Campus Party BA

Bermudas, sandálias e ideias: a rotina de quatro startups soteropolitanas

iBahia visitou quatro startups soteropolitanas e conferiu de perto a rotina de cada uma delas

David Silva (david.silva@redebahia.com.br)
- Atualizada em

Muita gente ainda não sabe, mas existem pessoas com boas ideias em mente que são financiadas para colocar em prática os seus projetos: são as chamadas startups, conceito criado em 1987 para definir empresas pequenas que não têm a grana necessária para dar o pontapé inicial em seus projetos, geralmente de fácil replicação e venda.

Foto: David Silva/iBahia
Agora, algumas décadas depois, muitas empresas soteropolitanas têm despontado no mercado nacional, com foco em entretenimento, tecnologia e até mesmo no setor jurídico. Quer saber um pouco mais sobre o dia a dia de cada uma? O iBahia vivenciou a rotina de quatro delas e traz para você algumas informações. Confira:

Ambiente descontraído, mas que entrega

Foto: Divulgação/JusBrasil
Parece coisa de cinema, mas o que a gente vê em documentários e filmes sobre as "empresas dos sonhos" é real: o ambiente de trabalho das startups é bem descolado e todos os funcionários interagem constantemente. A JusBrasil, conhecida empresa  soteropolitana, por exemplo, tem redes, mesa de bilhar e até mesmo um arcade (aquele videogame gigante que precisa de fichas para jogar), mas cada um sabe das suas responsabilidades.

Apesar de terem obrigações e compromissos fixos, em todas elas é possível perceber uma certa flexibilidade nos horários. Na CUBOS, empresa responsável por administrar as tecnologias de outras startups, é possível chegar às 9h e sair às 17h, assim como é permitido chegar 13h e sair às 21h. "É importante trabalhar com resultados. Nossa rotina é bem livre, mas como muitos dos nossos clientes trabalham em horário comercial, é interessante ter uma boa quantidade de funcionários por aqui", explica Sara Passos, responsável pelo marketing e vendas.

E os famosos happy hours? Também existem. Em todas elas há um dia da semana (ou vários) onde todos pedem pizzas e bebidas. "Fazer isso é fundamental para a união e motivação de todos como um time", afirma Fred Santoro, da SafeTicket.

As roupas formais também não são obrigatórias. Durante a nossa passagem pela CUBOS, deu para ver gente de casaco do Star Wars, camisetas do Breaking Bad e até mesmo bonecos espalhados pelas mesas.

Erros nem sempre são ruins

"É errando que se aprende". Para as startups, este é um ditado muito certeiro. A CUBOS, por

Foto: David Silva/iBahia
exemplo, já lançou uma rede social para os apaixonados por futebol, o Corneta. Como não conseguiram captar muitos usuários, resolveram abandonar o projeto. "A rede social não foi pra frente. O Cartola conseguiu suprir essa necessidade", afirma Sara. Outro exemplo é o do Futsapp, da República Interativa, que apesar de ter conseguido um bom número de usuários, não pôde receber atualizações pela demanda. "Atualizações constantes demandam um custo também constante", constata Donjorge.

Erros, para startups, são fundamentais para o molde de projetos futuros, já que, no início, é necessário criar um modelo de negócios de fácil replicação.

Fomento

Apesar de trabalharem com a iniciativa privada, muitas startups recebem o apoio de governos. Alguns editais são liberados com certa frequência, o que facilita a captação de recursos e dá para ter aquele "empurrão" inicial. Há, por exemplo, uma lei conhecida como "Lei do Bem", de número 11.196/05, que concede alguns incentivos fiscais para as empresas que fomentam a pesquisa e o desenvolvimento de novas tecnologias.

Além dela, existe a lei do investimento-anjo, a Lei Complementar 155/2016, em vigor desde o início de 2017. Ela ajuda a distinguir o investidor-anjo do sócio, o que facilita a vida de quem quer investir em uma startup, mas tem medo de sofrer algum tipo de complicação burocrática no futuro.

Para Donjorge, da República, o principal divisor de águas foi a Campus Party. "O evento uniu muita gente, de diversos cantos do estado", afirma. O evento, realizado entre os dias 9 e 13 de agosto de 2017, trouxe alguns grandes nomes do mercado tecnológico e colocou algumas startups em contato com a Associação Baiana de Startups (ABAStartups)

Foto: Divulgação/Safeticket
Ecossistema

Ainda jovem, o ecossistema de startups no estado começa a dar os primeiros passos. Com certa timidez, reuniões no HUB (localizado no terminal marítimo e administrado pelo Bossa Nova, empresa responsável por financiar startups) tem se tornado frequentes, principalmente para discutir o futuro dos empreendimentos no estado. Mapeadas pela ABAS, atualmente existem 104 startups. A ideia é levar pelo menos 100, até o final do ano, para a integração no HUB.