Santa Casa

Funcionários do Campo Santo contam como é a rotina de quem trabalha em um cemitério

iBahia conversou com três profissionais para entender como funcionam seus trabalhos e as situações que passam no dia a dia

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Trabalhar em um cemitério não costuma ser o emprego dos sonhos. Lidar com a morte e todas as lendas que são contadas em torno do local faz muita gente ter este tipo de receio. Mas quem trabalha nesses locais reconhece a importância de suas funções e do bom atendimento aos familiares em um momento de luto. O iBahia conversou com três profissionais do Campo Santo para entender como funcionam seus trabalhos e as situações que passam no dia a dia.


Elísia Cristiana Mel dos Santos, vendedora do Campo Santo Familiar
"No dia a dia, temos um roteiro, que inclui um incentivo matinal e o apoio interno também, auxiliando no atendimento dos familiares dentro do cemitério. No primeiro contato, a gente precisa entender o que o cliente quer e dizer a ele o que é que a Santa Casa vende, que é tranquilidade. E a partir daí começar a explicação do produto.


Vendemos também de porta em porta, que são as vendas na rua. Nesse caso, a abordagem é diferenciada. Fazemos uma pesquisa para entender o perfil de quem estamos abordando para falarmos do assunto [a venda do Campo Santo Familiar] de uma forma natural. Explicando do que se treta, e sempre falando da questão da tranquilidade.


Algumas pessoas ainda não entendem como funciona meu trabalho, a importância do que eu faço. Muitos criticam por ser algo relacionado à morte, mas depois percebem como é importante levar à população esse tipo de planejamento".


Roberval Berlink de Carvalho, auxiliar de serviços diversos
"A gente faz de tudo um pouco, e sempre estamos prontos para ajudar no que precisa. Fazemos exumação, sepultamento, limpeza, por exemplo. Comecei no Campo Santo há seis anos, mas antes trabalhava com vigilância.


Eu já venho de uma família que sempre trabalhou nessa área [em cemitério], então para mim sempre foi algo natural. Começou com meu avô, que eu sempre acompanhava no trabalho quando era pequeno, depois veio meu pai, meu tio e aí apareceu essa oportunidade para mim e eu comecei na área também.


As pessoas acham e ficam na resenha de que cemitério é coisa de outro mundo. Mas não é não. É um trabalho como qualquer outro.


A gente lida com a morte e com as pessoas fragilizadas, então, temos que tratar todos com respeito e ter o cuidado de não atrapalhar o momento da despedida"


Luís Carlos de Oliveira Santos, Vigia do Campo Santo
“Meu trabalho é vigiar. Cada um [vigia] tem uma quadra, e eu fico na T5, que é a que foi entregue recentemente. Foi tudo renovado, mas sempre em busca de melhorar.


 Eu cresci aqui na região, pegava manga e jaca das árvores do Campo Santo na minha infância. Apesar de trabalhar aqui há dois anos somente, conheço todo mundo. E sempre que pudemos, apesar de não termos muito acesso, a gente conversa com o familiar para dar uma palavra de consolo, para que eles se sintam mais seguros.


Se eu tenho medo? Não. Eu acredito que o morto não levanta para mexer com ninguém. Mas cada um tem sua crença, não é? Muita gente já entra aqui com medo, por conta da superstição. Meus amigos também têm curiosidade sobre meu trabalho, perguntam se eu já vi algum espírito de noite, coisas do tipo. Mas eu não tenho medo"