Bahia

Veterinário dá dicas para quem vai deixar o cão em casa ou levá-lo à praia

Veja recomendações e cuidados a serem tomados nestes dois casos

Camila Queiroz (camila.queiroz@redebahia.com.br)
Algumas famílias optam por viajar nesta época de Réveillon. Algumas não podem ou não conseguem levar os seus cachorros para os seus destinos e ficam em dúvida do que fazer com eles. Já outras levam os seus animais de estimação e, se for para um lugar de praia, é preciso tomar alguns cuidados.

O iBahia conversou com o médico veterinário Gilton Marques, que deu algumas orientações e dicas sobre o que fazer nestas duas situações. Segundo ele, se você for viajar e não levar o seu cachorro, há duas linhas de raciocínio. Na primeira delas, o cão sempre vai estar bem na casa dele, onde a família mora junto com ele.

"Se você tem um parente, uma secretária, alguma pessoa de confiança que possa acessar a sua casa, alguns autores (e eu também) indicam o seguinte: que ele seja fidedigno às coisinhas dele, ao cheiro dele, ao comedouro dele e ao tipo de layout da casa que ele já conhece nitidamente", explica dr. Gilton. Assim, o animal vai se estressar menos, além de ser levado a menos pontos exteriores negativos como estresses de latidos de outros cães, carrapatos e pulgas que possam estar contaminados e poderem transmitir doenças e o estresse de não ter o cheiro da família junto a ele.

Já a segunda linha de raciocínio é a de que o animal precisa ir para o hospedagem. "A gente indica que esse animal tem que estar vacinado, com a carteira de vacinação em dia. Ele tem que estar com um inseticida, um repelente, um preventivo para pulga e carrapato", orienta o médico veterinário. Outra recomendação é de que quando for entregar o cachorro no local, levar um suéter suado, que não será mais utilizado, de uma pessoa que ele mais toma como referência na casa e colocar lá como uma referência de segurança para ele.

Também é recomendado levar o comedouro, o bebedouro e, principalmente a ração dele. "Diga-se de passagem que alguns animais tem dieta alimentar e precisa ser rigorosamente atendido nessas hospedagens", ressalta. "Infelizmente a gente sabe que tudo não ocorre 100% dentro de uma hospedagem e a gente tem que minimizar o máximo o estresse deste animal, porque além da falta, alguns autores e eu estudei isso há anos atrás, eles tomam isso como traição", afirma Gilton. Entretanto, como em um espaço de tempo o cão não sabe o que é um dia, o que é uma semana, o indicado, de acordo com o médico veterinário, é que, quando já estiver programado o dia de entregar o animal na hospedagem, a família se ausente para que esse intervalo de tempo cause uma dúvida no pet. "Será que meu dono ficou um dia, uma semana, ou um mês fora? Ele não vai distinguir. Automaticamente antes de você entregá-lo, da família se ausentar da vida dele, faça esse "apagão" [...] ou seja, leva ele para a casa de um parente, deixa lá um dia e depois pega de novo. Ou, ao contrário, manda alguém ir lá na casa, dar comidinha e água a ele e se ausenta. Isso pelo menos duas, três vezes, até ele ir para a hospedagem", recomenda.

No caso de levar para algum hotel, é muito importante conhecer o ambiente antes de levar o animal. "E desde os instrumentos de uso de higiene do ambiente canil até as condições de higiene sanitária de cada box do canil deve ser revisto", afirma Gilton. Segundo ele, a nível estrutural, o canil tem que ter uma área de sol, que é uma área livre, aberta. Também deve ter uma área de resguardo do animal. "Esta área deve ser de preferência azulejada, com um tablado, isolando o animal do piso, e deve ter pelo menos em média um metro e meio a dois metros quadrados a área de dormida do animal", diz o médico veterinário, excetuando a área externa.

Vai para local de praia com o seu cão?
Quem puder levar seu cão na viagem de final de ano deve tomar alguns cuidados. "O banho de mar é permitido, é bem saudável para ele, desde que ele fique ao máximo depois do banho de mar, no máximo quatro horas salgado", afirma dr. Gilton. Antes disso ou até isso, deve-se dar banho de água doce. Segundo o médico veterinário, para levar o animal ao mar, deve-se escolher um local que não tenha tanta marola e que ele possa nadar, "mas aquela coisa de mergulho, de se esbaldar junto a ele, faz muita marola e alguns cães por ter uma orelha mais fechada [...] pode desenvolver otite".

Já na areia, os donos devem evitar ao máximo aquela velha história de deixar o cão embaixo da mesa enquanto se alimentam de frutos do mar, siri, lagosta e caranguejo. De acordo com dr. Gilton, além dos cachorros terem uma predisposição enorme a este tipo de alimento, principalmente caranguejo e siris, "o perigo de isso tudo são elementos que são perfurantes, podem provocar efeito de corpo estranho no intestino do animal, além de quadros alérgicos muito graves".

Então, o que deve ser feito? "O ideal é que ele fique em uma toalhinha, em uma mesa ou em uma cadeira ao lado da família e que possa ser visto", afirma o médico veterinário. Ele ressalta que algumas prefeituras e municípios não permitem cães na praia, sendo necessário se adequar a isso. Em Salvador, por exemplo, uma lei municipal proíbe trânsito de cães nas praias.

É preciso tomar cuidado também com o sol. "O sol em animais tem uns efeitos bem graves, muito mais do que nos seres humanos. Principalmente porque eles não suam como a gente sua", afirma dr. Gilton. Portanto, deve-se evitar o excesso de sol, principalmente as raças mais despigmentadas, deixando, por exemplo, o cão embaixo do sombreiro. Também é recomendado, segundo o médico veterinário, dar sempre água fresca e pode ser gelada, para dar uma maior condição de conforto e Gilton lembra que existem bebedouros hoje portáteis.

Logo quando chegar em casa, é preciso tomar outros cuidados. "O cão tomou banho de mar, cavou na areia, brincou a vontade. Logo que chegar em casa, [deve tomar] banho de água doce, [fazer] limpeza com soro fisiológico e cotonete nas bolsinhas ventrais do olho, que com certeza está cheia de areia e isso produz uma ceratite alérgica", recomenda.

"O cão ainda é um canídeo"
Por fim, o médico veterinário ressalta que, pelo cão ser um animal doméstico, ele está sendo muito participativo nas famílias brasileiras. "Mas a gente precisa entender que o cão ainda é um canídeo, é um canino. Portanto ele precisa ser respeitado nas condições de higiene, alimentação principalmente, e saber que os cães tem uma particularidade própria, ou seja, ele é um carnívoro por espécie. A gente não pode alterar muito a alimentação, a estética do animal, porque tem coisas que fogem ao bom senso em tratar o animal. Então evitar bebidas alcoolicas, evitar comidas caseiras, principalmente feijoada, churrasco, resto de comida, que é muito comum no fim de ano", destaca.

Segundo ele, algumas proteínas têm que ser repensadas para os cães, principalmente essas batatas doce, batatas salgadas, gorduras, resto de comida. "Isso normalmente ao longo dos anos, ao longo dos meses, vai colocar o animal em disfunção fisiológica, ou seja, o fígado, o rim, algumas glândulas vão ficar doentes", alerta.