Carnaval

Vale LGBTQ+: Saiba tudo o que rola no beco mais apertado e colorido do Carnaval

Beco das Cores fica no antigo Beco da Off, no circuito Dodô

Kelven Figueiredo, do Correio 24h

A noite ferveu nesta sexta-feira (9) no beco mais colorido e famoso do carnaval de Salvador: o Beco da Off (antiga boate gay), localizado na Rua Dias d’Ávila, na Barra. Muita purpurina, cores e música eletrônica marcaram a noite. A diversidade se mostra presente desde muito antes da chegada no local, seja nas fantasias, que certamente capturam o olhar de quem passa, nas cores vibrantes, ou mesmo nas pessoas que fazem do lugar um pedacinho do paraíso LGBTQ+, no circuito.

Não é só de LGBTQ+ que se faz o beco. É muito comum também ver héteros e cisgêneros curtindo a noite por lá. Segundo eles, o clima é mais divertido, as pessoas são mais alegres e a diversidade que se tem ali é algo único no carnaval. Para as meninas héteros que vão ao beco o espaço simboliza um lugar onde são mais respeitadas e o assédio é menor, elas também garantem que encontrar alguém para dar uns beijinhos de vez em quando não é uma tarefa nada difícil.

Entre o público, que é bastante diverso, há quem vai para lacrar e ser o centro das atenções. Mas também tem espaço para os que preferem dançar no cantinho com amigos. E por falar em espaço é algo que falta no lugar, lá tudo é muito apertadinho. “Eu acho que esse é o único ponto negativo daqui, mas eu adoro principalmente os DJs!”, declara a estudante Beatriz Tomita, 18, que frequenta o lugar desde 2016 e desta vez arrastou a amiga Letícia Portugal, 17. “Isso aqui é maravilhoso, já quero vir mais vezes!”, afirma.

Foto: Kelven Figueiredo/CORREIO
O que é que o beco tem?

Apesar da música ser um dos principais atrativos do local é um fator que divide opiniões. No caso dos estudantes do Bacharelado Interdisciplinar (BI) da Ufba, Pedro Villa Nova e Juliana Souza, a música é justamente o que os atraiu até lá.

    “A gente adora isso aqui porque é o único lugar do carnaval que tem música eletrônica e como não somos muito chegados em seguir trios essa é a melhor alternativa”, avaliam.

Foto: Kelven Figueiredo/CORREIO

Já no caso de Johene Amorim, 21, a música é um ponto pouco atrativo do espaço. “Que eu saiba viado gosta de pop e funk para rebolar a raba e não de música eletrônica”, brinca. O que o atrai no lugar é o fato de ser um espaço mais receptivo e respeitoso com “as manas”.

O administrador Marcos Vinicius, 58, só se queixou do gerador instalado no beco porque, segundo ele, reduziu ainda mais o espaço que já é pequeno. Frequentador assíduo, ele e o amigo José Domingos, 54, fizeram a cabeça de Joaquim Pires, 38, que veio do Amapá só para conhecer de perto e ter a experiência do Carnaval no Beco das Cores. “Lá no Amapá, não tem essas coisas. Eu vim ontem, vim hoje e virei enquanto tiver energia!
Foto: Kelven Figueiredo/CORREIO
Quem também veio de longe foi Rita Santana, 28. Diretamente de Minas Gerais, a operadora de Telemarketing assume que o maior atrativo do Carnaval é a mulher baiana. “Sem dúvidas, são as mais bonitas! Essa é a minha segunda vez aqui já e pretendo voltar muitas vezes”, conta. A única crítica que ela faz é que, em sua opinião, ainda existem poucas lésbicas ocupando o espaço.

A produtora de eventos Joice Soares, 22, concorda, mas ainda assim não deixa de ir há mais ou menos cinco anos e recomenda a festa a todos os conhecidos.

    “O Beco das Cores é quase que uma tradição! Eu me mudei para o Rio de Janeiro, mas não conseguir abrir mão disso aqui, por isso voltei a morar aqui há mais ou menos 2 anos”, contou.


Mas o grande diferencial mesmo do beco das cores, segundo Rodrigo Pinto, 24 é que: “aqui o trio passa e a farra continua com os DJS”, declara.