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Acidente em Brumadinho: 8 funcionários da Vale são presos

Foram decretadas prisões temporárias, pelo prazo de 30 dias, de quatro gerentes da Vale, sendo dois deles executivos

Agência O Globo

 Oito funcionários da Vale foram presos nesta sexta-feira em investigação sobre "prática de centenas de crimes de homicídio qualificado", após a tragédia com uma barragem da mineradora em Brumadinho (MG), informou o Ministério Público de Minas Gerais.

Foram decretadas prisões temporárias, pelo prazo de 30 dias, de quatro gerentes da Vale, sendo dois deles executivos, e outros quatro integrantes das respectivas equipes técnicas.

Foto: Reprodução

Conforme o Ministério Publico, "todos são diretamente envolvidos na segurança e estabilidade" da barragem que se rompeu em 25 de janeiro e deixou centenas de mortos e desaparecidos.

Os funcionários presos são: Joaquim Pedro de Toledo, Renzo Albieri Guimarães Carvalho, Cristina Heloíza da Silva Malheiros, Artur Bastos Ribeiro, Marilene Christina Oliveira Lopes de Assis Araújo, Hélio Márcio Lopes da Cerqueira, Felipe Figueiredo Rocha e Alexandre de Paula Campanha.

Segundo informou a GloboNews, Campanha teria pressionado os engenheiros da auditora alemã TÜV SÜD para assinar o laudo que atestava estabilidade da barragem, sob o risco de perder o contrato.

Procurado pela Reuters, o Ministério Público disse não ter essa informação.

As prisões desta sexta-feira não foram as primeiras no caso. Após a tragédia, cinco pessoas ligadas à Vale e à TÜV SÜD foram detidas, mas posteriormente liberadas por decisão da 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Entre os liberados na semana passada está o engenheiro Makoto Namba, que teria sido pressionado pelo funcionário da Vale.

Não foi possível contatar imediatamente os investigados presos nesta sexta-feira ou seus advogados.

Em nota, a Vale disse "que está colaborando plenamente com as autoridades" e que "permanecerá contribuindo com as investigações para a apuração dos fatos, juntamente com o apoio incondicional às famílias atingidas".

Em audiência na Câmara dos Deputados na véspera, o presidente da mineradora, Fabio Schvartsman, disse que a Vale "é uma joia brasileira que não pode ser condenada por um acidente que aconteceu numa de suas barragens, por maior que tenha sido a sua tragédia".

Em outra nota, a Vale destacou que todas as barragens da mineradora são certificadas e receberam laudos de estabilidade.

Contudo, Schvartsman disse ainda, na Câmara, que a empresa "humildemente reconhece que, seja lá o que a gente vinha fazendo, não funcionou, já que uma barragem caiu".

Buscas

Crimes ambientais e de falsidade ideológica também estão sendo apurados na operação desta sexta-feira, acrescentou o órgão, dizendo ainda que foram alvos de busca e apreensão, em São Paulo e Belo Horizonte, quatro funcionários (um diretor, um gerente e dois integrantes do corpo técnico) da auditora alemã TÜV SÜD.

Também foi cumprido mandado de busca e apreensão na sede da Vale, no Rio de Janeiro.

"Os documentos e provas apreendidos serão encaminhados ao Ministério Público do Estado de Minas Gerais para análise. As medidas estão amparadas em elementos concretos colhidos até o momento nas investigações", afirmou o órgão público em nota.

O ministério contou com apoio das Polícias Civil e Militar para a operação desta sexta-feira.

(Por Eduardo Simões, em São Paulo, e Marta Nogueira, no Rio de Janeiro)