Novelas

Juliana Paes volta à cena em 'Dois irmãos' e diz que filho tem ciúme do caçula

Atriz interpretará Zana, mãe dos gêmeos que protagonizam o seriado

Agência O Globo

Não foi fácil para Juliana Paes, mãe de Pedro, de 6 anos, e Antonio, de 3, dar vida à Zana, uma mulher obcecada por um dos filhos gêmeos, e que acaba causando a desgraça da família na minissérie “Dois irmãos”, no ar hoje.

"O Pedro sente muito ciúme do Antonio. Essa minissérie foi particularmente difícil pra mim. Eu estava, naquele momento, apaixonada pelo Pedro quando, de repente, chegou Antonio. Às vezes, eu tinha que dar mais atenção para o Pedro, mas quem precisava era o novinho. Eu transportava muito daquelas emoções pra casa, chegava mexida", lembra.

No romance adaptado por Maria Camargo, da obra de Milton Hatoum, Omar e Yaqub (Lorenzo e Enrico Rocha/Matheus Abreu/Cauã Reymond) são idênticos por fora, mas emocionalmente opostos. O predileto, Omar, é impulsivo, passional... Yaqub, o preterido, é culto, sofrido... Para Juliana, amor e afinidade não caminham lado a lado.

"A gente tem, sim, mais afinidade com um do que com outro. Existe, sim, um olhar que um filho entende e o outro não. Isso é preferência, é amar mais? Não sei... Acho possível amar igualmente e se dedicar, mas afinidade é diferente. Eu entendo a Zana", admite.

Em casa, ela também lida com personalidades distintas:

"Os meus filhos têm um comportamento muito diferente, assim como Omar e Yaqub. Um é a lagoa, o outro, o mar. Um é manso e na conversa eu ganho ele, o outro é só no castigo, na luta... Tenho que ter duas linhas de educação diferentes. Às vezes, não sei como agir, mas fiquei com a noção do compromisso que a gente tem que ter com a formação do caráter dessas crianças. Em transformá-los em homens de verdade, sem neuras, sem grandes ciúmes. Criar um filho não é brincadeira".

O livro deixa subentendido uma possível relação de incesto. ‘‘Existe algo ali mais denso, uma certa paixão, coisa de pele, cheiro”, diz Juliana:

"Mas é um componente coadjuvante, não existe sexualidade explícita. É tudo insinuado. O Hatoum (autor) deixa para o leitor esse deleite de imaginar o que quer que seja"

Na versão para a TV, apesar do tema ser tabu, nada foi censurado, segundo o diretor Luiz Fernando Carvalho.

"O público não vai deixar de ver nada, tudo o que está no livro está na transposição. Mas há uma preocupação com o olhar, com a delicadeza. A gente tem que rechear esses momentos mais delicados com muita humanidade, porque são situações que cada um de nós pode viver. São condições humanas. A questão é como você mostra", explica Luiz Fernando.

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