Salvador

Projeto leva banho de mar assistido para a praia de Ondina

Esta é a quinta edição do ParaPraia

Thais Borges, do Correio 24 horas (thais.borges@redebahia.com.br)

Dona Carmelita da Silva, 72 anos, sempre gostou da praia. No entanto, desde que sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC), há três anos, não chegava nem perto da areia. Talvez ela acreditasse que nem teria mais a chance de entrar no mar novamente. No entanto, neste sábado (13), as coisas mudaram. 

Ela foi uma das participantes da quinta edição do projeto ParaPraia, cuja nova temporada teve início neste fim de semana, na praia de Ondina. O principal objetivo do projeto é promover o banho de mar assistido para deficientes físicos e pessoas com mobilidade reduzida. Mesmo com um pouco de dificuldade na fala, dona Carmelita era só elogios ao passeio. 

"Gostei muito. Sentia muita falta de vir", contou. A filha dela, a doméstica Eliene da Silva, 55, disse que soube do projeto na sexta-feira (12) e decidiu trazer a mãe com a ajuda do sobrinho. "Ela está nessas condições, mas somos muito felizes com ela. Ela não reclama nunca e nos faz rir demais. Só quer viver rodeada de netos". 

A administradora Maria das Graças Machado, 65, por sua vez, já conquistou seu lugar cativo no ParaPraia. Desde o início do projeto, ela aproveita a oportunidade de reencontrar o mar. Nem lembra quanto tempo passou sem ir à praia desde que contraiu o vírus HTLV, há 17 anos. Desde então, perdeu a força no movimento das pernas. 

A administradora Maria das Graças foi em todas as edições do projeto (Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)

"Não tenho como vir sozinha. Ando com ajuda de muletas e venho sozinha para cá, mesmo pegando ônibus e metrô. Mas, na água, não dá. Por isso, esse projeto é tão importante para mim", elogiou. 

De acordo com o secretário municipal da Cidade Sustentável, André Fraga, o projeto é uma forma de inclusão social. Para ele, o ParaPraia é uma ‘mensagem’ de que a praia é um lugar para todos. “É o lazer mais simples de Salvador e é gratuito, mas, para essas pessoas, em alguns casos, é impossível (sem ajuda)”, explicou. 

Promovido pela prefeitura, o ParaPraia é patrocinado pela Braskem e pelo Salvador Shopping, além de contar com o apoio técnico da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. Ao todo, cerca de 200 voluntários – grupos de 25 pessoas por fim de semana – trabalham como voluntários, incluindo enfermeiros, educadores físicos e fisioterapeutas.  Por dia, até 100 pessoas participam do banho de mar. 

O ParaPraia continua pelos próximos cinco finais de semana, sempre das 8h às 12h. Nas próximas edições, segundo a coordenadora do curso de fisioterapia da Bahiana e uma das responsáveis pelo ParaPraia, Luciana Bilitario, ainda haverá vôlei adaptado e participação de mergulhadores. “Nesse momento da praia, você está tendo uma vida normal no lazer. Essa mobilização também ajuda a ver essas pessoas de outra forma, porque você entende o que é diversidade e aceitação ao outro”.