Minha Salvador

Morador de Periperi atrai mais de 75 mil seguidores em rede social com belezas do Subúrbio

Na fanpage Belezas do Subúrbio, Anderson Simplício posta fotografias de comidas, pessoas, lugares e cliques do pôr do sol na Baía de Todos os Santos

Linda Bezerra, do Correio 24horas (linda.bezerra@redebahia.com.br)

Foto: Anderson Simplício/Belezas do Subúrbio

Não, não é a imagem de um velho castelo no Outono europeu. E esse céu azul desenhado por copas de palmeiras pode até parecer, mas não é o de Beverly Hills, nos Estados Unidos. A mangueira seca que dá um tom romântico às ruínas da Fábrica São Braz assim como as palmeiras imperiais à beira-mar compõem a paisagem de acesso a Plataforma, no Subúrbio Ferroviário de Salvador.

Se impressionou? Anderson Simplício, nascido e criado em Pau da Lima, também. Até conhecer a região, onde mora hoje, ele só ouvia falar de violência por lá. Mas aí ele se enamorou de Taiane, uma suburbana que o levou à praia de Periperi, e caiu de amores. Por ela e pelo lugar. Olhos atentos, não demorou para Anderson levar esse amor para as redes sociais e criar a fanpage Belezas do Subúrbio (www.facebook.com/Belezasdosuburbio),  onde posta fotografias de comidas, pessoas, lugares e cliques do pôr do sol na Baía de Todos os Santos.

Foto: Anderson Simplício/Belezas do Subúrbio

“Meu desejo é compartilhar o Subúrbio, mostrar o belo que existe aqui. Tenho a mania de ver beleza em tudo”, diz,  apontando para a foto de uma flor nascida entre os trilhos do trem. Tanto amor atraiu mais de 75 mil seguidores, em um ano e meio. A cada postagem, milhares de curtidas e engajamentos.

O vídeo com uma panorâmica do mar inalcançável da praia de Inema, onde se hospedam presidentes da República,  obteve 1 milhão de visualizações e 18 mil compartilhamentos. Outros campeões de acessos:  o camarão alho e óleo de Neinha, em São Tomé, e a moqueca da Cabana do Camarão, em Plataforma. São receitas ‘sem frescuras’, segundo a gíria local, para destacar as fartas porções.    

Pesquisa  

Sabores e paisagens se misturam nos passeios de fim de semana. Como trabalha de segunda a sexta na parte administrativa do Hospital São Rafael, Anderson dedica sábados e domingos a garimpar belezas entre caminhadas pelos trilhos que ligam Paripe a Calçada. Ele chega a fazer 400 imagens com seu celular para escolher 15 e postar pouco a pouco. É muito afetuoso nas legendas: “Melhor lanche da tarde: suco de acerola e pocazói lapiado na manteiga. Quem gosta?”; “Um paraíso particular entre Tubarão e São Tomé”; “Seja bem-vindo ao lado bom do Subúrbio de Salvador!”.

Foto: Anderson Simplício/Belezas do Subúrbio

Numa dessas incursões, se encantou  com uma cabaninha feita de palha, na praia da Bacia, descendo a Ladeira do Mocotó, em Plataforma. Postou. Em pouco tempo, 3 mil curtidas. No dia seguinte, colheu os 15 minutos de fama com a garçonete Luana. “Menino, faça isso mais vezes que encheu isso aqui”, propôs a moça do outro lado do balcão, de olho na propaganda virtual.  Com um belo pôr do sol, o Bar Cia (escreve assim mesmo, separado) vende cozido às segundas-feiras, mas seu forte são frutos do mar, pescados por Bia, apelido do dono. 

O olhar apurado de Anderson tem seduzido muita gente fora dos limites dos trilhos do trem. Amigos e fãs passaram a frequentar as praias, pricipalmente as de Tubarão e São Tomé de Paripe. Depois relatam, encantados, a experiência. 

O fotógrafo Tiago Quirino Troccoli, que circula com sua câmera Nikon D7100,  conta como foi fisgado. “Eu vivia fotografando a Barra e o Rio Vermelho, mas vi que Salvador não é só isso”, revela o dono do perfil Soterografando, no Instagram. Da troca, que inclui até aulas de fotografia, nasceu uma grande amizade. Não raro, Anderson e Tiago saem juntos em aventuras fotográficas por fábricas abandonadas ou à espera de uma lua cheia atrás do morro de casinhas que esconde o Lobato. (Veja fotos de Tiago ao lado) 

Passeio  

Há muitos cantos para conhecer, de fato. Numa manhã ensolarada, guiados pelo anfitrião Anderson, embarcamos no Terminal Marítimo da Ribeira (R$ 1,50, a passagem). Em 10 minutos estávamos na Estação Almeida Brandão, de Plataforma. Passeamos pela ponte São João, erguida em 1860. Rimos muito com a lembrança do dia em que o ex-prefeito João Henrique, sua comitiva e a imprensa tiveram que descer do vagão, que parou bem na hora da reinauguração. Vimos as marisquerias catarem seu sustento na lama e as mulheres dos pescadores tratarem a sardinha (R$ 2, o quilo) em São João do Cabrito.

Perto dali, apreciamos a vista da Igreja de Escada e passamos pela Praça da Revolução com seu shopping de compras no chão, em Periperi. Sentimos o frescor do Bosque de Pinheiros das monjas beneditinas, instaladas em um mosteiro de 1977, em Coutos. Visitamos também o comércio fervilhante do centro de Paripe e as praias inacreditavelmente azuis e calmas de Tubarão e São Tomé. Tudo,  tudo aqui é beleza. É só destampar o olhar.