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‘Oitava maravilha’ pode ser redescoberta na Nova Zelândia

Terraços Rosas e Brancos foram soterrados por erupção há 131 anos

Agência O Globo

Em junho de 1886, uma erupção do Monte Tarawera provocou a morte de uma centena de pessoas e destruiu o que era até então o maior tesouro da Nova Zelândia. Os Terraços Rosas e Brancos do lago Rotomahana, na Ilha Norte do país, eram descritos como a “oitava maravilha do mundo”, mas foram soterrados pelas cinzas vulcânicas. Agora, um estudo publicado no “Journal of the Royal Society of New Zealand” afirma ter encontrado a localização da estrutura geológica, escondida sob toneladas de lama entre 10 e 15 metros abaixo da superfície.

"Eles (os terraços) se tornaram a maior atração turística do Hemisfério Sul e do Império Britânico. Navios lotados de turistas vinham do Reino Unido, da Europa e dos EUA", disse Rex Bunn, um dos pesquisadores envolvidos do estudo, em entrevista ao “Guardian”. Mas eles nunca foram estudados pelo governo da época, então não existem dados sobre a latitude e longitude.

Os terraços eram duas maiores formações de sílica sinterizada do planeta, localizadas em margens opostas do Rotomahana, a cerca de dez quilômetros do Tarawera. Um era branco brilhante, enquanto o outro, por alguma reação química desconhecida, tinha tons rosados. Eles formavam piscinas naturais de água quente, como em Pamukkale, na Turquia.

Segundo relatos, a erupção fez com que todo o lago desaparecesse, mas nos meses seguintes os cursos d’água se embrenharam nas crateras vulcânicas e acabaram formando um novo Rotomahana, quatro vezes mais profundo e com área cinco vezes maior, mas sem os terraços.

Apesar da inexistência de dados oficiais, os Terraços Rosas e Brancos foram retratados por artistas e cartógrafos. Um deles, o geólogo austríaco Ferdinand von Hochstetter, descreveu detalhadamente a localização das estruturas antes da erupção.

Bunn e seu colega, Sascha Nolden, acreditam que os terraços ainda devem estar em condições razoáveis, possivelmente com danos mínimos, soterrados abaixo de lama e cinzas da erupção, mas com potencial para serem restaurados. A dupla está levantando fundos para iniciar a exploração.

"Nós queremos realizar esse trabalho pelo interesse público. Nós estamos em contato próximo com os proprietários ancestrais da terra, a Autoridade Tribal Tuhourangi, e eles estão solidários e encantados com o trabalho", disse Bunn.