Jornalismo de Futuro

Publicada em 25/06/2011 às 16h53. Atualizada em 25/06/2012 às 20h23

10 famosos crimes passionais no Brasil


De Euclides da Cunha a Matsunaga: crimes passionais que marcaram o Brasil


Hilla Santana e Renato Alban
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Os casos de crimes envolvendo relacionamentos amorosos que resultaram em mortes impressionam a população e são explorados pela mídia. No Brasil, alguns casos de homicídios passionais ganharam maior notoriedade, dentre eles o do famoso escritor Euclides da Cunha e o de Elize Matsunaga, esposa do empresário Marcos Matsunaga, da Yoki. Relembre dez crimes que marcaram história no Brasil.

1. A Tragédia da Piedade:

Euclides da Cunha                   Dilermando de Assis

A tragédia que aconteceu no início do século XX, próximo ao bairro da Piedade, Rio de Janeiro, foi o crime passional que mais marcou a história do Brasil. Euclides da Cunha, importante escritor brasileiro, era casado com Ana Emília. Como escritor, constantemente Euclides fazia viagens que resultaram em grandes obras da literatura brasileira, como Os Sertões. Mas a ausência do escritor em casa deu espaço para o aparecimento de um novo amor na vida de sua esposa. Ana Emília se relacionou com o aspirante do exército Dilermando de Assis, 17 anos mais jovem que Ana. Ela teve um filho do amante que muito se diferenciava das características da família, mas foi aceito por Euclides. Depois que descobriu a traição, Euclides flagrou Ana na casa de Dilermando, local em que o casal de amantes costumava se encontrar. Armado, Euclides pretendia matar o amante da mulher. Foi dado início a um tiroteio que culminou na morte do escritor. A tragédia acompanhou a família sete anos mais tarde quando um dos filhos de Euclides e Ana da Cunha, Euclides da Cunha Filho, tentou matar seu padrasto para vingar a morte do pai. Em um novo tiroteio protagonizado por Dilermando, Quindinho morre. Embora a imprensa tenha tomado partido do escritor, o Tribunal do Juri foi convencido da legítima defesa do militar, que nos dois casos foi absolvido em julgamento.

 2. Stélio Galvão Bueno: Na década de 50 o ciúme motivou a morte de Stélio Galvão Bueno, advogado criminalista famoso, rico e de boa aparência. Casou-se com Zulmira Bueno, bilheteira de cinema. Depois de 18 anos de casamento, Zulmira desconfiou de traição do marido, mas ele nunca lhe confessou o caso. Em certa manhã, após uma discussão, Zulmira atira duas vezes no esposo. Entregou-se à polícia ainda de pijama e chinelos, de acordo com relatos do livro Paixão no banco dos Réus, da promotora Luiza Eluf. Conta-se que as últimas palavras de seu marido antes de morrer foram: "Doutor, faça o possível para salvar-me! Eu quero defender minha mulher!".  Evandro Lins e Silva, seu advogado de defesa perguntou o porquê de sua escolha por ele, em resposta Zulmira disse ter seguido o conselho do marido em procurar por Evandro, se um dia precisasse de advogado. Foi condenada a dois anos de detenção.

3. A Fera da Penha: 

Neide                             Ana Laura

Crime chocou anos 60. Neide Maria Lopes, 22 anos na época, conheceu Antônio numa rodoviária e a partir disso engatou um romance. Descobriu que o rapaz era casado e se aproximou da família dele. Tornou-se ex-amante e inconformada com a resistência do namorado em abandonar a família, sequestrou filha mais velha dele e matou a tiros a criança de quatro anos.  Conseguiu fugir do flagrante, mas a arma encontrada em seu apartamento foi prova suficiente para acusá-la. Condenada a 33 anos de prisão, cumpriu apenas 15 pelo bom comportamento. “Naquela época a história levou dois ou três anos no noticiário” – Jornalista e Escritor Ruy Castro em depoimento para o programa Linha Direta.

 4. Doca Street:

Ângela Diniz             Doca Street

Outro caso que chamou atenção da opinião pública aconteceu em 1976. Fernando do Amaral Street era casado, mas se apaixonou pela socilite Ângela Diniz. Conhecida como a Pantera de Minas, ela tinha fama de festeira e paqueradora, mesmo assim resolveu levar a sério o romance que não durou muito tempo. Ângela já não se contentava mais com a relação e volta e meia provocava o marido Doca Street com a proposta de outros parceiros para a relação, fato que era rejeitado pelo rapaz. Ela quis a separação em definitivo e Doca não suportou. Voltou atrás da mulher para uma última tentativa de reconciliação e diante da negativa atirou quatro vezes na mulher à queima-roupa. Sua primeira condenação em 1979 teve como teste a legítima defesa da honra. Mas o julgamento foi cancelado e em 1981 ele foi sentenciado a 15 anos de detenção. Em 2006 ele lançou o livro Mea Culpa, onde conta sua versão dos fatos. Considera-se que esse caso tenha sido um marco nos julgamentos de crimes passionais.

5. Lindomar Castilho:

Lindomar Castilho e Eliana Grammont

Cantor famoso da década de 80, Lindomar Castilho se casou com a também cantoriaEliana de Grammont. Segundo testemunhas, Lindomar sempre demonstrou seu perfil agressivo, era ciumento ebebia sem moderação. Depois de uma relação de dois anos o casamento chegou ao fim. Dez dias depois da separação pela justiça, Lindomar foi ao bar em que a ex-mulher se apresentava e disparou tiros que a matou, além de deixar o então namorado da vítima ferido. Lindomar desconfiava de traição. Lindomar Castilho foi condenado a 12 anos e 2 meses, dos quais cumpriu sete em liberdade condicional. “Eu a amava com certeza total”, disse Lindomar a Revista Gente, de Goiânia, onde mora.

 

 

6. Daniela Perez:

Paula Thomaz             Daniela Perez                 Guilherme de Pádua

Na década de 90 o caso que chamou a atenção de fãs das novelas globais foi protagonizado pelos atores  Daniela Perez e Guilherme de Pádua. Na trama da novela De Corpo e Alma os personagens formavam um par romântico. Conta-se que o enredo também era vivido nos bastidores. Guilherme era casado e o sucesso dos personagens incomodou sua esposa, Paula Tomaz. Movida pelo ciúme, Paula convence o marido de um plano macabro e os dois decidem matar a jovem atriz. Guilherme foi condenado a 19 anos de prisão, cumpriu um terço da pena e foi libertado por bom comportamento. Sua ex-mulher Paula, foi condenada a 15 anos e cumpriu 5, libertada pelo mesmo motivo.

 7. Pimenta Neves:

Pimenta Neves                            Sandra Gomid

O diretor de redação de um dos jornais mais respeitados do país foi o algoz do crime  passional que aconteceu em 2000. Na época Pimenta Neves, 63, teve o relacionamento rompido por uma de suas repórteres, a jornalista Sandra Gomide, 32. O fim dos três anos de namoro levou Pimenta Neves a perseguir obsessivamente a ex-namorada com ameaças de morte e invasões ao apartamento da vítima. Foi num haras do interior de São Paulo que o caso trágico aconteceu. Pimenta tentou mais uma vez reatar o romance em vão. Depois de uma discussão atirou duas vezes pelas costas, na jornalista que morreu no local. Em 2006 ele foi condenado a 19 anos de prisão por júri popular, mas teve a pena reduzida para 15. Mesmo condenado, Pimenta Neves ainda estava em liberdade por uma decisão do Supremo Tribunal Federal desde o dia do assassinato. Em 2011 não havia mais recursos a recorrer e agora ele cumpre os 15 anos de prisão em regime fechado.

8. Eloá:

         Eloá                                     Lindembergue Alves

Em 2008, Eloá Pimentel seria mais uma vítima de crime passional no país. A adolescente de 15 anos namorava Lindembergue Alves, 22, há pouco mais de dois anos entre idas e vindas. No último término o jovem ficou inconformado e sequestrou a ex-namorada por pouco mais de 100h horas. Toda a história foi acompanhada pela população através da mídia. Quando a polícia decidiu por invadir o cativeiro, Lindembergue disparou dois tiros contra a vítima que ficou inconsciente e chegou morta ao hospital. No julgamento realizado neste ano de 2012 Lindembergue confessou ter atirado na ex-namorada e foi condenado a 98 anos e dez meses de prisão pelos 12 crimes que cometeu ente sequestro, tentativas de homicídio e posse ilegal de arma. De acordo com a legislação ele deve cumprir no máximo com 30 anos, dos quais já cumpriu três.

9. Elize Matsunaga: 

Marcos e Elize Matsunaga

 

O caso mais atual que tem abalado a mídia e a opinião pública aconteceu em junho de 2012. Elize Matsunaga era casada com o empresário Marcos Matsunaga. Desconfiada de que seu marido tinha uma amante, Elize contratou um detetive para registrar imagens da suposta traição. Segundo a versão dela, o casal discutiu depois que Elize revelou saber da traição. A ameaça do marido de sumir com a filha teria sido o estopim para a atitude fatal. Elize matou o marido a tiros, o esquartejou depois de morto e tentou se livrar dos restos mortais. Elize Matsunaga está presa na cadeia de Itapevi, em São Paulo e aguarda os próximos procedimentos da Justiça.

10. Angelina Filgueiras:

Angelina Filgueiras

Em menos de um mês, outro caso movimenta a mídia e seus espectadores. A irmã da socilite Ângela Bismarchi, Angelina Filgueiras, 42, já sofria ameaças de morte do ex-marido. Ela se matou em sua casa depois de uma briga entre seu atual namorado e o ex-marido, o capitão da Marinha Márcio Luiz Fonseca, 48. O capitão invadiu a casa da ex-mulher armado e a encontrou com o atual namorado, o encontro teria provocado uma luta corporal entre os dois homens. As investigações apontam para a premeditação do crime, embora Angelina tenha desarmado o ex-marido e atirado contra o próprio peito. Depois disso, o namorado Jolmar Alves pegou a mesma arma e atirou pelo menos três vezes contra Márcio Luiz.

 





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