Comportamento

17,5% dos alunos brasileiros na faixa dos 15 anos são alvo de bullying

Dados mostram que as agressões podem fazer com que os alunos não se sintam parte da escola onde estudam.

Agência O Globo

Dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), divulgados nesta quarta-feira, revelaram que 17,5% dos alunos brasileiros, na faixa dos 15 anos, que participaram do exame são alvo de algum tipo de bullying pelo menos algumas vezes no mês. A média registrada entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que realiza a avaliação, foi de 18,7%.

O Pisa avalia a cada três anos o desempenho de alunos de 15 anos nas disciplinas de matemática, ciências e leitura. Na última edição, de 2015, a OCDE avaliou 72 países e economias. Nesta quarta, a organização divulgou de maneira detalhada os dados sobre o em estar dos estudantes avaliados. Segundo a pesquisa, 9,3% do brasileiros relataram que já foram alvo de zombarias dos colegas algumas vezes por mês. Entre os países da OCDE a taxa é de 10,9%. Outros 3,2% afirmam que já sofreram alguma agressão física na mesma frequência. A média da OCDE foi 4,3%.

" Mais de 10% dos estudantes em 34 dentre 53 países e economias relataram que seus colegas zombam deles pelo menos algumas vezes por mês. Uma proporção similar de estudantes em 13 países dentre 53 relataram que são excluídos frequentemente por outros colegas, enquanto em 16 dos 53 países e economias, mais de 10% dos alunos relatam que são frequentemente objetos de boatos desagradáveis", descreve o relatório.

- Pensando no bem estar e na qualidade de vida dos estudantes, o bullying é uma questão que precisa ser abordada. É fundamental uma melhoria na qualidade do ambiente escolar e, nesse ponto, os gestores têm papel importante. A formação adequada também ajuda o profissional a lidar com bullying. Trabalhar uma forma de monitoramento mesmo entre os próprios estudantes pode ajudar. Além disso, as escolas precisam desenvolver estratégias para oferecer apoio aos pais- afirma Patrícia Mota Guedes, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Fundação Itaú Social.

A diferença entre os alunos que sofrem e os que não sofrem bullying se manifesta também nas notas. No caso do Brasil, os estudantes de escolas onde há alta prevalência de bullying tendem a registrar 20 pontos a menos na avaliação de ciências do Pisa em comparação com unidades onde o nível de agressão é baixo.

Os dados mostram que as agressões podem fazer com que os alunos não se sintam parte da escola onde estudam. Entre os países da OCDE, 42% dos alunos que relataram sofrer bullying frequentemente disseram se sentir um estranho no próprio colégio.

Considerando a totalidade dos estudantes brasileiros avaliados, cerca de 76,1% afirmaram, no entanto, que se sentem parte da escola onde estudam. Na OCDE a média é de 73%.

Satisfação com a vida

O estudo divulgado nesta quarta-feira tentou identificar o grau de satisfação dos estudantes com sua própria vida. Entre os alunos brasileiros, 44,6% se disseram muito satisfeitos, concedendo notas 9 ou 10 para a satisfação com a própria vida. Entre os países da OCDE, o índice foi bem menor com 34,1%. A nota média dos alunos brasileiros para a satisfação com a própria vida é 7,59 pontos, pontuação acima da nota média da OCDE: 7,31.

No extremo oposto, 11,8% dos brasileiros relataram insatisfação com a própria vida concedendo notas em 0 e 4. A média da OCDE neste quesito foi igual.

- No que diz respeito ao Brasil, a satisfação com a vida é média, mas com grandes disparidades sociais. No entanto, onde o apoio dos professores é forte, a satisfação com a vida também é grande- afirmou o diretor de Educação da OCDE, Andreas Schleicher.