Literatura

Publicada em 18/08/2012 às 10h44. Atualizada em 18/08/2012 às 11h09

Livro de Mauricio de Sousa e Fábio Sombra valoriza as rimas do cordel


Valores como amizade, ética e respeito compõem o pano de fundo do divertido A Peleja do Violeiro Chico Bento com o Rabequeiro Zé Lelé


Fábio Bittencourt
(fabio.bittencourt@redebahia.com.br)
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Valores como amizade, ética e respeito compõem o pano de fundo do divertido A Peleja do Violeiro Chico Bento com o Rabequeiro Zé Lelé (Melhoramentos/R$ 35). Projeto do escritor carioca Fábio Sombra com o cartunista paulista Mauricio de Sousa, pai da Turma da Mônica, o livro infantil narra o duelo musical entre os dois personagens do título.

A disputa entre os amiguinhos é para decidir qual dos dois é capaz de colocar mais gente para dançar com seus instrumentos. Chico Bento com sua viola de dez cordas ou Zé Lelé, com a rabeca de arco e zumbido de pernilongo?

Inspirada na literatura de cordel, gênero ligado à tradição oral nordestina, escrito na forma de rima e impresso em folhetos, a obra é uma homenagem ao folclore e à cultura popular brasileira. Com  ilustrações que remetem à xilogravura, privilegiando o uso do preto e dos tons pastéis, o livro tem encartado um disco que traz toda a história narrada pelo violeiro, cantor e compositor Almir Sater.

Sotaques
Apesar de já ter feito quadrinho com tudo quanto é tema, trata-se da primeira aventura de Mauricio de Sousa, 76 anos, um dos mais importantes cartunistas brasileiros, no rico universo do cordel. Já de Fábio Sombra, 46, não se pode dizer que está estreando: tem 26 livros infanto-juvenis já publicados, sendo 18 voltados para esse tipo
de linguagem.
 
“O cordel é, normalmente, associado ao Nordeste, mas eu o faço brasileiro, com diferentes sotaques. Sou carioca, o Mauricio é paulista e o Almir é pantaneiro”, diz Sombra, que é membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel.

O autor carioca conta que tinha a história esboçada quando foi apresentado ao pai da Turma da Mônica, por meio de um amigo que trabalha como roteirista nos estúdios Mauricio de Sousa. Desse primeiro contato até a impressão do livro, o trabalho do trio durou cerca de um ano para ficar pronto. “O Mauricio é muito rigoroso com a métrica. Ele leu todo o texto conferindo nos dedos o número de letras de cada verso”, lembra Sombra.

Rastapé
A trama começa numa certa noite de lua cheia, quando chegam na varanda da fazenda do seu Juca Barnabé dois cantadores cheios de energia: Chico Bento e Zé Lelé. O primeiro mostra Luzia, viola danada de boa. Zé Lelé vem trazendo sua rabequinha Serafina. Os dois mais do que prontos para o desafio.

Com a palavra, Zé Lelé: “Ai, eu tenho uma rabeca que se chama Serafina. Ela é feita de pau nobre, quase nunca desafina”.  Vai, Chico: “Pois eu tenho uma viola batizada de Luzia. Ela é feita de pinheiro que eu comprei na serraria. Quando pego na marvada, o universo silencia”. Os dois são muito bons, mas quem escolhe o vencedor é você.

Matéria original: Jornal Correio
Livro de Mauricio de Sousa e Fábio Sombra valoriza as rimas do cordel





Tags: Livro, Mauricio de Sousa, Fábio Sombra, rimas, cordel
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