Bahia

Instituições divergem sobre o número de casos de superfungo na Bahia

Sesab aponta 11 casos; Hospital da Bahia diz que registrou cinco pacientes contaminados

Redação iBahia (redacao@portalibahia.com.br)
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Instituições divergem sobre o número de pessoas infectadas pelo 'superfungo' Candida Auris na Bahia. De acordo com a reportagem publicada pelo jornal CORREIO, o Hospital da Bahia fala em cinco casos confirmados na instituição de saúde, já o número confirmado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e divulgado pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) é de onze casos do 'superfungo' no Hospital da Bahia.

O fungo é resistente a medicamentos, é responsável por infecções hospitalares severas e é temido em todo o mundo. Estima-se que infecções fúngicas invasivas de C. auris tenham levado à morte de entre 30% e 60% dos pacientes.

Em entrevista ao CORREIO, o infectologista  Igor Brandão, coordenador da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital da Bahia (CCIH), afirmou que quatro pacientes foram contaminados pelo Candida Auris em dezembro e, na segunda-feira (15), outra pessoa foi diagnosticada. Das cinco pessoas contaminadas, quatro estavam em estado grave em decorrência da covid-19. Eles foram intubados, usaram diálise, cateteres e medicações.

“São pacientes altamente complexos, o que na nossa linguagem da medicina dizemos que são fatores de risco para fungemia. Ou seja, esses pacientes tem alto risco de ter algum fungo”, explicou o médico.

Deste pacientes, três deles morreram, mas não por causa do 'superfungo', afirmou o médico.

“A infecção pode ser corresponsável, mas a doença mais grave e sem tratamento não foi a Candida auris e sim a covid-19”, revelou o infectologista.  

Dos outros dois casos, um corresponde ao primeiro paciente diagnosticado, um idoso com comorbidades que foi internado em estado grave por causa da covid-19. “Hoje, ele está lúcido, orientado, curado e tratado em casa. Ele foi salvo do coronavírus e também da C. auris”, contou o médico do Hospital da Bahia.

Ainda de acordo com o médico, o quinto paciente ainda está internado em estado grave, intubado e fazendo diálise. Ainda segundo ele, quatro pacientes são homens e um é mulher, todos com média de idade de 60 anos.

O Hospital da Bahia disse ainda que não desconhece os outros seis casos divulgados pela Sesab e pela Anvisa, mas afirma que, durante a investigação, seis episódios de colonização em pacientes que não tiveram infecção ou de ambiente hospitalar foram encontrados.

“A gente teve cinco caso de pessoas com líquidos corporais com Candida e o resto foram culturas do ambiente, não do paciente”, explicou o infectologista ao CORREIO. Isso significa que, no leito de desses pacientes poderia ter o microorganismo mas, a pessoa não foi infectada.

 “O leito tem várias coisas para mantê-lo vivo como a bomba de infusão, ventilador, suporte de soro, grade de cama e mesa para medicação. A gente fez cultura disso tudo, até das paredes e dispensadores de álcool. E esses meios podem ter fungos e bactérias, mas não quer diz que o paciente teve fungo e bactéria”, pontou Igor Brandão.

Em nota enviada ao CORREIO na quarta-feira (27), a Sesab informou que os 11 casos foram registrados e que não há retificação até o momento. A secretaria disse ainda que o número foi notificado nacionalmente pela Anvisa. Porém, a agência acrescentou que esse dado inclui casos clínicos e de vigilância.

Em entrevista ao CORREIO, o infectologista da Diretoria de Vigilância Epidemiológica do Estado, Antonio Bandeira, explicou que cinco dos 11 casos contabilizados pela Sesab foram atestados em culturas clínicas e seis em cultura de vigilância.

“A de vigilância é uma cultura em que a pessoa não está doente e você encontra o fungo na superfície dela. Você faz uma cultura da pele, da região axilar, da região inguinal etc. E encontra que o fungo está presente na superfície. E a cultura clínica é quando está em algum local que cause doença: sangue, urina, dentro da parte respiratória”, revelou Bandeira ao CORREIO.

A Anvisa foi procurada pelo CORREIO para prestar mais informações sobre ostipos de casos. O órgão respondeu indicando o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) do estado como fonte de ifnormações mais específicas sobre o ocorrido. Por causa do horário, o CORREIO não teve tempo de entrar em contato com o CIEVS antes do fechamento da reportagem.

Confira abaixo a nota na íntegra do Hospital da Bahia:

Hospital da Bahia esclarece
A Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital da Bahia (CCIH), coordenada pelo infectologista, Dr. Igor Brandão, identificou 4 casos em dezembro de 2020 e 1 em janeiro de 2021 de Cândida auris em pacientes graves de longa permanência, internados em unidades de terapia intensiva e, desde então, vem trabalhando junto à ANVISA e às Secretarias de Saúde do Estado e do Município, no sentido do controle e alerta às demais instituições do país que, porventura, não dispõem de tecnologia para identificação e diagnóstico deste fungo

Todas as medidas e orientações provenientes dos órgãos reguladores estão sendo fielmente seguidas, com absoluta transparência, resultando no controle da situação, até pela suscetibilidade do fungo em ser facilmente erradicado pelos medicamentos antifúngicos atualmente utilizados. Portanto, não se tratando, absolutamente, de um super fungo.

O Hospital da Bahia tem recebido das comunidades científicas nacional e internacional, manifestações de júbilo por ter sido uma das instituições  hospitalares do país com tecnologia e treinamento de equipe assistencial para o diagnóstico complexo de uma série de patologias infecciosas incomuns, como o caso do fungo Cândida auris sempre sob o controle da ANVISA e das Secretarias de Saúde.

Dr. Igor Brandão - CRM 26512
Coordenador da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital da Bahia (CCIH)

Dr. Marcelo Zollinger - CRM-BA 6271
Superintendente Executivo do Hospital da Bahia