Economia

Para para pensar, pense muito bem antes de comprar

Fuja da compra por impulso, que é o maior motivo de endividamento

Luciana Rebouças - Redação CORREIO (luciana.reboucas@redebahia.com.br)

Você para na frente de uma vitrine, olha para o novo lançamento da TV de LCD no mostruário, lembra que este mês pagou a 12ª e última prestação do sofá e decide: é hoje que você vai surpreender a todos com esta tela de 42 polegadas na sua sala. Os motivos para fazer a compra são fáceis de arranjar: pode ser porque seu chefe tirou a semana para encher sua paciência, porque sua namorada lhe largou ou mesmo porque você pagou o cartão de crédito e tem um espaço livre. Independentemente das razões, você acabou

de fazer uma compra por impulso.


Comprar sem nenhum planejamento, só porque você viu o produto e gostou, é a conhecida compra por impulso e motivo principal do endividamento do brasileiro. Para Sílvia Alambert, especialista em educação financeira, a principal razão que leva as pessoas a este hábito é deixar a emoção dominar. “O consumidor

olha o produto, gosta e quer levar. Mas, ele não se pergunta se ele realmente precisa daquilo ou mesmo se não está levando só porque está em promoção”.


RECONHECIMENTO
Para a especialista, outra característica da compra por impulso é que ela leva os consumidores a adquirirem itens que eles já têm em casa ou que não terão utilidade no dia-a-dia. “Um

exemplo são as donas de casa que compram um liquidificador, um processador e um outro eletrodoméstico que é um mix destes dois produtos. Não há necessidade de tantos aparelhos, mas ela compra por um capricho”, acrescenta Sílvia. Daí a importância de se observar o que tem em casa, antes de comprar um novo objeto.


Já para Reinaldo Domingos, educador financeiro e autor do livro Livre-se das Dívidas, o problema é a falta de sonhos das pessoas. Para ele, quando se tem um objetivo, é mais fácil livrar-se dos pequenos

gastos, que podem consumir até 30% do orçamento mensal.


“Quando se faz um orçamento e se estabelece sonhos é possível inibir estas compras por impulso, pois elas são resultado da falta de foco e de prioridades”, ensina Domingos.


Para Antonio De Julio, especialista em educação financeira e sócio da Moneyfit,uma boa estratégia é deixar um limite pagável para o cartão de crédito e para o cheque especial. Se não tiver crédito disponível, o consumidor vai ficar mais consciente antes de sair comprando o que não precisa.“Se ele fizer as contas, considerar todas as despesas fixas do mês e ver que só tem R$ 500 para gastar, o cartão

não deve ter um limite maior que este valor”, diz.


SOLIDÁRIO
O consultor financeiro lembra que há dois tipos de compras por impulso: as solitárias e as solidárias. Esta última seria quando você sai com algum amigo que só quer saber de gastar. Ao vê-lo com

tantas sacolas na mão, você decide começar a comprar também, já que vai ser chato sair sem nada do shopping com ele carregando tanta coisa. “Por isto, as pessoas precisam escolher uma companhia mais controlada para ir às compras”, ressalta De Julio.


E a dica final, antes de puxar o cartão de crédito para comprar, é colocar a mão na consciência e tentar lembrar: quantas contas ainda não paguei este mês?

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