Saúde

Ministério da Agricultura identifica 45 marcas de azeites fraudados

Em dois anos, o ministério identificou irregularidades em 45 marcas de azeite das 140 coletadas

Agência O Globo

O uso de óleo vegetal com azeite lampante, extraído de azeitonas deterioradas ou fermentadas, que não deve ser destinado à alimentação, foi a fraude mais comum praticada pelas empresas envazadoras fiscalizadas pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), como antecipou o Blog do Moreno. Em dois anos, o ministério identificou irregularidades em 45 marcas de azeite das 140 coletadas, em 12 estados e no Distrito Federal. Ao todo, foram 207.579 litros de azeites com problemas, do total de 322.329 analisados.


No Paraná, foram identificadas empresas que vendiam produto como azeite de oliva, mas com composição de 85% de óleo de soja e 15% de lampante. Segundo o Mapa, essas empresas foram autuadas, multadas em até R$ 532 mil por irregularidade encontrada e os produtos foram apreendidos para descarte. As fraudadoras ainda foram denunciadas ao Ministério Público e um inquérito policial deve ser aberto. Os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e o Distrito Federal foram aqueles em que foram encontrados maior número de empresas com irregularidades. De acordo com o Mapa, os envazadores que importam o produto a granel, principalmente da Argentina, foram os que tiveram mais problemas identificados. As análises são realizadas pelos Laboratórios Nacionais Agropecuários (LANAGRO) do Rio Grande do Sul e de Goiás.

Astorga, Carrefour, Almeirim, Conde de Torres estão entre as marcas que apresentaram irregularidade, segundo o levantamento do ministério. Entre as que passaram no teste, Andorinha, Aro, Apolo, Borge, Belo Porto, Carrefour Discount.

A fiscalização de azeite de oliva foi intensificada, desde a semana passada, com coleta de amostras direcionadas às empresas que apresentaram irregularidades nos últimos dois anos. Segundo o Mapa, na primeira semana deste mês, foram recolhidos 243 mil litros do produto com suspeita de fraude.

Segundo dados do Comitê Oleícola Internacional (COI), o Brasil é o terceiro maior importador de azeite de oliva do mundo. No ano passado, o país importou cerca de 50 milhões de toneladas do produto.

O ministério informa que o azeite de oliva virgem pode ser classificado em três tipos: o extra virgem (acidez entre 0,8% e 2%), virgem (acidez menor que 0,8%), lampante (acidez maior que 2%). Os dois primeiros, explica, podem ser consumidos in natura, mantendo todos os aspectos benéficos ao organismo. Já o terceiro, tipo lampante, deve ser refinado para ser consumido, quando passa a ser classificado como azeite de oliva refinado. As análises também apontaram azeites desclassificados (que podem não ser considerados como azeite) e fora de tipo (não tem boa qualidade).

Orientações ao consumidor

Para não levar gato por lebre, os técnicos do Mapa orientam o consumidor a desconfiar de preços muito abaixo da média do mercado. Especificações como o termo tempero em letras miúdas e, em destaque, azeite de oliva, podem indicar que não se trata de azeite, mas tempoero vendido como tal. Qualquer adição ou mistura com outros óleos vegetais requer que o produto seja rotulado como “Óleo misto ou composto”, destaca o ministério. O consumidor também deve ficar atento à validade e aos ingredientes.