Salvador

Publicada em 28/08/2012 às 08h48. Atualizada em 28/08/2012 às 08h53

Corpo de universitária morta em acidente em Ondina será enterrado nesta terça-feira (28)


Os pais da garota ainda vivem em Campo Formoso, onde o corpo de Milla deve ser enterrado hoje


Thais Borges e Lorena Caliman
(mais@correio24horas.com.br)
publicidade

Universitária morreu em acidente em Ondina

Dedicada aos estudos, querida pelos amigos e destaque nos esportes. Isso é o que os amigos lembram sobre a estudante de Arquitetura Milla Laís Galvão Nascimento, 18 anos, cuja trajetória foi interrompida num acidente na madrugada desta segunda (27).

A jovem, que não tinha carteira de habilitação, dirigia o carro de um amigo ao voltar de uma festa, mas acabou capotando e colidindo com o muro da Universidade Federal da Bahia (Ufba), na avenida Adhemar de Barros, em Ondina. Com o impacto, Milla foi lançada para fora do carro e morreu na hora. No veículo, foram encontrados uma garrafa de vodca e energéticos.

Reunidos no Instituto Médico-Legal (IML), amigos da universitária contaram que, junto com outras pessoas, Milla saiu de um aniversário na Graça na noite de domingo para “esticar” em outro lugar, que ninguém definiu onde.

Por volta das 3h de ontem,  a jovem pegou emprestado o carro de um amigo e saiu sozinha, supostamente para voltar para casa. O veículo é adaptado para as condições motoras do proprietário, que é deficiente físico.

Urbano Lins, amigo da garota, contou que, mesmo sem habilitação, ela costumava dirigir em Campo Formoso, sua cidade Natal, a 414 quilômetros de Salvador. “Às vezes, a gente tem dificuldade até num carro automático. Imagine um carro adaptado”, comentou o jovem. O proprietário do carro envolvido no acidente estava no IML, mas optou por não conversar com os jornalistas.

Já Carlos Oliveira, pai do jovem que fez a festa de aniversário onde Milla estava no domingo, acha que ela não bebeu enquanto dirigia. “Todos estavam bebendo na festa. Milla bebeu, mas muito pouco”, afirmou.

A causa do acidente e a velocidade em que o carro estava deverão ser esclarecidas pelo laudo do Departamento de Polícia Técnica (DPT), que tem prazo de 10 dias para ser concluído. O laudo que apontará quanto de álcool a jovem ingeriu tem o mesmo prazo de finalização.

A estudante estava no 2º semestre de Arquitetura na Faculdade Ruy Barbosa. Ela mudou-se para Salvador no início do ano justamente por causa do curso. Na capital, morava com irmão mais velho Airton Galvão, 20, na Federação. Muito abalado, ele preferiu não falar. Os pais da garota ainda vivem em Campo Formoso, onde o corpo de Milla deve ser enterrado hoje.

“Ela gostava muito de esporte: vôlei, futsal, handebol, baleado. Jogava tudo. Era uma menina alegre”, descreveu a amiga Heloíse da Silva, 19, também de Campo Formoso.

Charlene Galvão, 20 anos, prima da vítima, contou que ela pretendia visitar os pais no feriado do dia 7 de setembro. “Ela era animada, gostava de festas. Era amiga de todo mundo”, disse.

Sonho
Ainda tentando assimilar a morte precoce da universitária, Terezinha dos Santos, tia de Milla, revelou uma preocupação da mãe da garota. “A mãe dela teve um sonho ruim e pediu que ela não saísse de casa, mas era aniversário de um amigo. Ela fez questão de ir”, contou.

Ontem, o Colégio Presbiteriano Augusto Galvão, onde Milla estudou do ensino básico ao médio, suspendeu as aulas. “Tá sendo uma comoção muito grande, não só da família, mas dos professores e colegas. Mesmo depois de terminar o colégio, Milla veio aqui em julho como treinadora das alunas para as Olimpíadas da escola”, contou o vice-diretor Pedro Rodrigues dos Santos.

Número de mortes no trânsito cresce 20% em Salvador
De janeiro a julho deste ano,  149 mortes decorrentes de acidentes de trânsito foram registradas na capital baiana, de acordo com a Transalvador. No mesmo período do ano passado, foram 124, o que  demonstra um aumento de mais de 20% nos óbitos.

O educador em trânsito Cássio Boaventura explica que a chance de se envolver em acidentes sob o efeito de álcool é seis vezes maior do que quando se está sóbrio. “Toda vez que uma pessoa dirige sob o efeito do álcool, ela tem uma diminuição dos reflexos, da capacidade motora e da capacidade auditiva. Sem contar que a bebida alcoólica deixa o indivíduo mais eufórico – ele faz coisas que não teria coragem de fazer se estivesse sóbrio”, lembra.

De acordo com o Código Brasileiro de Trânsito, quem dirige após ingerir qualquer quantidade de álcool comete uma infração gravíssima. Se for flagrado, tem a carteira de habilitação suspensa por um ano e paga multa de
R$ 957, 59.

Também é considerada uma falta gravíssima conduzir um veículo sem carteira de habilitação – como fez a estudante Milla Galvão. A multa neste caso pode chegar a R$ 574,62, além da perda de 7 pontos.

A legislação define ainda que o proprietário de um veículo que entrega a direção a pessoas sem carteira de habilitação  está sujeito à mesma penalização de quem dirige sem carteira.





Tags: Sepultameno, Universitária, Acidente, Ondina, Capotamento
Agenda Cultural