‘A arte me libertou de situações que só Deus sabe’, conta Rei Freitas, dono dos personagens Rosa, Beterraba e Muringuete


Foto: Reprodução/ Bahia FM

Rei Freitas, de 41 anos, se tornou conhecido na capital baiana por fazer sua arte nas ruas. Atualmente, após mais de quatro anos com seu trabalho pelos coletivos de Salvador e no Ferry Boat, o artista fala com orgulho que pode viver de seu trabalho com a arte.

Convidado deste domingo (7) do quadro ‘Que Resenha’, do programa Atitude da Bahia FM, o intérprete dos personagens Rosa, Beterraba e Muringuete relembrou sua trajetória bem sucedida que teve início nas ruas e foi abraçada pelas redes sociais.

“Eu trabalho com arte de rua e até aproximadamente 4 anos. Comecei fazendo intervenções nas ruas com meu amigo, Diego Crioulo, e depois disso a gente decidiu criar um canal no YouTube e investir nas redes sociais. No primeiro momento éramos os dois, até que um dia a gente decidiu criar cada um seu próprio projeto para tentar alcançar novos públicos e assim surgiu minha personagem Rosa Bombom, ele também criou o dele, e através desses personagens a gente tem conseguido se manter financeiramente”, contou.

O primeiro grande sucesso de Rei aconteceu com uma trollagem nas redes sociais: “Nosso primeiro vídeo estourado foi com os Atrasados do Enem, acho que foi 2017/2018 lá no Colégio Central. Trollamos uma repórter de uma emissora e deu certo, decidimos continuar nessa linha, criamos outros personagens”.

Artista de rua há um tempo, Rei conta que precisou adaptar seu trabalho para o que faz hoje. O ator, que também faz o trabalho de influenciador, iniciou na arte com um trabalho poético e precisou quebrar uma barreira até entrar no humor.

“Eu vim de uma linha poética, de um teatro dramático. Quando surgiu esse convite para fazer humor, eu tive que desconstruir totalmente. Não vou mentir, logo quando eu comecei eu tive um pouco de medo. Faço uma personagem mulher, então as pessoas olhavam torto, foi muito complicado para mim, ir para as ruas brincar com os outros e ter sorte deles aceitarem a brincadeira também. Hoje eu já me jogo de corpo aberto”.

Ao iBahia, Ivana Nascimento, que também participa de alguns vídeos ao lado de Rei, contou que além do desafio de mudar de estilo, viu o parceiro de cena sofrer represálias por sua arte nos coletivos.

“A gente sofre um pouco de represália. Nas ruas, nos coletivos. Já tive motorista fechando a porta para mim, o pessoal do ferry querendo tirar a gente lá de dentro porque acharam que a gente ia lá pegar dinheiro. Já quiseram proibir nossa entrada”.

Foto: Reprodução/ Bahia FM

Rei lembra também das vezes que foi rotulado como pedinte: “Muitas vezes me ofereceram comida, lanche e eu não estou procurando isso. Só quero mostrar minha arte, fazer as pessoas felizes com meu trabalho. Muitas vezes ir para a rua e fazer minha arte era meu refúgio”, relembra.

Ao site, o artista conta que percebeu que seu trabalho estava tomando grandes proporções após ser reconhecido nas ruas e hoje se orgulha em dizer que consegue viver do seu trabalho.

“Comecei a receber mensagens no Instagram, muita gente falando que estava passando por momentos difíceis e que meu trabalho de alguma forma levava algo bom para a vida deles. Isso aí é maravilhoso. É gratificante demais, a fé e a arte já me libertou de situações que só Deus sabe. A arte é maravilhosa demais, hoje eu posso bater no peito e dizer que vivo da minha arte”.

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