Bahia

Farmácia Sant’Ana fecha mais 54 lojas na Bahia; apenas 4 ficarão abertas

Empresa já foi a maior drogaria da Bahia

Bruno Wendel e Fernanda Lima, do Correio 24h
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O processo de derrocada da Farmácia Sant’Ana, que já foi a maior rede de drogarias do estado da Bahia, ganha mais um capítulo nesta sexta-feira (6).  A empresa avisou aos funcionários na noite de quinta-feira (5) que 54 das 60 lojas que ainda estavam em funcionamento serão fechadas. Os funcionários foram orientados, inclusive, a entregar as chaves das lojas na matriz da empresa, no bairro da Pituba. Atualmente a rede é controlada pela Brasil Pharma e tem um débito de mais de R$ 1,2 bilhões.

A convocação veio pelo grupo de WhatsApp. "Já estava em casa, quando a minha gerente falou para eu comparecer na matriz. Gelei! Já  imaginava o que me esperava, mas vim na espectativa de não ser o que imaginava", disse Ana Cristina Silva, 30 anos, que acabara de ser demitida de uma das lojas da Farmácia Santana. Cabisbaixa, ela foi um de muitos ex-funcionários que estiveram na manhã de hoje, na loja matriz da rede, na Avenida Manoel Dias da Silva. Ana Cristina  trabalhava como caixa e lamentava, junto com outros colegas, o fechamento das lojas que ainda restavam em Salvador.

"Estou arrasada. Não tenho outra fonte de renda e crio sozinha minha filha", lamentou ela, que trabalhava numa loja de Pau da Lima. Somente quatro lojas permanecerão abertas: Brotas, Rodoviária, Imbuí e Manoel Dias. "Elas funcionarão até a duração dos estoques", disse Patrícia Almeida, 35, ex-gerente, que fez carreira na empresa. "Uma vida  toda aqui. Comecei como caixa", declarou.

Foto: Marina Silva/Arquivo CORREIO
Carlos Henrique, advogado do Sindicato dos Trabalhadores em Farmácia e Similares (Sintfarma), afirma que, oficialmente, não há decretação de falência da Brasil Pharma. "A informação que nós temos é que a Brasil Pharma deixará apenas quatros lojas abertas em Salvador . Soube disso por volta das 21h da noite de ontem dos próprios  funcionários. Os funcionários tiveram que comparecer na matriz para entregar as chaves das lojas, mas eu não sei lhe dizer se  isso foi para puder dar baixar na carteira. Nós estamos aguardando da empresa um posicionamento. Não houve posicionamento  formal ao sindicato. Tínhamos 60 lojas abertas. Algo em torno de 600, 700 pessoas serão demitidas se isso se concretizar".

No final de janeiro a Brasil Pharma anunciou o fechamento de 46 das 114 lojas além da demissão de 584 funcionários. A crise começou em 2015, ano em que os funcionários foram avisados sobre um problema de fornecimento de produtos. Dois anos depois, em abril 2017, um sinal de sobrevida: a Brasil Pharma, controladora da rede desde 2012, iniciou uma operação emergencial de abastecimento, com a campanha chamada “Tá na Santana”, uma alusão às reclamações.

No dia 10 de janeiro deste ano, a holding ajuizou na Justiça de São Paulo um processo de pedido de recuperação judicial. Na prática, significava que o grupo, endividado em R$ 1,2 bilhão com o banco BTG Pactual, não conseguiu resolver os problemas financeiros.

Comprada pela empresa em fevereiro de 2012, a farmácia não teve como sair ilesa de medidas geralmente adotadas durante a fase de recuperação judicial, como demissões.

O CORREIO tenta, desde o início da manhã falar com a Brazil Pharma, mas ninguém foi localizado para se posicionar sobre os fechamentos.