Brasil

A venda de carros 0 KM continua em declínio e, portanto, é projetada até o final do ano

Atualmente, após mais de um ano e meio da chegada do Covid-19, o mercado de veículos permanece fraco de acordo com os dados fornecidos pela Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea)

Suporte Digital*
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O mercado de venda de carros foi um dos mais prejudicados com a chegada da pandemia, e ainda não consegue se recuperar dos golpes. Acontece que, além da paralisia das atividades e restrições à circulação, por enquanto superadas, o setor de produção ainda tem que lidar com carência de insumos para a montagem e falta de estoque para cobrir a demanda. Trata-se de uma crise mundial e com forte impacto no Brasil.

Atualmente, após mais de um ano e meio da chegada do Covid-19, o mercado de veículos permanece fraco de acordo com os dados fornecidos pela Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A realidade é que, mesmo que o acumulado de vendas dos dez primeiros meses de 2021 tenha sido 9,5% superior aos valores registrados no ano passado, com a comercialização de 1,7 milhões de unidades, as projeções da Associação indicam dificuldades até o final do ano, considerando que os valores definitivos para 2021 irão registrar variações entre -1% e +3%. 

Analisando apenas o mês de outubro, a instituição informou uma queda de 24,5% nas vendas de veículos 0km se comparado com o mesmo mês de 2020, registrando 162,3 mil unidades emplacadas. É claro que estes valores incluem todo tipo de unidades como carros, veículos comerciais leves, ônibus e caminhões. Mas focando apenas nas primeiras duas categorias os valores são ainda piores. De acordo com a informação ministrada pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), o emplacamento de carros e veículos leves 0 km durante o mês passado caiu 29,17% em relação com outubro de 2020. 

Enquanto ao estoque disponível, fator importantíssimo para o crescimento nas vendas, este continua bem por baixo da média histórica, com 17 dias em outubro, nem perto da metade do esperado para épocas como essa. Nesse sentido as notícias são boas pois a produção acumulada até outubro já reflete valores positivos com 16,7% a mais do que nos dez primeiros meses do ano passado. Nas exportações a suba foi ainda maior: 26,8%. Em ambos casos, a Associação espera melhorias, com um crescimento anual entre 6% e 10% para o número de veículos fabricados e 10% a 16% no caso da exportação deles. 

Mas então, qual é o panorama para o ano que vem? Para saber isso, antes é preciso entender a causa dessa carência de estoque e problemas com a produção. 

A crise dos chips: o aparelhinho que freou o crescimento do estoque mundial de carros

Originariamente, a falta de carros explicava-se pelo fechamento das montadoras por causa das medidas dispostas para evitar contágios do vírus, principalmente no primeiro semestre de 2020. Mas quando elas retomaram às atividades habituais, um fator mais profundo surgiu como responsável pela diminuição da produção, que ainda não consegue retomar a normalidade. 

Acontece que já faz tempo existe uma falta de componentes eletrônicos verdadeiramente pequenos (chips ou semicondutores) que fizeram com que quase todos os fabricantes do Brasil - e de outras partes do mundo- tivessem que reduzir ou paralisar à produção, ou pelo menos, cortar sistemas mais avançados como centrais multimídia como foi o caso da Toyota com o Corolla. 

A importância destes aparelhos está no fato deles serem responsáveis pela maioria dos circuitos elétricos dos carros, que são a cada dia mais numerosos. Atualmente estima-se que 1.400 chips integram um veículo, ajudando em diversas funções como o travamento central de portas até a gestão do motor. 

Ainda com outras causas estruturais, a pandemia foi um dos fatores impulsionadores da crise: por causa da paralisação das fábricas e queda nas vendas desde o começo de 2020, as montadoras reduziram drasticamente os seus pedidos de componentes eletrônicos. Só que, ao mesmo tempo, com todo mundo ficando em casa, foi registrado um incremento histórico de aparelhos eletrônicos como laptops, smartphones, impressoras, tablets, televisores, etc. Todos eles precisam de chips semicondutores para a sua fabricação, portanto, é lógico que a indústria de semicondutores tenha se focado neste setor que garantia uma forte demanda. Assim, quando o mercado automotivo começou com a sua recuperação, ele ficou no último da fila para se fornecer de semicondutores, e a demanda por eles não é de fácil abastecimento. 

Neste contexto, considera-se que entre 10 e 12 milhões de veículos deixarão de ser produzidos em todo o mundo ao longo deste ano. Finalmente, aquela escassez mundial se revelou bem maior do que o estimado em 2020. Enquanto as projeções para o futuro, as opiniões não são coincidentes. A própria Anfavea projeta uma situação crítica que começará a melhorar em meados de 2022, sendo que a consultoria internacional BCG, por exemplo, estima que a volta à normalidade não será anterior a 2023. 

Como tudo isso afeta aos consumidores?

Este problema na cadeia de produção, obviamente acaba se traduzindo em maiores prejuízos para os interessados em adquirir um carro novo, e ainda também para os compradores de carros usados. 

Em primeiro lugar, o cliente que for comprar um veículo 0km, precisa saber que o prazo entre que o pagamento for feito e o momento da entrega pode ser de até 180 dias (6 meses). Isto exige muita organização por parte do comprador, pois na maioria das vezes ele vende o seu próprio carro para comprar o próximo, e passar essa quantidade de tempo sem transporte pode ser verdadeiramente inconveniente. 

Por outra parte, com falta de estoque (oferta) que não permite cobrir a demanda no momento, é claro que os preços tendem a subir, o que está acontecendo no Brasil: em média o valor dos carros novos subiu 25% de outubro de 2020 para setembro deste ano.

Do mesmo jeito, o incremento no preço também se traslada para outras despesas ligadas ao veículo. É o caso, além do seguro de carro, dos custos de manutenção dele. Isto porque, por exemplo, a apólice de um veículo sempre evolui com a cotação dele, levando em conta que as eventuais indenizações precisam cobrir os valores do mercado.  

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