Dança

Quinta edição da Mostra Baiana de Dança Contemporânea discute genocídio do povo negro

Projeto promove, fomenta e estimula a circulação de produções locais para outros países e estados do Brasil

Redação iBahia (redacao@portalibahia.com.br)

A Mostra Baiana de Dança Contemporânea (MBDC) completa 5 anos na programação do VIVADANÇA em 2018 e contempla este ano quatro criações de artistas e grupos baianos, três deles selecionados por meio de uma comissão técnica e 1 convidado: “Salão” (do coletivo Casa 4), que faz uma abordagem de gênero na dança de salão; “Missa do Sétimo Dia” (de Guego Anunciação), que reflete sobre o genocídio do povo negro; “Janelas Para Navegar Mundos” (Trippé Coletivo de Dança) que se baseia no universo sertanejo; e nessa edição convida Neemias Santana/Nii Colaboratório com o espetáculo “Estio”, que investiga processo criativo experimental, para estreia dentro do festival, com o objetivo de estimular a criação e garantir espaço para novas ideias.

Foto: Divulgação
Na MBDC, curadores, diretores e programadores de festivais e plataformas nacionais e internacionais, vindos dos estados de Pernambuco, São Paulo, Amazonas, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Distrito Federal e Bahia; e de países como Polônia, Estados Unidos, Espanha, Canadá, El Salvador, México, Colômbia, Equador, Argentina, entre outros, se reúnem para assistir aos trabalhos coreográficos, com a perspectiva de levar essas montagens para outras regiões do Brasil e do mundo.

Nos dias 20 e 21/04, no Teatro ICBA Goethe-Institut Salvador e no Teatro Vila Velha. Sessões às 19h e às 20h. Programação completa no site do festival. A Mostra Baiana de Dança Contemporânea faz um panorama das produções mais recentes da dança contemporânea na Bahia. No total, são selecionadas até cinco obras coreográficas de grupos, coletivos e artistas do estado, com pelo menos 2 anos de trabalho continuado. Desde a sua primeira edição, em 2014, a Mostra já levou ao público um total de 24 espetáculos, 5 desses convidados para apresentações em outros estados do Brasil.

Essas ações resultaram em apresentações dos bailarinos e coreógrafos Isaura Tupiniquim (solo Fricção) e Marcelo Galvão (espetáculo “Interações”) na Mostra Brasileira de Dança (PE). Nesse contexto, a prefeitura paulistana também convidou Galvão para o Circuito São Paulo de Cultura. E a partir da Rodada de Negócios VIVADANÇA – que tem uma relação direta com a mostra – o espetáculo "Bolero", de João Rafael Neto, foi selecionado para a programação do Encontro Internacional de Dança, em Natal; E "Malemolência", montagem do grupo Jeitus de Dança, para a programação da Sala Paissandu (Galeria Olido-SP). Recentemente, o Balé Teatro Castro Alves fez apresentações do espetáculo “LUB DUB” na Mostra Brasileira de Dança (PE) e a dançarina e coreógrafa Melissa Figueiredo no “Nómada - Encuentros Urbanos de Artes del Movimiento Humano” (El Salavador) – onde apresento o seu espetáculo solo “Pele de Foca”.

Confira a programação completa:

MISSA DE SÉTIMO DIA – GUEGO ANUNCIAÇÃO
O tráfico de negros escravizados durou 400 anos e terminou oficialmente na segunda metade do século XIX. Estimativas apontam para uma variante entre 15 a 30 milhões de africanos negros que foram arrancados de suas terras de forma desastrosa, degradante e desumana, e em pleno séc XXI, a população negra continua sendo marginalizada e morta. “Missa do sétimo dia” é um trabalho de dança contemporânea que aborda o genocídio da população negra, trazendo um questionamento sobre o corpo negro e suas identidades. Um ato, um protesto, uma dança e muitas vidas. Dia 20/04, 19h, no Teatro ICBA Goethe-Institut Salvador. Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia). Programação completa em www.festivalvivadanca.com.br

ESTIO - Nii COLABORATÓRIO
A estréia do espetáculo Estio é uma coprodução entre o Nii/Colaboratório e o Vivadança Festival Internacional, que inaugura uma categoria que abre espaço para espetáculos inéditos se apresentarem no festival. Com direção coreográfica de Neemias Santana, o espetáculo é fruto do projeto Pesquisa de Linguagem Coreográfica, realizado de março de 2017 a janeiro de 2018, que inclui uma série de práticas compartilhadas de investigação estética e criativa em dança. Dia 20/04, 20h, no Teatro Vila Velha. Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia). Programação completa em www.festivalvivadanca.com.br

JANELA PARA NAVEGAR MUNDOS – TRIPPÉ COLETIVO DE DANÇA
O que acontece quando nos permitimos olhar? Contemplar o mundo em seus pequenos detalhes é o momento de entendimento, de amplitude, de também se enxergar. Após um mergulho nas correntezas que são as palavras dos poetas da ribeira do São Francisco, entregamos em cena o que ficou úmido nos corpos que se propõem poéticos, nesse doce desejo de ser dança. Rasgos, memórias, nuvens, cheiros e um pouco mais do que até então nos habita deságua agora nessas janelas para que você trace sua própria rota de navegação. Viajemos!

Dia 21/04, 19h, no Teatro ICBA Goethe-Institut Salvador. Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia). Programação completa em www.festivalvivadanca.com.br

SALÃO – COLETIVO CASA 4
Amor, breguice e viadagem conduzem o dois pra lá, dois pra cá de “Salão”, primeiro espetáculo do Coletivo Casa 4. Com direção de Leandro de Oliveira, este trabalho busca romper com os estereótipos de gênero que tradicionalmente envolvem as danças de salão e excluem outras possibilidades de dançar a dois.E m cena, o close é garantido pelos corpos viados dos intérpretes-criadores Alisson George, Guilherme Fraga, Jônatas Raine e RuanWills.

Dia 21/04, 20h, no Teatro Vila Velha. Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia). Programação completa em www.festivalvivadanca.com.br

O VIVADANÇA Festival Internacional tem apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia. É uma realização da Baobá Produções Artísticas.

Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA) – Criado em 2005 para incentivar e estimular as produções artístico-culturais baianas, o Fundo de Cultura é gerido pelas Secretarias da Cultura e da Fazenda. O mecanismo custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundo de Cultura são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu significado, sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada. O FCBA está estruturado em 4 (quatro) linhas de apoio, modelo de referência para outros estados da federação: Ações Continuadas de Instituições Culturais sem fins lucrativos; Eventos Culturais Calendarizados; Mobilidade Artística e Cultural e Editais Setoriais.