Bahia

Moradora de Feira confunde chikungunya com ebola e corre para posto de saúde

Uma equipe do Ministério da Saúde está em Feira de Santana, desde o início da semana, para acompanhar as ações de prevenção

Thais Borges (thais.borges@redebahia.com.br)
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Policlínica do George Américo, em Feira de Santana, concentra o maior número de atendimentos; bairro tem 14 casos confirmados da doença (Foto: Almiro Lopes)


Depois que 14 casos da febre Chikungunya foram confirmados em Feira de Santana, no Centro-Norte do estado, desde o início do mês, a Secretaria de Saúde da cidade anunciou, ontem, que não fará mais exames para comprovar a doença — uma espécie de dengue africana.


Além das ocorrências confirmadas,  outras 307 suspeitas foram notificadas ao Ministério da Saúde até a última terça-feira. Ontem, só na Policlínica do George Américo, 30 pessoas haviam feito o teste, cujo resultado pode levar até 15 dias para sair. Mas, agora, quem apresentar sintomas da Chikungunya será imediatamente tratado para a febre, segundo a coordenadora da vigilância epidemiológica do município, Francisca Oliveira.


“A gente já comprovou que Feira tem Chikungunya. Fizemos um acordo com o Ministério da Saúde e vamos continuar notificando. Mas vamos seguir para o tratamento” .


Em Feira, os casos são mais frequentes nos bairros do George Américo, Campo Limpo e Sobradinho, além do Rio do Peixe, no distrito de Jaguara. No George Américo, as  notificações são 72% do total. Para Francisca, o número é decorrente do grande número de criadores do mosquito Aedes aegypti, transmissor da febre e da dengue. “Mas não quer dizer que esses bairros tenham muitos casos de dengue. Isso varia todos os anos”, disse.


Uma equipe do Ministério da Saúde está em Feira de Santana, desde o início da semana, para acompanhar as ações de prevenção. Para falar dos casos e das ações de vigilância, representantes do ministério e da Secretaria de Saúde do Estado (Sesab) convocaram uma entrevista coletiva hoje, às 10h30, no Hotel Pestana, em Salvador.


Os números podem ser maiores, porque tem gente que está descobrindo a Chikungunya só agora. O açougueiro Ivonildo Nunes, 43 anos, morador do Campo Limpo, passou 20 dias achando que tinha dengue — a verdadeira.


Quando os sintomas — febre alta, dor muscular e nas articulações, dor de cabeça e erupções na pele — começaram, ele passou a tomar remédio por conta própria. Mas não passava. E aí, ele viu que tinha algo errado. “É uma dor insuportável. A dengue não chega nem aos pés dessa doença”, garantiu.


Na casa da autônoma Francisca de Jesus, ninguém conseguiu fugir da Chikungunya: mãe, pai, filha e ela própria. “Comecei a sentir sexta-feira. Mas só fui descobrir na segunda, porque nunca tinha ouvido falar dessa doença até ver na televisão”.


Foi a mesma coisa com o decorador Dejailton dos Santos, 29. “Estava me sentindo mal desde segunda, mas vi hoje (ontem) na televisão. Estava achando que era dengue, aí fiquei preocupado”, contou.





Eliene: sintomas da nova doença
Foto: Almiro Lopes


A auxiliar de serviços gerais Eliene Souza, 36, também não fazia ideia do que era a Chikungunya. “Achei que era cansaço da rotina. Quando vi na televisão sobre essa doença, fiquei logo assustada”.


Eliene ficou tão preocupada que até trocou as bolas: confundiu a Chikungunya com outra doença africana - o ebola. “Vi que um garoto estava doente, depois morreu o médico e morreu o enfermeiro que cuidavam dele. Ainda tem que manter 100 metros de distância dos mortos, né? Melhor nem ter velório”.


Por via das dúvidas, é bom deixar claro: a Chikungunya é bem menos letal do que a dengue e  do que o ebola. Normalmente, os sintomas duram entre três e dez dias.




Matéria original do Correio

Moradora de Feira confunde chikungunya com ebola e corre para posto de saúde