Viver Cabula

Escola de Educação Percussiva é opção para moradores do Cabula

A escola foi fundada com o objetivo de retirar jovens em estado de vulnerabilidade das ruas e coloca-las dentro da sala de aula

Especial de Conteúdo

Oferecimento
A Escola de Educação Percussiva Integral é um dos atrativos culturais localizado no bairro do Cabula. O projeto foi idealizado pelo percussionista Wilson Café e instalado na região no ano de 2003.

A escola foi fundada com o objetivo de retirar jovens em estado de vulnerabilidade das ruas e coloca-las dentro da sala de aula, proporcionando-lhes acesso à cultura, arte, educação e especialização profissional. Para isso, sua sede foi instalada na Rua Direta do Arraial, no bairro da Engomadeira. O espaço conta com 800 metros quadrados de área, que abrange duas salas para a ocorrência de oficinas, salas de aula, biblioteca, laboratório de informática, estúdio de gravação, assistência social e setores administrativos.

O projeto proporciona acesso a atividades de música, dança, esporte e artes. Para ter acesso às oficinas, é preciso passar por uma avaliação sócio-econômica, estar matriculado em uma escola da rede municipal ou estadual de ensino (no ensino fundamental, do 6º ao 9º ano) e gostar de arte e educação. As oficinas são gratuitas.

Percussão na teoria
Proposta diferente. Assim pode ser definida a proposta da Escola de Educação Percussiva Integral. Lá, os estudantes não são apenas ensinados a tocar os instrumentos musicais, mas também a entender um pouco sobre sua história e a importância desse instrumento para a história local.

Em sala de aula, são ensinados conteúdos como a origem do instrumento musical, a estrutura desses instrumentos e a história dos ritmos que são tocados. Apenas depois de um primeiro contato com a teoria é que o estudante é levado para as oficinas práticas do instrumento musical escolhido. Também são disponibilizadas aulas de leitura e produção textual e oficinas de cerâmica, onde os alunos aprendem a confeccionar os próprios instrumentos.

“Aqui a gente ensina o que se toca, como se toca e para quem se toca”, descreveu o idealizador da escola durante uma entrevista para o programa Aprovado, da TV Bahia. Além de confeccionar seus próprios instrumentos musicais, os estudantes aprendem também a equalizar esse instrumento, tornando-o capacitado para se inserir no mercado de trabalho.

Na Escola de Educação Percussiva Integral são trabalhados ritmos percussivos que são pouco estudados na Bahia, como embolada, coco, xote, maracatu e o samba matriz. Isso porque o projeto reconhece a importância desses ritmos para a história da música baiana.

História
A ideia de fundar a Escola de Educação Percussiva surgiu para Wilson Café após ele voltar do exterior. Desde a infância, o percussionista estava envolvido com esse tipo de música, acompanhando o bloco de música da família. Após a escola, começou a cursar licenciatura em Música na Universidade Federal da Bahia (Ufba), mas acabou trancando o curso para se dedicar a carreira popular.

Após a experiência na faculdade, ele trabalhou como percussionista na banda da Asa de Águia, Tânia Alves e de Maria Bethânia, dentre outros artistas. Após realizar esses trabalhos, passou um tempo morando fora do país.

Ao voltar ao país, o percussionista trouxe consigo um desejo de criar um projeto sociocultural. Antes do surgimento do projeto, ele trabalhou dando aulas para o grupo cultural Bagunçaço, que fica na região da Cidade Baixa. Escolheu o Cabula como sede do projeto devido, entre outros fatores, a forte presença africana no bairro.