar de Massaranduba, anda mais pra L√ļcifer que pra Irm√£ Dulce.

Desde a noite do √ļltimo domingo que Ant√īnio Bispo ingressou numa mudez de deixar o Dr. Falc√£o com inveja, s√≥ abre a boca pra comer e, assim mesmo, sem aquela voracidade habitual.

Dona Mi√ļda, coitada, embora sabedora das causas que levaram o compadre a arriar todos os pneus, cair na fossa, entrar numa de horror, teme puxar conversa, ainda mais que n√£o disp√Ķe de argumentos muito consoladores.

Ontem, porém, a loquacidade feminina fez-se intolerável e ela, após três tossidelas de advertência, resolveu cutucar a fera com vara curta:

‚Äď Se ficar calado resolvesse alguma coisa, Deus n√£o fazia a gente nascer com l√≠ngua!

‚Äď Hum!

‚Äď Eu sei que foi 1×1, deu no jornal, no r√°dio e na televis√£o, n√£o precisa voc√™ ficar se martirizando…

‚Äď Em quem falou em desgra√ßa de futebol aqui, diga?

‚Äď Ent√£o eu n√£o sei esta tromba toda √© por causa do Bahia!

‚Äď Acho bom a senhora n√£o mexer com quem est√° no seu quieto, por favor, t√° bem!

‚Äď Engra√ßado, quando o Ypiranga do finado perde, voc√™ fica dando risada, n√£o respeita nem a mem√≥ria do falecido…

‚Äď Que compara√ß√£o mais besta, comadre, tenha paci√™ncia!

‚Äď Esse povo do Bahia √© muito cheio de nove horas, ganha quase todo dia e n√£o suporta nem empatar…

‚Äď Isso √© problema nosso, n√£o interessa a ningu√©m!

‚Äď Pera√≠, n√£o engrossa n√£o, que eu tamb√©m parto pra ignor√Ęncia!

‚Äď Ser√° que a senhora n√£o compreende a minha dor, n√£o respeita a minha m√°goa, n√£o entende o meu drama?

‚Äď Eu, hein, esconjuro!

‚Äď A senhora sabe o que √© cem mil pessoas preparando uma festa e, no fim, dar jegue!

‚Äď √Č, mas quando a Sele√ß√£o perdeu a Copa, voc√™ quase nem ligou…

‚Äď E a senhora quer comparar aquela Sele√ß√£o fajuta com o glorioso Esporte Clube Bahia?

‚Äď Fala baixo, homem, cuidado que essas palavras pode dar bode!

‚Äď Pode nada, comadre, depois do que aconteceu domingo, desgra√ßa pouca eu tiro de letra!

‚Äď Mas n√£o disse que o Bahia fez uma boa campanha, deu no r√°dio?

‚Äď Foi o doutor Paulo Virg√≠lio Maracaj√° Pereira quem falou isto.

‚Äď Quem?

‚Äď O doutor Maracaj√°, aquele que fala em quatro r√°dios e duas televis√Ķes ao mesmo tempo…

‚Äď Miseric√≥rdia!

‚Äď Segunda-feira eu n√£o tive coragem de ouvir r√°dio, o sofrimento era demais…

‚Äď Deve ter sido ele, foi um com uma voz de lamenta√ß√£o que me deu pena…

‚Äď N√£o me conformo, comadre, a gente ser desclassificado por um time que tinha at√© Vanuza!

‚Äď E ela n√£o tava de barriga?

‚Äď Um time cheio de mutreta, disse que o presidente deles meteu a m√£o no dinheiro, uma vergonha!

‚Äď E o Bahia n√£o vai protestar?

‚Äď Sei l√°, comadre, parece que nossa diretoria n√£o suporta ouvir falar nesta palavra ‚Äúprotesto‚ÄĚ…

‚Äď Por que ser√°, hein?

‚Äď Antigamente a gente partia firme pro ‚Äútapet√£o‚ÄĚ e ganhava todas!

‚Äď Disse que o Le√£o deu uma dentada no Beijoca, foi verdade?

‚Äď Pois √©, mordeu o nosso √≠dolo no joelho, mas l√° na Argentina ele n√£o dividia uma!

‚Äď Valha-me Deus!

‚Äď E ainda me arranjaram um juiz estrangeiro, com um nome danado de complicado, parece que √© at√© alem√£o!

‚Äď O mal √© esse compadre, chegam esses gringos n√£o sei de onde e fazem o que querem aqui na Bahia!

‚Äď Ningu√©m toma uma provid√™ncia e fica tudo por isso mesmo!

‚Äď O neg√≥cio agora, como disse o homem da r√°dio, √© sair pra outra!

‚Äď √Č, mas este neg√≥cio de ‚Äúsair pra outra‚ÄĚ parece at√© desculpa da torcida do Vit√≥ria…

Cr√īnicas de Armando Oliveira, p√°gs. 88 – 90.
EGBA / Governo do Estado da Bahia. 2006.

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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O HINO NA ORDEM INVERSA

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Qual brasileiro nunca cantou ou ouviu cantarem versos do poema como ‚ÄúOuviram do Ipiranga as margens pl√°cidas de um povo her√≥ico o brado retumbante…‚ÄĚ? Ah! Lembrei-me de que, infelizmente, h√° lugares rec√īnditos onde existem pessoas que sequer sabem sobre si. Digo poema porque o hino √© composto por estrofes e versos. Mas, quem canta, deve saber o que canta, pois cantar sem conhecer a m√ļsica e sua composi√ß√£o textual pode pegar mal…


Em princ√≠pio, ou seja, antes de qualquer coment√°rio sobre os versos do hino nacional, preciso esclarecer uns pontos. √Č que, segundo o NOVO ACORDO ORTOGR√ĀFICO, a palavra ‚Äúheroico‚ÄĚ n√£o deve mais ser acentuada, porque foram retirados os sinais gr√°ficos em vogais de ditongos abertos, em palavras parox√≠tonas, mas permanecem nas ox√≠tonas e nos monoss√≠labos t√īnicos. Por√©m h√° uma regra que impede a altera√ß√£o de palavras de textos consagrados e esse foi o motivo para manter-me fiel √† grafia original da palavra heroico no primeiro verso do hino com o sinal agudo. Mas retomando o tema central, pergunto quantas vezes assistimos, por exemplo, a jogadores de futebol, perfilados, balbuciando os versos do hino diante das c√Ęmeras de televis√£o enquanto, os telespectadores tentam fazer leitura labial para entender o que pronunciam no momento da execu√ß√£o do Hino Nacional Brasileiro. Quantos criticam os balbuciares daqueles que t√™m como profiss√£o jogar bola? A esses se pode perdoar por n√£o saberem sequer cantar, mas, de modo geral, nenhum brasileiro deve ser perdoado por cantar errado ou at√© mesmo cantar certo, ignorando o significado das palavras no hino.

 

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Muitos brasileiros orgulhosos e emocionados cantam sem saberem que as margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico e que isso é possível por ser o texto um poema . A dificuldade se encontra na construção dos versos que não estão na ordem direta em sua versão original. Opção do escritor. Lá os versos do nosso poema (hino) são compostos em ordem indireta das frases o que provoca a falta de compreensão clara e objetiva imediata da mensagem.


Assim, toda vez que encontrar um texto onde a ordem das frases estiver no sentido inverso ou indireto deve-se coloc√°-la na ordem direta, para uma compreens√£o clara e precisa do que diz o texto. Uma boa estrat√©gia seria 1. Identificar o verbo na ora√ß√£o e analis√°-lo quanto ao n√ļmero, modo e tempo. 2. Identificar, na ora√ß√£o, o substantivo que est√° concordando com esse verbo. 3. Descobrir qual complemento verbal aparece, se um objeto direto mais um objeto indireto, ou se somente um objeto direto. A ordem direta de uma frase para melhor clareza textual deve obedecer tradicionalmente ao esquema: Sujeito + Verbo + Objeto direto + Objeto indireto. Assim, √© poss√≠vel entender perfeitamente a mensagem do autor.

Desafio o caro leitor internauta que quiser saber o que acontece, ao se colocar o sinal grave em ‚Äú√†s margens…‚ÄĚ, a seguir os passos da estrat√©gia sugerida no par√°grafo anterior e postar seu coment√°rio sobre esse texto para tirar sua d√ļvida e / ou fazer suas cr√≠ticas ou elogios. Depois, descubra qual a modifica√ß√£o significativa e gramatical que ocorre.

Agora cantemos juntos, – Ouviram do Ipiranga as margens pl√°cidas…

HINO NACIONAL BRASILEIRO e o HINO DE INDEPENDÊNCIA DA BAHIA

 

Hino Ao 2 de Julho (Independência do Estado da Bahia)  https://www.youtube.com/watch?v=M7gkpWjKUzk

Hinos e Marchas Militares

Nasce o sol a 2 de julho
Brilha mais que no primeiro
√Č sinal que neste dia
Até o sol é brasileiro
Nunca mais o despotismo
Reger√° nossas a√ß√Ķes
Com tiranos n√£o combinam
Brasileiros cora√ß√Ķes
Cresce, oh! Filho de minha alma
Para a p√°tria defender,
O Brasil j√° tem jurado
Independência ou morrer.
Nunca mais o despotismo
Reger√° nossas a√ß√Ķes
Com tiranos n√£o combinam
Brasileiros cora√ß√Ķes
Salve, oh! Rei das campinas
De Cabrito e Piraj√°
Nossa p√°tria hoje livre
Dos tiranos n√£o ser√°

Um abraço patriótico,

Adil Lyra

 

 

 



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Xico S√°, o futebol e as mulheres

www.veja.abril.com.br

Dentre os recursos gramaticais e liter√°rios utilizados por Xico S√° em seus textos, talvez a intertextualidade seja aquela que o escritor utiliza com maior riqueza e abund√Ęncia. As refer√™ncias a times de futebol, jogadores, poetas, escritores e m√ļsicos brasileiros dentre outros s√£o frequentes em suas cr√īnicas esportivas, evidenciando o vasto repert√≥rio cultural do escritor cearense.

Xico Sá começou sua carreira no Recife e atualmente é colunista esportivo do jornal Folha de S. Paulo. Eventualmente, participa como um dos apresentadores do time masculino do Saia justa, do GNT, programa de debates sobre temas da atualidade do canal fechado.

Nesta cr√īnica - Mais mulher no est√°dio -, publicada na Folha de S. Paulo, em 5 de abril de 2014, Xico alia o futebol a outro tema que lhe √© bastante caro, a mulher.

√ďtima leitura!

www.oficinasculturais.org.br

Mais mulher no est√°dio

Amigo torcedor, amigo secador, “apenas” 26% acham que roupa justifica ataque a mulher. Noves fora o erro do Ipea, arrisco, sem carecer qualquer enquete, que nos est√°dios de futebol esse n√ļmero de porcos chauvinistas (nada contigo, caro palmeirense!) ultrapassa os 65% anteriormente divulgado pelo instituto de pesquisa do governo.

Quando a mulher n√£o est√° acompanhada do marido ou namorado, nossa madre, as agress√Ķes remetem aos marmanjossauros de caverna. Short curto, mesmo no purgat√≥rio da beleza e do caos de um ver√£o carioca, √© risco de vida. Ao ponto de blogs sobre comportamento feminino aconselharem trajes quase clericais √†s torcedoras que v√£o a campo.

Por estas e por outras a presen√ßa da mulher nas arquibancadas √© ainda t√£o pequena, mesmo com o aumento nas √ļltimas d√©cadas. Uma pena. Al√©m de dar uma suavizada naquele desagrad√°vel ambiente macho, a participa√ß√£o feminina poderia at√© mesmo reduzir a viol√™ncia dos doentes. Se o cara vai ao est√°dio com a m√£e, a mulher, a namorada etc., naturalmente fica mais manso, menos atra√≠do pela selvageria. Acredito.

Nada mais comovente do que uma mulher com febre de bola. Como uma botafoguense que vi na noite de quarta-feira no Rio de Janeiro. Ela chegava ao Galeto Sats, o melhor fim de noite de Copacabana, depois de uma jornada infeliz do alvinegro no Maraca. Triste, solitária e final, como no título do romance bueníssimo do craque argentino Osvaldo Soriano.

Vestida conforme os manuais, para se proteger da falta de civilidade do “pa√≠s cordial”, a estrela solit√°ria -cal√ßa jeans e camiseta vintage do Fog√£o- ainda teve que encarar a euforia dos flamenguistas. Tudo bem, √© frequentadora do bar, estava entre amigos. O que quero exaltar √© a beleza da cena. Ela trazia do Maraca toda a melancolia que s√≥ um botafoguense carrega. Se a vida d√≥i, drinque caub√≥i. Sim, ela pediu uma vodka para espantar os males da ang√ļstia futebol√≠stica.

Alegre, como as rubro-negras naquela mesma taberna, ou abatidas pela derrota, nada mais bonito do que uma mulher com passionalidade club√≠stica. Por mais mulheres nos est√°dios. Por mais “s√£opaulindas”, no dizer dos tricolores, por mais sereias santistas, mais corintianas como a minha colossal enfermeira do Ipiranga, mais ragazze palestrinas…

Por mais marias bonitas e dad√°s (a mulher de Corisco) na Lampions League, o campeonato mais emocionante do pa√≠s. E olhe que muitas mulheres foram √† Ilha do Retiro neste Sport 2×0 Cear√°. S√≥ a Lamp√≠ons salva o nosso futebol. Perto desse torneio do Nordeste a Libertadores da Am√©rica parece jogo de comadres. Que duelo de renegados. Como na bela cr√īnica de Thalles Gomes para o blog “Impedimento”, no primeiro jogo da final da Copa do Nordeste, a gl√≥ria brotou da inhaca. Futebol ao melhor estilo “onde os fracos n√£o t√™m vez”.

Xico S√°

Abraços Fraternos!

Paulo Jorge

 


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TODA FOTOC√ďPIA √Č X√ČROX, TODO REFRIGERANTE, GUARAN√Ā!

 

Desde pequeno, ali√°s, nem cresci tanto assim, mas desde menino ou√ßo as pessoas pedirem guaran√° em vez de pedirem um refrigerante, mas quando servem o produto ao cliente, perguntam ‚Äú- Qual o guaran√°, coca ou fanta?‚ÄĚ. A√≠ j√° entra o marketing no processo. J√° adulto, ainda rapaz, trabalhando de Office boy passei a ouvir a ordem, ‚Äú- V√° ali tirar uma x√©rox!‚ÄĚ. Eu ia, mas quando chegava ao setor o mecanogr√°fico me corrigia, dizendo, ‚Äú- Fotoc√≥pia, boy!‚ÄĚ.

 

Máquina de fotocópia

 

‚ÄúA x√©rox foi introduzida na d√©cada de 1960 e foi gradualmente substituindo o processo de c√≥pia por papel qu√≠mico. J√° o guaran√°, guaran√° antartica √© um refrigerante brasileiro. A marca pertence √† AmBev e foi lan√ßada em 1921 pela ent√£o Companhia Antarctica Paulista, com o nome de Guaran√° Champagne Antarctica, passando a ser a primeira marca a comercializar este tipo de refrigerante. Com o sucesso e popularidade da bebida, a Coca-Cola acabou lan√ßando uma marca tamb√©m com sabor de guaran√°. Atualmente, encontra-se entre as quinze marcas de refrigerantes mais vendidas no mundo.‚ÄĚ

 

 

 

Refrigerantes

Dessa forma podemos dizer que a força do hábito provocado pela publicidade é nos leva a usar o nome do especifico pelo nome geral daquele produto que lançou a novidade no mercado. Assim existem tantos outros produtos como veremos a seguir.

 

A M√ĀQUINA DE D. ALTINA, MINHA M√ÉE!

Começando pela marca Singer que vem dar nome toda máquina de costura, as mais antigas são:

Aspirina Рanalgésico

Q-suco – refresco artificial
Danone – iogurte
Royal Рfermento químico
Pomarolla – molho de tomate
Àgua Raz Рsolvente
Ray-Ban ‚Äď √≥culos escuros
Caloi ‚Äď bicicleta
Mellita – filtro descart√°vel
Brahma – cerveja
Pinho Sol – desinfetante
Baygon ‚Äď inseticida
Marinex – refrat√°rio
Modess Рabsorvente íntimo
Bic – caneta esferogr√°fica
Discman e Walkman – Toca-Cds port√°til e Toca-Fitas;
Kibon – sorvete
Lux – sabonete
Colgate – creme dental
ODD Рdetergente líquido
Lambretta ‚Äď moto pequena
Fusca era chamado de VOLKS,

Depois vêm as marcas mais recentes:

Omo Рsabão em pó;
Gillette – l√Ęmina de depilar;
Durex – fita adesiva
Nescau – achocolatado
C√Ęndida – √°gua sanit√°ria
Xerox Рfotocópia
Guaran√° – refrigerante
Caldo Knorr ‚Äď caldo de carne em cubos
Nescaf√© ‚Äď caf√© sol√ļvel
Chiclet’s – goma de mascar
Tenaz – cola
Sedex – Envios de courier.
Leite Moça Рleite condensado
Yakult – leite fermentado
Maizena – amido de milho
Miojo – macarr√£o instant√Ęneo
Band Aid – curativos adesivos
Sucrilhos – cereal
Havaiana – chinelo
Astes Flexíveis Рcotonete

Assim nos resta atenção para esquecer as marcas registradas que nos impelem a comprar por engano e verificar a qualidade do produto e confortavelmente comprá-lo por um preço justo e desejado.

Um abraço, leitores!

Adil Lyra

 

 


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Luis Fernando Veríssimo, o futebol e a família

www.wallpaperdetimes.tk

A cr√īnica esportiva desta semana possui a autoria de um torcedor fan√°tico pelo futebol e pelo Sport Club Internacional, de Porto Alegre.

Ex√≠mio observador, Ver√≠ssimo investiga em suas cr√īnicas o comportamento da sociedade brasileira, a partir da presen√ßa recorrente do n√ļcleo familiar, normalmente composto por um pai, uma m√£e e um filho / filha, como pode ser visto em Sexa, F√©rias, Festa de crian√ßa, As mentiras que os homens contam dentre outras hist√≥rias.

Atualmente, o escritor ga√ļcho mant√©m uma coluna di√°ria no jornal O Globo e, √†s vezes, escreve textos de humor para programas humor√≠sticos da TV Globo.

Na cr√īnica que reproduzimos hoje – Aquela bola -, o cronista traz de novo o n√ļcleo familiar desta vez inserido em um contexto de futebol. Observe que, ao narrar uma cena capital de um jogo de futebol ocorrido entre filho do narrador e os colegas, Ver√≠ssimo faz uma cr√≠tica ao comportamento social do brasileiro, acrescente a isso, a sempre presente divers√£o com a Gram√°tica da L√≠ngua Portuguesa.

√ďtima leitura!

www.portalimprensa.com.br

Aquela bola

Na volta do jogo, o pai dirigindo o carro, a mãe ao seu lado, o garoto no banco de trás, ninguém dizia nada. Finalmente o pai não se aguentou e falou:

‚Äď Voc√™ n√£o podia ter perdido aquela bola, Rog√©rio.

‚Äď Luiz Ot√°vio‚Ķ ‚Äď come√ßou a dizer a m√£e, mas o pai continuou:

‚Äď Foi a bola do jogo. Voc√™ n√£o dividiu, perdeu a bola e eles fizeram o gol.

‚Äď Deixa o menino, Luiz Ot√°vio.

‚Äď N√£o. Deixa o menino n√£o. Ele tem que aprender que, numa bola dividida como aquela, se entra pra rachar. O outro, o loirinho, que √© do mesmo tamanho dele, dividiu, ficou com a bola, fez o passe para o gol e eles ganharam o jogo.

‚Äď O loirinho se chama Rubem. √Č o melhor amigo dele.

‚Äď N√£o interessa, Margarete. Nessas horas n√£o tem amigo. Em bola dividida, n√£o existe amigo.

‚Äď E se ele machucasse o Rubem?

‚Äď E se machucasse? O Rubem teve medo de machucar ele? N√£o teve. Entrou mais decidido do que ele na bola, ficou com ela e eles ganharam o jogo.

‚Äď Voc√™ est√° dizendo para o seu filho que √© mais importante ficar com a bola do que n√£o machucar um amigo?

‚Äď Estou dizendo que em bola dividida ganha quem entra com mais decis√£o. Amigo ou n√£o.

‚Äď Vale rachar a canela de um amigo pra ficar com a bola?

‚Äď Vale entrar com firmeza, s√≥ isso. P√© de ferro. Doa a quem doer.

‚Äď √Č apenas futebol, Luiz Ot√°vio.

‚Äď A√≠ √© que voc√™ se engana. N√£o √© apenas futebol. √Č a vida. Ele tem que aprender que na vida dele haver√£o v√°rias ocasi√Ķes em que ele ter√° que dividir a bola pra rachar e‚Ķ

‚Äď Haver√° ‚Äď disse Rog√©rio, no banco de tr√°s.

‚Äď O qu√™?

‚Äď Acho que n√£o √© ‚Äúhaver√£o‚ÄĚ. √Č ‚Äúhaver√°‚ÄĚ. O verbo haver n√£o‚Ķ

‚Äď Ah, agora est√£o corrigindo meu portugu√™s. Muito bem! Eu n√£o sou apenas o pai insens√≠vel, que quer ver o filho quebrando pernas pra vencer na vida. Tamb√©m n√£o sei gram√°tica.
‚Äď Luiz Ot√°vio‚Ķ

‚Äď Pois fiquem sabendo que o que se aprende na vida √© muito mais importante do que o que se aprende na escola. Est√° me ouvindo, Rog√©rio? Um dia voc√™ ainda vai agradecer ao seu pai por ter lhe ensinado que na vida vence quem entra nas divididas pra valer.

‚Äď Como voc√™, Luiz Ot√°vio?

‚Äď O qu√™?

‚Äď Voc√™ dividiu muitas bolas pra subir na vida, Luiz Ot√°vio? N√£o parece, porque n√£o subiu.

‚Äď Ora, Margarete‚Ķ

‚Äď Conta pro Rog√©rio em quantas divididas voc√™ entrou na sua vida. Conta por que o Sim√£o acabou chefe da sua se√ß√£o enquanto voc√™ continuou onde estava. Conta!

‚Äď Margarete‚Ķ

‚Äď Conta!

‚Äď Eu estava falando em tese‚Ķ

Luis Fernando Veríssimo

Abraços Fraternos,

Paulo Jorge


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Copa, os Significados Fazem a Diferença

Estamos em tempos de Copa do Mundo! E no Brasil! Por isso trazer mais significados sobre o nome COPA parece-me coerente ao momento.

A saber: al√©m de o nome fazer parte do t√≠tulo do campeonato disputado entre sele√ß√Ķes mundiais, h√° outros sentidos que se aplicam ao nome COPA.

Vejamos.

COPA do Mundo ‚Äď Do latim cupa, ta√ßa, c√°lice; substantivo feminino. Nome dado ao torneio de futebol disputado por sele√ß√Ķes de todo o mundo. Ele acontece de quatro em quatro anos e √© motivo de competi√ß√£o entre os pa√≠ses que desejam conquistar o t√≠tulo de SEDE desse grandioso evento futebol√≠stico.

Curiosidades sobre a COPA do Mundo.

1- A Copa do Mundo de 2014, a que estamos vivenciando agora, √© a vig√©sima e contamos com oito grupos de quatro das trinta e duas sele√ß√Ķes que disputam a Ta√ßa.

2- O primeiro mascote apareceu na Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, e virou uma tradição até os dias de hoje. Um leão chamado Willie foi o mascote oficial da Copa daquele ano na Inglaterra e criado pelo artista Reg Hoye que se inspirou em seu filho Leo para desenhar o animalzinho.

3- O mascote brasileiro da Copa do Mundo do ano em curso é um tatu-bola e seu nome é Fuleco (combinou-se as palavras futebol e ecologia).

4- De 1966 até 2014, são treze Copas do Mundo com a presença de personagens que se transformam em mascote.

5- Juanito, o primeiro mascote a ter a forma humana (um menino) foi o da Copa de 1970, no México.

6- Em 1974, os alem√£es ocidentais sediaram a Copa do Mundo e tiveram como mascotes oficiais os meninos Tip e Tap, que se pareciam, na simplicidade, com o mexicano.

7- Os argentinos, nossos eternos rivais no futebol, apresentaram também como mascote um menino, o Gauchito, na Copa de 1978, e como os anteriores, vestiam a camisa do país.

8- A Espanha escolhe uma fruta como mascote da Copa de 1982, era Naranjito, uma laranja sorridente.

9- Em 1986, o México volta a sediar a Copa do Mundo e traz Pique como mascote, a figura de uma pimenta com chapéu mexicano e bigode.

10- Os italianos escolhem uma figura chamada Cio para a Copa de 1990, era um personagem diferente de outros anteriores, pois era um boneco articulado nas cores: vermelha, verde e branca e cuja cabeça tinha formato de bola de futebol, sem olhos e boca.

11- Os Estados Unidos sediaram a Copa de 1994. Eles trouxeram o mascote Striker, um cachorro vestindo uma camiseta vermelha e branca e short azul.

12- Footix, um galo azulão segurando uma bola, foi o mascote da Copa na França, em 1998.

13- Os Spheriks Ato (treinador), Nik (jogador azul) e Kaz (jogador roxo), criaturas do futuro, contam a seguinte história: viveram na Atmozone e pousaram na Terra, em 2002, para se tornarem mascotes oficiais da Copa do Mundo sediada em conjunto pelo Japão e Coreia do Sul.

14- Outro leão volta a ser figura mascote da Copa de 2006 que, de novo, acontece na Alemanha. Goleo VI e sua bola falante, Pille, foram alvo de polêmica na época porque o animal parecia estar sem calça.

15- Mais um animal foi mascote na Copa de 2010, na √Āfrica do Sul. Dessa vez um leopardo chamado Zakumi, nome derivado do c√≥digo da √Āfrica do Sul, ZA, e da palavra ‚Äúkumi‚ÄĚ (significa dez em v√°rias l√≠nguas africanas) que vestia as cores da bandeira africana: verde e amarelo.

 

Agora vejam outros significados da palavra COPA

COPA/Cozinha

Dependência de uma casa, geralmente anexa, próxima à cozinha, onde são guardados talheres, louças, roupas de mesa e alimentos, ou de hotéis e hospitais onde se atende a serviços dos quartos e à preparação de alimentos leves.

COPA da √Ārvore

A parte superior e convexa da ramagem da √°rvore.

COPACABANA ‚Äď Copa √© o apelido do conhecido nome desse bairro carioca.

S√£o algumas curiosidades, caros leitores desse blog, e espero que realmente, tenham apreciado o tema.

Um grande abraço e boa COPA DO MUNDO NO BRASIL.

Marta Mendonça

Alguns links para aprofundamento do tema COPA DO MUNDO

http://www.copa2014.df.gov.br/copa-do-mundo-da-fifa-2014


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