Na corrida para a Casa Branca, em 2008, o Partido Republicano estava em baixa por conta da grave crise econômica que assolou o país – e que fora provocada pela incompetência da administração de George W. Bush. Enquanto isso, a equipe de John McCain (republicano escolhido para concorrer à presidência) assistia a ascensão de Barack Obama que, antes mesmo de se tornar presidente, já conquistava o eleitorado por sua simpatia e discursos elaborados.
Na época, o que todos se perguntavam no partido Republicano era o seguinte: “o que deveremos fazer?” McCain era um veterano de guerra que passou anos sendo torturado pelos vietnamitas. E sobreviveu. Porém, o candidato não tinha empatia nenhuma com os indecisos e outras classes de eleitores. Estes começaram a se afastar e, logicamente, a optar por Barack Obama. É então que surge Sarah Palin, a governadora do Alasca que causou burburinho dentro da campanha.
É aqui também que o telefilme da HBO Game Change se situa ao primeiramente apresentar o porquê do partido Republicano ter escolhido uma mulher para ser a Vice-Presidente dos Estados Unidos na chapa de John McCain. Dirigido por Jay Roach, e com roteiro adaptado por Danny Strong a partir do livro de Mark Halperin, Game Change narra o rumo descontrolado que a campanha republicana tomou depois da escolha de Sarah Palin.
No início de Game Change, Steve Schmidt (Harrelson), diretor de comunicação da campanha, é questionado pelo apresentador do programa “60 Minutes” se ele se arrependia por ter escolhido Sarah Palin (Moore). Não há como negar que os republicanos na época precisavam de algo novo para combater o fenômeno Obama. Palin representou isso, mas esbarrou na sua falta de conhecimento de política.
Por causa disso, a campanha tomou o rumo que McCain (Harris) não gostaria quando passou a criticar Barack Obama com mais veemência. Mas a visão dada por Game Change se encontra sempre sob o olhar de Steve e, principalmente, o quanto ele vai perdendo o controle enquanto que Sarah Palin passa a fazer o que ela bem entender (como se a campanha fosse somente dela, e de mais ninguém).

Com um ótimo elenco, formado por Woody Harrelson e Ed Harris, quem realmente merece destaque é Julianne Moore. Não apenas pela sua incrível semelhança e caracterização de Sarah Palin, mas por demonstrar nos momentos mais intensos a personalidade forte da candidata e o seu despreparo caso se tornasse Vice-Presidente.
Steve a considerava a “melhor atriz da política” que os Estados Unidos já conheceu. A ela não sabia de temas básicos como, por exemplo, porque as duas Coréias possuem posicionamentos ideológicos diferentes uma da outra (sem contar outros assuntos). Mas ela conquistava o eleitorado, arrastou multidões e arrecadou muito dinheiro durante a campanha – talvez isso a tenha feito pensar que a campanha se tratava apenas sobre ela.
Game Change é um telefilme político que não se prende a discussões complexas e trata do tema de forma objetiva e, às vezes, com bastante humor e sarcasmo. A história peca em alguns momentos, mas consegue um resultado satisfatório – além de explicar também, nas entrelinhas, a força que grupos como o Tea Party, fundado por Palin, tomou durante um tempo nos Estados Unidos.
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