Conheça a história do repórter Tiago Reis, destaque do jornalismo esportivo na Bahia


Foto: Reprodução/ Bahia FM

O jornalismo era carta fora do baralho do baiano Tiago Reis, 33 anos, destaque do jornalismo na cobertura esportiva no estado. O jogo mudou quase aos 45 do segundo tempo para o repórter do ‘Globo Esporte’, que saiu de um “nunca imaginei fazer isso” para “quero aprender tudo que posso para ser um nome na área”.

Convidado do programa ‘Atitude’ da Bahia FM deste domingo (14), no quadro ‘Veio da Periferia’, o soteropolitano, nascido e criado no bairro da Ribeira, contou um pouco de sua trajetória até se tornar uma das referências da área.

“Nunca foi uma coisa que esteve na minha cabeça, eu sempre quis ser engenheiro da computação trabalhar com alguma coisa na área de Meio Ambiente, sempre foi o que mais me interessou, só que a gente que vem de comunidade, né? A oportunidade que chega a gente normalmente quer abraçar”, conta o jornalista ao iBahia.

A primeira oportunidade de trabalho de Tiago, aos 16 anos, acabou colocando o jornalista perto de sua atual realidade. O repórter do ‘Globo Esporte’, que também é formado em engenharia ambiental, estava ligado à emissora através de uma agência de turismo da qual prestava serviço.

“Fiz um curso técnico de turismo para trabalhar na área e quando conclui, comecei a trabalhar numa agência de viagens e entrei na Rede Bahia como um terceirizado. Fiquei 8 meses como responsável pelo posto e depois fui convidado para trabalhar no administrativo do jornalismo”.

Tiago conta que sempre ouviu de colegas que ele tinha jeito para trabalhar com o jornalismo, mas o momento que o fez vibrar como um torcedor que espera ansioso no estádio para que aquela cobrança de falta se converta em um gol, foi quando precisou acompanhar um repórter em uma cobertura externa.

“Ele me pediu para ficar atento a movimentação, porque quando acabasse a cobertura eu teria que escrever um texto de acordo com as coisas que eu vi. O retorno que eu recebi me fez amadurecer a ideia na cabeça, porque ouvi que meu texto era bom, tinha comunicação fácil”, relembra.

O jornalista se formou em 2013, e a esperança era conseguir cobrir a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, mas sua oportunidade só veio dois anos depois.

“Fiz muita edição, fiz muita reportagem. E fiquei esperando a minha oportunidade de virar repórter, que era o meu sonho desde o momento em que decidi entrar na área, mas eu sabia que era uma coisa difícil, porque assim eu não tinha nenhuma referência aqui principalmente na Bahia de de repórteres negros”.

Ao iBahia, o jornalista falou sobre a mudança de posição no cenário onde não enxergava referências de repórteres negros, para ser o repórter que está com o rosto na TV sendo inspirações para outras crianças que sonham em ocupar esse espaço.

“Uma vez um colega meu me falou assim ‘Tiago, você entrou e tá segurando a porta para que outras pessoas possam entrar também’. E aquilo me acendeu um start. Fico muito feliz, mas também sei que é uma grande responsabilidade. Esse cenário vem mudando com o tempo, e as pessoas estão começando a ter oportunidades, mas a gente sempre precisa trabalhar um pouco mais para ter esse espaço, mesmo aqui no nosso estado, no nosso na nossa cidade que é uma é predominante negra”.

No bate-papo, Tiago ainda contou sobre como faz questão de colocar um holofote sobre a periferia e qual a sua parte favorita do jornalismo, além de contar histórias:

“Eu sou apaixonado por futebol, mas não é só o glamouroso. Eu gosto do futebol de Várzea. Eu gosto do futebol que acontece nos campos de Salvador, então, lá onde eu moro na Ribeira, faço questão de prestigiar os colegas do bairro e os times que vem de outras comunidades jogar, mas o que eu mais gosto no jornalismo esportivo é a parte de superação e projetos sociais. São as pessoas que aproveitam o tempo livre para fazer o bem e transformar a vida de outras. Esse é o caminho que eu gosto de seguir, dar luz e voz para histórias que transformam”.

Leia mais sobre Atitude em iBahia.com e siga o portal no Google Notícias