Festival da Virada

Réveillon é comemorado no ritmo do axé de Bell Marques no Festival Virada

Cantor transformou arena em prévia da sua famosa pipoca

Carol Aquino e Rafaela Fleur

Em uma noite que celebrou a diversidade de ritmos da Bahia, o Festival Virada transformou o Réveillon de quem compareceu à arena situada na Boca do Rio em uma animada prévia carnavalesca comandada pelo cantor e compositor Bell Marques, o dono da pipoca mais animada do Carnaval de Salvador.  

Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO
O cantor que arrasta multidões abriu a apresentação com a música Selva Branca. “Esse é o meu último show do ano e tinha de ser aqui em Salvador, tinha de ser com vocês”, disse o artista, antes de emendar uma série de clássicos do seu repertório como Vumbora, Índia e Gritos de Guerra. Ele ainda apresentou uma canção nova, Você não vai se arrepender.

Na entrevista coletiva antes do show, o cantor disse que 2018 será o ano da afirmação de sua carreira solo. O artista também lembrou o carinho dos fãs e disse que não sabe explicar o tipo de relação que ele tem com os admiradores fieis que o acompanham.  “Sem os fãs eu não seria nada, agradeço a eles a vontade de estar comigo. Faço música para eles”.

Bell ainda anunciou que em 18 de janeiro, fará um show para comemorar os 40 carnavais do Camaleão, no Teatro Castro Alves (TCA). O evento será beneficente, com renda revertida para o hospital Aristidez Maltez.

Em um dos momentos mais emocionantes para os fãs, o cantor desceu do palco e foi cantar no meio da galera. Aproveitou para abraçar a ambulante Joábia Silva, 54, grande admiradora do artista.  "Tenho o primeiro LP dele. Sou muito fã. Todo Carnaval eu vou ver", contou dona Joábia, acrescentando que coloca o seu isopor em frente ao camarote do Nana (bloco) só por causa de Bell.

O artista chamou a vendedora para cantar com ele, no palco, mas emocionada, ela não conseguiu. Bell então jogou uma das paletas de sua guitarra para dona Joábia e acrescentou: “Para te dar sorte em 2018”.

Com os últimos raios de sol cobrindo de dourado a arena do Festival Virada, o Ilê Ayê abriu a festa com um cortejo afro que arrastou o público no ritmo dos tambores e do samba-reggae. De branco, uma ala de baianas típicas se misturava com as princesas e rainhas do ‘mais belo dos belos’, vestidas nas cores do bloco (amarelo, vermelho e preto).
A cantora Amanda Santiago abriu o palco do Festival Virada neste domingo (31) (Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)
Logo depois da passagem do Ilê, a cantora Amanda Santiago começou o show no palco principal, por volta das 18h15. Vestida com um corselet vermelho e saia rodada com flores, ela fez um show diverso e animado. Abriu a apresentação com a música Carnavália, dos Tribalistas, e emendou sucessos antigos do axé, como Araketu Bom Demais e A Cor Dessa Cidade, de Daniela Mercury.

A ex-vocalista da Timbalada também não deixou de relembrar sucessos do seu tempo na banda, como Toneladas de Desejo, Água Mineral e Toque de Timbaleiro.

Com um show bastante percussivo, a cantora trouxe ainda ao palco um integrante de cada um dos blocos afro que comandaram os cortejos de abre-alas ao longo dos dias de festival: Malê de Balê, Muzenza, Cortejo Afro, Ilê Aiyê e Filhos de Gandhy mostraram ao público toda a beleza da ancestralidade africana na Bahia.

Moradores da Boca do Rio, o serralheiro Neemias Santos, 38 anos, o estudante Needson Santos e a agente de saúde Adriana Paim, curtiram todos os dias do Festival Virada e elogiaram as atrações e a estrutura do evento: "Gostamos muito e estamos ficando tristes que está acabando. Tomara que role aqui de novo em outros anos. É muito importante para o bairro".

Gravidíssima, Carla Batista, 22, veio aproveitar o evento depois que seu marido esteve na Arena no dia anterior. "Meu marido falou que estava legal para família e crianças, aí eu resolvi vir também e estou gostando".  A baiana deu um passeio na roda-gigante enquanto esperava as atrações do palco principal.

Quem também aproveitou o brinquedo foi a comerciante Jacira de Brito, 61 anos, que decidiu realizar um sonho de infância no último dia do ano: andar de roda-gigante pela primeira vez. "Eu estava morrendo de medo mas criei coragem e vim, tô adorando". Moradora do bairro de São Gonçalo, dona Jacira foi ao evento para ver a cantora Ivete Sangalo, uma das atrações da noite.

Também fãs de Ivete Sangalo, os estudantes Tainá Fernanda, 20, Lílian Stefan, 16, e João Victor, vieram do Ceará especialmente para ver a cantora. "Ivete não usa máscaras. Ela é humilde e é quem é o tempo todo, em todos os lugares. Isso me cativou", contou Tainá.