Bahia

Na Bahia, dois a cada 10 estudantes acham que a vida não vale a pena, diz IBGE

Dados do Instituto Braseileiro de Geografia e Estatística mostram também que no estado a cada 10 estudantes, seis já beberam e três já sofreram bullying

Redação iBahia (redacao@portalibahia.com.br)

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou nesta sexta-feira (10), o resultado da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2019 para a Bahia e Salvador. A pesquisa foi feita em convênio com o Ministério da Saúde. 

O estudo mostra que na Bahia, a cada 10 estudantes adolescentes, 6 já beberam, 4 tiveram relação sexual, 3 sofreram bullying e 2 acham que a vida não vale a pena.

A pesquisa investigou 19 temas, sendo 13 diretamente com os escolares, que responderam aos questionários sozinhos, sem intermediação de entrevistadores, e 6 com as direções das escolas integrantes da amostra. 

Bullying

Na Bahia, 1 em cada 3 adolescentes que estudavam disse ter sofrido bullying na escola, isto é sentiu-se humilhado/a por provocações de colegas pelo menos uma vez

nos 30 dias anteriores à entrevista da PeNSE (34,1%). Foi o menor percentual entre os estados. No Brasil como um todo, quase 4 em cada 10 estudantes de 13 a 17 anos disseram ter sofrido bullying na escola, ao menos uma vez recentemente (39,1%). Tocantins (43,17%), Paraíba (41,8%) e São Paulo (41,6%) lideravam o ranking.

Tanto na Bahia quanto no Brasil, as mulheres eram proporcionalmente mais vítimas de bullying que os homens. No estado, 36,7% das escolares relataram ter sido

humilhadas na escola; entre os homens a proporção foi de 31,2%.

O problema também afetava mais os estudantes da rede privada. Na Bahia, 38,9% dos adolescentes de escolas privadas disseram ter sofrido bullying pelo menos uma vez recentemente, frente a 33,5% na rede pública.

Em Salvador, a proporção de adolescentes que disseram ter sofrido bullying na escola ao menos uma vez nos 30 dias anteriores à pesquisa foi discretamente maior que no estado como um todo (35,6%), ainda assim, era a 4ª menor entre as capitais. 

Álcool, drogas e cigarro

Em 2019, 6 em cada 10 estudantes baianos de 13 a 17 anos já tinham experimentado bebida alcóolica alguma vez na vida (60,6% do total) Embora a proporção seja elevada, considerando que o consumo e a venda de bebida alcoólica são proibidos por lei para menores de 18 anos, foi menor do que a nacional (63,3%) e era apenas a 15a entre as 27 unidades da Federação. Rio Grande do Sul (74,2%), Santa Catarina (73,8%) e Paraná (70,2%) lideravam.

Na Bahia (assim como no país como um todo), o percentual de escolares de 13 a 17 anos que já haviam bebido álcool era bem maior entre as mulheres (64,9%) do que entre os homens (55,8%). O índice também era um pouco mais alto entre os estudantes da rede privada de ensino (61,1%, frente a 60,5% na rede pública).

A experimentação de álcool entre escolares era ainda mais comum na capital do que no estado como um todo. Em Salvador, em 2019, 68,2% dos estudantes de 13 a 17 anos (7 em cada 10) já tinham consumido bebida alcoólica alguma vez.

Saúde Mental

Em 2019, 16,3% dos estudantes de 13 a 17 anos na Bahia avaliavam negativamente a sua própria saúde mental. O percentual estava abaixo do nacional (17,7%) e era 8o

menor entre as Unidades da Federação.

Ainda que a autoavaliação da saúde mental fosse majoritariamente positiva no estado, 3 em cada 10 escolares afirmavam se sentir tristes na maioria das vezes ou sempre

(29,6%). A proporção também ficava um pouco abaixo da nacional (31,4%) e era a 5a menor entre as unidades da Federação.

Sentir-se triste era um problema muito mais frequente entre as mulheres. Na Bahia, afetava 4 em cada 10 escolares do sexo feminino (41,2%), muito mais que o dobro do

percentual de homens (16,8%). Não havia diferença marcante no percentual de estudantes que diziam se sentir tristes na rede pública (29,7%) ou privada (29,0%).

O percentual de escolares que se sentiam tristes na maioria das vezes ou sempre era mais alto em Salvador: 34,8% (9o maior entre as capitais). Essa condição afetava quase metade da escolares mulheres (48,7%) e 1 em cada 5 rapazes (20,2%).

Estudantes da rede pública na capital relataram uma ocorrência maior do problema (37,0%) do que na rede privada (28,9%). Num sentimento ainda mais extremo, em 2019, 2 em cada 10 escolares de 13 a 17 anos de idade na Bahia sentiam que a vida não valia a pena ser vivida na maioria das vezes ou sempre (21,1%). O percentual ficava bem próximo ao nacional (21,4%) e era o 10º menor entre os estados.