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21 de janeiro de 1939. Quem diria que uma tarde de sábado no subúrbio do bairro do Lobato, em Salvador, mudaria para sempre a trajetória da Bahia e nasceria dali a pedra fundamental da indústria de petróleo no Brasil. É que, pela primeira vez, foi constatado e reconhecido pelo governo brasileiro a existência do chamado “ouro negro” em subsolo nacional.
Os primeiros pingos de petróleo saíram do poço identificado pela Petrobras como DNPM-163, dando um ponto final às incertezas quanto às inúmeras tentativas exploratórias iniciadas desde o século XIX e julgadas por muitos como apenas aventureiras. A sigla DNPM significa Departamento Nacional de Produção Mineral e foi criado em 1933 com a responsabilidade de fazer pesquisas e sondagens do subsolo.
Entretanto, a partir de 1939, estas atribuições passaram a ser de competência do Conselho Nacional de Petróleo (CNP). Este foi o primeiro órgão da administração pública brasileira voltado exclusivamente para o petróleo e que demarca uma nova posição do governo brasileiro: nacionalização da indústria de refino e declaração de utilidade pública o abastecimento nacional de petróleo.
É válido ressaltar que outras regiões do país vinham sendo estudadas desde 1918, como por exemplo, Alagoas, onde se realizou a primeira sondagem do governo federal na costa atlântica e os primeiros conflitos de opinião entre empresários brasileiros e corpo técnico federal se existiam mesmo petróleo no subsolo nacional e sua forma de exploração. Amazônia, Pará, Acre, São Paulo, Paraná e, inclusive, em solo baiano (Ilhéus e Maraú) também houve tentativas de exploração, mas assim como em Alagoas, nenhuma obteve sucesso.
A descoberta no bairro do Lobato criou novas perspectivas, possibilitando transformações na política e na economia do Estado, com reflexos significativos para gerações seguintes. Mesmo que a produção encontrada tenha sido considerada na época como economicamente inviável, não foi nenhum obstáculo para os técnicos desbravadores, pois ali estava iniciada uma nova era de exploração petrolífera no Brasil.