Salvador

"Se for necessário, eu serei candidato outra vez", diz Lula em evento do MST em Salvador

O ex-presidente participou da abertura do 29º Congresso Estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que vai até sábado (14)

Thais Borges (thais.borges@redebahia.com.br)

“Se preparem, porque, se for necessário, eu serei candidato outra vez. E se eu for candidato, não é só para disputar. É para a gente ganhar as eleições neste país”. Com essas palavras, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu, nesta quarta-feira (11), às perguntas sobre a possibilidade de concorrer à Presidência da República em 2018.

Lula esteve em Salvador para participar da abertura do 29º Congresso Estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que teve início na manhã desta quarta e vai até sábado (14), no Parque de Exposições Agropecuárias de Salvador. O ex-presidente chegou ao parque acompanhado do líder do MST nacional, João Pedro Stedile, e do ex-governador Jaques Wagner (PT), por volta das 11h15. Apesar disso, sua pré-candidatura não foi oficializada no evento – como defendiam alguns de seus correligionários.

(Foto: Evandro Veiga/CORREIO)

No encontro, foi recebido com gritos de ‘Lula, guerreiro do povo brasileiro’ pelos militantes, representantes de movimentos sociais e de partidos de esquerda – segundo os organizadores, mais de duas mil pessoas eram esperadas no evento. Lula não deu entrevistas à imprensa, mas fez um discurso. No início de seu pronunciamento, houve fogos de artifício.

Os apoiadores usavam bonés vermelhos com os dizeres “Estou com Lula”. Antes mesmo de começar a falar, Lula também vestiu um dos bonés. “Deus queira que apareçam outras pessoas para serem candidatas, mas este ano eu vou andar o país, primeiro para recuperar a imagem do meu partido; segundo, para recuperar a minha imagem”, afirmou, ainda referindo-se à candidatura. Ao final do discurso, o ex-presidente se despediu com uma provocação. “Eu nunca mais vou dizer ‘eu vou voltar’. Eu vou dizer: ‘nós vamos voltar’ para governar esse país”, concluiu, antes de ser ovacionado.

Réu em cinco processos – três somente no âmbito da Operação Lava Jato, da Polícia Federal – Lula disse que “não admitia” que qualquer pessoa tivesse o direito de dizer que ele roubou um centavo do Brasil. Antes de completar dizendo que não envergonharia a alma da mãe, aos 71 anos, Lula afirmou que esperava um pedido de desculpas dos que estão contra ele, quando se convencessem de que não existe nada contra ele. “Então, se estas pessoas estão me julgando pelo que elas fariam se estivessem no meu lugar, elas que se condenem, porque eu aprendi a andar de cabeça erguida neste país e não vou baixar a cabeça para ninguém”.

O ex-presidente ainda afirmou que a única forma de o Brasil sair da crise é não penalizando os pobres e os pequenos produtores. “Eles já foram penalizados desde que nasceram”, lamentou, citando, ainda, os programas sociais de seu governo, como Bolsa Família e o Luz para Todos. Lula também não poupou críticas ao governo de Michel Temer, sempre embalado por gritos de “Fora, Temer”, dos presentes.

“Não é possível governar o Brasil a partir de Brasília ou só conhecendo o Rio de Janeiro. Tem que conhecer a cara do povo, aquela gente que come feijão e farinha puro, aquela gente que come preá, aquela gente que labuta e só quer ter esperança”.

Lula “precisa ser convencido”
Membro da coordenação nacional do MST, João Pedro Stedile, respondeu às críticas de que o movimento teria “pedido” ao governo do estado a liberação do Parque de Exposições de Salvador para a oficialização da pré-candidatura de Lula. “Não precisamos do parque para lançar o Lula à presidência porque o Lula é o candidato permanente do MTS e do povo do Brasil”, disse, em seu discurso.

O ex-governador Jaques Wagner também defendeu a candidatura de Lula. “Não é o que eu quero, nem o que João Pedro (Stedile) quer, mas porque no coração do povo mora um ser humano chamado Lula”, defendeu, pouco depois de agradecer o apoio dos movimentos sociais na reta final do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016.

Além disso, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, é um dos que defende que Lula seja o novo presidente da sigla. Mas, segundo Falcão, Lula ainda precisa ser “convencido” a assumir o cargo no partido. “Ele nos ajuda a superar os problemas que o PT vive hoje e facilita muito a movimentação dele pelo país, então, tem muita gente defendendo isso”. Rui Falcão defendeu, ainda, a  antecipação das eleições presidenciais para 2017.

Participaram da mesa, ainda, o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), Marcelo Nilo; o ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli; o presidente do PT na Bahia, Everaldo Anunciação; a secretária da Promoção da Igualdade Racial, Fábia Reis; e os deputados Afonso Florence (PT), Zé Neto (PT), Luiza Maia (PT), Valmir Assunção (PT), Nelson Pelegrino (PT), Maria Del Carmen (PT), Bira Coroa (PT) e João Daniel (PT-SE) e a prefeita Moema Gramacho (PT). Entre os movimentos sociais e de juventude, além de representantes da CUT, participaram a presidente nacional da Unegro, Ângela Guimarães; o diretor da União Nacional dos Estudantes (UNE), Yuri Brito;  o secretário estadual de juventude do PT, Matheus Maciel; e a representante do Coletivo Quilombo, Lorena Pacheco.

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