Salvador

Cliente se nega pagar 10% e é espancado por garçom em Itapuã

Vítima passou por uma cirurgia e teve quatro suturas – três na cabeça e uma no rosto

Bruno Wendel, do Correio 24h

Uma simples recusa e a retribuição foram cortes no rosto e golpes de barra de ferro na cabeça. Este foi o pagamento que recebeu bombeiro civil Heider Almeida Souza de Almeida, 32 anos, logo após uma confusão por ter negado dar os “10% do serviço” a um garçom de um restaurante no bairro de Itapuã, em Salvador, na noite desta quinta-feira (12). Depois de ter sido atacado por dois homens, um deles o garçom, Heider ainda teve seus pertences levados pelos agressores.

Heider foi socorrido ao Hospital do Aeroporto, em Lauro de Freitas, Região Metropolitana de Salvador (RMS), onde permanece internado. Ele passou por uma cirurgia e teve quatro suturas – três na cabeça e uma no lado esquerdo do rosto. O bombeiro civil já teve alta e deverá registrar ocorrência na 12ª Delegacia (Itapuã). Ele disse que um dos agressores, um garçom, tem o cabelo trançado e é moreno.

Por telefone, o bombeiro civil contou ao CORREIO como tudo aconteceu.  Ele e mais dois amigos tinham acabado de beber em outro lugar e resolveram tomar a “saideira” por volta das 18h no Bar Boteco da Praia, um dos bares instalado nos quiosques construídos em frente à 12ª Delegacia, na Rua Aristides Milton.

“Após pegar a conta, paguei minha parte no debito e meus amigos no cartão, mas ele (garçom) queria porque queria que a gente pagasse os 10%, mas a gente não quis porque o atendimento dele não foi bom”, contou Heider. Segundo ele, o bar não estava cheio. “Além de nós, outras cinco pessoas bebiam também”, disse ele.

Foto: Divulgação

Confusão
Diante da recusa, o garçom fez ameaças. “Ele pegou algo atrás do balcão e caminhou na minha direção, dizendo que eu ia pagar por bem ou por mal. Quando ele encostou em mim, que percebi que segurava algo, deu não pra ver o que era, me senti ameaçado e o imobilizei com uma gravata”, contou Heider. Os dois caíram no chão e logo em seguida foram separados por outras pessoas.

Com o fim da confusão, o bombeiro civil e os dois amigos saíram do bar. “Meus amigos foram embora de carro, inclusive um deles ficou ferido na mão na hora de desapartar a briga e eu fui embora para casa andando já que moro em Itapuã”, relatou.

Ataque
Heider disse que após dar uns dez passos, percebeu que alguém o seguia e, ao olhar para trás, recebeu o primeiro golpe no rosto. “Não sei o que ele (garçom) usou para me cortar, mas o reconheci pelo cabelo trançando. Meu rosto ficou lavado de sangue e caí mais à frente”, relatou.

O bombeiro civil disse que correu, mas uma segunda pessoa lhe aplicou um golpe com uma barra de ferro na cabeça, que o fez cair novamente. “Era uma outra pessoa, um rapaz branco. Levantei, mas fui ao chão depois de um outro golpe. Corri outra vez e alguém gritava: ‘não corra, não corre’ e fui agredido novamente com a barra de ferro”, detalhou.

Caído, Heider viu quando os agressores pegavam seus pertencer: celular, cartões de crédito e R$ 120. “Foi quando consegui fugir e pedir ajudar”, contou.

O CORREIO tentou contato com o bar, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem.

Reprovação
O Sindicato dos Empregados em Hotéis Bares e Similares reprovou o a atitude do garçom. “É o cúmulo do absurdo. O cliente não é obrigado a pagar os 10%, o que hoje é chamado de gorjeta, por conta da Lei da Gorjeta, sancionada no ano passado”, declarou Almir Pereira da Silva, presidente da entidade.

A Lei da Gorjeta, 13.419 define que a gorjeta é um pagamento dado de forma espontânea pelo cliente ao empregado e também aquilo que a empresa cobra, como serviço ou adicional, para ser destinado aos empregados. Ou seja: a lei não torna obrigatória o pagamento da gorjeta, que continua sendo opcional.

Denúncia
“O que acontece é que ainda alguns estabelecimentos impõe a gorjeta como salário do empregado, quando na verdade deveria ser à parte e não a única foram de pagamento”, disse Almir. Segundo ele, o piso salarial de um garçom em Salvador varia entre R$ 970,00 e R$ 1.040,00.

Almir disse ainda que fará uma reclamação ao Ministério do Trabalho Emprego (MTE). “Vamos solicitar que um fiscal vá ao estabelecimento onde ocorreu toda a confusão. É preciso saber se esse garçom passou por uma seleção, se tem antecedentes criminais, se tem experiência ou se ele entrou pela janela, pois a atitude dele mancha a categoria. Nada justifica uma agressão dessa”, finalizou.

Em nota, a Polícia Militar informou que não foi acionada para a ocorrência.