Bahia

Mar Grande: Marinha busca dois desaparecidos na Baía de Todos-os-Santos

A SSP informou que, oficialmente, duas pessoas estão desaparecidas

Redação Correio
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As buscas por possíveis vítimas do acidente da lancha Cavalo Marinho I, que estariam desaparecidas, foram retomadas na manhã deste sábado (26). Oficialmente, duas pessoas estão sendo procuradas pela Marinha, que comanda as buscas na Baía de Todos-os-Santos.

De acordo com a assessoria da Secretaria de Segurança Pública (SSP), o número de desaparecidos é baseado no depoimento de familiares que procuraram a polícia para informar sobre o desaparecimento dessas pessoas. As informações foram colhidas pela Polícia Militar de Vera Cruz, informou a SSP.

Os nomes dos desaparecidos ainda não foram divulgados para preservar a identidade das possíveis vítimas do acidente. Ainda de acordo com a SSP, nos depoimentos, um dos parentes informou que levou pessoalmente um familiar até o terminal para pegar a lancha de 6h30, e a outra família disse o passageiro sempre fazia a travessia nesse horário.

Nas buscas deste sábado, 40 homens da Marinha estão atuando em uma área maior da baía. "Cobre praticamente toda a Baía de Todos-os-Santos. Temos a informação da Secretaria de Segurança Pública de que duas pessoas estão desaparecidas", informou o comandante Flávio Almeida, do 2º Distrito Naval.


Comandante Flávio Almeida confirmou que duas pessoas estão sendo procuradas no mar
(foto: Almiro Lopes/CORREIO)

Ministério Público
Após o naufrágio que deixou 18 pessoas mortas em Mar Grande, a Polícia Civil intimou para prestar depoimento, na próxima semana, os responsáveis pela empresa CL Transporte Marítimo, proprietária da lancha Cavalo Marinho I, entre eles o dono da companhia, Lívio Galvão Filho. Nesta sexta (25), 20 pessoas que estavam na lancha, entre passageiros e tripulantes, foram ouvidas na sede da Polícia Civil, na Piedade, e na 24ª Delegacia Territorial (Vera Cruz).

O Ministério Público (MP) vai começar a ouvir familiares das vítimas nessa segunda-feira. O órgão incluiu também a Capitania dos Portos no rol dos possíveis responsáveis. Anteontem, o MP já havia apontado a CL Transporte Marítimo e a Agerba (agência do governo do estado que regula os serviços de transporte na Bahia) como possíveis alvos de responsabilização criminal. Segundo a promotora de Justiça Joseane Suzart, a responsabilidade maior é da CL, mas os órgãos que cuidam da fiscalização também podem ter alguma parcela de culpa.

“A Capitania dos Portos tem a responsabilidade de verificar a estrutura física e as providências das embarcações. A Agerba tem responsabilidade pela prestação de serviço. Ainda que a embarcação esteja em boas condições, tem que ser verificada a quantidade de passageiros, horário de embarque”, disse a promotora.

Ainda segundo ela, familiares das vítimas e sobreviventes do naufrágio poderão receber indenizações, que são previstas em uma ação civil pública movida por ela em 2014, em função das irregularidades identificadas no sistema. A ação prevê indenizações aos usuários do sistema em razão dos “danos materiais e morais sofridos diante das práticas abusivas identificadas e denunciadas”.

Causas
Segundo o delegado Ricardo Amorim, titular da 24ª delegacia, ainda é cedo para determinar o que causou o acidente. “Por enquanto, os depoimentos estão bastante semelhantes, apresentando poucas divergências entre as versões”, disse. O conteúdo não foi divulgado.

O delegado afirmou que, pelas apurações iniciais, não havia superlotação. Amorim também expediu guias de lesão corporal para aqueles que se apresentaram como vítimas da tragédia e pediu que os sobreviventes compareçam à delegacia para serem ouvidos.