Carnaval

Pipoca da BaianaSystem dá o tom democrático da folia; veja vídeo

Com as cordas baixas, todo mundo curtiu em alta a festa da banda baiana

João Gabriel Galdea, Correio 24h

Onde Está Meu Trio?


“Um Carnaval sem cordas. Estamos livres, sem correntes!”, bradou Russo Passapusso, ao passar pelo Campo Grande, na tarde desta terça-feira (13), dia derradeiro da folia, movimentando sua máquina de loucos, que pulava que nem pipoca. Sim, mesmo com as dimensões acanhadas - comparadas a outros trios - do Navio Pirata, uma das maiores máquinas de pipocas desse Carnaval, mais uma vez, foi da BaianaSystem.

Foto: Evandro Veiga/CORREIO

 E 2018 foi, como nenhum outro ano em pelo menos duas décadas, a folia mais democrática, com o povo na rua, no mundo, às vezes no meio da chuva, a girar, a grande maioria sem abadá, em desvantagem contra a turma fantasiada.

E quem queria que essa fantasia fosse eterna era, justamente, a vendedora de pipoca Luciene Paixão Ferreira, 39 anos, que faturou alto na festa. “Esse ano teve muito mais gente (comprando), porque teve menos blocos. O pessoal dos blocos não comprava. Faturei na faixa de 70% a mais”, contou a moradora do Tororó, entre um cliente e outro, na frente do TCA.

O dia já começava a baixar as cortinas, depois da passagem de grandes estrelas como Daniela Mercury, Léo Santana e Fabrício [você não] Pancadinha, quando a Baiana despontou na esquina da passarela Nelson Maleiro.

Sem cordas, sem amarras, foi êxtase, transe, arrebatamento. Abrindo rodinhas, como bons discípulos de Sarajane, os seguidores da Baiana abriam o desfile como se fosse o primeiro dia de folia. Era clima de estreia e maré cheia, mas também de desfile das campeãs, embalado com hits como "Forasteiro" e "Lucro (Descomprimindo)".

A conexão entre os foliões era tão grande que quem tivesse parado era içado, quem tivesse dormindo era arrastado. Pipoca boa e salgada, com gosto de suor e lágrima emocional.

Pular ao som de “Lucro” foi uma das opções extras de quem saiu no lucro neste Carnaval.

As amigas Aline, Keytiane e Tássia curtiram exclusivamente na pipoca esse ano (Foto: Evandro Veiga/CORREIO)
Caso das amigas Aline, Keityane e Tássia, que deixaram os gastos com blocos ou camarotes e, esse ano, optaram exclusivamente pela pipoca.

Até o ano passado, a enfermeira Tássia Neves, 31, por exemplo, chegava a gastar R$ 1 mil nos espaços privativos. “Esse ano a gente veio pra pipoca. É muito melhor. Dá pra ver todas as atrações e ainda economiza. Tem dinheiro pra beber, comer e ainda sobra”, cita.

Esposas de dois membros d’As Muquiranas, a comerciária Aline do Amor Divino, 37, e a empresária Keityane Lopes, 34, também comemoraram o aumento da economia e da diversão.

“Até ano passado ainda fui pro camarote Sfrega, mas esse ano vim só pra pipoca. É melhor, a gente encontra todo mundo, vê mais atrações e se diverte muito mais”, conta Keityane.


 Autodenominado “frenético do Carnaval”, o estudante Cássio Lima, 24, ainda não conseguia se conformar que eram as últimas horas para aproveitar. A resignação, no entanto, foi interrompida quando questionado sobre quanto gastou na folia, este ano. Aos risos, sugeriu: “Se você perguntar quanto eu ganhei em não gastar, é mais fácil responder”. Ok, então quanto ganhou em não gastar? “Ganhei mais tempo e mais atrações pra aproveitar, mais dinheiro pra curtir, pagar até pros outros, tirar proveito”. Máximo respeito.



 Consenso entre os entrevistados: com as cordas baixas, e menos segregação, a segurança melhorou, e por isso ficou mais tranquilo curtir fora dos ambientes privativos.

Prova disso foi o ponto pacífico de ebulição da pipoca da Baiana, sem um resquício de confusão. Mas ferveu tanto que o estudante Tiago Freitas, 21, de Ilhéus, e sua amiga Paula Santos, 23, estudante que mora em Aracaju, pareciam estar pedindo arrego, ao pular uma divisória para sair da passarela. Não aguentaram o rojão? “Que nada. A gente só vai cortar caminho pra reencontrar outros amigos”, esclarece Tiagão. É, pelo jeito, nesse ano, ninguém pipocou da pipoca.