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'O tempo dos abusadores já acabou', diz Oprah Winfrey no Globo de Ouro

Apresentadora fez discurso poderoso contra assédio sexual e racismo; fala tem repercutido na web

Redação Correio 24h

O discurso poderoso da apresentadora de TV Oprah Winfrey durante a 75ª edição do Globo de Ouro foi um dos pontos altos da cerimônia e, por isso mesmo, continua sendo um dos assuntos mais comentados na internet na manhã desta segunda-feira (8). Oprah recebeu o prêmio honorário Cecil B. Demille, tornando-se desse modo a primeira mulher negra a conquistar o feito. Durante o pronunciamento, ela conseguiu sintetizar uma série de protestos encampados por trabalhadoras da indústria do entretenimento de Hollywood.

No início do discurso, que teve como temas principais o assédio sexual contra mulheres e o racismo, Oprah lembrou de quando era jovem e viu Sidney Poitier vencendo o Oscar de Melhor Ator pelo filme Uma Voz nas Sombras, em 1963. Ele foi o primeiro artista negro a ganhar a estatueta. “Eu nunca tinha visto um homem negro homenageado daquele jeito, e não consigo descrever o que aquele momento significou para mim. Em 1982, Sidney recebeu o Cecil B. DeMille aqui no Globo de Ouro, e eu tenho consciência de que neste momento há garotas assistindo eu me tornar a primeira mulher negra a receber esse mesmo prêmio”, comparou.

Uma das mais importantes apresentadoras de TV nos EUA, Oprah também atuou e produziu vários filmes, como A Cor Púrpura, Bem-Amada, Selma, O Mordomo da Casa Branca, Preciosa e muitos outros.

Entre agradecimentos, ela também falou sobre como os tempos estão mudando e em como as mulheres são força e motivação para isso. "Me inspiro em todas as mulheres que tiveram o poder e a força de compartilhar suas experiências pessoais", disse a apresentadora. "O tempo dos abusadores já acabou", decretou.

Oprah ainda citou Recy Taylor, que lutou por justiça ao ser estuprada por seis homens em 1944 e que faleceu no fim de 2017.

"Quero expressar minha gratidão a todas as mulheres que suportaram abusos e violências porque elas, como minha mãe, tinham filhos para sustentar, contas para pagar. Mulheres cujos nomes nunca saberemos, pois são empregadas domésticas, garçonetes, trabalhadoras em empresas. " E eu só espero que Recy Taylor tenha morrido sabendo que sua verdade, como a verdade de tantas outras mulheres que foram atormentadas naqueles anos, e que são até hoje atormentadas, continua viva. Estava em algum lugar no coração de Rosa Parks, quase 11 anos depois, quando ela tomou a decisão de ficar sentado no ônibus em Montgomery, e está aqui com todas as mulheres que escolhem dizer ‘eu também’. E em cada homem que escolhe ouvir", comentou.

Oprah encerrou seu discurso falando sobre as campanhas "#MeToo" e "Time's Up", cujo estopim foram as acusações de assédio sexual que levaram a público o comportamento de Harvey Weinstein, Louis C.K., Kevin Spacey e vários outros nomes importantes do show business.