Bahia

Barra Grande e Boipeba, joias raras da Costa do Dendê

Turismo cresce na região, mas ainda há lugares para se manter mais isolado

Léa Cristina, da Agência O Globo

Você já foi à Bahia, nega? Pois então, volte. Ou vá. Enquanto navegava pela Costa do Dendê, e depois de alguns anos sem visitar o litoral do estado, a canção de Dorival Caymmi não me saía da cabeça. E ia e vinha, a cada mergulho nas águas mornas e claras do vilarejo de Barra Grande, a primeira etapa da viagem.

Provavelmente a sensação não seria muito diferente se a o roteiro tivesse contemplado qualquer das costas baianas — no sentido Norte/Sul, são elas do Coco, Dendê, Cacau, do Descobrimento e da Baleia.

Mas o tema aqui é a que vai do município de Valença ao de Maraú, onde fica Barra Grande. A vila vem caindo no gosto popular, mas tem praias em que, se quiser, você se sente isolado do mundo. A viagem incluiu ainda a belíssima Ilha de Boipeba — lugar de praias quase selvagens, onde você pode até se perder na mata, se, em caso de maré alta, não puder voltar à vila pela areia.

Piscinas naturais, ruas de areia e caminhadas

Foto: Reprodução
Barra Grande lotou na virada do ano. Turistas que estiveram por lá no verão de 2017 e voltaram agora se surpreenderam — mas sem se intimidar com a movimentação. E quem esteve na vila pela primeira vez, ficou surpreso, sim, mas especificamente com aquela natureza de beleza rara. As lanchas rápidas, um dos meios de se chegar lá, surgiam lotadas.

Mas a dificuldade de acesso é garantia de privacidade a várias praias do lugar. E — você pode gostar ou não — as ruas de terra e areia da vila, onde sapato fechado não tem vez, acabam funcionando como um fator natural de seleção de visitantes.

Barra Grande fica na ponta da Península de Maraú, onde há inúmeras atrações. Duas delas: a Ponta do Mutá, que já recebeu o título do mais lindo pôr de sol da Bahia, e a foz do Carapitangui, principalmente na maré alta, quando o mar sobe o rio.

Ao sul de Barra Grande, está Taipu de Fora, uma das praias mais procuradas da península, principalmente por suas piscinas naturais pertinho da areia. Na véspera, cheque a Tábua de Marés (via internet ou nos hotéis). Na maré baixa, durante a Lua cheia ou a nova, os peixinhos estarão lá. Algumas espécies podem ser vistas a olho nu. Mas leve óculos de mergulho.

Todas as praias de Boipeba

Foto: Reprodução
Em frente a Barra Grande, já no município de Cairu, fica Boipeba. Mais reservada, a ilha se mantém como belíssimo e raro refúgio — o acesso é feito só por mar ou ar, e ali circulam apenas tratores e quadriciclos.

Caminhar de uma de suas fantásticas praias a outra é programa para todo dia, por todo o dia. Se chover? Bom, no litoral da Bahia, se o sol sumir, logo vai voltar (de abril a junho costuma chover mais).

Nas caminhadas, vai encontrar alguns (poucos) bares e restaurantes. E mergulhar num mar de temperatura normalmente perfeita. Têm ainda as piscinas naturais da Praia de Moreré (barqueiros fazem ponto ali). E que outras praias recomendamos? Todas. Tassimirim, Cueira, Bainema, Ponta dos Castelhanos, Cova da Onça...

SERVIÇO

COMO CHEGAR

BARRA GRANDE

A Azul tem voos ida e volta do Rio para Ilhéus (que fica a 127 quilômetros de Barra Grande), com conexão por Belo Horizonte, que saem a partir de R$ 1.468. Pela Gol, a conexão é feita em Congonhas, e a tarifa sai a R$ 1.374. De Ilhéus, pegar um transfer (R$ 220) ou ônibus (R$ 24) para a cidade de Camamu e, dali, seguir de lancha rápida coletiva (meia hora a R$ 25 ou R$ 30) para Barra Grande. Também há serviço de barco particular. Outra opção para chegar a Barra Grande é alugar um carro em Ilhéus, mas um terço da estrada é de terra e, normalmente, está malconservado. Há opções de táxi aéreo de Salvado, a cerca de R$ 700 por pessoa.

BOIPEBA

Pela Azul, o voo Rio/Salvador, ida e volta, com apenas uma conexão (no caso, Campinas), sai a partir de R$ 1.328. Pela Gol, R$ 716, via Brasília. Há táxi aéreo+lancha, desde Salvador, que custam cerca de R$ 600 por pessoa. Se for por Ilhéus, prefira transfer para a localidade de Torrinhas (R$ 350). Dali, navega-se pelo rio e em meia hora chega-se à ilha (R$ 20). Por Valença, há mais horários de lancha, mas a viagem leva uma hora e quinze minutos e parte dela é feita em mar aberto (R$ 44). Também é possível fretar lancha: de Valença, sai a R$ 600; de Torrinhas, por volta de R$ 150.

ONDE COMER

BARRA GRANDE

Donanna. Experimente o camarão ao molho de manga com gengibre. A casquinha de siri é outra boa pedida. Fica na vila. Informações: donannares taurante@gmail.com

Sunset Bar e Bistrô. Destaque para moqueca de camarão, com pirão e farofa de banana. Na Praia da Barra Grande.

Pizzaria Zugga. Pizzas de massa fina imperdíveis. Entre as melhores estão a Porreta (cobertura inclui carne de sol e banana da terra) e a Japinha (salmão e couve crispy). Região da Bombaça. facebook.com/zuggapizzariadelivery

Obar. Frutos do mar, grelhado. Para drinques e almoço. Fica na Ponta do Mutá.

BOIPEBA

El Bistrô. Multi-cozinhas, entre elas italiana e de pescados. Localizado na Praça Santo Antônio, centro da vila. facebook.com/elbistrodeboipeba

ONDE FICAR

BARRA GRANDE

Pousada Fruta-Pão. Diárias para casal a partir de R$ 218. Super aconchegante, com café da manhã completíssimo. pousadafrutapao.com.br

Porto da Barra. Diárias para casal a partir de R$ 223. pousadaportodabarra.wixsite.com/pousada

Denada. Diárias a partir de R$ 370, via booking. denadaposada.com

BOIPEBA

Pousada da Cris e Paulo. Vale cada um dos 15 minutos de distância da vila — até porque, a maior parte da caminhada é feita à beira-mar. Não abre fora de temporada. São apenas duas suítes. Café da manhã tipo degustação, servido em etapas, com iguarias da terra. Diária de casal: R$ 320. O site é o casadacrisepaulo@hotmail.com