Bahia

Para tapar cratera, empresa tem que cavar mais. Custo é de R$ 4 milhões

O problema está a 9 metros de profundidade, sendo que os técnicos sequer chegaram na metade do caminho

Alexandre Lyrio (alexandre.lyrio@redebahia.com.br)
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A expressão costuma ter duas serventias. Uma ameaçadora. “Aqui, o buraco é mais embaixo”. A outra em tom de justificativa. “Tá pensando que é fácil? O buraco é muito mais embaixo”. Mas, o buraco aberto no Km-618 da BR-324 inaugura a terceira e literal utilidade para a frase. Ali, o buraco, que ontem completou um mês de existência, é realmente mais embaixo.

 

O problema está a 9 metros de profundidade, sendo que os técnicos sequer chegaram na metade do caminho. Aliás,  além de complexa, a obra é cara: vai custar à concessionária Via Bahia, responsável pela rodovia, algo em torno de R$ 4 milhões.


O que torna o trabalho delicado é um duto da Embasa que passa pelo local, paralelo à pista, e abastece 27 bairros de Salvador. É nele que a Via Bahia se prende para explicar a demora na reconstrução da pista. A cratera, que tem 30 metros de comprimento e 15 metros de largura, causou a interdição das três vias no sentido Feira de Santana.


Sem a sustentação do solo, o duto, por onde correm 2,6 mil litros de água por segundo (o suficiente para abastecer duas Feiras), impediu que os técnicos chegassem ao ponto exato do problema. Somente ontem, depois que a Embasa concluiu a instalação de uma treliça de aço (espécie de passarela) para escorar o duto, foi possível iniciar o processo de escavação.


Temporariamente, dois guindastes sustentaram o tubo de concreto. A instalação da treliça, que pesa cerca de sete toneladas, levou mais de 12 horas e provocou a suspensão do abastecimento de água pela segunda vez, sendo retomado às 19h gradativamente.  


Profundo
Agora, para atingir o local do dano que causou a abertura da cratera, vai ser necessário descer cinco metros abaixo da profundidade atual da abertura, que já tem quatro metros.


Pelo menos os engenheiros da Via Bahia já têm quase certeza do que provocou a cratera. Na altura da via marginal à rodovia, próximo à empresa Walmart, o teto de uma galeria que escoa águas pluviais e passa por debaixo das pistas simplesmente cedeu.


“Só não sabemos ainda o que fez essa galeria se abrir. Tudo indica que saberemos quando conseguirmos chegar lá”, disse o diretor de engenharia da Via Bahia, Luiz Nogueira de Almeida. A complexidade da obra até provocou um certo constrangimento nos dois envolvidos no conserto do buraco. Via Bahia e Embasa não se entenderam em um aspecto. Para a Embasa, a concessionária não deveria ter esperado a treliça para iniciar a escavação do local.


“Eu tinha dois guindastes escorando o duto e, enquanto isso, eles podiam estar mexendo”, afirmou o superintendente de abastecimento da Embasa, o engenheiro José Moreira Filho.


Para a Via Bahia, a questão é a segurança. “A treliça nos dá muito mais segurança. Não queremos colocar os funcionários em risco”, argumentou Luiz Nogueira, que também é engenheiro.


Numa coisa eles concordam. Problemas desse tipo são de difícil prevenção. Até porque, centenas de galerias de água cortam a BR, formando uma rede de escoamento. “São tubulações antigas, de manutenção complicada”, disse o diretor da Via Bahia. “Esse é o legítimo buraco mais embaixo”, confirmou o engenheiro da Embasa.


Medidas
A Via Bahia insiste que, desde o primeiro desabamento da pista, no dia 5 de junho, trabalhou como pôde. “Choveu sem parar nos últimos 30 dias”, afirma Luiz Nogueira. A primeira medida foi instalar 45 estacas que “costuraram” a rodovia e impediram mais desmoronamentos.


Depois, as chuvas ampliaram a cratera. Para não fechar totalmente o acesso a Feira, uma camada de asfalto foi colocada no canteiro central e virou pista. Nos últimos dez dias de junho, a Via Bahia instalou bombas para drenagem da água da chuva próximo à bacia. Além disso, fez um tamponamento com comportas de aço para o resto da água não escoar para a galeria. Então foi só esperar a Embasa.


Instalada a treliça, ontem, agora o problema é 100% da Via Bahia. O próximo passo é o escoramento das paredes da área onde os funcionários vão trabalhar. “Vamos criar um confinamento seguro para escavar”, explica Nogueira.

 

Todos os dias, uma média de 35 mil veículos passa pela BR-324. A previsão é de que a pista seja liberada no final desse mês, antes mesmo da conclusão da obra. “Assim que fizermos o escoramento para consertar a galeria, a obra da estrada poderá ser feita simultaneamente”, explicou o engenheiro da Via Bahia.


Com tudo pronto, vai ser preciso aterrar todo o buraco. Ao final, para ser tapada, a cratera vai engolir 10 mil metros cúbicos de material - mil caçambas de pedra e terra.


Matéria original do Correio
Para tapar cratera, empresa tem que cavar mais. Custo é de R$ 4 milhões