O MUNDO TODO LÊ

365 livros formando um lindo tapete literário para ser lido com a família em 2018

Um título para cada dia do ano

Renata Fernandes (renatafernandesautora@gmail.com)
- Atualizada em


Este painel colorido estendido no chão, formado por 365 livros, é do pequeno Miguel de 3 anos, o único filho de Rafaella Gois, 30 anos, advogada.

Rafaella que sempre gostou de ler foi alfabetizada praticamente em casa, tentando ler os livros que sua mãe, funcionária de uma escola, acabava trazendo do trabalho.

Organizar, em um caderno, os livros que já tinha lido e os que ainda estavam por ler, era sua diversão de menina. Talvez essa ideia lá atrás, quando ainda nem pensava em ser mãe, tenha impulsionado Rafaella a organizar desta forma inusitada a leitura este ano para o pequeno Miguel. Um livro por vez a cada dia do ano formando um lindo “tapete literário" para ser lido em família.

Tenho lindas memórias lendo Marcelo, Marmelo e Martelo; O meu pé de laranja lima e outros livros. Após me tornar uma leitora assídua, comecei a me tornar poetisa, seguindo os passos da minha avó. Escrever poesia foi uma paixão que ficou na infância e que ainda guardo em um caderno antigo com muito carinho.

Porém, antes do “tapete literário", quando Miguel ainda era bem novinho, Rafaella admite que era de forma bem equivocada que escolhia os livros para ele.

Priorizava apenas livros com sons, abas, pop-ups, figuras soltas e palavras. Achava que, pela idade do meu filho, na época, alguns meses, o ideal seria ler para ele apenas palavras enquanto apontava figuras.

Com o passar do tempo, Miguel foi crescendo e fez com que Rafaela percebesse que podia avançar mais nos livros e descobrir um universo riquíssimo de títulos que vão além dos sons e pop-ups, soltando a imaginação de forma única para cada criança, inclusive a dos bem pequenos como era o caso de Miguel. Aliás, esta é uma percepção não muito diferente da maioria das mães, que acham que os filhos precisam compreender, da mesma forma que nós adultos, as histórias e acabam comprando somente livros brinquedo, privando os pequenos da boa literatura, tão importante desde sempre.

Neste mesmo período, uma suspeita não comprovada de caxumba, fez Rafaella parar por um tempo. Isolada em seu quarto teve tempo para pesquisar e mergulhar no mundo da literatura infantil com mais afinco. Se reaproximou deste universo que a fez uma criança leitora.

Na tentativa de arrumar tantos livros que Miguel tinha, foi espalhando um a um pelo chão para enxergar melhor. Quando percebeu, os livros espalhados formavam um lindo tapete colorido que lhe despertou para a ideia de transformá-los em um ritual que uniria ainda mais a família.

A ideia ganhou vida em um perfil de rede social que ajudaria não só seu filho Miguel mas auxiliaria outras famílias que têm o desejo de ler mais para os filhos e não o fazem por diversos motivos, inclusive por falta de foco. A promessa de lerem juntinhos 365 livros este ano de 2018 estava feita e começando a se concretizar. Pelo menos um a cada dia. É a meta de Rafaella.

Nome escolhido, conta criada, faltava um pequeno detalhe: Mais livros. Já que o estoque da casa era de, no máximo 150 livros.

As opções que me passaram pela cabeça foram: biblioteca pública infantil, livrarias de shoppings e pegar emprestado com amigos.

Mas com o perfil criado na rede social começou a formar parcerias com autores, editoras e ilustradores e o projeto foi ganhando vida. Recebe livros, além dos que compra e, em troca, divulga em seu perfil no instagram (@contando.historinhas). Mas não é qualquer livro que a Rafaella divulga, precisa passar pelo crivo da família primeiro. 

Procuro escolher livros que se adequem ao estilo de vida da família e a idade do Miguel. E que a gente goste, claro.

Para Rafaella o importante é que cada família crie o seu momento e o seu ritmo de leitura. Nem todos terão 365 livros para ler, mas isso é apenas um número. Algo que usou no seu contexto.

Cada família deve trabalhar com o que tem, sem comparações ou frustrações.

O seu desejo, ao ler 365 livros com Miguel não é desencorajar quem não possa fazer o mesmo, muito pelo contrário, é chamar a atenção para a importância de colocar uma meta também para o momento literário em família.

Para os pais que pedem conselhos sobre o que fazer para que as crianças gostem de livros, sugere: Observem seus filhos e o melhor momento para ler com eles. Aqui em casa, nossas melhores leituras acontecem após brincadeiras de intensidade, quando Miguel já gastou boa parte da energia e também antes da soneca da tarde e de deitar para dormir a noite. E, que não apenas leiam com seus filhos, mas que criem laços e vínculos desse momento de total doação.

Na casa da Rafaela passar a mão na capa do livro antes de ler virou um ritual de carinho e o sinal de qua a leitura e a diversão vão começar. E se alguém esquecer? O pequeno Miguel, claro, lembra na hora. 

E a sua família já tem um ritual de leitura? Se não tem, que tal criar um e se divertir o ano inteiro, cada dia com uma história diferente para unir a família como fez a do pequeno Miguel? 


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