Bahia

Caminhoneiros ocupam Via Expressa nesta terça-feira (10)

Manifestação nacional será realizada a partir das 14h na via que liga a BR-324 ao porto de Salvador

Os caminhoneiros que realizam um protesto nacional em 11 estados vão ocupar trechos da Via Expressa, que liga a BR-324 ao porto de Salvador. De acordo com Denilson Ferreira, do Comando Nacional do Transporte, os motoristas estão concentrados e vão sair das proximidades do Supermercado Makro a partir das 14h. A passeata não tem hora para acabar e será acompanhada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).


"Na Bahia o movimento vai se concentrar aqui em Salvador hoje, mas já tem pontos de paralisação espalhados em outros estados, como Sergipe", explicou Denilson Ferreira em conversa com o CORREIO. Mesmo com a ameaça de multas para os veículos parados nas rodovias pelo menos quatro novos trechos rodoviários estavam bloqueados desde a madrugada em Santa Catarina. No Rio Grande do Sul, os bloqueios foram retomados na região da Grande Porto Alegre e no sul do estado.
Durante a madrugada, houve conflitos entre manifestantes e caminhoneiros que desejavam seguir viagem. Um caminhão chegou a ser tombado por manifestantes. Os motoristas faziam bloqueios também em Goiás e no Paraná. A passagem de automóveis, ônibus e veículos de emergência estava liberada.    


BR-060, que liga Brasília a Goiânia



Caminhoneiros realizam manifestações em vários estados brasileiros (Foto: Agência Brasil)


O protesto nacional teve início nesta segunda-feira (9). Na Bahia os manifestantes ocuparam os dois sentidos da BR-407, próximo a entrada do município de Capim Grosso, e o trecho da Ponte Presidente Dultra, que liga os municípios de Juazeiro e Petrolina, em Pernambuco. Após uma negociação com a PRF, os manifestantes liberaram a ponte e se dirigiram para o Km 2, da BR-407, na região do Trevo da São Luís.


Em Feira de Santana, os manifestantes realizaram um bloqueio parcial da BR-116 Norte, na estrada que leva a Pernambuco. Os caminhoneiros se concentraram no acostamento e impediram a passagem de caminhões de carga.  Já na BR-324 a manifestação atingiu o KM 617 no sentido Feira de Santana-Salvador e chegou a causar 7kM de engarrafamento. 


Reivindicações
Os transportadores pedem redução no preço do óleo diesel, uma tabela de preços mínimos para o frete e a saída da presidente da República, Dilma Rousseff, do poder. Os atos de protesto acontecem na Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins.  




Manifestantes queimaram pneus na entrada do município de Capim Grosso (Foto: Augusto Urgente)



A greve ganhou o apoio de grupos como Movimento Brasil Livre e Vem pra Rua. Os líderes do movimento garantem já ter grande apoio também de caminhoneiros de São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. A expectativa é atingir pelo menos 70% do País inicialmente. 

Contra
Várias entidades que representam o setor se manifestaram contra esse movimento e veem interesses políticos por trás dessa paralisação. Para o Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos de Bens no Estado do Pará (Sindicam-PA), a greve é organizada “por pessoas que não fazem parte da categoria e estão aproveitando o momento de dificuldade que o País passa”.

Já a Federação dos Caminhoneiros Autônomos de Cargas em Geral do Estado de São Paulo (Fetrabens) diz que “os problemas que afetam a categoria são muitos e que, para resolvê-los, é preciso coesão e sabedoria”.

Entidades de Goiás e Tocantins também assinaram, juntos, um documento contra a greve. Principal alvo dos sindicatos, Ivar Schmidt tem 44 anos, mora em Mossoró (RN) e nega qualquer vínculo partidário. Caminhoneiro, ele começou a se destacar há um ano e, em 2015, criou o “Comando Nacional do Transporte”.

Correio24horas