Novelas

Erika Januza sofreu com cena de racismo na novela

Atriz chorou junto com Raquel as dores do racismo trazido pelas palavras da personagem de Eliane Giardini

Agência O Globo

Na última sexta-feira, a cena de “O outro lado do paraíso” em que Nádia (Eliane Giardini) expulsou Raquel (Erika Januza) de sua casa sob insultos racistas chocou muita gente. Inclusive a intérprete da empregada doméstica. Erika revela que ficou bastante abalada com o que ouviu em frente às câmeras e foi às lágrimas, mesmo depois de Eliane ter suavizado o texto original de Walcyr Carrasco, que continha xingamentos ainda mais fortes.

Foto: Reprodução

— Eu chorei tanto, que depois que a cena terminou eu continuei chorando. O diretor continuou gravando, e Eliane correu e disse: “Chega, chega, chega”, me abraçando. Ela falou que vai embora mal quando grava esse tipo de cena, porque não é fácil, não é da índole dela (falar essas coisas). Ninguém se acostuma com isso, e nem é para se acostumar, mas ficar ali repetindo mil vezes “Some daqui!” é muito forte. Tudo bem que é uma personagem, é ficção, mas eu penso na história de todo um povo que sofreu e ainda sofre com isso — diz Erika

A atriz afirma que nem a fama a protege do preconceito, no dia a dia em sociedade:

— Não é porque sou atriz que deixei de enfrentar isso, não. Outro dia, eu estava no trânsito, o motorista me cortou e me disse um absurdo.
Foto: Reprodução

Na preparação para dar vida a Raquel, Erika assistiu a vários filmes, leu livros e reportagens e conversou com muita gente da vida real que passou pelo drama da personagem.

— Tinha noite em que eu ia dormir tão pesada, tão triste... Isso mexe com a gente, mexe com a minha história inclusive. Antes, as pessoas não tinham consciência do racismo para dizer: “Vou denunciar!”. Hoje em dia, os negros estão mais conscientes, mais unidos, e essa união dá força aos outros: “Vi que fulano foi lá e denunciou, eu também vou denunciar”. Isso se torna uma rede de conscientização que vai deixando todo mundo mais forte e que vai inibir os racistas de se manifestarem, porque eles vão saber que não poderão mais fazer as gracinhas deles e ficarem impunes.