Santa Casa

Campo Santo utiliza modelos mais modernos e sustentáveis em sepultamentos

Estrutura, localizada no bairro da Federação, ganhou 796 gavetas construídas em áreas vagas

Especial de Conteúdo
- Atualizada em

Oferecimento

Cemitério em atividade mais antigo de Salvador, o Campo Santo, mais do que nunca, se mantém em um misto de tradição e modernidade. Mais do que nunca porque no primeiro semestre deste ano, o local ganhou melhorias e inovações. Adotando um novo modelo de sepultamento, o cemitério agora possui novos módulos verticais que contam com um aparato tecnológico inovador de tratamento de gases. Além da modernidade, o sistema também garante mínimo impacto ambiental.

A estrutura, localizada no bairro da Federação, ganhou 796 gavetas construídas em áreas vagas, em um investimento de R$ 2,5 milhões. De acordo com a Santa Casa da Bahia, instituição responsável pelo Cemitério, os novos módulos mais que duplicaram a capacidade de sepultamento do local. 

Foto: Bapress / Divulgação

Novo método

As novas gavetas não trouxeram apenas novos espaços para sepultamento no Cemitério, mas também melhorias para os clientes e para o meio ambiente. 

Na nova ala, por exemplo, é possível acessar uma pequena biografia e até fotos da pessoa que está sepultada nos jazigos. Gerente do Campo Santo, Roberto Taboada, explica que a família do falecido pode alimentar informações na biografia disponível. 

Além do nome, data de nascimento e falecimento, através de um QR Code, é possível ter acesso a outras informações. Para isso, basta usar a câmera do celular.

Com um aplicativo leitor deste código, o visitante do cemitério pode ainda acender uma vela virtual, fazer uma oração ou deixar uma mensagem. Após qualquer uma dessas interações, a família do falecido recebe uma notificação via telefone e e-mail.

Sustentável

O sistema adotado pelo Campo Santo nos módulos verticais é o Eco No-Leak, criado e desenvolvido pela empresa pernambucana VilaTec e único no mundo. O sistema tem duas etapas de tratamento anteriores ao carvão ativado, a lavagem de gases e a utilização de óxido de ferro, o que reduz em mais de 95% a concentração do gás sulfídrico, que é bastante tóxico e provoca chuva ácida. O resultado é a geração mínima de resíduos sólidos e de contaminação do ar e do solo.

Foto: Bapress / Divulgação

"Esse sistema propicia o que a gente chama de sepultamento ecológico. Usamos materiais em todo processo pensando na sustentabilidade, já que todos são de fontes renováveis", destaca Guilherme Lithg, consultor especialista em necrópole da VilaTec. 

Os benefícios não param por aí. Neste modelo, os materiais sustentáveis são utilizados na fabricação dos tampos e das gavetas dos módulos verticais, como o eco granito, uma resina a base de garrafas pet recicladas, bagaço de cana-de-açúcar e fibra de casca de coco.

Taboada destaca o lado pioneiro, mais uma vez, do cemitério em adotar este modelo. "Na maior parte dos cemitérios brasileiros que realizam sepultamentos verticais o que encontramos é simplesmente um projeto que utiliza a passagem dos gases por uma coluna de carvão ativado para diminuir os odores, mas que continua gerando uma grande quantidade de resíduos sólidos", ressaltou. 

Horizontal x Vertical

A implantação de novas gavetas no Campo Santo indica mais um passo da verticalização do cemitério. E esse novo desenho está diretamente ligado à sustentabilidade. Lithg explica que, em cemitérios horizontais, os cadáveres são enterrados ou diretamente no solo ou em sepulcos de concreto. Com isso, a decomposição não é feita de maneira correta, o que gera impacto no meio ambiente. 

Foto: Bapress / Divulgação

"Além disso, ocupa grandes áreas e isso também é um impacto ambiental. Um cemitério de médio porte vai consumir de 350 a 500 mil litros de água por dia para manter a planta verde, por exemplo", lembrou o especialista.

Tendência

Muita gente não sabe, mas no Brasil existe uma legislação ambiental voltada para o funcionamento dos cemitérios. Por exemplo, é preciso estar a uma distância de 1,5 m do nível inferior do jazigo até o lençol freático e a distância de cinco metros da área de sepultamento até o muro do cemitério.

As novas gavetas do Campo Santo, por exemplo, estão em conformidade com a resolução 335/2003 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), órgão consultivo ligado ao Ministério do Meio Ambiente. 

Para se adequar a estas normas ambientais, a verticalização dos cemitérios é uma saída não só no Brasil, mas no mundo todo. 

"É uma realidade fora do país e os cemitérios estão passando pela verticalização. Até porque se tornou ilógico, não só do ponto de vista ecológico, mas também econômico, se manter enormes áreas de cemitério horizontal", explicou Guilherme.