Brasil

Testemunha que estava no carro com Marielle revela o que viu na hora do crime

Assessora conta que outra funcionária foi abordada em tom ameaçador dias antes do crime

Agência O Globo
- Atualizada em

Cerca de dez dias antes do assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Pedro Gomes, uma funcionária da vereadora teria sido abordada de forma ameaçadora em um ponto de ônibus. De acordo com o depoimento prestado pela única sobrevivente do crime na Delgacia de Homicídios da capital, a que o O GLOBO teve acesso com exclusividade, um funcionária foi abordada por um homem que questionou, em tom ameaçador, se ela trabalhava junto com a vereadora. Segundo o depoimento, a a mulher, que trabalha em funções administrativas, estranhou na ocasião o tom e o fato de terem ligado o nome dela ao da vereadora.

Em seu depoimento, no entanto, a assessora conta que Marielle não comentou em nenhum momento que estava sendo ameaçada. Ainda segundo ela, a vereadora recebia muitas denúncias de moradores principalmente da área do 41º BPM (Irajá), onde ela havia atuado como Coordenadora na Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania, sobre a atuação de milícias e violência policial. Segundo a assessora, Marielle tinha uma rede de moradores bem articulados que tinham acesso a ela para pedir ajuda.

Ainda de acordo com o depoimento, a assessora que estava no carro contou que não percebeu que eles estavam sendo seguidos, e que segundos antes de ouvir os barulho da rajada de tiros, a vereadora teria falado "ué?", em tom de dúvida, logo que o veículo entrou na Rua João Paulo I, local do assassinato. O motorista teria dito apenas "ai". A assessora contou que se abaixou para tentar se proteger, e Marielle caiu sobre ela.

O carro, que estava em velocidade baixa, continuou andando. Foi a assessora que conseguiu se esticar e puxar o freio de mão para parar o veículo. Ainda de acordo com o depoimento, a vereadora sentava-se normalmente no banco do carona, mas naquele dia resolveu sentar atrás, junto com ela, já que as duas estavam escolhendo algumas fotos do encontro com outras mulheres que tinham acabado de participar, na Lapa.

Em seu depoimento, a sobrevivente disse que os tiros pareciam ter vindo da parte de trás, na diagonal. Logo depois do crime, ela contou ainda que não viu nenhum carro ou moto próximos, e que pediu ajuda aos populares que passavam pelo local.

Até o momento, pelo menos cinco pessoas já foram ouvidas pela DH. A suspeita da polícia é que três pessoas tenham participado do crime, em dois carros. Um dos veículos usados na ação estava com uma placa clonada de um carro de Nova Iguaçu.