Bahia

Furto de carne em mercado: suspeito de participar da morte de tio e sobrinho é preso

Caso aconteceu em abril deste ano; mandando de prisão foi cumprido nesta segunda-feira

Redação iBahia (redacao@portalibahia.com.br )
- Atualizada em

Nesta segunda-feira (6), mais um suspeito de participar da morte de Bruno e Yan Barros, assassinados após furtarem carne no supermercado Atakadão Atakarejo em abril deste ano, foi preso. Segundo a Polícia Civil, o homem foi encontrado em um imóvel na Rua Itajua, no bairro Nordeste de Amaralina, em Salvador. 

O mandado de prisão foi expedido pela  1ª Vara de Tóxicos de Salvador, e cumprido por equipes do Grupo de Capturas (GCAP), do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O homem, que não teve a identidade divulgada, foi conduzido para a 1ª Delegacia de Homicídios (DH/Atlântico) e o celular apreendido com ele encaminhado à perícia. Ele foi submetido a exame de lesões corporais e está à disposição da Justiça.

O caso 

Na noite de 26 de abril, dois homens foram encontrados mortos na localidade da Polêmica, em Salvador. Segundo a Polícia Civil, eles foram torturados e atingidos por disparos de arma de fogo. Na época, foi informado pela polícia que a motivação do crime estava relacionada ao tráfico de drogas. 

Um dia depois eles foram identificados como Bruno Barros e Yan Barros. No dia 29 de abril, a mãe de Yan, Elaine Costa Silva, revelou que ele tinha sido morto após ser flagrado pelos seguranças do supermercado Atakarejo furtando carne no estabelecimento. 

De acordo com ela, o tio de Yan, Bruno, que também foi morto, chegou a enviar áudios a uma amiga informado o que tinha acontecido e pedindo ajuda para não ser entregue aos traficantes do Nordeste de Amaralina. No áudio, Bruno chegou a pedir para que a amiga chamasse a Polícia Militar, o que a jovem diz ter feito. 

Imagens gravas no supermercados flagram um dos seguranças do local agredindo Yan. 

Os envolvidos 

Em 12 de julho, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) denunciou e pediu a prisão de 13 pessoas envolvidas no caso que resultou nas mortes do tio e do sobrinho. Três dias depois, a Justiça determinou a prisão preventiva de 11 dos 13 suspeitos: 

  • Agnaldo Santos de Assis (gerente-geral do Atakarejo do Nordeste de Amaralina) e Cláudio Reis Novais e Cristiano Rebouças Simões (prepostos da mesma loja). Eles foram denunciados pelos crimes de homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e sem possibilitar a defesa das vítimas, constrangimento ilegal e extorsão;
  • Victor Juan Caetano Almeida, David de Oliveira Santos e Francisco Santos Menezes. Apontados como responsáveis por entregar as vítimas aos executores, eles foram denunciados por crimes de homicídio qualificado e cárcere privado;
  • Lucas dos Santos, João Paulo Souza Santos, Alex de Oliveira Santos, Janderson Luís Silva de Oliveira e Rafael Assis Amaro Nascimento, identificados como autores da execução, eles foram denunciados por homicídio qualificado.

No dia 19 de julho, Victor Juan Caetano Almeida se apresentou à polícia e teve o mandado de prisão cumprido. De acordo com as investigações, ele teria sido o responsável por entregar as vítimas aos executores do crime. A polícia não detalhou sobre a apresentação dos outros suspeitos que tiveram mandados de prisão expedidos. A defesa de Cláudio Reis Novais informou a equipe de reportagem da TV Bahia, que ele se apresentou à polícia em 16 de julho. 

Em agosto, a Defensoria Pública da Bahia (DPE) protocolou na Justiça uma ação civil pública contra a rede de supermercados Atakarejo. No documento foi pedido a reparação de R$200 milhões por dano moral, social e coletivo por causa dos assassinatos de tio e sobrinho. 

Quem vai responder em liberdade 

Dois suspeitos, que também foram denunciados pelo MP-BA por ocultação de cadáver vão responder em liberdade: Ellyjorge Santos de Lima e Michel da Silva Lins.

A juíza Gelzi Almeida Souza determinou em documento que eles respondam em liberdade, com a aplicação de medidas cautelares. As medidas são: comparecimento em juízo mensalmente; proibição de qualquer contato com familiares das vítimas e testemunhas do processo e a proibição de sair de Salvador sem autorização judicial.