O MUNDO TODO LÊ

Ainda não conhece a Fafá? Ela tem muita história para contar.

Com seu canal no youtube ela vai encantando crianças e adultos com histórias novas de livros infantis toda semana

Renata Fernandes (renatafernandesautora@gmail.com)
- Atualizada em

 Ainda não conhece a Fafá? Aliás, Fafá é a versão contadora de histórias da Flávia Scherner, atriz profissional há mais de 10 anos que tem um canal no youtube para contar histórias para os pequenos, o Fafá Conta. 

O apelido surgiu na infância, os "mais chegados" a chamam de "Fá" e, até alguns anos atrás, pouquíssimas pessoas a chamavam de Fafá. Numa conversa com a irmã, falando sobre a criação do canal, ela sugeriu usar Fafá, pra ficar mais sonoro e mais fácil das crianças lembrarem e falarem. Concordo e já sou fã da Fafá junto com os milhares de inscritos no seu canal que traz histórias contadas de novos livros toda semana para nos encantar. 

Conversamos com esta divertida contadora de histórias que nos conquistou com seu carisma e sua poderosa “Antena Captadora de histórias”.

3L - Como começou esta história de contar história?

Fafá - Eu sempre fui meio "multifunção". Sou formada em design gráfico e trabalho como atriz profissionalmente desde adolescente. Na época da faculdade fazia uns bicos, fiz mantas, cachecóis e diversos adereços em tear manual e pintei quadros. Depois lancei um marca chamada "Uma Design" em que criava bonecos e monstrinhos de tecido que eu mesma costurava (foi daí que surgiu o Lelê, o boneco que utilizo pra contar a maioria das histórias). Começava esses trabalhos gostando muito, fazia sucesso, pessoal ficava me enchendo de pedidos... aí eu cansava, perdia a graça! hehe

Fui morar em São Paulo, trabalhei como apresentadora na Tv Cultura e apresentei também uma temporada de um programa pra Tv Brasil.

Quando voltei pra Curitiba tive um período sem trabalho, quase um ano sem aparecer absolutamente nada... estava no maior desânimo, pensando que teria que transformar o plano B (trabalhar como designer) em plano A, quando uma amiga me ligou pedindo pra ir contar histórias no aniversário da filha dela. Até então eu só sabia contar uma história, que minha mãe inventou pra me contar quando eu era pequena e que eu ilustrei pra transformamos em livro em 2014: "Os Entalados". Vi ali uma oportunidade de um novo trabalho, que só dependia de mim pra acontecer. Foi assim que a Fafá nasceu e agradeço sempre essa minha amiga por ter jogado uma luz no meu caminho!

 

3L - A contação presencial veio primeiro que o canal no youtube? Tem uma mais fácil ou mais prazerosa?

 

Fafá - A primeira contação foi ao vivo, mas o canal veio logo depois. Hmmm... não acho que exista uma mais fácil ou prazerosa que a outra. São duas maneiras muito distintas de se contar histórias. Ao vivo é uma dinâmica bem diferente da gravada pro canal. Faço contações interativas, em pé, com muito mais expressão corporal, tempos e pausas. Coisas que a troca com o público permite. O prazer está em trocar um olhar, compartilhar um sentimento com quem está presente, ouvir o que as pessoas têm a dizer, suas contribuições à história que está sendo contada. O artista gosta de estar perto do público, né?!

O canal exige muito mais tempo de mim, é um trabalho diário pra poder colocar um vídeo por semana, já que faço tudo sozinha. Pensando dessa forma, é mais difícil, hehe. Mas ele me permite chegar em lugares e pessoas que eu nunca chegaria ao vivo. O ritmo e a forma de contar histórias em vídeo, pensando especificamente em YouTube, é mais dinâmica, quase frenética, pra acompanhar a linguagem da plataforma e conseguir manter o público atento, sem querer pular pro próximo vídeo que está ali sendo sugerido pra ele. É... pensando bem, no canal é bem mais difícil e trabalhoso haha. Mas gosto muito das duas formas!  

 

3L - Nos seus vídeos você não usa o livro como apoio para contar a história, por que?

Fafá - Por que não é necessário o livro para contar uma história. Ao vivo também não utilizo o objeto, é minha forma de contar histórias. Conto e quem ouve imagina, visualiza da sua forma o que está sendo contado. Se eu tenho o livro comigo, às vezes, mostro uma imagem ou outra, depois que acabei de contar. Mas em geral, deixo o gostinho pra que as pessoas procurem o livro depois para lerem e redescobrirem a história.

 

3L - Você é atriz. Isso ajuda na hora de contar a história? Como?

Fafá - Certamente me ajuda, afinal nunca fiz cursos específicos pra contar histórias. Acredito que me ajude com as questões técnicas como uso da voz, do corpo, saber se colocar num palco. Mas é possível contar histórias sem nenhum desses conhecimentos técnicos também. Com certeza todo mundo tem alguém na família ou um conhecido que é um ótimo contador de histórias, sem o ser profissionalmente. 

 

3L - Você acha que tem idade certa para a criança ouvir história? E para os bebês, tem alguma técnica especial na hora de ler para eles?

Fafá - Acredito que qualquer idade é a certa pra ouvir histórias, desde quando se é um bebê na barriga da mãe até quando se já é bem velhinho, quando as pessoas acham que não está entendendo mais nada. Tem um ser ali dentro daquele corpo que está captando a frequência, a energia das palavras que estão sendo ditas. E todo mundo gosta de ouvir um causo bem contado. 

Sobre ler pra bebês, histórias curtas, com repetições e um ritmo (com rimas, por exemplo), são sempre uma boa pedida! Mas que isso não seja uma limitação.

 

3L - A internet nos dá uma superexposição, você já teve algum tipo de problema? 

Fafá - Não que eu me lembre.

 

3L - Você deve receber muito livro, como você escolhe os que vai contar? E como não ser indelicada com alguém que manda um livro inadequado e insiste que você conte a história no canal? 

Fafá - Sim, recebo muitos livros e isso tem me dado uma certa angústia. Não dou conta de ler tudo o que chega, muito menos de falar sobre todos eles. Tento ser gentil e atenciosa com todos que entram em contato, mas tudo isso demanda um tempo, então fiz um FAQ no meu blog explicando como funciona o envio/recebimento de livros, como faço a seleção e tudo mais, é uma forma de já deixar bem claro como trabalho e evitar que insistam. 

Eu escolho histórias que me tocam, que eu me identifico, que eu gosto e quero compartilhar. Não necessariamente histórias que tenham uma lição de moral, que procurem ensinar algo. Também procuro contar histórias de livros que tenham boa qualidade literária, coisas que estou aprendendo com esse trabalho.

 

3L - Qual a importância da internet no movimento de promoção da leitura?

Fafá - A internet é mais uma ferramenta para isso. Como ela não tem tempo e espaço, ela pode chegar em qualquer canto, a qualquer minuto onde tiver uma pessoa interessada em conhecer mais a respeito. Agora vou falar especificamente do YouTube, local onde está o maior foco do meu trabalho. Considerando o tempo que as pessoas têm utilizado assistido a vídeos na plataforma, promover leitura e livros por lá é uma forma de mostrar pra quem não tem ainda o hábito de ler "olha, livro é muito lega!" e trazer o interesse pra um público que talvez não tivesse sido estimulado para isso ainda. 

3L - Com toda esta experiência em contar história para as crianças você pensa em escrever para elas um dia?

Fafá - Gosto muito de contar as histórias dos outros, tem tantos autores incríveis, sensíveis e criativos. Mas, logo que pensei em criar o canal eu transformei uma ilustração minha em história, chama-se "Dadó é ranzinza e tem sua própria nuvem cinza". Cheguei a fazer um curso de ilustração pra livro infantil onde trabalhei em cima dessa história, fiz várias aquarelas pro livro e tudo mais, mas no meio do caminho o trabalho foi demandando mais tempo e o Dadó está, temporariamente, em pausa. Espero retomar esse projeto em algum momento. 

 

3L - Para quem você daria uma 'antena captadora de histórias' ? E por que?

Fafá - Uia, que pergunta difícil. Vou usar minha carta coringa pra pular, sou libriana, não consegui me decidir haha.

 

3 L - Um bate pronto bem rapidinho para encerrar o nosso papo e deixar os leitores com gostinho de quero mais:

 

Um livro de cabeceira

qualquer um do Nelson Mota 

 

Um livro (não precisa ser infantil) que de alguma forma te marcou

Os Entalados, claro.

 

Um momento inesquecível na hora da contação

Lembrei de 3: a primeira vez que minha sobrinha apareceu numa apresentação minha, foi surpresa e fiquei com vontade de chorar na hora. Quando uma criança chega correndo e abraçando minhas pernas no final de uma história (e às vezes ainda fala que me ama) 

 

Alguma mania ou superstição na hora de gravar?

Acho que não tenho.

 

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