Brasil

Caixa exigirá metade do valor como entrada para financiar imóvel usado

Novas regras valem a partir da próxima segunda-feira

Manoel Ventura e Geralda Doca, da Agência O Globo

A partir da próxima segunda-feira ficará mais difícil financiar a compra de imóveis usados pela Caixa Econômica Federal. O banco público, líder no segmento, decidiu reduzir o teto de financiamento de imóveis usados de 70% para 50% do valor do bem. Ou seja, quem estiver interessado em comprar a casa própria vai precisar desembolsar metade do valor do imóvel para conseguir o financiamento.

A medida só valerá para novos contratos e ficará em vigor até o fim do ano, pelo menos. Além disso, o banco público suspendeu novos financiamentos em que um imóvel já financiado por outra instituição financeira é vendido para um terceiro, usando recursos da Caixa. As novas regras valem para financiamento com recursos da poupança e do FGTS. Os contratos em vigor continuam sem qualquer alteração.

Segundo o vice-presidente de Habitação da Caixa, Nelson Antonio de Souza, a prioridade do banco, agora, é financiar imóveis novos.

— A prioridade é para imóveis novos, que geram emprego e renda. Não mensuramos o impacto no mercado, mas essa medida será até o final do ano. Depois voltam às condições anteriores. A mudança é para estimular empregos e focar os recursos para novas obras — disse o vice-presidente.

O banco também recomendou à sua rede que dê preferência a contratos que possuam menores cotas de financiamento e que tenham indicação ou melhor qualificação.

A nova decisão vem em um momento em que a Caixa está reduzindo o ritmo do crédito habitacional em todas as linhas, mas sobretudo com recursos do Fundo de Garantia.

Em julho, o banco já havia anunciado que a linha pró-cotista que tinha sido suspensa em maio, devido a falta de recursos, será retomada apenas em 2018.

Uma das justificativas apresentas pelo banco público é a necessidade de adequar o sistema a uma nova norma do Ministério das Cidades.

Editada em agosto, a Instrução Normativa 32 determina que o orçamento habitacional do Fundo seja executado de forma mensal e fixa percentuais para os meses de agosto a dezembro, para evitar que a verba acabe antes do fim do ano.

Segundo o Ministério das Cidades, a medida foi editada porque o FGTS não dispõe de margem para liberar recursos novos além do orçamento anual, aprovado pelo Conselho Curador do Fundo para habitação, que é de R$ 71,7 bilhões em 2017. A Caixa recebeu 80% deste montante, e o Banco do Brasil, os 20% restantes.

De acordo com dados da Caixa, o volume do crédito imobiliário atingiu R$ 62 bilhões até setembro, sendo R$ 47,6 bilhões com recursos do FGTS. As concessões subiram 20,5% acima dos valores registrados no mesmo período do ano passado, mas o orçamento também ficou maior. Segundo Souza, o montante global disponível para 2017 é de R$ 84,2 bilhões, contra R$ 81 bilhões em 2016, somando várias fontes.