Bahia

Moradores abrem túmulo após relato de mulher enterrada viva na Bahia

Parentes de dona de casa citam arranhões e tampa de caixão aberto

Mário Bittencourt, do Correio 24 horas (mario.bittencourt@redebahia.com.br)

Enquanto milhões de pessoas curtiam a noite de sexta-feira (9) de Carnaval, a população de 23 mil habitantes da cidade de Riachão das Neves, no Oeste da Bahia, entrava em polvorosa com o caso de uma dona de casa de 37 anos que teria sido enterrada viva no cemitério local.

Naquela noite, por volta das 18h, cerca de 500 pessoas se dirigiram para o Cemitério Nossa Senhora Santana para conferir de perto a notícia que se espalhou por grupos de WhatsApp: pedidos de socorro e gemidos estavam sendo ouvidos de dentro do túmulo de Rosângela Almeida dos Santos, sepultada em 29 de janeiro.

(Foto: CORREIO / Reprodução)

O falecimento de Rosângela ocorreu um dia depois dela ser internada no Hospital do Oeste, em Barreiras, para onde foi levada às pressas após cansaço excessivo. Ela foi internada dia 23 de janeiro e chegou a ficar entubada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde teve duas paradas cardíacas antes de morrer de “choque séptico”.

Rosângela, de acordo com a família, tinha desmaios desde os 7 anos e tomava remédios controlados todos os dias, o principal deles Gardenal, que combate convulsões. Ainda segundo a família, a dona de casa, que era casada e não tinha filhos, também bebia álcool e fumou cigarro por um tempo.

O túmulo dela foi violado por populares na noite de sexta-feira de Carnaval com autorização da mãe, dona Germana Alves de Almeida, 66. O caixão sem a tampa foi posto para fora do túmulo e aberto ao público, iniciando um espetáculo sombrio que durou até o meio-dia do dia seguinte, quando o túmulo foi novamente fechado.

Arranhões

Com olhares arregalados e expressão facial temerosa, populares se aproximaram do corpo de Rosângela e tocaram nele para conferir se ainda estava quente, já que, mesmo após 11 dias do sepultamento, ele não apresentava rigidez nem odor. Uns colocaram as pernas do cadáver para fora do caixão e movimentavam joelhos e pés.

Outros, como a mãe, dona Germana, dizem ter notado arranhões nas mãos e na testa, para ela um sinal de que a filha teria lutado para sair do caixão. A família quase toda acredita nessa versão, menos a irmã Maria Helena de Matos, uma microempreendedora de 45 anos que também viu o corpo.

“Eu vi esses arranhões. Sempre achei estranha essa morte dela, não estava conformada e por várias noites vinha sonhando com ela pedindo socorro. Quero que a polícia investigue esse fato e nos dê uma posição porque a família toda está preocupada com essa situação”, disse dona Germana ao CORREIO.

“Eu não vi nada de estranho. Esse arranhão na testa, para mim, foi da decomposição do corpo mesmo. Não acredito que minha irmã tenha sido enterrada viva, mas tem uns fatos que precisam ser melhor esclarecidos para a família e também espero que a polícia nos dê logo uma resposta”, disse Maria Helena.

Tampa aberta

Mesmo tendo opiniões diferentes sobre se Rosângela tinha sido enterrada viva ou não, tanto a mãe quanto a irmã por parte de pai disseram que acharam estranho o fato de o caixão ter sido encontrado com a tampa aberta quando o túmulo foi violado. “Isso aí estava mesmo e deixou todo mundo assustado”, comentou Maria Helena.

Devido ao feriado de Carnaval, o caso passou a ser investigado somente nesta quinta-feira (15) pela Polícia Civil de Riachão das Neves, cujo delegado titular Arnaldo Monte disse que espera ter uma conclusão em duas semanas. “Começaremos a ouvir hoje familiares e outras pessoas. Se for o caso, podemos pedir exumação”, disse. Para o delegado, há muitos boatos sobre o caso.

“Esse fato dela estar arranhada, por exemplo, as pessoas com quem conversamos ainda não nos relataram isso. Vamos ouvir todo mundo até a terça-feira que vem. Já expedi os mandados de intimação necessários. A exumação só ocorrerá se houver necessidade e terá de ser com autorização judicial”, declarou Arnaldo Monte.

Violação

As pessoas que violaram o túmulo e a mãe de Rosângela devem ser indiciadas pelo crime de violação de túmulo, afirmou o delegado. “Ela [a mãe] pode não ter violado, mas autorizou e é meu dever relatar isso no inquérito. Mas provavelmente o juiz deve absolvê-la por ela ser a mãe e agir pela emoção”, relatou Monte. O crime de violação de sepultura prevê pena de 1 a 3 anos, conforme o Código Penal.

Os familiares de Rosângela reclamam que o Hospital do Oeste não deu informações sobre o estado de saúde dela durante o internamento, e que teriam impedido inclusive de fazer visitas. Em nota ao CORREIO, a unidade médica declarou apenas que “está à disposição dos familiares e autoridades para prestar todas as informações necessárias.”